Contos mínimos (de) amor(?)
Chegando em casa senti cheiro de grama cortada — doce, e terroso. A grama baixa me lembrou da menina; que, um dia foi esquecida no berçário. Seu nome ecoava nos corredores. Outro dia, esquecida no fundamental. Depois, esquecida no ensino médio; aqui ela já sabia que sempre seria a segunda opção. Era a mais bonita já vista, mas nunca escolhida, pois nunca a escolheram. Jamais ousou namorar, tampouco beijar; não por escolha, porque ela não tinha.
Esquecida pelos amigos na faculdade, decidiu então ser lembrada. Cunhou o nome em vermelho gourmet, cortou os pulsos e no último suspiro, seu nome blefou: "Vida". No outro dia, retiraram seu corpo do banheiro — atrapalhava a passagem —e lembraram dela, uma hora ou duas. Ninguém lembra seu nome. E essa história? Escrita em post-it esquecido numa mesa.
Dizem as más línguas — as quais tenho posse — que...; eu sou mal. Eu sou Satanás, o que você esperava de mim? Trabalho com tortura, não espeto de gente, eu só preciso falar para uma pessoa suscetível que ela é muito melhor do que ela recebe.
Nada; nada fere mais alguém que o próprio ego inflado tentando sair por uma úlcera.
Ética, dor, e talvez amor:
A questão não é ética. É saber em que ovos estou pisando. A realidade da qual parti revela o mesmo receio dele. É por isso que sei quando alguém está perto de um colapso da mesma origem.
Os padrões de bem, e normal, se tornam baixos, a ponto do desprezo sofrido pela família (pais e parentes próximos) virar algo comum, só mais um dia. O constante medo é o bem, afinal, estamos em apenas mais um dia.
O problema, é que nem a própria pessoa que passa por isso sabe o nível real de uma normalidade. A questão é que você passa a se ver de forma inferior à outros, a autocobrança aumenta, o defeito é você. Com isso, você passa a racionalizar os sentimentos, esconder dos seus pais, e como defesa, afasta quem arrisca tocar no escudo. Toma ações contra a real vontade, contra a suas questões, tudo para se defender, de forma inconsciente é claro. Você acha que quem sofre com isso não quer afeto? Não quer mudar? Acontece que não conseguimos.
Temos medo dos nossos pais descobrirem algo, algo que sequer nem exista. Mentaliza situações em que tais ocasiões ocorrem, e boom! Tem uma crise de ansiedade por algo que você nem faria, por uma situação hipotética que você criou. — E piora, você racionaliza tanto seus sentimentos, que quando se solta um pouco mais, você é taxado de rótulos: "você é gay", "você é inconsequente"... — como quer reagir a isso? Com surpresa? — é por isso que se fechar, à sua visão, é a melhor opção.
Eu perguntar as coisas de forma direta, apesar do desconforto da pessoa, é um misto de precaução, com uma reação inconsciente. Eu preciso saber qual é a referência de bem de uma pessoa, afinal, o "bem" pode ser o nível preocupante que necessita de intervenção, porque, se passar, a única coisa que teremos no futuro será a fuligem, lágrimas e petalas de crisântemo próximo às fotos de família sobre o túmulo. — E eu já perdi gente para o suicídio.
É por isso que a única coisa que eu temo mais que meus pais, é minha mente. — Não é sobre amar ou não os meus pais, eu os amo, mas isso não quer dizer que eu não tenha traumas.
E por sinal, eu acho que você nunca vai entender o que é esconder as coisas por medo dos pais, saber quem está chegando pelos passos, pela forma que abriu o portão, pela maneira que respira. Não é uma dor sua, não é algo que você possa então reconhecer. Não imagino que saiba como é ser uma arma, reconhecendo padrões, taxando pensamentos de paranóias e tendo necessidade de confirmação das próprias idéias. Não é algo muito legal de ter para si. — Mas é o que eu sou. É o por soma que reconheço o mesmo padrão nos outros, eu vivo eles.
Poda do sócio: indigente como a gente:
Caro leitor, solicito-lhe que imagine um tribunal: você será o promotor do caso, como na realidade.
Quem eu sou? — Meretíssimo, eu sou o representante de um quintador, advogado da hostilidade encarnada. Daquele que, sem condições, foi alocado num local feito para os pobres. Condenado pela vida antes mesmo de um julgamento adequado — "A favela é o quintal das cidades" — como já dizia Carolina Maria de Jesus.
