Imagens que trazem paz

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@rainbowrabbithole
Imagens que trazem paz
Parábola do Semeador, de Octavia E. Butler
Cuidado: SPOILERS
Se o livro não tivesse sido lançado em 1993 e se passasse de 2024 a 2027, eu não chamaria de ficção científica. Toda a história parece um grande exercício muito acertado de futurologia e, mesmo que a pandemia de Covid-19 não tenha sido tão ruim que tenha transformado as pessoas em zumbis (literalmente ou mais do que a gente já era), a "Parábola do Semeador" descreve este mundo em que vivemos bem direitinho.
A vizinhança em que a Lauren vivia, cercada de muros, contendo a classe mais baixa da sociedade do lado de fora é basicamente qualquer condomínio fechado aqui de São Paulo. Aquela pequena comunidade pode até não ser rica rica de verdade (tipo, os 1%), mas com toda certeza tem muito mais dinheiro do que quem vive nas ruas e mal tem um teto para se proteger da chuva.
Só não é tão parecida com São Paulo porque todo mundo tem arma em casa, que, mesmo que os anos do desgoverno tenham tentado, muita gente não foi atrás delas. Talvez o condomínio da Lauren seja mais parecido com um lá no Rio de Janeiro?
A Lauren não vê um futuro nesse lugar, pensa em tentar uma vida nova e possivelmente melhor em algum lugar do norte (oi, galerinha que tenta ir para os EUA para construir o sonho americano - e onde não existe o SUS), onde há empregos que pagam alguma coisa, água e comida mais baratos (porque onde ela mora tudo é caro demais e ninguém tem dinheiro sobrando) e menos violência.
Quando o condomínio fechado, ops, vizinhança da Lauren começa a sofrer pequenos roubos, ela sabe que é hora de partir. Que as coisas não vão melhorar, que o governo não está nem aí para eles (que são o que poderíamos chamar de "classe média"), a polícia não aparece quando chamada, não se pode gastar água apagando fogo porque é bem cara e há uma droga rolando fora dos muros que faz com que as pessoas tenham vontade de botar fogo em tudo, além de viverem somente para consumi-la. O kit que a Lauren monta para caso precise fugir correndo de casa em caso de fogo me lembrou muito como a gente precisa organizar um "dinheiro pro ladrão levar", um celular velho se der para dar para quem te assaltar (embora furtos sejam mais comuns hoje em dia) e outras medidas de segurança que não são tão seguras assim.
É, nada disso parece distópico se você mora no sul global.
Então quando os "drogados" conseguem adentrar os muros, o caos toma conta. Todas as casas são incendiadas e saqueadas, quem está no caminho acaba sendo assassinado, torturado, estuprada ou vendida, e quem sobrevive tenta ir para o norte em busca de uma terra encantada que provavelmente não existe - e eles sabem disso -, mas é melhor do que o inferno em que estão no momento.
A Lauren acaba depositando toda sua sanidade na Earthseed, uma espécie de religião que ela foi desenvolvendo ao longo dos anos, diferente da religião de seu pai, pastor batista, e que não se ancora somente em uma crença. O destaque de Earthseed é a mudança. Deus é a mudança, tudo muda, todos mudam. E vamos acompanhando como a Lauren e seu grupo precisam se adaptar a todos os obstáculos e imprevistos enquanto tentam sobreviver num mundo que está no caminho do fim há décadas.
Uma coisa que chama muita atenção no trajeto da Lauren é como ela vai formando uma comunidade ao redor dela. Embora todos saibam que o melhor a fazer para sobreviver é não confiar em ninguém e se aproveitar dos que ficam pelo caminho (olar, individualismo ao extremo do nosso estágio do capitalismo atual), a Lauren segue um caminho diferente. Ela acredita que a força está nos números, sem deixar de lado a consciência dos privilégios que alguns carregam por terem nascido homens ou brancos. É interessante observar como a Lauren decide fingir que é um homem, pois um trio composto por dois homens e uma mulher atrai menos atenção e tem menos chance de ser atacado do que se percebessem que são duas mulheres andando junto de um homem. Ela ainda leva em consideração o fato de serem duas mulheres pretas e um homem branco. Conforme o grupo vai aumentando, sempre temos as observações da protagonista em relação à diversidade do grupo e como eles conseguem se camuflar e serem deixados em paz nas cidades que passam por ter uma quantidade maior de mulheres em relação a homens, além de algumas crianças.
