REFLEXÕES | CONTEMPORÂNEO
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REFLEXÕES | CONTEMPORÂNEO
> Zygmunt Bauman
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AINDA QUE A DOR REDUZA O HOMEM AO SILÊNCIO
UM DEUS ME DEU O PODER DE EXPRIMIR AQUILO QUE SOFRO.
GOETHE, Torquato Tasso.
Essa minha escura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro
vem da zona escura
donde vem o que sinto
Sinto muito, sentir é muito lento.
Paulo Leminski.
NADA É MAIS REAL QUE NADA
BECKETT, Samuel.
bibliografia
A REPRESENTAÇÃO DO HOMEM CONTEMPORÂNEO ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA. São Paulo, Centro Universitário Senac, Ana Paula Umeda.
a busca da identidade é a busca incessante de deter ou tornar mais lento o fluxo, de solidificar o fluído, de dar forma ao disforme.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Liquida.
E OQUE É AQUILO COM QUE OS INDIVÍDUOS ABANDONADOS, DESSOCIALIZADOS, FRAGMENTADOS E SOLITÁRIOS PROVAVELMENTE SONHAM E, SE TÊM UMA CHANCE FAZEM? JÁ QUE OS GRANDES PORTOS FORAM FECHADOS OU PRIVADOS DOS QUEBRA-MARES QUE COSTUMAVAM TORNÁ-LOS SEGUROS, OS INFELIZES MARINHEIROS FICARÃO PROPENSOS A CONSTRUIR E CERCAR OS PEQUENOS REFÚGIOS ONDE PODEM ANCORAR E DEPOSITAR AS SUAS DESTITUÍDAS E FRÁGEIS IDENTIDADES.
BAUMAN, Zygmunt. Identidade.
A fruição da beleza dispõe de uma qualidade peculiar de sentimento, tenuemente intoxicante. A beleza não conta com um emprego evidente tampouco existe claramente qualquer necessidade cultural. Apesar disso, a civilização não pode dispensá-la.
FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização.
a felicidade constitui a referência absoluta da sociedade de consumo, revelando-se como EQUIVALENTE AUTÊNTICO DA SALVAÇÃO"
BAUDRILLAR, Jean. A Sociedade de Consumo.
Os líquidos, ao contrário dos sólios não mantêm sua forma com facilidade, são maleáveis, não fixam o espaço nem prendem o tempo e estão constantemente prontos (e propensos) a mudar. Essas são razões para considerar "fluidez" ou "liquidez" como metáfora adequadas quando queremos captar a natureza da presente fase, nova de muitas maneiras, na história da modernidade.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida ou Fluida.
O que foi separado não pode ser colado novamente. Abandona toda esperança de totalidade, tanto futura como passada, vós que entrais no mundo da modernidade fluida
BRUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida.
Tentamos afastar toda a complexidade que possa ameaçar as nossas existências, como disse Sigmund Freud, "a vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis"
"COMO A CRIANÇA-LOBO SE TORNA LOBO À FORÇA DE COM ELES VIVER, TAMBÉM NÓS, POUCO A POUCO, NOS TORNAMOS FUNCIONAIS. VIVEMOS O TEMPO DOS OBJETOS, QUERO DIZER QUE EXISTIMOS SEGUNDO O SEU RITMO E EM CONFORMIDADE COM A SUA SUCESSÃO PERMANENTE.
BAUDRILARD, Jean. A Sociedade de Consumo.
a festa da menina morta, matheus nachtergaele.
O filme é curiosamente todo trabalhado em planos sequências. A fim de se passar mais realismo, nos deixar mais próximos dos personagens.
cienasta Claudio Assis
http://www.rfi.fr/actubr/articles/102/article_12509.asp
lado animal do ser humano que se mostra claro
fotografia de Lula Carvalho
http://pllot.tumblr.com/post/747864118/a-festa-da-menina-morta-matheus-nachtergaele
câmera estática > ele passa > a câmera o segue.
hysteria-texto-introdutório
A cada segundo uma nova imagem, a cada minuto um novo conceito. São novas plataformas, são diferentes usos. Somos baseados na imagem, no signo da imagem, em símbolos. A informação visual como propagador de ideais, fixador de ‘realidade’, produzida incessantemente, disseminada em alta velocidade. Bombardeados visual e conceitualmente pelo descartável.
A velocidade de tal processo nos obriga a ingerir. Ingerimos pela metade; a meia-informação, o conceito pela metade. Creio que essa ingestão que nos é apresentada não seja a adequada para seu entendimento correto. Credito isso a velocidade que nos é imposta a próxima informação, seqüencialmente. Ingerimos, ingerimos e digerimos sua metade. Essa constante gera um acúmulo de meios-conceitos mastigados e não pensados que são apenas armazenados e não discutidos, não entendidos.
Levo esse ponto aos questionamentos: Onde é armazenada toda essa informação recolhida durante uma vida? Como ela é metabolizada pelo (in)consciente? Até onde são refletidas no que somos? Este espaço de armazenamento é finito? Esses são nossos referências?
Penso que: somos obrigados pelo meio a ingerir e somos obrigados, em algum momento, pelo corpo (não trato ‘corpo’ apenas me referindo ao físico) regurgitar o excesso. Forma-se um ciclo: deglutir > acumular > regurgitar.
Acredito na necessidade desse ciclo sendo básica ao funcionamento humano. A importância do ato ‘vomitar’ como fechamento e recomeço de ciclos, de fases de uma vida. É este o momento em que o ciclo da acumulação é quebrado, todo o mau-digerido é expelido. O espaço é reaberto. Caracterizo tal momento como uma ‘histeria’ particular, onde corpo e mente fundidos trabalham em prol da renovação; o aflorar da essência não-contaminada pelo meio.
Hoje, o homem participante e constituinte da sociedade não possui, não respeita este ciclo que nos mantêm. Não se é possível a ‘pausa’, o isolamento, a renovação. O acúmulo não cessa, transborda. Creio que tal fenômeno é responsável por um sentimento coletivo de perda, de vazio, do ter-se tudo as mãos e do não aproveitamento. O homem se vê dominado pela inércia.