Meu objeto — apesar de não ser considerado — alega ser humano; seus direitos? Negados! Ainda assim, se diz cidadão.
Esse indigente saliente teve seus sonhos cortados igual às árvores que ocupavam os terrenos das corruptas instituições de apoio social — instituições essas que com suas "caridades" fundamentaram este processo.
E por onde anda o governo que deveria cuidar dessa gente? Ah, esqueci, não são humanos, por isso carecem da assistência, dos direitos, da educação.
E mais! Essa defesa poderia ser somente sobre o meu contrato, porém, agora como um teto, parte em proteção aos demais excluídos sociais. É perceptível que o preconceito contra os mais desfavorecidos é cultural. Apoiado pelo Estado! Enviando o dinheiro dos impostos para que coloquem pedras sob as pontes. E nas praças? Bancos com arcos impedindo que alguém se deite!
E por falar em cultura, há o capital social e cultural abusivamente imposto, de forma que essas "Coisas" não têm acesso à arte, educação. Sequer a possibilidade de se manter no mesmo habitat que os demais devido à violência. Além dos casos de agressão, com os periféricos — ou melhor, quintadores — atacados com fogo aberto pela polícia, que, ao invés acudir, atirava com fuzís em mendigos.
Então, logo, indago-lhe a questão, Promotor. Se a constituição federal é aplicada para todos, por que o artigo 5 é ignorado ao povo? — Analisando mais a fundo. A constituição só é válida para gente — humanos; a raça dos quintadores não está incluída no catálogo.
Isso traz à tona uma questão. Se a maioria da vox populi brasileira é classe média e baixa — somos em resumo indigentes, somos indignos da lei — para quem é feita a constituição?
Meretíssimo, encerro minha defesa, confiando que as injustiças serão reconhecidas, e com furor de um bom julgamento, punidas.
Prólogo: "A mente de Ícaro":
Não sei como cheguei aqui
Caminhadas longas percorrí
Não temí a dor, me recolhi
De passo impasso, eu caí.
Não passo de um agasalho; Descartável fracassei
Mundo insano que escolhi.
Eu caí em minhas mentiras. Eu esperei um dia criar asas. Eu esperei um dia ganhar carvão. Eu esperei um dia. Eu esperei, e um dia se passou, mas não foi suficiente; assim como eu nunca sou suficiente.
O que é ser suficiente? Como é ser o bastante quando nada é bom? Como eu posso quebrar expectativas que nunca em mim foram depositadas?
A hipocrisia está em saber que toda essa pressão que há, fui eu que a impûs.
Eu um dia criarei asas, e voarei em direção ao chão horizonte, atirado em rumo a esperança de um dia saber como é voar, como Ícaro. Ele sabia que cair significava que ele conseguiu um dia voar. A Morte nunca viu alguém tão vivo na hora da morte.
Era uma noite fria de outono, estava com fome, e dor no corpo, havia presumido que era porque trabalhei o dia todo. Tinha também uma falta de ar recorrente, que nunca associei ao cigarro, pois ela vinha acompanhada com uma dor.
Cheguei em casa e me deitei. Não tinha nada na geladeira, meu chefe atrasou o meu salário, a comida acabou e minhas únicas refeições eram as que a empresa disponibilizava, ou seja, meio copo de café preto e um pão com manteiga.
Acordei de manhã para ir ao trabalho, milagrosamente sem dores, fui ao médico e a Dra. Zazel me passou algumas pílulas, ela disse que o tratamento apesar de antigo, poucas pessoas conhecem.
Fui ao trabalho, e aparentemente meu chefe acha que comi demais e me deu uma advertência.
Hoje faz um mês que eu não como direito, apenas um prato de arroz, e um copo de água. Estou quase sendo despejado.
Há uma semana meu chefe vem me pressionando a solicitar uma demissão. Estou procurando outros empregos mas apesar da minha formação, olham para mim com desdém. Sei muito bem o que é, olham para mim e quase consigo ler em suas mentes: Negro e desarrumado, prontinho para roubar minha empresa.
Fui oficialmente demitido há 1 mês, estou sobrevivendo a base de caldos e doações nas ruas. Está frio, e nessa semana colocaram fogo nas minhas roupas.
Fui obrigado a pedir alimento e dinheiro nos semáforos, por coincidência encontrei meu antigo chefe com seu filho, me direcionei ao carro, e quando ia falar ele de maneira ríspida e odiosa, clamou: Não tenho dinheiro, vá embora.