Assim, mesmo sendo um grupo grande ao final do livro, eles conseguem passar quase despercebidos por muitos lugares por não parecerem um grupo violento (principalmente pela presença dos pequenos). Isso também os deixa mais vulneráveis a homens cis heterotop que querem estuprar mulheres e meninas e vendê-las como prostitutas, mas, por sorte, o grupo tem bons atiradores entre eles.
Embora o livro todo tenha um tom de esperança, é difícil não pensar em como tudo ali é doloroso demais, até mesmo para quem não tem a super-empatia. Você é obrigado a matar para sobreviver, a desconfiar das pessoas (mesmo que o grupo principal tenha conseguido fugir disso, demora para que eles passem a confiar de verdade uns nos outros), a viver em uma paranoia em sua cabeça e a estar a todo momento alerta, porque isso literalmente é a diferença entre viver e morrer. Se você já viveu alguns dias assim, sabe o quanto é exaustivo. Uma comunidade ajuda a dividir a carga mental para a vida ser mais fácil de ser vivida (e não, isso não é restrito a criar crianças). A Lauren várias vezes é salva pelos companheiros de aventura e salva muitos dos vulneráveis também. Sozinhos, seriam mais umas 10 pessoas mortas pela Califórnia.
Uma crítica que quase passa desapercebida é que os personagens toda hora pensam em arrumar um trabalho que renda algum dinheiro, onde eles não tenham que se transformar em escravos para continuarem a sobreviver. Entretanto, lá no final do livro, sugerem ao Harry que, ele como um homem branco, arranje um emprego como um tipo de capataz dos escravos, que em muitos lugares ou você é o escravo ou é o capataz. O Harry fica horrorizado, mas outra personagem (e aqui entra minha falta de capacidade de lembrar o nome deles, perdão) que era escrava nesses lugares diz que trabalho é trabalho e você não precisa gostar dele, só ter uma renda boa o suficiente para viver um pouco fora dele. Se você já teve que trabalhar em algo que vai contra seus princípios ou que já saiu do culto do "ame o seu trabalho e você nunca mais vai ter que trabalhar", vai entender essa lógica.
Esse texto não pretende ser uma review do livro. São apenas alguns pensamentos aleatórios que estão passando pela minha cabeça após terminar o livro. Ainda estou naquela ressaca literária, ainda estou sentindo o quanto esse mundo é cheio de dor, porque obviamente minha mente se prende ao negativo e não larga mais. Mas por enquanto é isso.
Eu queria muito ser um desses blogs asthetic, mas a maioria dos meus estudos são uma bagunça ou "minimalistas" desse jeito.
Eu tenho a péssima mania de me perder nos mangás que estou lendo. Achei uma boa hora para recuperar o reading journal que fiz em 2020 e usei umas 3x pq esquecia que ele existia e botar pra uso. Fiz algumas páginas dedicadas aos mangás que estou lendo e agora é só ir pintando os capítulos que eu ler.
djm
Por 19 anos na minha vida, hoje, 8 de novembro, era uma data a se comemorar. O aniversário do meu querido amigo Dejota. Embora ele não fosse de fazer o dia ser sobre ele, era ele quem fazia o dia ser especial. Por muito tempo, havia a piada dele trocar o aniversário com o Diogo, que faz no dia 9. Por mais tempo ainda, o Dejota dizia que só desgraça nasceu no dia 8 de novembro; infelizmente minha memória não lembra quem ele chamava de desgraça junto dele (e mesmo procurando em listas de “nascidos dia tal”, não me sobressaiu nenhum nome zoado. Pelo contrário, também é o dia de Kazuo Ishiguro, Bram Stoker e Aaron Swartz).
