Mais uma noite ela chegou do trabalho e foi se despindo da sala ao banheiro, largando suas peças de roupas pela casa, cansada de um dia estressante ela só queria tomar um banho, um clonazepam e dormir, até o próximo dia de trabalho. Faculdade nem pensar, encarar os colegas de sala com sorriso no rosto como se estivesse tudo bem, jamais. O cigarro e a cama eram suficientes para ela.
Um calor de fritar ovo no asfalto, ligou o chuveiro, escorreu aquela agua bem gelada pelo seu corpo, agradeceu a Deus por aquela banho, era tudo que ela mais precisava naquele momento, chorou junto com a agua que escorria e todos os sentimentos de incapacidade, de questionamentos negativos e outras coisas ruins que ela vinha sentindo foram saindo de seu corpo, cada lagrima parecia levar um pedaço que incomodava aquela garota, a alma precisou se despir naquele fim de tarde e, o choro, bom o choro é LIVRE.
Saiu do banho, enrolou-se na toalha, ficou de cabelos molhados e bagunçados pegando sua bagunça pela pequena casa (cheia de espaço) em que ela chama de “ponto de paz”, era roupa, sapato, coisas de gato, toalha, comida... tudo espalhado, tudo espalhado. Mas ela estava feliz de estar ali, com ela, com suas bagunças e suas gatas. Ainda enrolada em sua (melhor) toalha, tirou a noite para ela depois de quase uma hora de banho, sentia que era necessário se cuidar um pouquinho, se permitir um pouco mais, buscar dentro dela algo que ela sentir que estava faltando.
Colocou uma música que meche com seus sentimentos (Last dance – Dua Lipa), ascendeu um cigarro de café, passou um pouco de café, foi sentar-se na varanda, olhando a lua, de calcinha e camiseta, sentada no banco do jardim, cuidadosamente olhando para a Lua e dando seu melhor trago do momento, ela estava se permitindo curtir o momento, era um momento tão precioso, pois finalmente, mais do que nunca, ela resolveu ouvir seu corpo dando sinais de que sua mente anda trabalhando de mais.
Abandonou a ideia do clonazepam, ela queria ver uma série, colocou uma qualquer no computador, mas não se concentrava em nada, ainda muito agitada ligou para uma amiga e pediu um trago de... maconha. Era melhor do que tomar um remédio que fazia ela acordar se sentindo um lixo, uma pessoa tóxica, um ser humano infeliz, uma pessoa que só traz problemas, quando na verdade ela só queria rir um pouco de coisas sem graça, abraçar umas arvores, tomar um vinho e continuar ouvindo música ou vendo série. Nada que um remédio a deixaria fazer, mas um cigarrinho de maconha sim.
Enfim, passou um tempinho, ela terminou de dar uma geral na casa para receber a amiga, que sempre esteve acostumada com a sua bagunça, afinal elas são amigas há quase dez anos e uma já não se importa mais com a bagunça da outra, o que importa é o momento. Elas colocaram uma música e começaram a dançar, uma tragada daqui outra dali elas foram ficando muito chapadas, riram até cair no chão.
Elas sentiam que estavam aproveitando aquela noite como a última noite de suas vidas, não sabiam o porquê, mas chegaram aquela conclusão e resolverão que iriam viver, e bom, o céu virou o limite. A ideia do clonazepan com uma cerveja já não era mais tão ruim assim, primeira noite de aventuras de uma vida sem limites, ou limitada o suficiente para se sentirem enjauladas em suas próprias mentes. Todo o cansaço do dia havia se esvaído por seus poros enquanto bebia e ria com a sua amiga, decidiram que era mesmo noite de viver, depois dos tragos cada uma para o seu lado, seus compromissos, suas noites.
A amiga foi embora, ela tomou outro banho, se arrumou, pegou o carro, sempre com pouca gasolina, mas sempre fazendo a alegria dela, levando ela para todos os lugares que ela quis ir, apostando corrida na rua, passando reto nas lombadas que ela não enxergava, colocou sua lista mais animada do spotify, colocou o volume do carro quase no ultimo e foi, mandou uma mensagem pra uma outra amiga, que naquela noite, não quis a ver, ela não imaginava o não da noite, mas tudo bem, ela não ia pra casa por causa disso, ela tinha corote de Tutti-frutti (Wanda) no carro, um beck muito bem bolado (Cosmo) e claro, cinco gotas de clonazepan. Ela não precisava de mais nada naquele momento, ela queria ela mesma agora, e ela foi se divertir, foi para casa de uma outra amiga e de lá para uma festa, onde os problemas iam ser esquecidos, beber mais, fumar mais, viajar mais, se entregar mais... Às vezes ela se sente livre de mais e extrapola no que pode ou não fazer, ela anda meio maluquinha, cheia de problemas karmicos e psicológicos... mais um cigarro e um cerveja, arrumou mais um beck.
A noite só estava começando. Se sentindo rejeitada pela garota que ela estava ficando, porém, princesa, toda trabalhada na beleza, ela foi pra pista de dança, sozinha mesmo, soltou os cabelos, tirou o salto e foi, ela foi dançar, ela teve um noite agitada com ela mesma, lembrou que era sexta, ufa, amanhã o dia não ia começar as 6 da manhã, porque não havia mais amanhã na cabeça dela, o ultimo detalhe lembrado daquela noite é ascender o beck na balada e virar meio corote wanda. Seria ela uma louca? Depois disso eram só fachos de luz e muita música entrando em sua mente (que já estava insana).
Dançou, rejeito bebidas e beijos aleatórios. Dançou, com sua própria companhia, segurando suas coisas e viajando consigo mesma e a música do começo da noite, abriu um sorriso, foi pro carro, agradeceu por conseguir se divertir, pegou o celular, escreveu uma mensagem enorme (que nunca foi enviada), chorou, ligou o carro e foi para casa, outro banho, 7 horas da manhã, dormiu e só acordou as 19 do dia seguinte, sentindo-se culpada, mas ao mesmo tempo limpa por ter vivido. Ela entendeu que não precisa de migalhas, em uma noite ela se transformou várias e várias vezes.
Toda lagarta uma hora vira borboleta.