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faz tanto tempo que não escrevo sobre você que nem me lembro quando foi a última vez. faz mais de duas semanas que estamos sem nos falar, e sem saber de absolutamente nada sobre o outro visto que o twitter foi banido do nosso país. que loucura é o amor nos tempos contemporâneos. acho que duas semanas e pouco é nosso recorde, e logo que acabar esse texto vou te bloquear de tudo novamente pra não correr o risco de você me mandar mensagem e cairmos na armadilha de sempre - tramada por nós mesmos. é estranho porque faz mais de um ano e meio que não nos conhecemos, já disse isso muitas vezes. ainda assim, quando olho as fotos que restaram nos arquivos do instagram, parece que quase me lembro de como era o nosso amor, da forma tão pura como você me olhava, ou pelo menos eu penso assim pela mentira suja de uma nostalgia irreal. eu era tão imatura e tão insegura, e não sei se um de nós tem culpa sobre isso, porque aprendemos juntos o que é a arte de amar e como fazer isso. mas eu sei que te amei a ponto de imaginar em todos os apartamentos perto da arena como seria dividir uma casa com você, sobre como você ficaria irritado com a minha bagunça e eu com as suas manias, mas continuaríamos nos amando apesar do outro. sei que te amei porque sabia cada lugar das suas pintinhas nas costas, e te olhava como se o meu mundo inteiro estivesse bem na minha frente, todo o meu apoio e segurança ali, com as mãos na minha cintura. sei que te amei porque soube de cada partezinha sua. no domingo assisti “the worst person in the world” e acho que a frase “i still know things about you that you probably have forgotten” vai ficar na minha cabeça pra sempre. porque eu ainda sei que a única fruta que você come é banana, que a maionese da tia dani é sua preferida, que você odeia bagunça, que você ama contato físico mesmo num calor de trinta graus, que você vira uma criança na piscina, que sonha em morar na praia, ama marcelo d2, respira e vive o athletico (e me fez vivê-lo intensamente ao seu lado), assiste qualquer jogo de série D, acha redes sociais uma grande futilidade, dá risada de qualquer bobeira no tiktok. não sei se metade dessas coisas ainda é verdade, provavelmente não é. mas é quem eu conheci. acho que você também ainda sabe várias coisas sobre mim, como eu não gosto de grude (mas aprendi recentemente na terapia que você me fez gostar), como eu digo que sim quando a resposta é não, como eu sou medrosa e algumas outras coisas que parando pra analisar, me fazem pensar que talvez você não soubesse de tantas coisas sobre mim quanto eu sabia sobre você. e o mais estranho é que mesmo sabendo de tudo isso sobre você, sua família, sobre nós, eu ainda não poderia te amar. não agora, aos meus dezenove anos. porque eu não te conheço e acima de tudo, você não me conhece. a marina de 15 anos que se apaixonou por você também não me conhece, e eu procuro conhecê-la pra entender como aquela paixão explodiu em mim. ainda tento processar como a vida pode fazer você conhecer as maiores inseguranças de alguém, amar tanto uma pessoa e dedicar a ela cartas e músicas de amor, e depois fazer ambas se esbarrar e não terem a coragem de se olhar.
eu sigo sozinha daqui. nada me explode o peito. nenhum encontro de silêncio faz com que eu sinta paz. na maioria dos dias estou bem com isso, e repito pra mim mesma que sou auto suficiente e estou escolhendo - deliberadamente - o caminho do crescimento pessoal, acadêmico e profissional, que darei conta sozinha. só que há duas semanas a liniker escreveu “quando eu alçar o voo mais bonito da minha vida, quem me chamará de amor, de gostosa e de querida?” e desde então tenho pensado muito sobre isso. e ao mesmo tempo que você é um fantasma, a memória do seu amor ainda é viva na camada do meu coração. e é quase impossível imaginar um cenário romântico com alguém, ao mesmo tempo que não desejo ter mais algum com você. acho que queremos e esperamos coisas muito diferentes da vida, embora talvez eu te subestime. queria não ter proferido tantas palavras horríveis a você, mas sei que digo isso agora, porque quando você me desperta raiva é a coisa mais intensa que sou capaz de sentir, um lado meu que eu não gosto, e realmente só você consegue ativar. sei que você vai amar alguém novamente antes do que eu, e não sei como reagir a isso ainda. talvez quando eu descubra eu também não vá saber, mas acho que em algum momento o amor vai bater na minha porta de novo, sim. não sei quando ou como, nem mesmo se quero. mas em algum momento, deve bater. assim de mansinho, como quem não quer nada mesmo. tenho medo de amar, na verdade. mas isso é assunto pra outra hora. não quero que meus pensamentos e minhas visitas nas suas redes sociais chamem o seu pensamento para mim, realmente não quero. admito que me pergunto se você pensa em mim todos os dias assim como eu penso em você, e como você pensa também. não sei como me vê, o que acha de mim, se me odeia, se me ama, se olha as minhas fotos com carinho, dor ou rancor. e a gente nunca vai saber. você nunca soube nem mesmo dos meus autos de amor de quando estava me apaixonando por você, quem dirá agora as odes de dor. não sei se te desejo algo de bom ou ruim, sinceramente. acho que prefiro me manter neutra. se quiser, se mantenha assim sobre mim também. quem sabe um dia a gente pode se esbarrar num mercado quando eu estiver visitando o brasil, e você vai cumprimentar meu filho chamado hermes ou acácio, e então lembrar das tardes com a barriga doendo de rir no meu quarto. e quem sabe eu te olhe na tv sendo advogado algum dia e me lembre de como eu pedia pra você me contar das suas matérias, quando você tinha acabado de entrar na faculdade e eu ainda estava no ensino médio. quem sabe a gente nunca mais chore, lembre, pense e chame pelo outro. nem ao falar daqui quarenta anos sobre nosso primeiro amor. quem sabe. quem sabe.












