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I was swimming | Liesel & Lawrence | Task003
O antigo reino élfico não era tã grande quanto o atual, mas ele parecia ter sido tão aconchegante como aquele que ela chamava de lar. Seu olhar estava atento à qualquer movimentação, mas ele parecia estar deserto e isso a decepcionou. Esperava encontru o “amicum" e que ele a guiasse.
Começou a percorrer os lugares à procura do que poderia ser “A árvore Geneálogico”, que à princípio havia pensado em ser realmente uma árvore com totens que representariam cada membro das famílias. Inocência dela pensar nisso, mas conforme foi explorando os espaços vazios, vei à sua cabeça que a ávore poderia ser uma metáfora e ser qualquer coisa. Sua conclusão lhe deixu orgulhosa e desanimada. Orgulhosa por ter enxergado, desanimada por saber que qualquer coisa ali poderia ser o que procurava.
Depois de muitos explorar as ruínas e algumas salas fechadas, ela se cansou, paru em uma casa em ruínas e aparentemente com um cômodo ainda intacto, e olhou novamente o cartão que havia recebido: nada. Ele não dizia mais nada e não dava mais nenhuma pista. Já estava escurecendo e pela primeira vez desde que havia lido o papel que estava em suas mãos, ela pensou em sua segurança. Mas ela não desistiria. Tinha algum tempo ainda antes de ficar totalmente escuro e ela já havia morado algum tempo na floresta, saberia se virar bem sem algo pra se proteger, era o que achava.
Decidiu por reiniciar sua busca pelo cômodo que estava atrás de si. CAminhou até à porta que parecia mais nova do que todo o resto das ruínas. Abriu a porta e adentrou, a porta que já estava atrás dela fechou e fez um click, mas ela nem se deu conta. Parecia ter encontrado o local, mas algo estava realmente estranho. Havia uma tanque e fotografias na parede, antes que desse seu primeiro paço para visualizar as fotografias, escutou uma voz que fez todo o seu corpo tremer e se arrepiar.
— Quem está aí? — questionou, observando todo o cubo em que estava, mas que não tinha nenhum vestígio de haver alguém ali. E a frase dita por ela não fazia sentido algum para ela. Estava curiosa e com medo. O que ele queria dizer? O que eram aquelas fotos? O que significava aquele tanque?
Lawrence observava a cena atentamente, e pensava quanto tempo a garota demoraria para notar que estava em uma armadilha mortal, um jogo onde a única forma de ganhar era seguir expressamente as regras. Um jogo silencioso, agonizante, e decisivo. Uma nova oportunidade, um restart depois de um game over que ela nem mesmo notara, ou ainda, notara e persistia em não enxergar. "Muitos olham, mas poucos observam" ele recordou por um momento, vendo a moça questionar quem é que estaria ali por de trás. A resposta não viera, e a cada instante em que o silêncio se fazia companhia para a ruiva ele ansiava para ver quando seria o desespero a ser o novo visitante inoportuno.
Foi quando sua gravação ecoou uma vez mais, mais firme e finalmente, mais ameaçadora. — A morte é uma surpresa. A não ser, é claro, que já se esteja morto. E para aqueles que não aceitam sua atual condição, e não se desprendem de um passado, a morte apenas significa uma verdadeira nova travessia. Nesta sala encontrara memórias, fragmentos de seus dias imutáveis. Chega a hora em que essa busca massiva por reviver o que já passou tem de acabar, e uma nova página do livro precisa ser escrita. O problema é que nem sempre livros são eternos, as vezes, eles queimam. —a gravação anunciou pouco antes dos documentos, fotos do varal, do chão, em pilhas e nas paredes começarem a queimar. Vários retratos se quebraram com estrondo e a fumaça em pouco tempo já começava a encher o local. Logo o oxigênio começaria a faltar, e as chamas consumiriam qualquer material inflamável, até mesmo as roupas da moça.