A covid levou um dos meus melhores amigos. Daqui uma semana vai fazer dois anos que ele partiu. Dois anos sem a presença de alguém que esteve pertinho por 19 anos. Dois anos de um silêncio que fala alto, bem alto. De uma saudade tão grande, a falta que faz do cotidiano. No fim, é isso o que fica: muitas lembranças, um vazio, uma dor coletiva.
Dejota, eu queria te falar que finalmente saí da depressão que me arrastava. Que depois de anos no fundo do poço, eu estou em um lugar melhor. Que agora eu tenho um norte na vida, que depois de milênios falando que ia prestar concurso público, agora eu tenho forças para estudar e me dedicar a isso. Queria compartilhar esses dramas de concurseiro com você, as aulas chatíssimas com professores reacionários, de leituras de leis mais chatas ainda, de dicas, de sprints de estudo. Queria que você soubesse que os anos de Biroliro acabaram, que o nosso voto este ano foi por você. Queria que você tivesse comemorado com a gente a vitória do Lula. Queria que você tivesse visto o encerramento do arco mais recente de One Piece (que eu continuo atrasada), mas que a internet estava em polvo-rosa de tão bom. Queria ter te apresentado alguns streamers de esquerda que lêem One Piece como a gente. Queria te contar todas as “aventuras de Bibi na cidade”, todos os pequenos dramas levando as cachorras no veterinário. Queria ter cantado mais no karaokê com você. Queria ter ido ao bar medieval. Queria que você tivesse lido Octavia Butler e NK Jemisin, o quanto que você ia gostar! Queria ter te apresentado a mais músicas da Taylor Swift, do BTS, e você provavelmente ia me xingar até o último círculo do inferno. Queria ouvir mais dos seus rolês doidos e aleatórios. Queria ouvir você xingar e ser xingado no LOL (queria que você visse Arcane!!!). Queria compartilhar com você ideias absurdas que levariam ao nada e a todos os lugares. Queria que você visse meus desenhos de novo, que soubesse que voltei a escrever. Queria que você tivesse visto o patriota do caminhão. Queria que tivéssemos mais encontros, risadas e choros, e papos bobos e sérios. Queria que esse processo de rever fotos antigas fosse só alegre, de pura nostalgia. De rever como a gente era bobo, livre e ser desse jeito mais algumas vezes.
Queria que as coisas fossem como antes de novembro de 2020, sem a covid. Queria que tivéssemos conseguido fazer churrasco e curtir a piscina na sua casa nova. Que tivéssemos passado muitos momentos junto dos seus gatinhos. Queria ter muito mais conversas printadas, mais fotos e selfies do nada, mais encontros para ver se a saúde tava boa. Queria que você tivesse visto o mundo reabrir da pandemia que ainda não acabou, queria ter comemorado todas as doses da sua vacina, ter te abraçado depois de quase dois anos sem sair de casa. Queria que você tivesse conseguido tudo o que planejava. Dói demais ver um amigo ter se encontrado e estar feliz com o que estava fazendo, depois de tantos anos sem se achar, só para ver toda essa nova vida indo embora.
Todos os dias, eu e o grupo que não vai te julgar pensamos em você. Descanse em paz, meu amigo.
LULA LÁ
A gente não levou de primeiro turno, mas a luta não acabou.
Leitura do dia: O Negócio do Jair.
Como boa fofoqueira que sou, sempre é bom relembrar algumas coisas fundamentais das fofocas da política.
O que é que eu vou fazer com essa tal... produtividade.
