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Natalie Portman is e v e r y t h i n g
<p>(Palavras soltas no meu caderno sobre a novidade tão nova que é ele)</p>
<p>Torço para que nem ele e nem ninguém leia isso. Porque além de ser cedo demais, meu orgulho aquariano não quer ceder e amaciar o seu imenso ego leonino. Mas acho que escrevo porque estou perdida feito cego em tiroteio na novidade dessa pessoa (como diz Nando Reis). (Caramba, pensei em “Sei” do Nando Reis? Uma nova era, de fato, começou). Só não consigo entender o que está acontecendo, o que estou pensando ou como meus sentimentos estão mudando à velocidade da luz. Então talvez esse caderno seja uma válvula de escape para a minha confusão. </p>
<p>Daqui pra frente nada que está escrito nesse caderno deve fazer sentido. É a bagunça da minha mente que fica aqui registrada para que eu seja trouxa na posteridade. Vou tentar separar as linhas de pensamento por estrofes, mas sei que essa folha terminará rabiscada pelo meu brainstorming sobre ele. </p>
<p>Eu faria as duas tatuagens que ele tem nas costas. Porque eu trocaria o leão do centro por um peixe e me sentiria a própria Angelina Jolie com os manuscritos budistas no lado direito. De verdade, eu já pensei em executar as duas durante minha jornada tatualística até aqui. </p>
<p>Amei saber que ele também anota pensamentos soltos em formato de listas sem parâmetro. A anotação tem ordem de importância? Cada item tem apenas uma oração? A folha pode virar o cenário de um texto? Haverão rabiscos? Não se sabe. Mas essa é a graça de anotar pensamentos soltos. Lembro de um mais ou menos assim: “entrar de pés descalços no coração dos outros”. Mas ele parece estar entrando aqui calçado de sapato social, ou aliás, nem parece estar entrando. </p>
<p>Senti um misto de pânico e paz quando deitei em cima do peito dele na areia da praia e ele leu pra mim um livro muito maluco sobre filosofias da transformação pessoal, traumas da infância e felicidade plena. Na hora pensei que gostaria que alguém estivesse presente para tirar uma foto desse momento. Estávamos tão bonitos deitados naquela toalha cinza segurando “O Caminho da Autotransformação” de Eva Pierrakos, nossas mãos nos dois lados da capa. O céu estava muito azul atrás daquele livro que segurávamos juntos e líamos em voz alta. Ele também lê livros sem pena de riscar o que mais gostou, classificando a importância em asteriscos ou aquelas estrelinhas que a gente desenha sem tirar a mão do papel. Mas ele risca de lápis e eu de marca texto colorido. Acho que isso diz MUITA coisa sobre como nós dois somos universos completamente diferentes. </p>
<p>Ainda não encontrei uma definição pro olhar dele. Perdido, observador, carinhoso, curioso? Eu não sei. Ele é um livro trancado. E por que diabos ele levanta questionamentos filosóficos e usa o emoji de abóbora de Halloween ao final de 90% das frases que digita? Aliás, já falei que ele tem um cheiro fenomenal? Dá vontade de ficar encaixada naquela nuca e ficar contando os fiozinhos de cabelo branco. Gostei demais de ver como ele se sente em casa surfando na maré de fim de tarde, com aquele céu performando um espetáculo de tons rosados e lilases. </p>
<p>Ele também adora cada detalhe da Brazilian culture (e talvez por isso, odeie NYC). Tivemos um típico almoço de domingo em uma churrascaria tipicamente brasileira, daquelas que a vigilância sanitária fecha mil vezes e o Jacquin teria surtos ao adentrar a cozinha. Realmente, nada se compara ao clássico baião de dois cremoso, carne do sol, paçoca, vinagrete e macaxeira. Mas eu pedi pra trocar por batatas fritas. Rimos durante cerca de 1 hora e meia sobre a lista mental que fizemos de cada detalhe da energia caótica daquele almoço dominical. Cachorros de rua, homens de meia idade bêbados, cardápio escrito “proibido cheques e carros de som”, trilha sonora da 89fm (que ele reproduziu no carro depois), um banner anunciando galinha caipira com uma foto de uma galinha viva, opção de “meio baião”. Combinamos que eu faria uma crônica sobre isso. </p>