— No centro desta sala você tem a sua escolha. Se sua escolha for a vida, uma verdadeira e nova vida, encontre a chave dentro do tanque, ela abrira as portas para seu novo futuro. Mas seja rápida! O destino não espera, e o material corrosivo dentro do recipiente também não irá esperar para lhe poupar. Alguns danos podem te marcar a partir desta escolha, no entanto, se começar a se orgulhar do que é, ao invés de buscar o que um dia já fora, este preço será muito pequeno em razão do que mais poderá vir. Este é o seu teste, e este é o meu jogo. E hoje... eu quero jogar com você; — a voz se calara e quando isso ocorrera o lugar já estava se tornando uma massa densa de fumaça negra.
O homem se ergueu da cadeira a onde estava a observar, e sua mão fora até o espelho de duas faces, observando o pouco que conseguia. Gostaria de saber qual seria a decisão da moça, mas colocar-se em ainda mais perigo, uma vez que sua saúde já era fragilizada, não era uma atitude sensata. Talvez aquele fosse seu último jogo, sua última marca, e sua última missão para livrar o mundo daqueles que não eram dignos de nele viver. Mas até que ele mesmo fosse expurgado da face da Terra, a última coisa que precisaria seria inalar da fumaça do incêndio que ocorria ao lado. Ele apanhara sua blusa sobre a cadeira, e apertando um botão ele fizera com que alguns barris suspensos ao teto da outra sala caíssem ao chão, espalhando mais papeis, e de alguns deles, gasolina. Logo ele se ausentara de sua sala de observação, se apoiando em sua bengala para angariar forças e quando já estava do lado de fora do reino elfico exclamara um simplista "Boa Sorte", pois a moça precisaria.
— Não sei como ele conseguiria trapacear. Não vi Damon mais do que duas vezes, mas entendo que ele não é do tipo que sorri muito… — Jane apenas o seguiu até a cadeira, não poderia ficar ali por muito tempo — Na verdade… Não… Eu estava procurando ele quando te vi e… Fiquei bastante surpresa, me aproximei para cumprimentar. — Liev sempre fora ruim em esportes, qualquer esporte, ele preferiria dançar descalço sobre cacos de vidro a ter que entrar em algum time. Jane guardou bem tal comparação que ele havia feito uma vez, e desde então, parou de insistir. — Infelizmente não poderei ficar pra ver o resultado, mas se a gente se encontrar de novo… — ela se acomodou na cadeira ao lado rapidamente apenas para lhe dar um abraço — Feliz Natal adiantado, caso eu não te veja até lá. Dê meus cumprimentos ao Damon também. Espero que fiquem bem — ela se despedia.
Não sei como ele não conseguiria, esse garoto arruma jeito para tudo. — revirou os olhos só de pensar nisso. Damon era um garoto bem difícil mesmo, não que ele também não fosse. Ele assentiu a vendo se aproximar — Surpresa por que eu sei fazer papel de tutor de vez em quando? Lisonjeiro, obrigada. — ele disse de forma irônica, ainda que se suportassem, ele tinha a impressão que nunca teria uma relação tão amistosa assim com Jane. A viu se sentar e abraça-lo e se sentiu um tanto estranho com isso, não estava acostumado com demonstrações assim. Deu dois tapinhas nas costas dela, antes de pensar que isso seria bastante rude, e finalmente a abraça-la direito. — Feliz Natal também, deseje as crianças. — e com um "xauzinho" viu ela se afastar.
— É bom que tenha vindo — respondeu sorrindo ao ouvir o que o homem dissera, pelo menos, mesmo que em momento crítico, ele cedera para ir assistir o garoto. Algo que sabia bem que as crianças esperavam, afinal era a aprovação de quem eles se importavam, mesmo que fosse para coisas bobas. Podia se lembrar bem dos gêmeos a chamando apara assisti-los fazer alguma coisa. Dar um salto diferente na piscina, conseguir escalar uma depressa, descer num escorregador que antes tinham medo, ou rebater uma bola num campo. — Ele está se saindo bem? — perguntou se aproximando e parando ao lado de Lawrence a fim de fazê-lo pensar sobre o que acontecia. Imaginou que Damon estaria feliz com a presença do tutor ali.