Now, I just fell in love And I just quit my job I'm gonna find new drive Damn, they work me so damn hard Work by nine, then off past five And they work my nerves That's why I cannot sleep at night
Desde julho eu ando com o fator “produtividade” na cabeça. Começou de forma inocente, com uma vontade de voltar a postar coisas como o desafio “100 dias de produtividade” para ajudar na motivação de fazer as coisas e voltar a ter um espaço de escrita.
Coisa que eu fazia em 2015 e hoje... não faz sentido. Passei por muita coisa emocionalmente, não estou em um trabalho formal (ok, nunca tive um trabalho formal de verdade, a saudosa CLT), meti a cabeça nos estudos marxistas (já era comunista, mas estudar o assunto só piorou a radicalização), meu relacionamento com o mundo não é mais o mesmo. E não faz sentido eu fazer um desafio de 100 dias de produtividade quando estou em um movimento de ir contra a produtividade tal qual o capitalismo nos impõe.
Aquilo que a rainha Beyoncé canta em “Break my Soul”, de ter hora para chegar no trabalho, mas não ter hora para sair (e nem ser recompensado pelas horas extras), de ter um chefe pairando em cima de você para que você seja mais pró-ativo, de vestir a camisa da empresa*, de viver para o trabalho, de repetir mantras de coach como “ame o que você faz e nunca mais terá que trabalhar”, “o trabalho enobrece”, “quem não trabalha é vagabundo”, já não eram parte de mim antes de 2015; agora então, passo bem longe de quem fala isso.
Mas fazer o desafio de produtividade do Tumblr era legal. Eu nunca segui uma regra de necessariamente ter que postar todos os dias, ia seguindo os 100 dias no meu ritmo. Era o que eu, inocente, pretendia fazer em julho.
E então eu travei.
Não na ideia em si, mas na palavra, no conceito. Não queria ver meus posts atrelados à ideia de produtividade capitalista. Eu precisaria ressignificar a palavra, pelo menos no meu ambiente. Seriam “dias de estudo”? Mas eu não ia postar só coisas que estava estudando necessariamente. “Dias de fazer coisinhas”? “Dias de não ficar só na cama dormindo”? “Dias em que fingi ser uma pessoa completamente adequada ao mundo doente”? “Dias de romantizar a vida”? “Dias em que fiz algo tal qual uma pessoa saudável e sã (em certos contextos)”? Nada me parece certo.
No dia seguinte, caí em um vídeo da Thaís Godinho com os mesmos questionamentos que eu, com o agravante do trabalho dela girar ao redor da tal produtividade. Ela não sabe as respostas e eu também não. Tem como a gente fugir da toxicidade da palavra?
Perdida na vida como estou, fui procurar alguma luz em dicionários, vídeos de pessoas entendedoras do assunto, livros, conceitos e teorias. Encontrei algum conforto nas palavras do Aílton Krenak, em “A vida não é útil”. “Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. (...) Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? (...) O pensamento vazio dos brancos não consegue conviver com a ideia de viver à toa no mundo, acham que o trabalho é a razão da existência. Eles escravizaram tanto os outros que agora precisam escravizar a si mesmos”.
O Krenak usa o termo “útil”, mas a ideia é a mesma da produtividade. Tudo tem que ser produtivo? Útil? Até mesmo os momentos de ócio? Ontem mesmo vi no Twitter alguém espalhar a palavra da “procrastinação produtiva”, que é, por exemplo, você ter que escrever algo e abrir o arquivo do Word. Não precisa escrever, mas só de olhar pra folha, você vai estar pensando no texto, sem estar distraído pelo celular, pela Netflix ou whatever. Achei imbecil.
O termo de agora é o tal do “quiet quitting”. Claro que não é uma coisa nova, é uma discussão sobre trabalhar somente o que você foi contratado. Não tem absolutamente nada de errado nisso, é o correto. Se você foi contratado para uma função X, não tem porquê fazer também W, Y e Z. Menos ainda se não tem uma remuneração extra em cima do trabalho extra. É mais valor que chama?
