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te convencer que aqui é um bom lugar é ato de loucura.
Tem dias em que a ausência fica menor, diluída em distrações e um rotina árdua. Eu sigo, funciono, sorrio. Até você atravessar minha mente sem pedir licença e ficar, como se nunca tivesse ido. E ficar como um inquilino que se recusa a ir embora.
Anne Rizzo
às vezes me pergunto se ainda faz sentido pensar em você.
-es.
sempre fui de gostar até o peito doer
Eu amo atravessando,
não fico na margem.
Quando sinto, entro inteira,
mesmo com medo da corrente.
Não deixo o amor no raso,
não negocio metade,
não fico onde o toque para
antes da verdade.
Enquanto eu fico,
o outro mede.
Enquanto eu fico,
o outro teme.
Eu atravesso o depois,
o silêncio,
o peso do que muda.
O outro atravessa só
até onde não se machuca.
E então fico eu,
do outro lado do rio,
segurando um vínculo
que só eu cruzei.
nem tudo a gente vai conseguir consertar, meu bem.
sinto falta do jeito que você quase me amou
já é um longo tempo sem você.
esses dias passei perto da tua casa, e a quietude da rua encheu meus sentidos de nostalgia. ainda lembro, e ainda dói lembrar. às vezes esqueço o teu rosto e me pego procurando por você no meio de outras pessoas. eu sei que não nos encontraremos mais. eu sei. mas já é um longo tempo sem você.
já li histórias de quem se perde e depois se reencontra, com o coração mais certo e a mente mais clara. por muito tempo acreditei que seria assim com a gente, que em algum desses caminhos, indo ou voltando, nossos passos voltariam a se cruzar.
mas já é um longo tempo sem você e, meu bem, acho que estou começando a aceitar: já fomos tudo o que tínhamos para ser.
nem sempre eu trouxe a rigidez em meu coração.
deixei que se apagasse em mim o desejo antigo de encontrar os teus olhos.
a gente morre um pouquinho ao tentar segurar quem já se foi.
tenho tentado limpar as tuas ausências do meu coração.
eu ainda sinto falta de me sentir infinito.
te escrever nessas linhas cortadas
ainda seria pouco
perdi a conta das estações
cê também perdeu?
se eu bobear demais
sinto a fratura no peito
dos fragmentos
das risadas sem pudor
e dos olhares com amor
até mesmo quando eu saí pela porta
por isso que te escrever
é pouco
tudo que eu penso em falar fica pulsando em uma pilha
de tudo que veio depois de nós
e que já não vale mais a pena
sinto que tenho olhado muito para trás, e não tem nada lá. mas talvez eu fique procurando formas de sentir alguma coisa, qualquer coisa, que não pareça um oco. as vezes fico me auto analisando pra descobrir no fim das contas, que eu corro até de mim mesma. é como se eu passasse os dedos pelo meu corpo e quisesse me soltar, me desprender de tudo. pular da corda bamba
doeu o não toque
o distanciamento
foi pela falta de tato?
ou de sensibilidade?
foi pelas inúmeras vezes que eu te comi com os olhos
te desenhei nas minhas retinas
e você
desperdiçou todas as digitais que poderiam ser traçadas
na minha pele.
as vezes eu acho
que você tinha tanta pressa de mim
que não soube ver as possibilidades
e tampouco aproveitar a paisagem
dos nossos corpos
dançando pelos cantos da casa
é que a gente esquece
que depois fica só o eco
os gemidos e as risadas
impregnados na parede
meu amor, tem coisas que são feitas só pra quem tem coragem.