Me afastei, mas ainda pude ouvir seus murmúrios de dentro daquela lata de soberba. Minha boca amargou, meu coração apertou, mas por orgulho, segurei o choro e a dor. O inverno chegou.
Hoje, 4 meses após minha demissão, dia 20 de março, eu acho, é meu velório. Estas memórias odiosas vividas com dores se selam aqui. — Apesar disso, ninguém compareceu. O ciclo que se iniciou sozinho, terminou-se só; solidão da solidão. Adeus.
Dedico estas dores a quem pertence o sofrimento. Àquelas pessoas que já não vivem mais em prazer, felicidade e qualquer outra unidade de uma boa vida. Dedico também à Morte, uma velha amiga, que torna-se presente a um café em vida.
De início, estas cartas são somente um devaneio de minha mente, mas se lhe apetece algo, meu caro leitor, sugiro que acompanhe com uma bebida.
Sou quem sou, mas o que sou? Fruto de um ato desmedido, o sofrimento desproporcional me gerou questões, as quais sigo em reflexão, não por sua solução, mas pelo fato da incoerência de minhas propostas. Até onde pude prosseguir de maneira leal a mim e a humanidade? É fulcral destacar que me apetece julgamentos a minha pessoa, não para saber qual ponto melhorar, mas para saber como de costume errar. Me definem como cético, horrendo e me apelidaram de Satanás. Vivem me falando que não tenho filtros sociais. Não tenho culpa se careço de lágrimas por quem não chora por mim. A sociedade tem enfraquecido emocionalmente, não sabemos mais lidar com os fatos, então nos afogamos em esperança, e elevamos esse pedestal a uma altura fatal a qualquer queda. Com isso, qualquer desequilíbrio leva a uma ruptura da realidade, desencadeando anomias sociais. Criamos o nosso próprio mau.
Como nos rotulamos a raça mais inteligente senão por vaidade? Por isso eu digo que sou o mais ignorante dos ignorantes, e mesmo assim, continuo vivo. Apenas assumi o meu papel e me libertei de mim mesmo, no fim, o meu inimigo não estava no mundo, estava em um plano o qual denomino de campo minado, ou seja, minha mente. Era meu próprio inimigo, e somente assim pude perceber que minha fragilidade mental era fruto de mim, eu fertilizei a obscuridade que me consumiu. E assim também eu percebi que a linha tênue entre a depressão e o realismo é inexistente, viver no mundo real é assumir que não há felicidade até que tenhamos um objetivo, seja adquirido pela Igreja, ou pela morte. Mas não se engane, não é um objetivo adquirido como tarefa o qual eu menciono, mas algo que lhe dê o desejo de viver. Por isso afirmo, não há nada mais poderoso como objetivo, o amor à vida, porque somente com ele você viverá a vida pela vida, e não por idolas (falsas ideias).
Percebi que sempre estou aqui, indo e voltando, retomando e transpassando. O que escrevo revela demais quem sou, o que sou, mas eu sou o cego que se abre e não sabe o que tem dentro.
Devaneios do passado? Tenho sempre. Mas não vem para me ajudar, e ficam para atormentar.
Creio que o maior desleixo que pude ter é ser pessimista por diversão. É legal não ver o mundo com cores, afinal, sou daltônico. Deuteranopia é o nome. Essas cores a mais cegam. Voltando — A mente aliada é afiada, e mostra que o corte se dá pela emoção, no caso, a falta dela. Plantei em minhas sinapses um pequeno arbusto, transgênico, com o gene BT, para matar minha criatividade, minha felicidade. Aos poucos ele cresceu, e agora toma posse da realidade.
O mercado da fé é tão icônico. Imagine só ir para o inferno tantas vezes que o diabo sequer lhe chamar para um café?
Se fosse para eu acreditar em gente assim, eu não ousaria escrever. O mundo hoje mais fala da condenação, nunca dizem que alguém vai para os céus, se negam a dizer que alguém é santo. — A fim de que? De dizer que um homossexual vai para o inferno? Que um suicida é egoísta e ele não merece salvação? Que amor é esse?
Sempre me vem à mente, se esse é o amor que converte, imagina o ódio que ele sente.
Estamos em uma sociedade comercial, a qual em parcelas vende o amor para tal – Qual será o troco da venda da alma no final?
A depressão conforta. Em algum determinado momento, a solidão, a tristeza, a falta de prazeres... Confortam. Me conformo com esse fato, pois, o cinza e o preto passam a se tornar muito vistosos, e trazem a sensação que são um verdadeiro deleite. Até onde o preto é radiante? A vista, uma cor de corpo opaco, nada denso, e raso, mas ao mesmo tempo, profundo. — Em qual momento eu errei? Na vida? Talvez eu não devesse estar aqui escrevendo, afinal, a lápide é cinza, uma das minhas cores favoritas.