Também acho, mas este sol... me deixa mais... fraco? Eu preferia que o jogo fosse mais tarde, mas, são crianças — explicara gesticulando, e logo se sentara em uma cadeira da arquibancada, apontando para que jazia ao lado, para que a moça ocupasse. — Olha, melhor do que eu como... pai... acho que está sim. Mas enho a impressão que ele está trapaceando. Não entendo muito do jogo, mas aqueles sorrizinhos dele não me enganam. Afinal, quantas vezes já viu Damon sorrindo? Mesmo que ele esteja feliz em ver que compareci, não acho que ele estaria deste jeito. Só espero que ele ganhe de uma forma honrosa. — disse observando o grande telão uma vez mais, para localizar o pequeno. — Seu filho está jogando também? — perguntou por ela estar ali
I was swimming | Liesel & Lawrence | Task003
Notícias que o caos se espalhava por New Scotland já havia chego aos ouvidos de Liesel e isso a atormentou. Passou toda a noite trabalhando no bar com olhares bem atentos para qualquer anomalia. Por sorte os Fae que frequentavam o bar àquela noite não haviam sido amaldiçoados e tudo parecia estar bem. No final do seu turno, na manhã do dia 24, véspera de Natal, Evan veio até ela com alguns papéis na mão. — Liesel, deixaram isso pra você. — Ele estendeu a mão com dois cartões para ela. — Obrigada, Evans! — ela o chamava assim apesar do rapaz não se agradar.
Ela deu uma rápida olhada em ambos o cartões, mas havia o segundo, de aparência mais simples lhe despertou maior curiosidade, e foi ele o que abriu primeiro. Estava todo escrito em uma língua que Liesel sabia que não era nem o inglês, nem o élfico, mas que por algum motivo ela entendia. O cartão, que tinha como remetente “Amicum”, dizia saber das origens da bela ruiva e que ela poderia passar um bom natal na presença deles. Tudo o que ela tinha que fazer era seguir as instruções contidas no cartão.
A elfa não pensou duas vezes, largou o cartão colorido no bolso e leu todo o cartão que continha possíveis informações sobre o seu passado. Seus verdadeiros pais. Suas dúvidas seriam respondidas e ela teria uma família e poderia passar o natal com eles se seguisse tudo certinho. Parou no meio da calçada e leu tudo atentamente. A primeira instrução era ir até a árvore genealógica élfica que se localizava no antigo reino dos elfos que lá ela encontraria o que fosse preciso.
Sem demora, ela correu em direção ao que ela conhecia como o Reino Elfo abandonado que já fora mencionado por alguns elfos que havia conhecido. A ruiva não levava nenhuma arma, nem mesmo a sua besta que costumava carregar, estava totalmente a mercê dos perigos da floresta. Correu por cerca de 15 minutos floresta adentro sem seguir nenhum dos cuidados que deveria seguir. Ela havia ficado cega, tudo o que queria no momento era saber quem eram os seus familiares, abraçá-los e perguntar o porquê de abandoná-la.
Ao chegar no local, ela respirava de maneira cansada, nunca havia corrido tanto sem nenhuma parada, sem olhar para os lados. Pegou novamente o cartão que havia recebido e começou sua procura pela árvore mencionada.