<p>Ele foi o primeiro cara que me perguntou se eu conheço Selvagens à Procura de Lei, depois de tantos anos apresentando às pessoas e pedindo que elas ouvissem a banda do meu primo. E também o primeiro que pediu que fizéssemos a sinastria dos nossos mapas astrais. O que não deu muito certo, mas espero que as energias de sagitário e câncer que temos em comum possam nos proporcionar alguma chance mínima. Que eu não fique de saco cheio da sensibilidade leonina, e que ele não brinque muito com a minha facilidade pisciana de me iludir. </p>
<p>(Pausa para que eu me questione porquê estou escrevendo tudo isso sobre uma pessoa fechada, indisponível e que me acha insuportável. Ele diria agora que estou me chicoteando no meu espelho mental, querendo ter 100% de responsabilidade e controle sobre tudo. Mas eu tenho que me controlar, então a chicoteada é válida.) </p>
<p>Acho o máximo que ele começa a cantar músicas aleatórias do nada, assim como eu. Xinga em inglês como se estivesse sozinho (achei que só eu fazia isso). Me pergunto se ele também fala sozinho mas ainda não fez isso porque não quer que eu veja. Gosta de cantar “Colors” do Black Pumas e “Tudo Vai Dar Certo” do Natiruts. Dirige cantando. Acha que “Deslizes” do Fagner é a música mais triste do mundo, e tentou me convencer disso citando cada verso sentado na cadeira de praia verde da sala. Não esqueço que ele cantou ‘Fallin’” da Alicia Keys no escuro do quarto, antes de dormir. E eu cantei junto, porque são coisas que eu fazia sozinha e sempre quis que alguém pudesse ver sem achar estranho. </p>
<p>Assistiu Marimar e Chiquititas, mas por incrível que pareça, não conhecia Caminho das Índias. Contei a história, a qual ele ouviu pacientemente e depois pesquisou o significado de cada expressão indiana que era falada na novela. Consome altíssimas quantidades de ketchup Heinz e eu me pergunto como ele não morre de azia. Talvez porque também consome altíssimas quantidades de chá. Dorme sorrindo porque, assim como eu, acha que dormir é um lazer repleto de sonhos. A primeira coisa que faz quando acorda é abrir as cortinas para ver como está o Sol. Mas antes disso, respeita 100% o conceito de Wake up slow, there ain’t no need to go outside. (E parando pra pensar, me fez pancakes. Será que finalmente estou ressignificando essa música?). </p>
<p>Estar no apartamento dele é como ter voltado de um aniversário de uma criança de 6 anos. Bambolê colorido, pelúcias estranhas, Tandy de tutti fruti no banheiro, algodão doce e brigadeiro na geladeira, um Ganesha que muda de cor. Espadas orientais na decoração que usamos para brincar de duelo espadachim. Ele me deu a menor. Venci mesmo assim. Ele ri do meu jeito de mastigar, fala que eu como feito um pinto. Imita meus resmungos porque diz que eu sou reclamona demais (queria saber até que ponto isso o incomoda). Sempre fala “Ah é?” quando não está muito interessado ou atento em um assunto, mas é sempre gentil com as minhas tagarelices. </p>
