Gastar dinheiro se resumia à uma atividade que Eunji considerava extremamente desnecessária, ainda mais quando não se dispunha de verba extra. Todavia, lá estava ela, com um sorriso grande no rosto ao passar no caixa da pequena loja. Já havia saído de casa de mochila pronta, com todos os outros itens que comprara na semana anterior, complicando um pouco o ato de enfiar aquele tanto de vestidos dentro da bolsa. Ainda era cedo e tinham tempo o suficiente, contudo, a menina não queria perder um segundo do dia de festas. Aquele seria o seu primeiro Halloween desde que voltara do Canadá e, bem, esperava que fosse memorável. Ao invés de subir para o seu apartamento quando chegou no condomínio, apertou dois andares antes. As batidas na porta eram enérgicas, refletindo o estado de animação da jovem. Quando finalmente fora atendida, não permitiu que falassem antes, disparando suas palavras na mesma hora. — Você deve ter achado que a gente não ia rebolar a bunda hoje, não é?
Emeio a papéis genéricos, alfarrábios e objetos tecnológicos de técnica, jazia a franzina e tacanha fisionomia feminina, visivelmente inserta longe da exoneração geral de tarefas que aquele evento providenciava. No entanto, Sunah não correspondia a nenhum dos polos atmosféricos de divergência que as obrigações oficiais e as festivas dispunham – era apenas um ponto cabalístico ao ócio e fadiga, que a consumiam em nacadas; ora através dos devaneios ocasionados pelo enigma continuo dos quais influiam boa parte de sua rotina atualmente – por vezes este era tal como uma ânsia crônica – ora pela ânsia propriamente dita que impulsionava a racionalidade caráter de seu encéfalo à verdade de sua naturalização, produto da verdade genealógica que condenava situação de oscilação, reconhecendo que este estado de espírito era estorvo a uma personalidade de fato plena e úbere.
Enquanto o nada discorria em sua mente, houve estrépito inerente que a apartou de tal estado de letargia, fazendo-na pular do móvel e tão prontamente quanto os pés alcançaram o chão, dirigir-se ao cômodo que subdividia o exterior do interior do apartamento. A mente ainda tão vazia quanto anteriormente, no entanto, tardou a compreender a situação mesmo que a face a sua frente dispunha de feições e manifestações de extrema peculiaridade. Instintivamente, um sorriso que principiou a expressão de sobressalto delineou seu semblante. — Huh… ye?
Não era costumeiro de HyonWu permanecer no ócio e longe das atividades festivas que feriados como o do dia em que se encontrava proporcionavam. Tal afirmação se dá não por conta de uma possível natureza festiva do garoto, que existia ainda que não tão proeminente quanto ele se fazia acreditar, mas sim pela óbvia possibilidade de distância do âmbito familiar que ela causava. A verdade é que qualquer oportunidade de se ver distante de seus progenitores era agarrada com afinco pelo rapaz com cada vez mais intensidade com o passar dos anos, muitas vezes usando delas como desculpa para não voltar para casa por noites e mais noites. Dessa vez, no entanto, as coisas eram um tanto diferentes. Já não se encontrava na convivência dos pais, o que tornava a imprescindibilidade da distância obsoleta e fazia com que, pela primeira vez em muitos anos, ele se sentisse confortável o suficiente para passar uma dessas ocasiões em casa.
A posição em que se encontrava no sofá fora estrategicamente elaborada para que ficasse em uma posição cômoda que ao mesmo tempo maximizasse o alcance da internet sem-fio ao seu celular, já que o roteador encontrava-se um tanto distante da posição em que se encontrava. Entretido com a música provinda de ambos os lados de seu fone de ouvido, só notou que alguém batia na porta quando o vulto saltitante de sua prima passou pela sala. Tirou o fone de um de seus ouvidos apenas o suficiente para que fosse possível ter conhecimento de quem encontrava-se ali, já presumindo ser uma criança em busca de doces que ele tinha certeza de que não tinham na casa. Para seu engano e contentamento, a voz que veio do lado de fora da residência lhe era extremamente familiar. Olhando para o celular, só que dessa vez com a intenção de pausar a melodia que escutava, deu uma curta risada das palavras proferidas pela mais nova e fez um sinal de hangloose. — E aí, Eunji. Quer dizer que as duas crianças vão sair? É bom que tome conta da minha prima, garota.