O ser humano sente uma imensa glória nas drogas, nas premissas de quase morte, sempre em busca da "adrenalina", se põe em risco. Mas, por quê? Isso é tão claro quanto opaco. A constante necessidade de se pôr em risco revela que o mundo está sempre em colapso, digo isso com o coliseu em mente, o maior espetáculo da humanidade romana era chacinar seu povo. Foi-nos vendido a sociedade feliz, mas para atingir devemos escolher entre a pílula azul e a pílula vermelha, metanfetamina, ou drogas lícitas pelo Estado.
Em algum momento na vida, a mais reconfortante honra é na solidão. O cinza se torna quente, o mundo, sem cores. Não sei o que há e como fazer para livrar da sensação de paz. Essa paz não é pacífica, é depressão.
A graça da primeira carta de amor. Escrevi sem pretensão alguma e a batizei de "A primeira metamorfose", em homenagem à alguém que irei dedicar algum dia, isso se eu ao menos me recordar dela, ou se a pessoa for o suficiente. Talvez, eu realmente não dedique ao amor da minha vida em si, mas pela graça, mande a alguém.
"Enquanto todos afundam na realidade, eu mergulho no profundo da sua mente. — De maneira alguma quis entrar lá, mas foi tão convidativo analisar-te que questiono o porquê não fizera antes. — Descobri que ali poderia desabar e reconstruir-me, pois encontrei em ti meu porto seguro, um lugar único e isolado —Queria paz, ganhei flores, um belo crisântemo vermelho e branco, a flor da morte. Mascarei o odor terroso de suas flores durante muito tempo com velas, pois o odor trazia-me memórias, boas, porém ofuscadas. E com as cinzas das velas fui borrando minha mente. Me cerquei, me fechei.
Enquanto todos permearam a superfície, inebriei-me em ti, e quando focavam apenas nas bobeiras que você fazia, eu via o quanto havia de ti querendo aprovação, o desejo de ser amado, mas não aquele supérfluo amor, aquele prolixo recheado de paixões, mas o amor platônico, o verdadeiro. — Aos poucos, fui amolecendo, adotando significados, quis renascer.
Cada riso, cada gota de suor, cada tudo, fazia-me apaixonar mais por ti. Lentamente um pensamento abaunilhado foi me consumindo, e quando menos esperava, eu não queria mais um mero sorriso, eu queria você por completo. — Fosse nas dores, na alegria, na doença, e na morte. Eu dividiria minha vida com você.
Em momento algum temi que esse porto fosse uma miragem, meu erro foi esquecer-me dos delírios da mente, e meu acerto foi apoiar-me em ti quando mais precisei. Então ofereço o colo, o qual dispuseram a mim quando mais necessitei.
Esse é o maior ato de amor platônico que pude ofertar a alguém, não algo carnal, mas essa ligação entre as almas, ser o suporte de alguém. — E então declino-me a questionar o porquê de ter demorado tanto para ceder à mim suas dores.
O verdadeiro amor não é algo em que se pode desacreditar. Apenas não podemos identificá-lo tão facilmente, pois ele se assemelha muito a um simples ato de caridade. — Foi então que percebi que sempre fui amoroso com os outros, mas os outros nunca foram amorosos comigo; quando mais necessitei, poucos foram ao mais profundo da minha cerne para consolar os cacos que sobraram de mim. — Quem eu sou para você agora? Pois, para mim, foi minha fortaleza. — E jamais ousaria abandonar-te em meio a este vazio da vida.
Vejo e admiro-lhe em pétalas de crisântemo. Quero lhe dizer mas não consigo. De maneira singela, convido-lhe ao meu funeral, pois este ser que conhecera antes não existe mais, transfigurei-o.
Não quero nada em troca, nem mesmo um sacrifício a altura, sequer exijo que me ame de volta, pois amor não é apenas o que aparenta, é viver para alguém, e eu quero viver para você. — Quem dera eu soubesse fazer uma carta normal, mas como poderia o impuro prover a perfeição?! — Você aceita essas flores? Colher cada pétala desse crisântemo branco e vermelho comigo? Quer viver comigo?"