<p>Tem boas referências memísticas. Certa vez, citou o “eu não sou cachorro não” com a ordem e falas exatas do acontecimento. Também estava ciente do “1000 reais ou frotrografia com Raça Negra?”. Acredite ou não, isso conta muito em um homem que queira estar comigo. Acho que nesse ponto meu ascendente em Sagitário se encontra com a Lua dele que fica no mesmo lugar. Mas ele é mais indeciso que qualquer libriano que eu já conheci, porque leva eternidades para escolher um delivery ou filme. Literalmente deu a volta em todas as categorias da Netflix umas 32 vezes. Eu sei que acho isso cativante agora, mas num possível futuro, eu explodiria de irritação. </p>
<p>Sabe dormir de conchinha perfeitamente bem, como um mestre. Me deu uma das melhores químicas sexuais da vida. Tirem as crianças da tela, mas devo dizer que até na cama ele tem a paciência de apreciar os milésimos de segundo dos detalhes. Toques, cheiros, cabelos enroscados, massagens de arrepiar, respiração quente, gemidos livres, movimentos em total sintonia, um encaixe perfeito do tal deslize. Tem um enorme potencial de me fazer gozar até chorar desesperadamente. Ainda não conseguiu essa proeza que pertence ao vencedor anterior, mas acho que ele está mais do que perto. Meu Deus. Meu Deus… Que homem delicioso. Será que é por isso que eu fico pensando nele o dia todo? Existe vida após o melhor sexo que eu já tive, afinal. </p>
<p>O apartamento dele é repleto de areia da praia que consequentemente vai parar na cama. Ele não entendia e revirava os olhos quando eu batia os travesseiros na cama inteira, sacudia os lençóis e limpava os pés antes de deitar. Mas na última vez em que estive lá, ele bateu os travesseiros junto comigo dando risada e tirou a areia dos pés. Sem eu pedir ou reclamar. Uma novidade absurdamente nova: me fez ouvir mantras indianos durante uma tarde inteira. E eu não reclamei porque gostei de vê-lo sendo quem ele é. É incrível como ele acredita em qualquer coisa que possa trazer positividade. Estar com ele é ver sua tattoo do Buda, uma imagem colorida de Ganesha, um amuleto de Darth Vader e um terço pendurado no retrovisor do carro. Ele acredita em espiritualidade. Não tive a sensação de que nos encontramos em outras vidas… O que é uma pena, porque teria sido alguém que me fez evoluir muito. </p>
<p>Sabe quando ele me domou, me ganhou, fez minha página virar? Quando dançamos Zouk do Rubi. Pasme: esse homem dança forró como um Deus. Fiquei de guarda aberta sem saber o que fazer a cada girada que ele dava com o meu corpo. Mas tem um defeito bem preocupante: prefere Minions à Shrek. De qualquer forma, é com ele que eu estou tendo o prazer de ouvir a música nova do Bruno Mars. Tenho medo demais do que o tarô diria, então tô me fazendo de doida. Cega, surda e tal. Fiquei em pânico ontem à noite quando desci do carro dele. Chorei agarrada à máquina de lavar da área de serviço e acendi uma vela branca pra tomar banho no escuro. Será que tô ficando louca? Certamente. Acho que é medo demais que tô desse homem ser minha nova era de sofrimento. </p>
<p>Fico esperando meu celular tocar. NÃO. VAI. TOCAR.<br/><br/>
(Quem é YK? Não sei mais. Juro que não sei mais. Estou desesperada por ter parado de amá-lo, estava tão acostumada com isso. Eu sabia lidar com todos os gatilhos desse amor. Eu estava no controle de tudo. Tentei buscar nas profundezas da minha mente qualquer memória afetiva que me mantivesse inserida nessa história de amor kármico que durante tanto tempo eu vivi. Não queria me render a algo novo. Não quero, aliás. O tarô que não me diga nada, estou longe da lucidez necessária para entendê-lo).</p>
“Na dúvida do que é certo ou errado, basta pensar no que não gostaria que fizessem com você.”
— Laura Quaresma.
“E nesse silêncio profundo, se esconde a minha vontade de gritar.”
— Clarice Lispector.
Fuck it, I love you…
“Se a sua ausência não os afeta, sua presença nunca aconteceu.”
— Unknown.
forever
sempre me faltou coragem mas nunca sentimento.
