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Como alguém nascida nos tempos de blogspot, Orkut, Fotolog e MSN, recomendo que você abra esse blog no computador. Tem coisa que só funciona direito com uma tela grande, sabe?
Costumo dizer que esse é o meu passeio solo do ano.
Mesmo sendo constantemente encorajada a fazer mais passeios sozinha, ainda não sei bem o que me prende a não ir com mais frequência. Talvez seja um pouco da minha preguiça taurina, que é bem forte por aqui. 🤎
Mas, toda vez que vou, volto me perguntando por que não faço isso mais vezes.
Dessa vez conseguimos passar na cachoeira da beira da estrada, só pra olhar mesmo, não era "nadavel". Fazia anos que não passavamos a virada na praia, foi bem caotico, e no fim das contas acabou sendo otimo. Como quase sempre passamos dormindo...
21 de maio 2025
A sessão começou às 22h, a única da noite.
A sala estava completamente vazia, só eu no cinema.
Era minha primeira vez assistindo a um filme de terror na telona.
O filme era bobo, daqueles que a gente ri mais do que se assusta.
Mas algo naquela solidão transformou tudo.
O som do ar-condicionado, o estalar das poltronas, o eco das cenas — tudo parecia vivo.
A sessão começou vazia e terminou vazia.
Só eu, as sombras e o som do projetor.
E quando as luzes acenderam, o medo não ficou lá.
Ele me seguiu até o estacionamento deserto — e pela rua silenciosa, até em casa.
Nos faz transbordar de amor, sem precisar dizer nada.
Palavras são as coisas mais violentas que eu já senti.
Carta a mim mesma
Eu queria contar como estou me sentindo, mas já tentei algumas vezes e o que falo parece não fazer sentido. Fica tudo confuso, porque procuro e procuro palavras que não sejam doloridas, mas nada do que digo parece acompanhar o que sinto — então não faz sentido.
Sabe quando alguém que você ama te magoa? Mas magoa de verdade. Não falo de sentimentos mais íntimos, mas de algo mais maduro. Algo que um amigo faria.
Apesar de que ter um amigo é, de certa forma, ter algo íntimo… enfim, não sei como dizer o que sinto. E quando tento falar, parece que pioro as coisas.
Acho que sonho demais e confio muito nessa certa “magia do universo”. Sempre brinco: acredite no místico!
Mas um sonho de almas só pode ser sonhado e desejado a dois — ou mais. Acho que a palavra é confiança. Eu achava que estava tudo certo, que estávamos perto. Mas não.
Os desejos estão em uma prateleira um pouquinho alta… nada que uma pequena escada, ou um “pezinho”, não ajude a alcançar. Mas, nesse cenário, eu preciso de uma mãozinha.
Já ouvi dizer que, ao incluir pessoas nos seus sonhos e planos, o universo pode se confundir — afinal, o desejo é seu, e não da outra parte. Acho que é aí que os sonhos a dois (ou mais) começam a desmoronar… ou, talvez, apenas a pegar poeira na prateleira.
E como mudar isso? Eu não sei.
Confesso que estou tentando. Digo a todo momento que é necessário se amar, que é preciso um objetivo em tudo o que se faz — até no simples prazer de ver a louça limpa depois de uma refeição. É preciso um propósito: lavar a louça e admirar o resultado.
A confusão é tanta que, às vezes, desconfio se existe amor — ou se é apenas conforto. Na real, tem dias em que cansa sonhar sozinha.
Talvez o problema seja esse: eu preciso voltar a cuidar dos meus sonhos sozinha. Sempre fiquei apagando o fogo para que todos ficassem bem, mesmo que eu me queimasse. Mas acho que já está na hora de cada um aprender a curar suas próprias feridas. Essa hora chega para todos.
O mais engraçado é que começo a escrever cheia de dúvidas, sem saber como resolver, e no fim acabo chegando a uma conclusão plausível — pelo menos, para mim, neste momento em que escrevo esta carta.