Lawrence se sentia um inválido. Não só pela doença, mas por sua falta de planos de ação na vida em si, uma vez que ela estava por se findar. Se sentia inválido de não estar fazendo seu trabalho como psicológico, e ainda mais inválido por não fazer o dever que lhe fora destinado por alguém maior, talvez por Deus. Havia nascido para livrar as pessoas daquele mundo de merda, para dar-lhes paz e faze-las abandonar toda aquela inveja, cobiça, ira, gula, avareza e luxúria que destruía a sociedade. Não era uma missão fácil, mas era uma missão nobre diante a concepção dele. Era seu dever arrancar do mundo aqueles que não mereciam viver, e fazer com que alguns outros enxergassem que precisam começar a viver. Afinal, havia uma diferença entre viver e sobreviver, e assim como ele, muitos apenas sobreviviam. Ele tinha uma álibi, sua doença, mas o que as outras pessoas tinham? Muitas apenas estavam acomodadas demais, com a mente limitada demais, ou apenas cegas, envoltas de um monocromático infinito.
Era justamente esse conceito que o fazia observar a sociedade com suas íris famintas, sedentas por defeitos, por erros. Que quando executados uma vez eram perdoáveis, mas quando se tornavam um vício o fazia questionar se seus donos, seus pecadores e profanos, estavam tão dispostos assim a podar as fragilidades da humanidade, e construir um futuro de deuses em terra. E a algum tempo o que vinha observando era uma moça de cabelo muitos ruivos. Sua doença havia aflorado nele ainda mais criticidade, e seu julgamento já era decisivo. Ela seria sua próxima jogadora. Diferente do que policiais ou detetives pensavam, não iria coloca-la como uma vítima. Ela mesmo se vitimizara, quando passou a se prender a uma passado que não mais existe, quando passou a desvalorizar as proezas que vieram com o amadurecimento. E que amadurecimento ela havia tido, se perdera a vontade de ver a esperança nas coisas mais simples, ou se estava se fadando a infelicidade quando poderia se fazer valer com o que era disposto? Se todos tivessem a chance e a aproveitassem talvez não haveria tanta falta de empatia, tanta ingratidão, tanta cobiça e inveja. E ela precisava aprender que a trajetória dela, que sua missão, só seria concluída quando começasse a andar a diante.
Liesel desde que se conhecia por gente, ao que ele parecia constatar, andava para os lados. Se esquivava, se abaixava de obstáculos. Engrandecia as fraquezas, se fortalecia na depressão. E por isso ele a queria em mais um de seus testes, talvez, seu teste final. A morte não seria uma surpresa, se conquistada, uma vez que ela estava morta por dentro. E por isso ele conseguia observar de uma anti sala, projetada atrás de um espelho de dois lados, como sua armadilha ia se desenvolvendo. Como costumava fazer, uma retrospectiva se passava em sua mente antes de sua convidada chegar ao local, e para reproduzir as possíveis cenas ele tinha em mãos uma cópia da carta enviada para ela. "Como nossa mente é traiçoeira. Traçando uma eterna briga entre o ego e o ID" ele dissera relendo o que dizia, que ela enfim teria as respostas, que enfim encontraria a chave do que estava a muito perdido, do que ela achava ser a felicidade. Pensava como ele fizera para chegar as mãos dela, por um funcionário do trabalho dela. Pensava em seu trabalho para colocar o tanque naquela espécie de galpão, e como suas gravações foram minuciosamente programadas, alteradas na voz, e bem dispostas em sons escondidos no galpão. Como flashes as imagens vinham em sua mente, cada peça daquele quebra cabeça que criara. Também via os televisores que colocara, todos sincronizados como se fossem um só, e todos com uma mesma fita que estaria programada para se repetir eternamente se necessário. Pensava ainda nos diversos varais de fotos, muitas repetidas, que mostravam Liesel em diversos momento, mas todos se flagelando, chorando, ou se lamuriando pela sua vida, nenhuma que desse espaço para se quer pensar ou uma premissa de que ela realmente vivia. Muitas dessas fotos também estavam dispostas pelo chão, e logo na entrada.
E antes que pudesse vislumbrar o que viria a seguir com todo o seu cenário, ouviu um chiar, o sensor de movimento que havia colocado logo depois da porta, a mesma que se fechou automaticamente com um baque. Lawrence fitou o espelho rapidamente, e um arquear de lábios quebrou sua faceta polida. Seus lábios começaram a se mover como na gravação, que logo dizia em alto e bom som para a moça — Alguns são tão ingratos por estarem vivos! Mas você não, não mais.
