Era para ser um dia bom, o dia mais feliz do ano. Para qualquer outra pessoa, provavelmente era. Afinal, a maioria dos bruxos ficavam empolgados ao completar dezessete anos, a idade com a qual poderiam finalmente fazer magia fora de Hogwarts. Quando acordou naquele dia, Cepheus compartilhava da mesma alegria que atingia grande parte dos bruxos no dia de seus aniversários. Estava completando mais um ano de vida -um ano que ele julgara complicado de sobreviver então era uma vitória por si só poder comemora mais um aniversário- e finalmente a restrição que o impedia de praticar magia fora de Hogwarts o liberaria. Ele era oficialmente maior de idade e isso o fez sorrir pela manhã, quando ainda nem havia saído da cama.
Sua parte pessimista e consciente já esperava que a alegria não durasse muito. E a realidade veio quase como um soco no estômago quando duas -isso mesmo, uma só não bastaria para destruir o seu dia- corujas pararam à sua frente na hora de receber a correspondência naquela manhã. Por um momento, ficou animado. Nenhuma das corujas lhe eram familiares, então simplesmente presumiu que eram de seus irmãos. Sua respiração pareceu virar gelo quando leu os nomes do primeiro envelope. Era a primeira vez que Ekaterina e Matthew Fairchild lhe mandavam uma carta e não podia ser boa coisa. O casal, seus supostos pais, nem se importaram em manter contato além do estritamente necessário em todos esses anos que Cepheus vem vivendo com sua irmã mais velha.
Ele não abriu a carta.
Entretanto, não saberia dizer, à aquele ponto, se o enjoo que lhe abateu foi por causa da primeira carta ou da segunda, que logo leu que o remetente era ninguém menos que Rodolphus Lestrange. Com o estômago embrulhado, os punhos cerrados para controlar a sensação de raiva que borbulhava dentro de si e uma vontade insana de gritar que todos os três lhe deixassem em paz, o garoto deixou a mesa da Sonserina e partiu para qualquer lugar que, à aquela hora, estaria completamente vazio.
Seus passos irritados acabaram lhe levando de volta para seu dormitório quando pensou na pequena, porém ainda existente, possibilidade de alguma daquelas cartas ser um berrador. Pessoas espiando sua vida conturbada com os donos dos dois sobrenomes que carregava definitivamente não era algo que Cepheus queria. Trancou a porta com um feitiço, rindo amargamente da ironia sobre seu primeiro feitiço oficialmente como maior de idade ser um coloportus. Sua gata, Andrômeda, aninhou-se em seu colo quando Ceph sentou-se em sua cama, com as cartas ainda em mãos.
Garoto,
Você pode ter esperado que nós esqueceríamos o seu aniversário, mas estamos contando os dias para você completar dezessete anos desde que te pegamos naquele lugar horrível que chamam de orfanato. Imagino que você estivera tão ansioso quanto nós para esse dia. Finalmente vamos nos livrar de você e você finalmente vai se livrar de nós.
Por mais que já fizesse um bom tempo que não via os pais adotivos, podia perfeitamente ouvir o sotaque de Ekaterina em sua voz irritante e constantemente enojada em cada curva da letra bem desenhada da mulher. Isso fez com que o adolescente se arrepiasse, com a sensação ruim no estômago piorando, com ose congelasse por dentro. Com a mão que não segura a carta em frente aos olhos, acariciou os pelos de Andrômeda em busca de um pouco de conforto.
Já entramos em contato com nosso advogado. Segundo o testamento do energúmeno do meu sogro, somente com dezessete anos você poderia dispor livremente da fortuna. Da minha fortuna. E dispor completamente, no seu caso, é abdicar totalmente dela para que eu e Matthew finalmente possamos ter em mãos todo o dinheiro que por direito é nosso.
Eu disse a Matthew que buscaríamos você amanhã logo cedo para resolver as questões legais e liberar nosso acesso ao Gringots, mas, aparentemente, os estudos são importantes mesmo para alguém inútil como você. Ele me disse que a diretora não permitira que você faltasse às provas finais por um motivo como esse. Não te interessa os tramites da nossa discussão cerca a isso, mas até você deve ter percebido que é só uma desculpa e que o Matthew ainda respeita demais essa escola, não é?
É perda de tempo, mas então nós dois decidimos dar um jeito nisso sem você precisar sair antes do fim das provas. Espero que já tenha percebido que enviamos alguns papéis juntos com essa carta. Apenas assine-os e mande-os de volta para que meu advogado possa começar o processo da transferência de bens.
Aguardamos com ansiedade esses documentos então não estrague tudo de novo, Cepheus.
Ekaterina Nikolaevna Markatos Fairchild
O sonserino precisou jogar os papéis no colchão, abraçar a gata e respirar fundo ao terminar de ler a carta. Estava, de certa forma, acostumado com o tratamento que tinha nas mãos de Ekaterina e Matthew, sempre fora da mesma forma e ele perdera a muito tempo a esperança de que os dois podiam mudar. Porém, essa ciência não impedia que ele ficasse incomodado, tanto por causa deles como por causa de todas as memórias que tinha de quando morava com os dois.
