Hoje eu decidi dormir sem aliança. Talvez porque eu precisasse refletir e colocar na balança todas as feridas da alma. Notei ao tira-lá que é bem mais fácil por o anel no dedo do que tirá-lo, assim como, é mais difícil terminar um relacionamento do que começá-lo. Tudo bem, pode ser que nem sempre seja assim, não deve haver generalização quando se trata do amor. Ao retirar a minha aliança, reparei que debaixo dela, onde o sol não pega, havia uma marquinha da mesma. Tal fato, extremamente curioso uma vez que eu não costumava a retirar a aliança, me levou ao auge da reflexão… Quando um relacionamento é rompido, as marcas permanecem. Essas marcas são as lembranças e todos os ensinamentos que aquele relacionamento trouxe para a sua vida. Essas marcas, porém, também podem ser as cicatrizes, as feridas que poderão ou não, sumir. Acredito que os momentos mais difíceis são os encerramentos dos ciclos. Pra começar, quando encerra-se o ciclo da vida. Nesse caso, temos que aprender a seguir a vida mesmo que se pareça faltar uma parte de nós. Nunca aprenderemos, de fato, a lidar com a morte porque, apesar de esperada, nunca pode-se estar preparado, verdadeiramente, para dar adeus a alguém que se ama e não poderá ver/sentir mais. O encerramento do ciclo de um relacionamento, por sua vez, contém duas vertentes. A primeira quando não há mais amor e a segunda de quando ainda há amor, digamos que a segunda é a pior. Quando por algum motivo, razão, fato ou circunstância optamos por deixar aqueles que amamos, temos que aprender a lidar com a presença deles e isso dói, dói muito. É difícil desacostumar daquilo que se é essencialmente importante para você. Desconstruir uma rotina que antes você tinha com alguém especial, machuca. Os lugares perdem a graça, as flores ficam sem cor e as musicas perdem o sentido, aliás, a vida perde a graça, a cor e o sentido.
- Lesbica-por-acaso



