Jane poderia estar pior, muito pior diante da situação, mas depois de encontrar as fitinhas, se convenceu de que estava se saindo bem. Carol e Liev saíram de casa deixando um bilhete dizendo que foram comprar presentes. Sozinhos. Eles queriam fazer uma “surpresa”. E como sempre marcavam o caminho com uma estratégia Hanzel-e-Gretel. A idéia era no mínimo absurda, mas ela entendia a motivação deles, o que não justificava deixá-la em pânico daquela forma. Estava passando perto do campo quando notou Damon ali, aquilo a fez pensar em Lawrence, e se deveria voltar. A lembrança lhe deixou subitamente nervosa, mas assim que desviou os olhos o viu em pé parado não muito longe dali. — Lawrence? — perguntou no impulso de repreendê-lo, mas ele continuava sendo o Mr. Kramer, logo, seu tom foi muito mais suave e baixo do que realmente deveria.
Lawrence ouviu seu nome lhe soar perto, mas não acreditava que fosse real o som. Não era muito conhecido pelo nome, seus pacientes nunca chegavam a essa intimidade. E os que conheciam seu nome se resumiam a menos que os dedos da mão direita, e um deles estava no campo, outro desaparecido, não lhe restava muitas opções a não ser Victory e... Jane. Foi só então que processou a voz novamente, se virando de imediato e fitando os louros cabelos. — Jane! — enquanto o som dela soava como uma interrogação, o seu era uma exclamação. Não tinha dúvidas que era ela, embora o tom dela não fosse de incredulidade por ser ele, imaginava que ela também deveria pensar que era um inválido, porque de fato era. — Damon me pediu para vir... ele queria que eu o visse jogar ao menos uma vez. — dissera antes de fita ro campo novamente
Eric adoava eventos com crianças. Achava-as interessantes e mais merecedoras de sonhos, talvez por serem mais ingênuas que adultos. Dentre elas, já tinha conversado uma vez com um garotinho: o Damon. Era alguém que visivelmente tem uma personalidade forte e, em uma vez que estava o observando, o encontrara com Lawrence. Tinha o visto assistindo ao jogo e ficou curioso para saber se ele seria o pai do garoto. Aproximando-se calmamente, comentou: — Ele não é muito bom, não é? — Nunca gravara bem regras de esportes, mas achava que o menino estava fazendo algo errado.
O dia que classificarem Damon como "algo bom" registre o momento, será uma surpresa para todos! — ele exclamou olhando sobre os ombros para o moço, que pelo visto o conhecia. — De onde o conhece? Você é o pai daquele garoto que ele grudou o chiclete? Tyler? Olha, juro que tentei falar com ele... — se explicou antes que o moço lhe despejasse palavras de baixo calão, sempre era assim. — Mas acho que ele não está indo mal no jogo em si, está se saindo mal com a conduta. Vi ele trapaceando...
Amélia aproveitando o dia ensolarado para sair em busca de novas flores para seus feitiços, decidiu observar o jogo de beisebol de algumas crianças. Revirou os olhos com as besteiras que as crianças cometiam e logo reconheceu a pestinha que encontrava diariamente perambulando pelas ruas. Suspirou e agradeceu por ter grades de proteção, pois aquele pirralho iria acertar a bola em alguém, caso não tivesse. Olhou ao redor do campo e viu um pai sorrindo como um bobo para o filho, vulgo pirralho. Não perdendo a oportunidade caminhou até o homem parando logo ao lado dele. Sente saudade dos velhos tempos ? Perguntou ao homem, com o olhar no jogo
Lawrence estava vidrado nos movimentos do pequenino. Claro que vez ou outra notava Damon trapaceando, dando uma rasteira, ou simplesmente deslizando de uma plataforma a outra com uma grande algazarra, que levantava a terra e fazia com que os demais tossissem e se dispersassem por um momento do jogo. Seu olhar que antes estava fissurado em Damon agora ia a uma moça ao lado, que parecia tentar puxar um assunto. — Sim. — foi apenas o que ele dissera. Realmente sentia falta dos velhos tempos, embora ele soubesse que a moça apenas estava sendo irônica, procurando chatear alguém. — E você? — embora tenha continuado mentalmente "Sente falta de ter o que fazer?", não o disse.
