À contra(f)ação! Um exercício gráfico proposto aos/às “meus/minhas” alunos/as. «Há muito mais do que um logótipo ou estilo numa marca. É uma manifestação de poder» (Metahaven citado em Pater, 2021, p.131). Contrafação significa fingimento, simulação, disfarce; falsificação de produtos/valores, de modo a iludir a sua autenticidade; imitação fraudulenta de uma coisa. Contrafacionar alguma coisa envolve uma atitude duvidosa, uma atitude politicamente não correta. A partir da contra(f)ação queremos um direito a ofender, queremos a liberdade de expressão e um boicote ao politicamente correto. Vemos serem delineadas fronteiras entre subversão e contrafação, entre o que é considerado uma réplica, falsificação e criação artística vs. as coisas falsas e a imitação, ou seja, a contrafação propriamente dita. Uns “sabem” como se apropriar das imagens de forma “correta”, iludindo fronteiras entre a homenagem, a paródia e o roubo. Outros “imitam”, tentanto providenciar o que seria improvidenciável, desejando possuir o que nos fazem acreditar que queremos ter: «As pessoas têm de confiar em versões contrafeitas ou ilegais para terem acesso às marcas que veem anunciadas em todo o lado. (...) Aqueles que têm dinheiro têm a possibilidade de ver menos anúncios, especialmente porque muitos serviços gratuitos ou baratos têm publicidade obrigatória» (Pater, 2021, pp. 156, 159). A proposta da contra(f)ação pretende pensar uma identidade visual que seja uma contra-ação, uma atitude, uma reação; que habite, quer na ficção, como na realidade, na utopia, ou na distopia. Mais do que a mera (des)construção de um logótipo, esta proposta surge como um exercício crítico e subversivo que pretende pensar/questionar o lugar, a posição e ação do design(er) gráfico numa sociedade de (hiper)consumo, embrulhada em verdades pós-factuais e em constante aceleração. Pretende-se estimular a criação de uma identidade visual que não queira um lugar no mercado, mas sim uma reação. Uma posição informada, interessada e crítica, que, eventualmente, nos permitirá, a nós, designers, poder ser como o Bartleby e recusar, educadamente: “Preferiria não o fazer”. https://www.instagram.com/p/CehMYNoMStA/?igshid=NGJjMDIxMWI=