Rhaella possuía completa ciência de como certamente eram vistos pelos olhos alheios: duas pessoas pertencentes a realeza e que, mediante a “ uma seleção”, estavam mergulhando de cabeça em um casamento que iria unir dois países que tinham muito a acrescentar um ao outro, considerando os títulos e bagagens de vida de cada um. Mas Rhaella Kertesz e Ryan Roosevelt nunca se importaram com opiniões alheias, não era agora que começariam, não a respeito do amor que sentiam um pelo outro.
A morena sabia e muito bem que estavam sendo julgados, em especial pela ansiedade tão imensurável, que mal foram capazes de conter até que o dia chegasse, não sabia se aquilo era ruim mas havia contado cada minuto para aquele dia que para ela era tão especial,o dia em que seria apenas dele para sempre. E afinal, estavam esperando para que, exatamente? O amor que sentiam um pelo outro preenchia cada pedacinho do corpo de ambos, era algo que os consumia diariamente e de maneira que as palavras “eu amo você”, faziam-se insuficientes para ambas as partes, como Rhaella dizia que haviam de ser inventadas novas palavras ou expressões de ainda maior significado. “ Eu sou do meu amado e o meu amado é meu…”
As conversas sobre o casamento tinham se tornado muito constantes no relacionamento dos dois, o pedido de Ryan havia sido feito de forma especial e possuía tudo haver com eles, nada mais justo do que o casamento também ser assim, nas ultimas semanas ela tinha se dedicado aquele casamento assim como o noivo estava se dedicando ao país. Mas existia ali uma genuinidade indubitável sendo transmitida por ambos e, não importava a maneira e local em que estavam inseridos, tudo que dissesse respeito a Ryan era mais do que perfeito para Rhaella. Não precisava de absolutamente nada mais. “ Não me instes para que te abandone, e deixe de amar-te…”
Tudo ocorreu tão rapidamente, de forma que a mulher logo foi atrás dos preparativos, em especial após terem decidido a data específica. Os pais de ambos não poderiam estar em maior alegria, afinal eles tinham as alianças e Rhae e Ryan um ao outro. Os pais de Rhae haviam se casado de forma diferente e não haviam provado do amor de marido e mulher além das obrigações e estavam felizes que a filha havia encontrado seu amor e mantido uma aliança para o país. Mas mesmo que de forma diferente, estavam em uma alegria tamanha que não parecia ter fim, começando a aproximação das famílias. A notícia foi recebida em igual receptividade por parte dos Roosevelt e, portanto, os noivos não poderiam estar em maior ansiedade e vibrante euforia. “ Porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo…”
Onde ocorreria a festa foi a primeira e mais fácil coisa a ser resolvida, tendo em vista que os jardins do palácio havia sido um dos locais que Rhae havia passado alguns momentos com Ryan, não havia lugar melhor para que o casamento fosse feito. Rhae havia escolhido os tons da festa girarem em torno da flor que Ryan havia lhe dado, misturado com tons de verdes. As cores eram ricas de incrível magnitude e bem característico do local, assim como os ornamentos das cadeiras e o que mais havia conquistado Rhae: um adorável gazebo havia sido construído, que por sua vez parecia pedir para que a união de um amor tão verdadeiro, fosse feita logo ali. “ Faça-me assim, ó senhor, não só hoje como em todos os dias de nossas vidas…”
O grande dia havia chegado, depois de várias noites mal dormidas em decorrência de tamanha ansiedade e inquietude por parte dos dois. O lugar estava decorado com tulipas e rosas lilases e lavandas, as favoritas da noiva. Cadeiras estavam despostas na frente do gazebo, e havia uma quantidade um pouco maior de pessoas do que ela inicialmente havia imaginado mas não via porque não ceder aquele capricho dos pais, amigos mais próximos e seus acompanhantes, alguns funcionários do castelo e é claro, os Bragança, Rhae havia pedido que a família de Margarida viesse, sabia que a amiga e dama de honra estava com muitas saudades deles. O céu estava tingido de cores amarelas e alaranjadas, próximo do pôr do sol, o horário escolhido pelo casal justamente pela beleza que o fenômeno agregava e pelas recordações que este trazia. Não poderiam ter escolhido melhor momento e lugar para que casassem, todos os detalhes fazendo de todo lugar o mais vibrante possível, valorizando ainda mais a beleza estonteante que poderia muito bem ter capacidade de tirar o fôlego. “Somos mais que as partes que nos formam. Somos amantes que se encontraram nessa vida e em todas as outras vidas…”
Depois dos momentos iniciais, da seleção que fez com que gradativamente o que sentiam tornar-se ainda mais forte e com as outras princesas tornar-se mas abarrotada de empecilhos, sentimentos tentando ser guardados, reprimidos e ignorados… ali estava a hora deles. Não existia mais sequer um segundo que separasse a união que, sem sombra de dúvidas para os dois, perpetuaria para todo o sempre. Como já diziam os amigos, eles eram Rhaella e Ryan, por mais sem sentido que isso pudesse talvez soar para alheios, se fazia de completo entendimento e também concordância para o casal. Eles eram Rhaella e Ryan, existia um envolvimento antes mesmo de haver envolvimento, sempre foram eles dois. E agora, diante de várias pessoas esperando pelo seu momento de entrar, seriam mais do que apenas Rhaella e Ryan. Se tornariam o senhor e senhora Roosevelt, em todo o seu louvor. “It’s you. It’s always been you …”
Aquele era o dia que Ryan esperou por muito tempo. Todo e qualquer detalhe que Ryan olhasse, podia ver algo de si e de Rhaella. Algo que lembrava-os, que lhe trazia boas memórias de tempos que passaram juntos. A escolha do local, as flores dos arranjos, as cores, a música que tocava ao fundo da cerimônia e até mesmo as pessoas que estavam presentes ali. Tudo fazia parte da história que começaram a escrever meses atrás. Continuariam essa história, mas agora mais unidos do que jamais foram e não só porque estariam casados seguindo uma religião ou tradição, mas porque estavam se entregando um para o outro por completo.
Sim, Ryan chegou até os jardins à cavalo. Tudo bem que era rei agora, mas ele queria ser o príncipe encantando de Rhaella e faria de tudo para que isso acontecesse, até nos mínimos detalhes. Queria que ela fosse tão feliz quanto ele estava sendo ao lado dela. Seu sorriso era radiante durante toda a cerimônia mas quando olhou para a mãe e a viu desmanchando em lágrimas, sentiu a garganta travar e precisou apertar a mão de Rhaella na sua para não perder a compostura.
Quando enfim a cerimônia acabou, queria poder fugir com Rhaella dali, mas sabia ser impossível. Precisava parar com aquela mania de querer sempre tê-la apenas para si e eram tantas pessoas querendo os cumprimentar que quando viu, sua esposa já estava bem longe de si. Deixou-se ser cumprimentado por todas aquelas pessoas que tanto gostava e demorou-se um pouco mais com seus pais e com Roan.
Procurou por Rhaella quando enfim conseguiu um tempo para si e a achou rodeada pelas amigas. Enlaçou seus braços na cintura dela a apertou contra si. “Senhora Roosevelt, seu marido exige sua atenção imediatamente.” Sussurrou no ouvido dela e depois sorriu para as amigas de sua amada, como se pedisse desculpas por rouba-la.