Acho que é uma carta a mim mesma.
Estar junto da família, mas ainda assim cuidar de si, é uma tarefa e tanto. Algo quase ilusório — mas é claro que vou conseguir. Mesmo que nem todos se esforcem para realizar seus sonhos, acho que me basto.
Eu vou conseguir. E volto aqui, tá?
Terminei meu grimório — embora, na verdade, isso já tenha acontecido há um tempo. Gosto de pensar que ele foi tomando forma aos poucos, entre um suspiro e outro. Caprichei nos detalhes da capa: tem um potinho de mel, um caju e marcas do tempo que finjo não ter planejado. Queimei folha por folha para dar esse ar antigo, e até hoje, quando o abro, minhas mãos se sujam e o cheiro de carvão aparece. Eu adoro isso.
De vez em quando, guardo pequenas coisas entre as páginas e escrevo um pouco. Fiz a costura japonesa nas 500 folhas, mas deixei pouco espaço para ele ficar “gorducho” — como eu queria. Então, sei que um dia terei que reformá-lo. Quando esse dia chegar, tudo bem. Reformar também é um tipo de feitiço.
É um mundo cheio de opções, espero que você tenha o privilégio de encontrar alguém que te escolha todos os dias.
Psionicos.
Qual é o seu hobby?
Entenda uma coisa: nós nunca estamos realmente prontos para as perguntas de uma criança. Elas simplesmente aparecem, do nada, quase como se estivéssemos em uma sessão de terapia e, de repente… boom! Surge uma pergunta profunda, inesperada.
Às vezes, também são perguntas sobre o nosso próprio mundo — coisas que, teoricamente, deveríamos saber de cor, como: “Quantos países existem no planeta Terra?” ou “Por que tomamos banho?”.
Mas hoje quero falar de uma pergunta específica que me fizeram. E sim, ela veio do nada — exatamente como numa sala de terapia.
Dias atrás, a filha adorável de uma amiga me olhou curiosa e perguntou: “Qual é o seu hobby?”
E então… boom! Eu simplesmente travei. Não soube o que responder.
Eu pensei, pensei… e disse que achava que era pintura. Às vezes arrisco um desenho, ou então me dedico às plantas — gosto de cuidar delas.
Mas a verdade é que ela não se convenceu com a minha resposta. Pareceu até decepcionada. E, no fundo, eu também não me convenci.
Sim, eu gosto de plantas. Mas já as vendi. Gosto de pintura. Mas também já vendi coisas pintadas. :/
E aí vem a questão: ainda dá para chamar isso de hobby? Afinal, já transformei em trabalho aquilo que eu gostava de fazer. Tudo bem, eu sei que não há problema em comercializar o próprio hobby. Mas, no meu caso, sinto que não vale — porque acabei me estressando muito com isso. Talvez seja normal se estressar com um hobby, mas, para mim, aquela sensação tirou um pouco a essência do prazer que eu tinha.
Então fiquei pensando e pensando, dias depois. Sempre me pegava refletindo sobre qual seria realmente o meu hobby.
E hoje eu descobri!
É isso tudo aqui: este blog. Sempre foi meu hobby. Entrei aqui depois que parei de usar o Flickr, e comecei a ficar, escrever, reblogar coisas que faziam sentido para mim. Antes disso, também tive um blog no Blogger/Blogspot — nossa, como eu amava! Não faço ideia do que aconteceu com ele, mas tinha algumas ideias guardadas por lá.
Então meu hobby é esse: escrever aqui, ou em algum bloco de notas, ou em folhas soltas de algum caderno. Sem pressão, sem cobrança, mas hoje com um pouco mais de filtro. Mas é isso.
As perguntas das crianças realmente são como uma sessão de terapia: inesperadas, profundas e capazes de nos fazer pensar sobre nós mesmos de um jeito que ninguém mais consegue.