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@poesianosexo
laura me disse sobre as nossas falhas habituais quando a gente pensa que um dia feliz é um dia sem irritações, mas felicidade mesmo era estar vivo dentro de si “a tristeza mata a gente aos poucos”, ela dizia “temos que nos amar de volta pra restaurar os ecos de nós” ser inteiro não era nunca estar quebrado era estar sempre disposto a se consertar
Ele entrava em surto o pai o levava de carro para a clínica ali no Humaitá numa tarde atravessada de brisas e falou (depois de meses trancado no fundo escuro de sua alma) pai, o vento no rosto é sonho, sabia?.
Internação, Ferreira Gullar. (via embriague-se-de-poesia)
Prazer
Arrebenta o ziper que a minha alma insiste em deixar fechado Transa com o meu calor que só ferve diante de ti Devora minha pele que de tanto te querer já nao és minha Morde meus instintos mais sutis que de sutis perto de voce não sao nada Agora Depois E nessa mesma hora Amanhã
e me cansar de vez em quando da minha própria pele da minha própria casa da minha própria voz (silêncio) eu me coloco um pouco na estante deixo a vida passar devagarinho nos meus olhos volto em cena fugir também é ficar quando a alma sai do corpo e depois volta mais leve
O possuir não existe, existe somente o ser: esse ser que aspira até ao último alento, até à asfixia.
Franz Kafka
Mas o pior estava por vir. Pois, uma vez que a doença da leitura se instale no organismo, enfraquece-o, tornando-o presa fácil desse outro flagelo que habita no tinteiro e apodrece na pena. O infeliz dedica-se a escrever.
Virginia Woolf. (via recomendar)
a arte não pode ser nada mais do que uma ruptura que estilhaça todos os fechamentos da moralidade, da filosofia, e, sim, da própria estética, de modo a entrar nesta esfera onde a unidade de toda a verdade reina suprema: ‘Nós não podemos viver fora do real. E o real, a verdadeira dimensão positiva da vida, certamente não pode consistir em alguns momentos de exaltação sensual ou intelectual, ou mesmo de religiosidade vaga. O real é aquela camada subterrânea de sofrimento que, de repente, emerge na superfície como as águas de um rio subterrâneo
Hans Urs von Balthasar, citação de Georges Bernanos, “Bernanos, An Ecclesial Existence”
quando comecei a ver o mundo com olhos de poeta:
minha sensibilidade aumentou estratosfericamente, minha facilidade de tocar as coisas, sem encostar um dedo. minha melancolia eminente. minha mania de extrair poesia de tudo.
a minha forma de enxergar o mundo de um jeito bem mais frágil, mas ainda assim, mais bonito.
eu sou muito sem paciência pra quem tenta ser poesia o tempo todo. taí uma coisa que não se tenta, taí uma coisa que não se percorre ela está (tal qual o amor, sem esforço)
eu sempre acreditei no valor da vida real: ônibus lotado, gente suada, o cansaço geral que silenciosamente leva cada um até o seu destino todo fim de dia. eu ficava pensando: que porra chata de poesia do caralho flores palavras difíceis regras gramática
tomei aquele tapa do mundo: tudo que eu achava bonito era poesia também, mas nem tentava ser são essas que eu acho bonitas, reais e intensas a poesia do caos cotidiano
e que você fique aí com seus grandes autores e cores pastéis e etc eu não eu sou da poesia soco da verdade violenta que cruza esquinas da arte de uma cidade que respira organismo vivo parte de mim
quero desmitificar o sutiã bege quero sentar de pernas abertas e fumar um cigarro quero poder te dizer baixinho no telefone que estou me tocando e pensando em você sem que isso te faça acreditar que estou aos seus pés porque nunca se tratou de estar rendida sempre se tratou de saber naufragar no próprio corpo e por saber tão bem de si ser capaz de incendiar o outro
quero sua boca no meu peito esquerdo sem chamar de amor quero suas mãos entre as minhas coxas quero gemido como dialeto quero desmitificar o sutiã bege
quero acabar com você
as crianças tem que chegar na pornografia algum dia
não deixarão de ser crianças aos seus treze anos lendo contos eróticos ou vendo um pau invadir uma buceta sem nenhum (ou com o minimo) amor no redtube. são apenas humanos e pequenos demais para notarem que ainda vão crescer, foder, e descobrir fetiches que não sabiam serem possíveis. as crianças vão chegar na pornografia ou a pornografia nas crianças (nunca sei a ordem de quem vai ou fica). eu soube o que era sexo antes de uma aula de biologia porque entrei em algum bate papo pelo celular, tão antigo quanto minha memória do tal, e os homens me apresentaram da pior forma, carnal. não me interessei por homens durante muito tempo, são simples demais para serem apaixonantes, assim como as mulheres são complexas demais para serem amáveis. sempre fui apaixonada por uma amiga, e eu nem sabia que nunca a amaria, era louca demais, e confiem em mim, todas as mulheres são loucas demais, ainda busco o motivo. talvez não sejam humanas e por isso achamos que são loucas, talvez sejam o próprio sexo, e por isso achamos que não são humanas. já os homens, aprendi a amar sem dor ou culpa porque são simples, os amo e nada surreal, tenho alguma forma de dó por eles, tenho necessidade de me doar para que eles supram o instinto de proteção. com as mulheres o amor se aproxima do significado que tem nos livros de romance, com os homens, ame ao próximo como a si mesmo. admito que tenho medo do relacionamento com alguém com sexto sentido, alguns homens o tem e destes eu fujo, apesar do sexo chegar até mim ou eu a ele de formas inexplicáveis. o tédio leva ao sexo, a felicidade leva ao sexo, a espiritualidade, o frio ou calor, a arte ou poder, tudo que você possa imaginar leva ao sexo. a humanidade só existe pelo e para o sexo. a primeira vez que você fizer sexo virtual, se já não o fez, vai se sentir completamente idiota e será. mas vai entender que não importam os livros, os ritos ou o que quer que importe, trepar é sempre um paradoxo.
O escritor é uma pessoa que não merece nenhuma confiança. Um amigo chega e me conta as maiores dores; eu escuto com atenção, mas estou é recolhendo material para mais um conto. E eu sei disso na hora. Surge então a má consciência. Sei que estou fazendo assim e não desejaria fazer, mas não há outro jeito. O escritor é um ser maldito.
Dalton Trevisan. (via recomendar)
Foi nessa idade que a poesia me veio buscar Não sei de onde veio Do inverno, de um rio Não sei como nem quando Não, não eram vozes Não eram palavras Nem silêncio Mas da rua fui convocado Dos galhos da noite Abruptamente entre outros Entre fogos violentos Voltando sozinho Lá estava eu sem rosto E fui tocado.
Pablo Neruda. (via embriague-se-de-poesia)
no silêncio absoluto, eu fermento palavras.