“(Palavras soltas no meu caderno sobre a novidade tão nova que é ele) Torço para que nem ele e nem ninguém leia isso. Porque além de ser cedo demais, meu orgulho aquariano não quer ceder e amaciar o seu imenso ego leonino. Mas acho que escrevo porque estou perdida feito cego em tiroteio na novidade dessa pessoa (como diz Nando Reis). (Caramba, pensei em “Sei” do Nando Reis? Uma nova era, de fato, começou). Só não consigo entender o que está acontecendo, o que estou pensando ou como meus sentimentos estão mudando à velocidade da luz. Então talvez esse caderno seja uma válvula de escape para a minha confusão. Daqui pra frente nada que está escrito nesse caderno deve fazer sentido. É a bagunça da minha mente que fica aqui registrada para que eu seja trouxa na posteridade. Vou tentar separar as linhas de pensamento por estrofes, mas sei que essa folha terminará rabiscada pelo meu brainstorming sobre ele. Eu faria as duas tatuagens que ele tem nas costas. Porque eu trocaria o leão do centro por um peixe e me sentiria a própria Angelina Jolie com os manuscritos budistas no lado direito. De verdade, eu já pensei em executar as duas durante minha jornada tatualística até aqui. Amei saber que ele também anota pensamentos soltos em formato de listas sem parâmetro. A anotação tem ordem de importância? Cada item tem apenas uma oração? A folha pode virar o cenário de um texto? Haverão rabiscos? Não se sabe. Mas essa é a graça de anotar pensamentos soltos. Lembro de um mais ou menos assim: “entrar de pés descalços no coração dos outros”. Mas ele parece estar entrando aqui calçado de sapato social, ou aliás, nem parece estar entrando. Senti um misto de pânico e paz quando deitei em cima do peito dele na areia da praia e ele leu pra mim um livro muito maluco sobre filosofias da transformação pessoal, traumas da infância e felicidade plena. Na hora pensei que gostaria que alguém estivesse presente para tirar uma foto desse momento. Estávamos tão bonitos deitados naquela toalha cinza segurando “O Caminho da Autotransformação” de Eva Pierrakos, nossas mãos nos dois lados da capa. O céu estava muito azul atrás daquele livro que segurávamos juntos e líamos em voz alta. Ele também lê livros sem pena de riscar o que mais gostou, classificando a importância em asteriscos ou aquelas estrelinhas que a gente desenha sem tirar a mão do papel. Mas ele risca de lápis e eu de marca texto colorido. Acho que isso diz MUITA coisa sobre como nós dois somos universos completamente diferentes. Ainda não encontrei uma definição pro olhar dele. Perdido, observador, carinhoso, curioso? Eu não sei. Ele é um livro trancado. E por que diabos ele levanta questionamentos filosóficos e usa o emoji de abóbora de Halloween ao final de 90% das frases que digita? Aliás, já falei que ele tem um cheiro fenomenal? Dá vontade de ficar encaixada naquela nuca e ficar contando os fiozinhos de cabelo branco. Gostei demais de ver como ele se sente em casa surfando na maré de fim de tarde, com aquele céu performando um espetáculo de tons rosados e lilases. Ele também adora cada detalhe da Brazilian culture (e talvez por isso, odeie NYC). Tivemos um típico almoço de domingo em uma churrascaria tipicamente brasileira, daquelas que a vigilância sanitária fecha mil vezes e o Jacquin teria surtos ao adentrar a cozinha. Realmente, nada se compara ao clássico baião de dois cremoso, carne do sol, paçoca, vinagrete e macaxeira. Mas eu pedi pra trocar por batatas fritas. Rimos durante cerca de 1 hora e meia sobre a lista mental que fizemos de cada detalhe da energia caótica daquele almoço dominical. Cachorros de rua, homens de meia idade bêbados, cardápio escrito “proibido cheques e carros de