Cygnus pôde ver a sombra recostada sobre a grade. Aquilo lhe deixara um tanto aflito, embora emocionado. A tempos não via Lawrence. Gostaria de saber como ele estava. Provavelmente furioso. Aproximou-se aos poucos da grade e, antes que pudesse tocá-lo, sua atenção voltou-se para Damon. O garoto estava jogando beisebol e parecia radiante. Cygnus nunca o tinha visto daquela maneira. -Ora… O pestinha cresceu bastante…
Lawrence esboçara um sorriso quando Damon, depois de muito esforço, conseguiu bater uma bola e marcar ponto. Era tão jovem, mas já parecia ser tão promissor. Bateu palmas baixo e viu o garotinho se virar e comemorar, dando um xauzinho apra ele para que o pequeno souebsse que estava acompanhando. E quando escutou uma voz próxima, por distração, deixou poucas palavras saírem sem olha-lo. — Deste jeito até parece uma... — a voz continuava a soar em sua mente, o fazendo se dar conta que talvez não fosse peça de sua cabeça. E quando virou-se para encarar quem era dera de cara com um roisto parecido, com sua imensidão azul, que tanto sentia falta. Suas pupilas se dilaram, sua garganta se fechou antes dele engolir ao seco, e sua pressão desceu consideravelmente em instantes. Já não estava com a saúde muito boa, e aquela situação realmente havia mexido consigo. O fazendo em pouco instantes desabar ao chão com um baque semi-surdo.
Lawrence observava Damon na partida de beisebol, o mais novo hobbie do garoto, e ria de sua dificuldade em ser batedor. Nunca imaginou que um dia viveria para ver uma criança, sua criança, em algum jogo. E mesmo que o sol o desse tontura e queimasse sua pele pouco a pouco, ou que suas pernas estivessem fracas, ele estava feliz por estar ali
Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo Já cheguei a tal ponto De me trocar diversas vezes por você Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar E só mais uma vez me aceitar Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer Você só me ensinou a te querer E te querendo eu vou tentando te encontrar Vou me perdendo Buscando em outros braços seus abraços Perdido no vazio de outros passos Do abismo em que você se retirou E me atirou e me deixou aqui sozinho.
— Caetano Veloso, Você Não Me Ensinou a Te Esquecer
Onde está você agora?
— Caetano Veloso
De início, Victory achou que Lawrence se afastaria dela por ter lhe contado a verdade, de acordo com sua expressão. E quando ele o fez, ela sentiu uma dor no coração ao vê-lo a encarar daquele modo, mas parecia que ele ainda confiava nela, de certa forma. E era disso que ela precisava no momento. - É, eu sei, um pouco chocante, não é? Mas mesmo assim, nunca lhe fiz mal algum. E nunca irei fazer. - Lhe assegurou com um meio sorriso. Desviou o olhar do homem assim que ele apertou-lhe a mão, por medo de dizer em voz alta o que a garota realmente era, por Lawrence vê-la como um monstro… Mas apertou a mão do homem de volta fortemente, ainda insegura. Lentamente, subiu o olhar e voltou a olhá-lo nos olhos, sentiu os próprios olhos arderem. - Quando vim parar aqui, me tornei amiga de alguns caçadores e continuei minha vida de caçadora. Mas… Numa dessas caçadas… Meus companheiros foram mortos por um ser que nunca havia visto na minha frente, e havia vários como ele por ali… Matei todos… - Continuou lentamente em uma voz fraca, seu queixo tremia - E então, um deles me capturou e então percebi que estava lidando com… Vampiros. E esse vampiro resolveu se vingar por eu ter matado seus companheiros e então… Me transformou em uma. - Terminou a frase com os olhos cheios de lágrimas e voltou a olhar para baixo, não conseguia mais encará-lo, tinha vergonha de si mesma naquele momento. - Eu me recusei a me alimentar na transição, eu queria morrer, não iria me alimentar de alguém inocente… Mas Alexis mudou meus planos.