“Mas isso é pensamento de trabalhador, de quem é explorado”. Sim, porque do ponto de vista do patrão, quanto mais trabalho extra você fizer e ele não tiver que pagar por isso, melhor para o bolso dele. É justo isso?
Eu faço parte da geração do burnout. E adivinha do que eu sofro? Pois é. Mesmo estando fora do mercado de trabalho há anos, eu passei por uma crise de depressão fodida que me fez perder anos de vida. Depois disso, passei a ocupar meu cérebro de forma excessiva com filmes, séries, estudos diversos, cursos, leituras em maratona, jogos. Tudo isso parece muito legal, um sonho. Mas o fato é que eu achava que podia compensar esse tempo perdido aprendendo tudo ao mesmo tempo, em intensidades absurdas. Se eu não estava fazendo o que era esperado de mim (ir trabalhar), podia ir acrescentando coisas à minha biblioteca mental, me tornar uma pessoa mais culta, mais interessante. Uma compensação em relação à minha falta de experiência no mercado de trabalho. O resultado é que virou um estilo de vida focado em produtividade, meu cérebro não descansa nunca e eu não sei o que é relaxar. Não lembro quando tive uma noite de sono boa, daquelas que revigora o corpo, que o sol bate no rosto de manhã e você acorda feliz. Não lembro quando foi a última vez que acordei e não pensei que queria morrer, de tão cansada eu estava. Estou sempre sonhando, pensando, analisando, criando mundos e histórias que não se traduzem em algo concreto. E acordando para mijar, porque a vida é assim.
Antes disso, trabalhei por anos sem férias. Comecei sendo bem workaholic, até perceber que não era isso que queria da vida (meu corpo travou e eu tive o privilégio de poder desacelerar). Imagina se o corpo não ia começar a cobrar de novo um descanso, só que mental. E eu não sei fazer isso.
Foi difícil perceber o quanto a ideologia neoliberal estava fundamentada em mim. Luto todos os dias contra o que não concordo como princípio. E só agora, depois de anos de terapia, estou começando a desenrolar meus problemas com essa produtividade a todo tempo. Não temos que produzir o tempo todo, tempo não é dinheiro, o mundo acontece enquanto você trabalha. O trabalho não é a sua vida. Eu não quero ser definida pela minha profissão.
A ironia disso tudo é que desde a adolescência eu falo que queria ir para o mundo de concursos públicos, porque a maioria não tem essa coisa predatória de ter que fazer mil horas extras para performar uma produtividade questionável, com medo de ser demitida. Eu só não sabia na época que isso era o quiet quitting. Eu chamo de equilíbrio. Sempre achei o máximo ter um emprego estável que te permite ter tempo e energia para hobbies e uma vida social.
Engraçado como isso virou uma ideia radical.
De novo, encontrei um eco no Krenak: “Suspender o céu é ampliar os horizontes de todos, não só dos humanos. Trata-se de uma memória, uma herança cultural do tempo em que nossos ancestrais estavam tão harmonizados com o ritmo da natureza que só precisavam trabalhar algumas horas do dia para viver. Em todo o resto do tempo você podia cantar, dançar, sonhar: O cotidiano era uma extensão do sonho. E as relações, os contratos tecidos no mundo dos sonhos, continuavam tendo sentido depois de acordar.”
Ouvindo o Braincast sobre o quiet quitting, a Beatriz Fiorotto comentou que viu numa arte uma frase que explodiu a cabeça dela: “Qual o seu trabalho dos sonhos? Eu não tenho nenhum, porque eu não sonho com trabalho.” E é bem isso, eu também não sonho com trabalho. Quando criança, nunca soube responder o que eu queria ser quando crescer, em relação a profissão. Nunca nem soube fingir que sabia o que queria. A pergunta sempre deu tela azul na minha cabeça, não admirava nenhuma profissão, não tinha um ídolo que queria seguir os passos, não me interessava por esses papos nem de brincadeira.
