Os dias iguais me inquietam
Procurando as vezes por algo que já achei
Essa, mesmo que em sonho, já estive com ela
Monocromaticamente os dias passam e só sua luz me tira do tédio
Mas só tu sabes quando vem
Vir a luz, ao medo, aos anseios, ao gozo
De onde vim tudo se tornou inóspito, inabitável, e um dia tive que sair
E agora vivo os dias buscando o renascentismo e seus poetas
Os livros, camões quando perdia a esperança por medo do desgosto, e ainda sim não deixava de escrever sobre o amor
Vivo o mesmo enredo, totalmente diferente do que sonhei quando criança
Eu agora vivo os medos, ou melhor, os enfrento
Eu os deixo me derrubar, ou eu mesmo me derrubo e assim consigo me recriar pelo pó que restou do meu ego
É horrível essa humilhação
Mas que venha outra, e mais uma
Troco o lençol, as vezes o enredo e o ambiente, mas as vezes nem isso
As vezes nem o lençol vale a pena
As vezes nao valem o pano verde que tece
Como pode me assustar o que já passou?
E temo a mim como mais ninguém
Pois sempre me remete a algo
Visto que só eu mesmo me enfrentei.
Com o solo seco agora não sei onde mais brotar
A hipotermia me salvou hoje
Talvez pelo choque que preciso passar todas as vezes em que tudo vai bem
Eu preciso lembrar a diferença entre ser e estar
E eu sei bem quem sou, como sou, que as vezes sou mas outras não fui
E eu odeio que falem que tudo bem
Mas as vezes não me resta opção, quando no chão, ferido, eu preciso aceitar quem eu fui
Talvez por um tempo, ou dois.
Eu só espero que passe, como sempre passou.
Que não seja como sempre penso que sou
Que apenas carregue o que flui.