Depois de soltar Andrômeda -ou a soltava, ou teria que lidar com arranhões em sua cara-, Cepheus voltou o olhar para os documentos que a Ekaterina lhe mandara. A fúria, naquele momento, não teve nada a ver com seu distúrbio. Era uma raiva pura e completamente fundamentada que o fez rasgar cada um dos papéis e depois, com a varinha, tacar fogo neles.
Só quando todos os documentos viraram cinzas que ele pode respirar normalmente.
Não importava, naquele momento, que ele sempre soubera que isso aconteceria. Ele simplesmente não conseguiria se permitir que Ekaterina e Matthew, as duas pessoas que o torturaram durante a infância, passaram a vida o tratando como se fosse o mais nojento dos vermes e a mais pesada das obrigações, conseguissem o que eles queriam.
Não sabia como, mas ele daria um jeito de aquele dinheiro nunca chegar nas mãos do Fairchild, nem que tivesse que invadir e assaltar seu próprio cofre no Gringrots.
Com aquela decisão, um pouco impulsiva porém mais certa do que tudo em sua vida, ele partiu para a próxima carta.
❝Eu nem deveria estar aqui porque não tenho idade pra esse tipo de coisa e não fui exatamente convidada, mas… quer dizer, tem pizza e sushi à vontade. Quem recusaria isso? Eu sou nova, não burra❞
“Como assim não te convidaram? Achei que tivessem convidado todo mundo, afinal, me convidaram também. Pizza de graça não se recusa nunca.’
Apesar de ter dado as caras para cumprimentar seus convidados ao início de sua festa, era óbvio que o seu sangue artístico de Kingston Clarke falaria mais alto, exigindo uma entrada triunfal, esta que veio ao som de “Confident” da artista trouxa Demi Lovato, cortando a musica que tocava no momento antes da garota surgir no topo da escada, chamando a atenção de todos. Assim que desceu sobre uma chuva de gritos e aplausos, Mal serviu-se de um copo de drink mágico no bar, em seguida encaminhando-se para o coração da festa para conversar com quem tinha encontrado “Se você não está bêbado ainda, é um insulto à aniversariante!” a morena brincou, rindo e erguendo o copo ao alto “Vamos, experimente esse aqui, está delicioso!”
“Sério?” Cepheus levantou uma das sobrancelhas, sorrindo divertido. “Eu não me dou muito bem com o mundo quando estou bêbado. Posso me livrar dessa vez porque meu aniversário foi essa semana também? Tecnicamente, isso deveria me dar uma vantagem, certo?” o garoto brincou, mas pegou o copo dela, tomando um gole para experimentar. “Hm, ok. Isso é realmente delicioso. E, aliás, feliz aniversário.” desejou, devolvendo o copo a ela.
Com tudo o que anda acontecendo não sei se a coisa mais segurar de todas era fazer uma festa, ainda mais na casa dos gritos! Mas com toda certeza é boa para relaxar um pouco… Acho que vou acabar indo
“Como um dos aniversariantes da semana, acho que a melhor ideia é fazer uma festa mesmo. E a casa dos gritos é um lugar ótimo para festas, apesar de tudo. Eu apenas não sei se conseguirei ir ainda por causa... Bem, das pessoas que sou obrigado a chamar de família.”
De verdade, acho que essa história toda aí da menina que morreu está bem mal contada. É óbvio que tem muito mais aí que estão divulgando, ou não teria esse exército de aurores no castelo. O que me estressa mais é isso de ficar no escuro, e de acharem que essa é a melhor opção, mas não é. Não é possível que com duas guerras eles não aprenderam como lidar com possível caos.
“Pelo o que me falaram, ela não morreu ainda. Mas, em toda história do Profeta, sempre há mais do que o que divulgam, então não me surpreende. Ficar no escuro é agoniante, mas as vezes pode ser melhor do que o caos que certas verdades podem causar. E imagino que eles tenham ficados ainda mais cuidadosos com essas coisas depois das guerras.”
Dissendium - proferiu, fazendo a estátua ser substituída pela passagem que ela ansiava a alguns dias, olhou para a pessoa que lhe acompanhava com um sorrisinho e adentrou a abertura - Minha primeira vez na Dedosdemel, se estou feliz? Sim.
“Sua primeira vez e já faz o feitiço melhor do que eu? Isso é tão errado.” brincou rindo baixo enquanto seguia a garota, entrando na passagem. “Não tem como não ser feliz indo para a Dedosdemel. Você vai adorar.”
—-Não é? Adoro quando nomes batem com a personalidade, melhor coisa. Wait, Cepheus? Qual é, e meu nome que é legal? Adorei esse. Pelo visto nossas famílias gostam de nomes diferentões, hein? Péssimo nada, melhor que eu certeza que tu é, buddy! Eu nem sei chegar no meu dormitório e primeiro lugar. Aha, temos um infligidor da lei aqui pelo visto, hein camarada? Relaxa que não vou te denunciar.
