Afastada da realidade que outrora era vigente em sua existência, a adaptação a nova vida se dava de maneira vagarosa, sendo os costumes que antes era detentora não mais possíveis ao que a divergência de mundos se manifestava. Arrependimento, contudo, não marcava o âmago da Porter, incapaz de sentir remorso ora que tinha se apegado tanto aos eventos que a guiaram pelo caminho que seguia. Não enxergava, o relacionamento que construiu com o Riley com qualquer negatividade. Ao longo de sua vida, pouco tivera um relacionar tão verdadeiro como o que compartilhou com aquele que se fez o detentor único de suas mais genuínas estimas, sendo os sentires que tinha para com ele, até então, de cunho inédito. A presença alheia em tudo lhe era causava um agrado inegável, além de despertar em si algo que jazia velado em seu interior, os relacionares prévios sendo cravejados por interesses externos, pouco a Porter conhecendo qualquer vínculo no qual houvesse ausência de qualquer conveniência. Os esforços, no entanto, via-se em tudo sendo recompensados, o laço que tinha com o oficial de polícia garantindo-lhe uma quase inviolável sensação de resguardo, sendo o avançar de tal amizade algo que fugiu do controle de Kisa, porém, lhe agregava uma felicidade inerente enquanto na companhia do mais velho.
Suas esperanças, contudo, tiveram o fim decretado pelas vontades dos pais, em nada satisfeitos com o novo e genuíno relacionar a filha, sendo suas exigências voltadas para um findar do vínculo que tanto era importante para Kisa. Os adventos seguintes ao fim lhe consternavam o âmago, sendo a mais árdua de suas ações ter que abster-se da companhia alheio, o arrependimento crepitando no cerne da Porter. Não tivera, entretanto, tempo para qualquer cicatrização quando a notícia de uma gravidez lhe fora imposta, num primeiro instante, a ruiva incerta de como prosseguir e sobre como iria avançar em meio a tão súbita condição. A decadência começara quando os próprios progenitores, insatisfeitos com o fato, se viam sugerindo –––– entre entretons quase impositórios, um cessar pleno da gestação, algo que fugia do compreender da mais nova, sendo ela pouco capaz de interromper de maneira tão brusca. Não lhe fora dada outra opção além de deixar a casa na qual morara por toda a sua vida, seguindo por entre os desconhecido de modo que precisava compartilhar de tal notícia com o outro responsável pela concepção do feto que crescia em seu utero.
As reações advindas do mais velho, porém, não divergiram das tidas pelos pais da Porter, sendo uma resposta hostil desferida contra o rosto alheio. A força depositada no tapa em tudo era carregada por uma mágoa crescente, por um instante, a mulher descontando no outro todas a fúria que jazia reprimida em seu cerne. Lembrava-se com pouca clareza dos acontecimentos daquela noite, porém, as cicatrizes ainda marcavam a tez das mãos, transposta pelas unhas enquanto tentava controlar a raiva que inflamava o âmago. As limitações, então, manifestaram-se enquanto tentava proceder em meio ao caos que atingia a nova vida, sendo acolhida no mais improvável dos lugares enquanto tentava reaver o controle outrora perdido. Não imaginava, porém, que as preocupações iriam ser ampliadas quando os rumores finalmente chegaram até si, o fato de estar sendo procurando com tanto empenho por parte daquele que tanto significava para si algo que despertou algo que achou estar exânime, suas ponderações acerda de um encontrar-se com o Riley algo que arrancaram de si as forças que lhe restavam, uma necessidade de ir até ele preenchendo seu espírito.
Não havia qualquer outro alguém nas imediações da residência alheia e uma hesitação crescente ameaçou reger seus atos e fazê-la retornar, a ruiva, porém, não cedendo aos medos e seguindo ao do mais velho. O sorrir defronte a figura alheia fora quase inevitável, a Porter usando de todo o controle restante, os dias em separação não tendo qualquer efeito em fazê-la esquecer das feições que tanto gostava. ❝ –––– É uma má hora? Estava esperando outra pessoa? Eu posso ir embora...” Uma parcela de si assustada com os motivos que levaram o Riley a dedicar-se a sua procura, a mais nova, no entanto, não tendo qualquer disposição para ceder ao que fora proposto a si no último encontro com Cole. ❝ –––– As meninas me falaram que você estava me procurando, então achei que...” Fitava o rosto alheio com uma preocupação latente, consumida pelas apreensões destinadas àquele por quem tinha tanto apego. ❝ –––– Coley, você está bem? Quero dizer, parece um pouco abatido. Aconteceu alguma coisa?” Várias coisas haviam acontecido, porém, sua questão era destinada apenas ao estado do mais velho, incapaz de tirar os olhos dele enquanto tentava se portar da maneira que achava correta. ❝ –––– Espero que aquilo não seja comida chinesa. Você sabe que tem que variar um pouco não é?” Os dizeres preocupados disfarçados com um tom jocoso, a ruiva ciente dos hábitos alheios. ❝ –––– I was worried.”