Ainda bastante atordoado, Haneul tentou se manter firme diante da postura do namorado. Ao se sentar, percebeu o quão próximo estivera de desabar sobre seus joelhos devido à tontura repentina que aquele mal-estar todo havia lhe causado, o que fez com que se sentisse pior ainda, em meio ao choro compulsivo que voltara a causar um nó horrível em sua garganta. Perguntava-se mentalmente como pudera ser tão ingênuo a ponto de acreditar na boa vontade de alguém que não fosse da sua família ou do seu círculo de amizades. Perguntava-se, mais ainda, o motivo daquele atentado; no fundo, no fundo, até poderia saber, mas ele se recusava a admitir para si mesmo que as pessoas continuavam revoltadas com seu relacionamento com Minchan. Aquele pensamento conseguia lhe causar mais dor do que aquela sensação corrosiva em seu estômago, ora fazendo com que suas traqueias se comprimissem rapidamente, ora fazendo com que todo seu abdômen se contraísse também.
Haneul estava sofrendo em silêncio com suas contrações, tendo chegado a se curvar um pouco e envolver a barriga com os próprios braços, quando escutou a voz de Minchan. Não conseguiu erguer os olhos a tempo de ver o mais velho empurrando o enfermeiro para perto de si, tendo feito isso só quando o homem pegou seu rosto entre os dedos e, aparentemente, analisou-o. Com os lábios entreabertos, Haneul sentiu a ponta do polegar do enfermeiro correndo por eles, até que viu o homem se afastar e voltar algum tempo depois com toda sua aparelhagem médica. Com as bochechas coradas e um olhar perdido, Haneul conteve seu choro e, depois de passar a mão pelo rosto, numa tentativa quase falha de se livrar de suas lágrimas, baixou a cabeça e passou a encarar o chão, com vergonha de Minchan, do enfermeiro e, principalmente, de si mesmo.
-- Eu sou um idiota. -- Murmurou em tom raivoso. Seu temperamento era realmente diversificado. Estava triste e amedrontado, mas com um ódio profundo queimando dentro de seu peito também. Ele era assim. Então, no exato instante em que trincou seu maxilar, pronto para reclamar sobre a aluna segundanista que o havia deixado naquela situação, Haneul ouviu JonYi, o enfermeiro, falando com seu namorado. “Ele está drogado”, foi o que chegou aos seus ouvidos, arrancando do garoto de cabelos roxos e lilases, um entreabrir de lábios bastante chocado, enquanto seu olhar passava de JonYi, para Minchan. “E com a aparência de alguém que normalmente passaria mal com cocaína, GHB e afins. Substâncias típicas para quem quer aumentar o apetite sexual ou levá-lo ao limite, mesmo que sejam drogas depressoras em algum ponto do processo de intoxicação.” Comentou. Apesar de soar despretensioso, Haneul não pôde deixar de entender o que a situação aparentava ser: o enfermeiro estava insinuando que os dois poderiam ter se envolvido com drogas para fazerem sexo. “Vocês são um casal, não?” Sua última pergunta, num tom cuidadoso, foi a confirmação para aquela impressão extremamente negativa sobre os comentários do enfermeiro, para Haneul. Isso fez com que seu estômago revirasse ainda mais e o monitor baixasse a cabeça, tanto pela dor que continuava surgindo em seu estômago, quanto pela raiva cada vez mais crescente dentro de seu peito.
Sequer voltou a olhar um dos dois mesmo quando sentiu seu braço sendo manipulado para que o enfermeiro pudesse tirar seu sangue. As lágrimas voltaram a correr, silenciosas, tanto pelo incômodo de tudo, quanto pela coisa que mais incomodava Haneul: não poder abrir a boca para ninguém da diretoria, porque conhecia a garota e sabia que a família dela era como as inúmeras dentro daquela escola, sendo que era ele quem fazia parte da minoria que realmente não passava de um nome qualquer e do subúrbio, na sociedade.