“Fury combina com a sua personalidade? É legal, meu problema é com todos os outros nomes. Ainda encontrarei um jeito de ser só Cepheus. Pelo visto nós dois temos famílias estranhas para escolherem esses nomes. Ok, eu sou definitivamente melhor guia que você, mas os caminhos dos quais eu entendo não serão muito uteis a você, imagino. É, talvez... Só não conte a ninguém, valeu.”
“ — Ela riu baixo conforme ele se explicava —— Tudo bem Ceph, não precisa ficar se explicando. — negou com a cabeça, fazendo os fios loiros se agitarem em torno de sua cabeça —— E não sei, mas podemos ir logo, antes que percamos um trem e demore muito para outro ir. — dito isso, Marjorie pegou o amigo pela mão, puxando ele pelos corredores até a passagem secreta no terceiro andar. —— Como quebrou sua vassoura? Nem sabia que isso era possível. Eu preciso de pincéis novos, então vamos comprar coisas. ”
“Foi mal...” desculpou-se com um sorriso leve e passou uma das mãos na parte de trás da cabeça, um pouco envergonhado por estar falando tanto. Falar desse jeito era uma particularidade que raramente acontecia com o Lestrange e sempre na presença de Marjorie. “Tudo bem, quando chegarmos lá podemos decidir melhor.” deu de ombros desajeitadamente enquanto andava com os dedos entrelaçados aos dela. “Então... Talvez tenha sido em um ataque... Essa é a explicação mais provável, mas ainda não lembro de tudo perfeitamente.” encolheu os ombros enquanto falava, principalmente porque sabia que dessa vez a culpa era sua de verdade, por não ter tomado o remédio naquele dia para o estudo render mais. “Vamos às compras, então.”
“Não me incomoda tanto, não daria essa importância toda pra alguém que nem conheço. Só me incomodou… um pouco. Não devia ter me irritado com você foi ma…colocou seu café em cima do meu livro?”
“Aliás, meu nome é Cepheus. Diria que é um prazer conhecê-la, mas talvez isso te incomode também então só ficarei quieto.” assentiu rapidamente, sem esconder o sorriso leve que acompanhou seu sarcasmo. “O que? Não, eu nem posso tomar café, na verdade, então esse café não é meu.”
— Pelo menos eu não vou ser motivo de risadas suas, não estou surtando. Sei que estou preparado, estudei o ano todo. Bom eu sou uma pessoa bem peculiar, já devia ter percebido isso.
“Não rirei de você, não se preocupe, mesmo que estivesse surtando. Principalmente se me contar o segredo para manter a calma desse jeito. Definitivamente, mas eu também sou então não posso julgar.”
— Desisto de te fazer entender, querido. E esse troço aqui é por causa de uma estrela com tinta que uma pirralha do primeiro ano decidiu colar em minha testa. Ás vezes esqueço que esse tipo de ser corre por esses jardins. Meu bicho-papão poderia ser uma criança.
“Por que uma garota do primeiro ano te colou uma estrela na testa?” perguntou sem conseguir segurar a risada. “Desculpe, isso é engraçado demais. Crianças nem são tão assustadoras, só algumas. Depende da criança, assim como depende do adolescente e depende do adulto... Todos podem ser meio assustadores.”
É bom fazer isso, sério. Digo, pensar na faculdade é ótimo, mas eu vejo muitas pessoas implorando para que a vida de universitário chegue ou então morrendo ao pensar que a vida adulta ta cada vez mais perto. Tem que viver um dia de cada vez.
“Eu não tenho planos de duração tão longa assim, na verdade. Se eu conseguir me formar em Hogwarts, já estou no lucro. Quando estiver no sexto ano, eu talvez comece a me preocupar com essa parte.”
Hum…e eu posso perguntar o porquê? Será assim tão difícil arrancar um sorriso de seus lábios? Ahm…é, talvez possa sim, apesar que irei tentar todos os dias, viu? Ahm, certo, apesar que eu acho que isso não é motivo pra não sorrir, ma passion. Se você sorrir irá se sair perfeitamente bem. Oiw, que fofo você. Vem cá, passion.
“Porque eu só sorrio quando dá vontade... Apesar de que, esse ano, sorrir se tornou algo mais comum para mim do que nos outros anos... Mas, calma. O que o meu sorriso vai ter de influência nas minhas notas? Isso não fez muito sentido. Wow, ok.” disse um pouco surpreso com o abraço, mas retribuiu. “Você é sempre enérgica assim?”
É, talvez não exista, só Merlin sabe não é mesmo? E sim, nisso você tem razão. É sempre bom pensar diferente de vez em quando. Bom, sendo assim ótimo que você ‘tá ciente disso. Sim, eu sou do quinto ano. Então quando precisar é só me chamar.
“Tem coisas que só Merlin para saber mesmo... Aprendi isso esse ano, que pensar diferente faz bem para a alma. Não se ofereça, porque a possibilidade de eu realmente pedir ajuda é considerável, levando em conta meu problema, hm, de concentração.”