Quando chegou a hora do vestibular, passei uns seis meses surtando sem saber qual curso escolher. Nem adiantava ir pelo “se você não sabe o que quer, tem que pelo menos saber o que não quer”. O que eu não queria reduzia minhas opções em tipo três, de umas 100. Não ajuda muito. Fiz aquela escolha de iniciante: escolhi o que fazia como hobby (escrever), transformei em trabalho, não conseguia mais fazer textos pessoais. Este Tumblr é uma tentativa de voltar a me expressar em palavras, coisa que vinha tão fácil e era como uma terapia.
E nem escolhi uma profissão que pagava bem, pra pelo menos ter isso ao meu lado. A faculdade me impediu de cair em algumas armadilhas das redes sociais, mas isso é pra outro texto. If you don't seek it, you won't see it That we all know (can't break my soul) If you don't think it, you won't be it That love ain't yours (can't break my soul) Tryna fake it never makes it That we all know (can't break my soul) You can have the stress and not take less I'll justify love We go 'round in circles, 'round in circles Searchin' for love ('round in circles) We go up and down, lost and found ('round in circles) Searchin' for love (yeah, yeah) Looking for something that lives inside me
Release ya anger, release ya mind Release ya job, release the time Release ya trade, release the stress Release the love, forget the rest
*Em uma das minhas demissões, a pessoa disse que eu precisava vestir a camisa da empresa, para não ser cogitada em demissões futuras. Fiquei horrorizada de ver alguém mais velho falando tamanha bosta para mim (hey, eu era jovem! Os adultos sabiam de tudo!) e disse que não vestia mesmo, porque não valia a pena. E continua não valendo.
HOPE is the thing with feathers That perches in the soul, And sings the tune without the words, And never stops at all, And the sweetest in the gale is heard; And sore must be the storm That could abash the little bird That kept so many warm. I've kept it in the chillest land, And on the strangest sea; Yet, never, in extremity, It asked a crumb of me.
(Emily Dickinson)
no, YOU have a microwave brain that slowly rotates blorbos. I have a washing machine brain that rotates AND soaks them and sometimes things get a little intense and it starts going THUNK THUNK THUNK and nearly breaks itself because of blorbo overload
aesthetic for @minecraftburner
a cup of coffee from your favorite cafe, taking tiny sips so you don’t burn your tongue
wanting to understand the rules that govern the universe
thinking deeply about your life and what you will make of it
solving long math problems with confidence, trusting your skills
dedicating hours to your studies
staying up late to watch the stars on a clear night
working on dozens of things at once, but finding time for them all
the satisfaction of finally working out the solution to a bug in your code
fiddling with your latest robotics project, trying to get it just right
deep, rich colors, the tones of the night sky
finding your way through the streets of a foreign city
afternoons spent curled up with a novel and a warm blanket
enjoying the time you spend with your thoughts
getting excited when new photos of deep space are released
the quiet that settles over the world in the early hours of the morning
exercising your creativity whenever you have the chance
disappearing into the world of your favorite book
dreaming of seeing the world
the familiar feeling of a paintbrush in your hand
people-watching through a cafe window
posters of distant stars and galaxies on your wall
Acostumei tanto a ler livros grandes no kindle que agora não sei mais qual a melhor posição pra segurar os físicos. Uma delícia voltar ao mundo de Alice.
Gosto que o livro diz que Sismondi tem uma explicaçãozinha e aí vem uma parede de texto em francês, do nada. E eu não estou lendo em francês.
she’s a 10 but she rots in her room all day listening to music and making up scenarios in her head
Depois de uma semana limpando cocô e vômito da cachorra, eu mereci dormir por 2 dias, ouvir podcast sobre o OJ Simpson, assistir a The Staircase e terminar o Savage Appetites. E acredite em mim, essa mini maratona de true crime foi muito mais leve do que a realidade brasileira dos últimos dias.