Lawrence absorvia das palavras como quem digere uma comida muito ruim. As frases desferidas por Victory lhe vinham em câmera lenta, e eram processadas como se passassem por um replay, apenas para que ele tivesse o necessário para garantir a si mesmo que aquele não era um blefe ou um pesadelo. Com uma infinidade de coisas que beiravam a surrealidade, discernir aquilo que era verídico do que era uma brincadeira de mal gosto havia se tornado um problema em potencial. De modo que ele por um momento quis pertencer a filosofia do Karma, ou ainda, compactuar com leis cristãs para que conseguisse entender aquilo que nem a ciência ou anos de ensinamento como caçador o conseguia espairecer. O fato era que não importava em quantas noites ele empunhava uma calibre 45, quantas vezes atirava adagas as cegas, ou quantas armadilhas esquematizava em folhas surradas, ele sempre se surpreendia. Mesmo lidando com oculto, mesmo já tendo caído diversas vezes na vida, ele estava submetido as pegadinhas do destino, pois somente isso poderia explicar-lhe o porque dos problemas lhe rondarem.
Estava absorto, paralisado. E por um momento ele se deixava levar pela briga moral que se estabelecia mentalmente. Seria certo continuar ali, sentado, a ouvir os relatos sombrios da suposta amiga? Estaria fazendo jus a seu trabalho, aos seus anos de esforço, se deixasse as palavras lhe rumarem aos ouvidos e saírem pelo outro? E bastou essas perguntas e a palavra "Vampiro" soar diversas vezes em sua mente para que ele discretamente levasse a mão ao bolso, encolhendo os ombros num disfarce, e enquanto seus dedos vasculhavam o bolso cautelosamente a procura do terço que ganhara de Cygnus, benzido em água benta e carregado de grande influência religiosa, assim como buscava a adaga extremamente afiada, que não seria eficaz como uma espada, mas talvez o suficiente para retardar, E antes que ele pudesse formalizar um grande plano em mente o terço saltara do bolso para sua outra mão, o pressionando contra Victory, assim como a adaga em seu pescoço. Sua feição estava compenetrada, hesitante, e uma voz em sua mente o incentivava a prosseguir. O que teria a perder? Estava por morrer. Se aqueles utensílios, rápidos e talvez nem tão eficazes conta Vampiros, não funcionassem, ao menos teria tentado. No entanto, antes que pudesse prosseguir com aquele ato, antes que a adaga derramasse mais um filete de sangue do pescoço dela, ele sentiu sua mão tremular e a afastou da pele dela rapidamente, vendo a adaga cair no chão criando um barulho baixo e estridente. Falhara... como já falhara antes, e nem mesmo Deus, se acreditava mesmo nisso, poderia salvar a ele ou a moça, que agora carregava consigo uma maldição pior que a própria morte. — Só vá embora... a eternidade será dura para você, demais para se importar com um velho que logo estará morto, demais para se importar com alguém que por um momento cogitou te matar pelo o que te obrigaram a ser, e não pelo o que é... — ele disse desviando o olhar, e seus olhos se mancharam em poucas lágrimas. Ele de fato era fraco, de fato estava derrotado, preso entre fantasmas do passado e projeções de um futuro incerto.
Porque eu estava fazendo uma brincadeira, duh! Eu já li.
Entendi. É porque geralmente se espera que brincadeiras sejam engraçadas, ou divertidas.