Creio que nunca irei usar. Mas, um diário bem escrito vale mais do que um amor perdido sem ser declarado. A parte mais engraçada é que eu me permito amar, mas não me permito ser amado, e eu não sei fazer ambos. — Bom, pelo menos reconheço meus pecados.
Para por fim então nessas páginas, finalizo com 6 capítulos.
Assassino de verdades: Ainda bem que somos diferentes:
Neste mundo insano, o mundano é o livre, porque de mais vale a libertinagem que a real liberdade.
Sempre foi claro que o injusto haveria de pagar, eu só não sabia que o injusto era eu, enquanto era assaltado, levaram a minha felicidade, algo imaterial conseguiram retirar de mim, minhas memórias, minhas vontades e alegrias, algo que eu não poderia comprar de volta. Fui apagado da minha existência, e isso é incrível porque para os outros eu sou o que sempre fui, mas eu não sou nada porque nem lembro quem eu sou, e se já fui alguém. Meu apelido é Satanás, me oponho a tudo e todos que vão contra mim, e o motivo é simples, eu enxerguei o que ninguém viu, eu enxerguei aquele demônio num mísero pensamento, no fluxo desta carta confusa, obtusa, me declaro chucro de boas provincias.
Após está breve apresentação, você pode me chamar de psicótico, doutrinado, assassino, Satanás, ou Miguel.
Bom dia, boa tarde ou boa noite.
Com o tempo redundante convido a você a mergulhar nesta intensa missão, resgatar a mente humana de suas perversões. Com este memento morí arrisco a afirmar que somos imortais, pois a morte só afeta a'queles que se deixam levar pela vida. Com isso, quero dizer que somos meros idiotas que se permitiram viver.
Se isto não fez sentido, não procure mais entender, mas sentir.
O mundo é perverso, louco, cruel mas não injusto, por isso devemos ver graça onde as pessoas não veem. Veja a magnificência da morte, sem ela não haveria contemplação da vida, e os nascimentos seriam um fardo, e não haveria apelo para que as pessoas fossem inteligentes. O execrável momento em que definimos a vida há a definição de morte, e sem essa definição, sem este momento, sequer poderíamos ter proveito, não teríamos a liberdade de ser. Viva o hoje, o amanhã está acontecendo e o ontem está no futuro.
Capitulo 2: Livro de um louco e uma carta ao tempo.
O mundo gira, e cada volta é um marco do tempo passado, mas devemos ressaltar que o conceito de tempo é humano, e ao tentar aplicar ao divino ou ao momento em que o conceito não existia é inútil. Desejar tempos diferentes é criar linhas do tempo diferentes. O que eu quero dizer com isso é que alterando o futuro você automaticamente altera o passado para que essa consequência se torne real, e vice e versa. Pode imaginar que em algum lugar do tempo yo estou parlando другой languages?! É mágico, é único e excêntrico pensar deste modo egoísta, mas sou humano, e isso é o que sou de melhor, um ser egoísta, que sempre quer acumular mais e mais... Mas ainda não chegamos aqui, e talvez nem chegue.
É louco o meu raciocínio para chegar aqui. Mas é ainda mais louco a vontade incessante de adquirir cada vez mais de uma pessoa, o desejo de acumular sabendo que quando morrer tudo ficará aqui.
Por isso caio em gargalhadas ao perceber que o memento morí é tão desprezado, sendo ele uma lembrança que tudo, todos nós se vão em algum dia, as vezes até enquanto você lê esse livro.
Capítulo 3: Desprezo e angústia.
A dor revela mais que a palavra bondosa do homem.
Por que você acha que há momentos tão apagados da humanidade? Ressaltam o holodomor, o holocausto de Hitler e ofuscam o regime de Pol-Pot. Sabe qual a diferença entre eles? O regime de Pol-Pot matou pessoas Khmers — etnia do Camboja.
O ser humano é egoísta e se compadece somente com seu semelhante, com isso, pessoas brancas só se importam com pessoas brancas, desprezam os outros porque são do norte mundial. Por isso com orgulho afirmo, não sou branco, sou latino, hispânico. Não tenho que temer, já paguei pelos meus e teus pecados, agora, só me resta viver.
Em retorno é importante mencionar que se tivermos uma alma, esta deve ser imortal pois seu conceito é ser o sopro da vida, e se este morre, qual o sentido da vida? A mim, é um absurdo. A vida não tem e nunca terá um sentido a menos que deem um sentido a ela, por isso sou assim, ou eu não encontrei meu motivo, ou eu não tenho os meus motivos logo devo criá-los. E como um bom católico, devo usá-los para servir o Senhor. Pois assim como São João da Cruz viveu anos sem sentir o agir de Deus, por quê eu deveria desistir? Prefiro morrer e crer que estou certo de meu futuro do que outros me condenem.