som”, trilha sonora da 89fm (que ele reproduziu no carro depois), um banner anunciando galinha caipira com uma foto de uma galinha viva, opção de “meio baião”. Combinamos que eu faria uma crônica sobre isso. Ele foi o primeiro cara que me perguntou se eu conheço Selvagens à Procura de Lei, depois de tantos anos apresentando às pessoas e pedindo que elas ouvissem a banda do meu primo. E também o primeiro que pediu que fizéssemos a sinastria dos nossos mapas astrais. O que não deu muito certo, mas espero que as energias de sagitário e câncer que temos em comum possam nos proporcionar alguma chance mínima. Que eu não fique de saco cheio da sensibilidade leonina, e que ele não brinque muito com a minha facilidade pisciana de me iludir. (Pausa para que eu me questione porquê estou escrevendo tudo isso sobre uma pessoa fechada, indisponível e que me acha insuportável. Ele diria agora que estou me chicoteando no meu espelho mental, querendo ter 100% de responsabilidade e controle sobre tudo. Mas eu tenho que me controlar, então a chicoteada é válida.) Acho o máximo que ele começa a cantar músicas aleatórias do nada, assim como eu. Xinga em inglês como se estivesse sozinho (achei que só eu fazia isso). Me pergunto se ele também fala sozinho mas ainda não fez isso porque não quer que eu veja. Gosta de cantar “Colors” do Black Pumas e “Tudo Vai Dar Certo” do Natiruts. Dirige cantando. Acha que “Deslizes” do Fagner é a música mais triste do mundo, e tentou me convencer disso citando cada verso sentado na cadeira de praia verde da sala. Não esqueço que ele cantou ‘Fallin’” da Alicia Keys no escuro do quarto, antes de dormir. E eu cantei junto, porque são coisas que eu fazia sozinha e sempre quis que alguém pudesse ver sem achar estranho. Assistiu Marimar e Chiquititas, mas por incrível que pareça, não conhecia Caminho das Índias. Contei a história, a qual ele ouviu pacientemente e depois pesquisou o significado de cada expressão indiana que era falada na novela. Consome altíssimas quantidades de ketchup Heinz e eu me pergunto como ele não morre de azia. Talvez porque também consome altíssimas quantidades de chá. Dorme sorrindo porque, assim como eu, acha que dormir é um lazer repleto de sonhos. A primeira coisa que faz quando acorda é abrir as cortinas para ver como está o Sol. Mas antes disso, respeita 100% o conceito de Wake up slow, there ain’t no need to go outside. (E parando pra pensar, me fez pancakes. Será que finalmente estou ressignificando essa música?). Estar no apartamento dele é como ter voltado de um aniversário de uma criança de 6 anos. Bambolê colorido, pelúcias estranhas, Tandy de tutti fruti no banheiro, algodão doce e brigadeiro na geladeira, um Ganesha que muda de cor. Espadas orientais na decoração que usamos para brincar de duelo espadachim. Ele me deu a menor. Venci mesmo assim. Ele ri do meu jeito de mastigar, fala que eu como feito um pinto. Imita meus resmungos porque diz que eu sou reclamona demais (queria saber até que ponto isso o incomoda). Sempre fala “Ah é?” quando não está muito interessado ou atento em um assunto, mas é sempre gentil com as minhas tagarelices. Tem boas referências memísticas. Certa vez, citou o “eu não sou cachorro não” com a ordem e falas exatas do acontecimento. Também estava ciente do “1000 reais ou frotrografia com Raça Negra?”