uma dica da Marília
uma dica da Marília, do livro dela
que dá uma outra dica
de poesia
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uma dica da Marília
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do Bernstein
Réplica
100% garantido!
E o caprichoso?
é preciso desejar apesar de
é preciso desejar apesar de
não ter mais perspectiva
é preciso desejar apesar de
estar desanimado
é preciso desejar apesar de
o feriado ter acabado
é preciso desejar apesar de
o natal estar quase aí
é preciso desejar apesar de
o viaduto ter se fraturado
é preciso desejar apesar de
o texto ter erros de gramática
é preciso desejar apesar de
a análise ser em cortes
desejar apesar de
impreciso
imprevisto
finito
apesar
do fim ser tão parecido
com o começo
_
agora chove
com sol
sem anúncios
as janelas correm
disputa acirrada
sol e chuva
se estivesse com minha mãe
ela diria certamente:
"casamento da viúva"
eu digo
coisas de interior
formas de perder a vida
a vida se perde
isto é um fato
seja com mapas
seja com raticidas
com raiva
ou com medida
perdi a vida numa esquina
qualquer
ela era toda saltada
fugiu com o primeiro que viu
(fiquei a ver
vazios)
e não é que a vida
deu sinal
mandou um postal
dizendo que estava meio
resfriada
mas que podia fazer gelatina
(sozinha, em negrito)
e que podia comprar sabão em pó
(antimanchas, com exclamações!!!)
eu fiquei com raiva da vida
ela é perdida
ela é desorientada
ela é uma atrevida
às vezes quero
me reconciliar com a vida
mas ela é teimosa
ela insiste em repetir
que quer ser perdida
e ponto.
insisto
esse ponto não é final
coisa nenhuma
você não quer se jogar dessa ponte
nem deixar esse bilhete inacabado
você quer é ser amada, vida
acorda!
pela primeira vez
a vida parece que escutou
ficou de orelha em pé
os olhos da vida estavam
meio vívidos
durou pouco
logo, a vida
se fez de fingida
deu meia volta e sumiu
sem deixar notícia
(de novo a vida foge,
ou eu que a perdi?)
ando a procura da vida
mas os postes não cabem mais anúncios
é tanta macumba faz-tudo-em-dois-dias
que a vida vai ficar desaparecida
um dia a vida volta
nas notícias de jornal
ferina leviana sangrando os pulsos
me mandando fotos de ameaça
vou fingir que nem é comigo
a vida vai ver só
vou acordar
e deixar a vida
viver.
_ (sem título)
se escrevo
com a janela aberta
o vento sopra as gotas
e tudo fica molhado:
lentes papel pensamento
as unhas cortadas
não se molharam mais
restam os dedos enrugados
e nos cantos
o poema
_ (sem título)
o feriado será de chuva
prefiro deixar
avisado
que não posso deixar
de cortar as unhas.
Filme - Roma Cidade Aberta
Triste. Um filme que toca profundamente nas questões nazi-fascistas vividas pelos citadinos de Roma.
A tortura é um dos temas centrais. A sedução é um tema que circunda a guerra, as suas fontes de poder...
Há em alguns momentos uma atmosfera quase delirante (a porta que divide a sala de tortura / interrogatório e o salão de festas), o nazista que se auto-recrimina inebriado pelo álcool (ou seria outra condição menos "inebriante"?)
Figuras enigmáticas como o padre, a efervescência das crianças que agem quase como um mini-batalhão, a fome e o desespero que povoam as casas, os olhares de resistência (o olhar de Pina é inesquecível).
Um filme para nunca se esquecer o horror do totalitarismo e suas profundas marcas no humano.
Filme - A câmera de Claire
Filme coreano gravado em Cannes. Uma estética curiosa: Claire, uma professora ingênua, que fotografa personagens em sua polaroide.
A instantaneidade das fotos rima com sua quase entrega aos transeuntes que cruzam suas retinas/câmera.
A honestidade, a tônica do filme. Ou seria, quando não se pode ser honesto? Uma hipótese: no amor? O que não é passível de questionamentos...
A câmera de Claire (Clara) traz luz a honestidade que o filme pede, as vezes ingênua, quase pueril, como um cachorro estendido no chão, alheio aos que lhe afagam e lhe acariciam...
A honestidade como fotos breves, que mudam aqueles que as podem possuir, pois "não se trata mais daquela pessoa aquela que se vê refletida na foto", "uma outra pessoa vê uma outra muito próxima a si, mas não se trata do mesmo".
Cyberspace
Cyberspace
Olá
(lapso)
Olá
nome, onde estou
nome, onde está
espera
(outro lapso)
O que quer?
O que diabos eu quero?
(não posso dizer isso!)
Podia mandar um poema?
Manda nudes.
E se mandasse, quem sabe, uma carta… roubada?
tem Whatsapp?
Queria afinal de contas, era poder ver
Mas não tem Facebook?
Melhor, tem Insta?
Ouvir uma música, juntos, talvez?
Compartilhei a playlist, o que achou?
no fim,
ficamos
sem conexão
Mas, qual a senha do Wifi?
(trouxeste a chave?)
Chuva
Chuva
para Raymond
Suponha que eu diga outono,
escreva a palavra "chuva",
coloque-a num envelope
e desça segurando um guarda-chuva listrado até
o próximo correio. Quando você receber
a carta selada, se lembrará
daqueles domingos, e do quanto,
simplesmente do quanto sua ausência
é gota na janela cinza.
(...) Você tem que ter amado para escrever poesia/ e vocês não sabem o que é amar / esse é o problema de vocês (...)
Esta Vida (poemas escolhidos)
Pombas
as pombas de Londres são sem pompa nada reais lembram ratas parecem esfomeadas não respeitam os londrinos nem os turistas nem mesmo os ônibus vermelhos
são tão latinoamericanamente ousadas são safas não desviam dos obstáculos queria conhecer as pombas de Londres são tão esquisitas que parecem não ter medo de gente
Um texto necessário
Começo minha leitura do livro de Karl Jaspers "A questão da culpa - a Alemanha e o nazismo", uma compilação de palestras proferidas entre 1945-1946. Para mim, fica premente a importância desse texto em nosso contexto político atual. Deixo um trecho da introdução para exemplificar o quanto o texto de Jaspers é candente e dialoga à altura de nosso tempo corrente:
"(...) Falta-nos em grande medida falarmos uns com os outros e ouvirmos uns aos outros. Isso ainda é agravado pelo fato de que tantas pessoas não querem pensar realmente. Elas buscam apenas palavras de ordem e obediência. Elas não perguntam e elas não respondem, a não ser pela repetição de fórmulas batidas. Elas só sabem afirmar e obedecer, e não examinar e reconhecer, e por isso também não podem ser convencidas. Como falar com pessoas que não querem ir aonde se examina e se raciocina, onde as pessoas buscam a sua autonomia por meio do reconhecimento e da convicção?" Já estou mexido já na introdução...