Capitulo 4: Falsa paz, o que quer de mim?
Criamos um conceito de paz, mas não passa de uma metrificação do pensamento alheio.
Para que a paz desejada dê certo deveríamos todos pensar iguais para que não houvesse discrepâncias no agir, seríamos todos as mesmas pessoas. Agora imagine um mundo com 8 bilhões de você. Se você é médico, quem é o engenheiro elétrico? Se ele é eletricista, quem é o coveiro? É o encanador?
Além de falhar na sociedade, este mundo hipotético viveria em conflitos pois o ser humano não consegue nem mesmo se conciliar consigo mesmo.
E mais, a consciência humana é definida pelas memória que moldam o ser, com este adendo, quero dizer que por mais que a base seja igual, em algum momento as opiniões iriam se divergir pela camada de inteligência. As pessoas são orgânicas, por isso seríamos todos os mesmos Assassinos de verdades, profissão renegada por vários, e temida por muitos. Por isso eu declaró que, fui eu que matei Joana D'Arc. Esta é uma de muitas verdades que eu matei por aí, procure bem e reflita.
Este curta me parece morrer no sexto capítulo.
Além de ideais hipócritas conosco, já que agora somos um, você também matou a Joana D'Arc, matou Jesus, e também matou Hitler, e morreu várias e várias vezes, pois Hitler também matou os judeus que você era. Imagina como seria sua alma manchada por você mesmo, e agora, o único responsável por você. Por isso essa teoria mostra que você não é digno de um paraíso, pois não foi capaz de sustentar a sua própria alma para si mesmo.
Agora, provado o ponto que somos todos iguais, ainda bem que somos diferentes.
Capítulo 5: O banal é moral, não pela razão.
Mentes, tantas mentes, como mentes para mim?
Eu não valho nada. Há milhões de mim por aí, mas você resolveu me ouvir. Sentado espero unicamente a verdade clemente e ardente repousar em minha mente.
Sou único, e exclusivo meu. Está minha versão somente eu tenho de mim.
A versão de você é única para cada pessoa, afinal, você não sabe como o outro conhece a ti.
Agora lúcido outra vez, me chame de luz impiedosa que queima e entrosa. Não sou a salvação do mundo, nem a sua, e nem quero que me siga, mas achei prudente mencionar que o banal é moral, mas não racional.
Afinal, se deve ser normalizado já está errado. Eu sou um jovem conservador, não um reacionário. O meu medo do futuro é ver que nossa sociedade está despedaçando por um erro mantido do passado e não uma qualidade. Por isso não quero que tenhamos a paz, pois se ela é como eu a descrevi, quem manteve este erro fui eu, e eu estou despedaçando pois falhei, falhei como um ser humano. Dor sufocante, mas um alívio de saber que o problema não é meu, porém é um problema.
Muitos dizem que se voltassem no tempo matariam Hitler, mas gargalho na cara desses idiotas. Alterar uma folha no passado criaria uma nova linha temporal, e eles possivelmente nem existiriam, então a linha temporal criada nunca existiu. E adivinha, isto é um pensamento banal, muitos tem, e se for normal, falhamos como sociedade.
Capítulo 6: Encerro aqui com esta dor conjurada da dor, morte da morte.
Ao fim eu escolho a morte, ela consola o inconsolável, acalma o mar bravo e repudia o malvado. Dela ninguém foge.
O meu catolicismo não é deturpado, ele é real, baseado na razão, não na emoção, pois somente assim para permanecer nesta fé doida. Igreja dos santos, que realizam atos inumanos com poder de Deus. Não quero converter ninguém, este livro sequer é de cunho religioso, mas somente para questionar e criticar como somos fúteis. O ser humano é banal. Cria problemas para resolver e dar sentido a si mesmo ao invés de aproveitar a vida, ignora que somos todos mortais e que logo partiremos. Não digo para viver o hoje como se o amanhã não existisse, mas para viver o hoje sabendo que o seu amanhã pode não existir de fato. Isto é, viva com consciência e se esforce para ver a felicidade onde não existe, pois se você cavucar bem achará.
Por fim, esta é a única verdade que eu não matei, o livro acaba aqui. Espero que tenha tido uma boa leitura.
(Em memória de mim, e minha loucura redimida, afinal, sou um ser criticando a mim, e a mim...[Capítulo 4]).