. Acredite ou não, isso conta muito em um homem que queira estar comigo. Acho que nesse ponto meu ascendente em Sagitário se encontra com a Lua dele que fica no mesmo lugar. Mas ele é mais indeciso que qualquer libriano que eu já conheci, porque leva eternidades para escolher um delivery ou filme. Literalmente deu a volta em todas as categorias da Netflix umas 32 vezes. Eu sei que acho isso cativante agora, mas num possível futuro, eu explodiria de irritação. Sabe dormir de conchinha perfeitamente bem, como um mestre. Me deu uma das melhores químicas sexuais da vida. Tirem as crianças da tela, mas devo dizer que até na cama ele tem a paciência de apreciar os milésimos de segundo dos detalhes. Toques, cheiros, cabelos enroscados, massagens de arrepiar, respiração quente, gemidos livres, movimentos em total sintonia, um encaixe perfeito do tal deslize. Tem um enorme potencial de me fazer gozar até chorar desesperadamente. Ainda não conseguiu essa proeza que pertence ao vencedor anterior, mas acho que ele está mais do que perto. Meu Deus. Meu Deus… Que homem delicioso. Será que é por isso que eu fico pensando nele o dia todo? Existe vida após o melhor sexo que eu já tive, afinal. O apartamento dele é repleto de areia da praia que consequentemente vai parar na cama. Ele não entendia e revirava os olhos quando eu batia os travesseiros na cama inteira, sacudia os lençóis e limpava os pés antes de deitar. Mas na última vez em que estive lá, ele bateu os travesseiros junto comigo dando risada e tirou a areia dos pés. Sem eu pedir ou reclamar. Uma novidade absurdamente nova: me fez ouvir mantras indianos durante uma tarde inteira. E eu não reclamei porque gostei de vê-lo sendo quem ele é. É incrível como ele acredita em qualquer coisa que possa trazer positividade. Estar com ele é ver sua tattoo do Buda, uma imagem colorida de Ganesha, um amuleto de Darth Vader e um terço pendurado no retrovisor do carro. Ele acredita em espiritualidade. Não tive a sensação de que nos encontramos em outras vidas… O que é uma pena, porque teria sido alguém que me fez evoluir muito. Sabe quando ele me domou, me ganhou, fez minha página virar? Quando dançamos Zouk do Rubi. Pasme: esse homem dança forró como um Deus. Fiquei de guarda aberta sem saber o que fazer a cada girada que ele dava com o meu corpo. Mas tem um defeito bem preocupante: prefere Minions à Shrek. De qualquer forma, é com ele que eu estou tendo o prazer de ouvir a música nova do Bruno Mars. Tenho medo demais do que o tarô diria, então tô me fazendo de doida. Cega, surda e tal. Fiquei em pânico ontem à noite quando desci do carro dele. Chorei agarrada à máquina de lavar da área de serviço e acendi uma vela branca pra tomar banho no escuro. Será que tô ficando louca? Certamente. Acho que é medo demais que tô desse homem ser minha nova era de sofrimento. Fico esperando meu celular tocar. NÃO. VAI. TOCAR. (Quem é YK? Não sei mais. Juro que não sei mais. Estou desesperada por ter parado de amá-lo, estava tão acostumada com isso. Eu sabia lidar com todos os gatilhos desse amor. Eu estava no controle de tudo. Tentei buscar nas profundezas da minha mente qualquer memória afetiva que me mantivesse inserida nessa história de amor kármico que durante tanto tempo eu vivi. Não queria me render a algo novo. Não quero, aliás. O tarô que não me diga nada, estou longe da lucidez necessária para entendê-lo).”
— Gabriela Nogueira | Escrito durante um surto no meu caderno de criação e produção de conteúdo.
“Quando eu gosto, fica estampado na minha cara. E quando eu não gosto, meu sorriso não sabe usar máscara. Por mais que eu tente não consigo disfarçar. Quando vejo estou fazendo, ainda que sem querer, caras, bocas e caretas…é quase impossível controlar.”
— Clarissa Corrêa.
Entre doidos e doídos, escolho não acentuar.
Porque será? (via construindoversos)
“Um pouco triste reconhecer: não tenho mais me surpreendido com nada.”
— Gabito Nunes.
“Não importa quantas moedas você joga na fonte, ou o número de dedos que você cruza. Se não é pra ser, não vai ser.”
— Caio Fernando Abreu.