Three Goblin Art

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@seaweed-jackson
Percy para todos os infectados com o vírus.
Calm before The Storm || POV
Respirar parecia tão difícil quanto Grover se manter calmo em dias de enchiladas. Andar parecia tão impossível quanto Zeus admitir que tinha feito uma bela de uma bagunça no Olimpo. Falar parecia algo tão atípico como Clarisse com um vestido e lançando flores ao chão de uma cesta à tiracolo. Pensar então, estava fora de cogitação, simplesmente porque era a única coisa que parecia não ter sofrido em nada com a lavagem cerebral. O corpo podia estar caindo aos pedaços e exigindo uma cama segura como um prisioneiro de Azkaban (?), mas a mente trabalhava com a mesma fineza de uma lâmina recém polida e afiada. Não precisa de muito para fazê-la ir longe e cada obstáculo que pulasse na frente era logo cortado, flutuando para os recantos mais obscuros com a suavidade e a leveza das plumas dos pássaros. O céu não ajudava muito. A limpeza do tempo indicava a única coisa que ele esperava mais do que deitar no lago ao lado de Annabeth, chuva. Percy olhou pra cima fechando os olhos logo em seguida ao apertar a mão do namorado e seguia seus passos sem hesitar. Ele queria que a gordas e quentes gotas, até as frias eram bem-vindas, batessem contra seu corpo e lavassem o sangue que irritava as narinas dilatadas em esforço. O odor metálico, assim como o gosto ruim de sua boca, dava-lhe uma sensação indescritivelmente ruim. Parecia que no próximo segundo estaria engalfinhado com outro tributo numa luta pela vida e pelo sangue a ser derramado em benefício da Capital.
Não mesmo. Não mais.
Annabeth conversava com ele, dava-lhe vários motivos e explicações do porquê e como havia acontecido isso. A dinâmica com que trabalhava nas ideias e a urgência em que encostava o corpo no dele, aumentava a seriedade dos argumentos, foi o que o trouxe a realidade. Ou melhor, a parte sensata dele que ficava vinte e quatro horas por dia ligada. Percy não se sentia honrado, não sentia que tinha feito sua parte. O alívio de vencer uma missão, um embate cruel, não vinha. Pelos Deuses preguiçosos e rancorosos do Olimpo, Percy não se sinta heroico. E era justamente essa faceta que ele se esforçava em mostrar. Annabeth não seria assim tão facilmente enganada, ela o conhecia bem demais para aceitar o sorriso estranho no rosto e o modo engraçado de andar, mas chegaram num ponto onde fingir que não via era melhor que enxergar tudo da maneira menos natural possível. As palavras chegavam aos ouvidos, convidativas e serenas, o chamando para um perdão de si mesmo e um alívio dos sintomas, entretanto, não passava disso: um alívio. Percy não conseguia se perdoar no momento. Não conseguia se perdoar de ser tão fraco, tão manipulável a ponto de deixar essa parte negra de si tomar conta. Para existir aquela explosão de fúria e violência, tinha que já existir, certo? Um incêndio não começa de galhos secos. O fogo precisa de sol, de calor, de uma faísca.
O tempo meio que perdeu o significado depois que chegaram naquele recanto cheio de água. Percy se jogou dentro do lago, bebendo a água em grandes goles ao mesmo tempo que se esfregava. O tom límpido mesclando-se ao vermelho que se desprendia. Buscou a superfície depois de um tempo, testando os limites que pareciam cada vez mais longos? Ele jurava que tinha ficado mais alguns segundos do que quando ‘testava na banheira’. Annabeth, uma figura preocupada, o vigiava por baixo dos cabelos loiros revoltos, apoiando o rosto na mão. Seus olhos, contudo, não paravam quietos, indo do semideus para algo atrás de si.
Sereianos. Eram as mesmas criaturas que já tinha visto nos domínios de Poseidon, mas eram diferentes também. Algo mais selvagem, mais primitivo. Algo que tinha se perdido por trás daquelas írises brilhantes e definitivamente não humanas. Se elas tinham o intuito de se aproximar não demonstraram. Ficaram um tanto tensas com a aproximação do garoto, mas sua imediata recuada estabeleceu uma certa trégua entre eles. Percy agradeceu à descendência do deus dos mares mentalmente, numa prece silenciosa.
E, claro, o clima meio descontraído não podia durar muito. Uma névoa grossa arrastou-se, tão grossa e pesada que cobria o sol, da cornucópia para fora, espalhando-se como um animal selvagem depois da caça. Percy e Annabeth encararam a massa disforme se aproximando, a loira entrando na água e encostando à Percy. Lado a lado, admirando aquele espetáculo. A névoa até era bonita. Branca e perolada refletindo os poucos raios que sobraram em faíscas de diamantes. Percy piscou os olhos. Considerar algo que fazia os sereianos chiarem e mergulharem na água numa mistura de medo e raiva não devia ser bom. Um em particular ficava despontando da água, os olhos ao mesmo nível, observando a aproximação. Um puxão foi o suficiente para começarem a correr para fora. A aparência disfarçava a possível letalidade daquele gás tóxico. O fundo do lago começou a ficar grudento, a lama envolvia os tornozelos e panturrilhas dos semideuses, atrasando o avanço já lento por conta da água. Não vai dar tempo, não vai dar tempo. Suor (seria suor mesmo?) escorria pelas têmporas e o gás só se aproximava, e aproximava.
Percy quase perdeu os sentidos mais uma vez. A névoa chegou rápido demais e o envolveu num abraço doloroso demais. Ácido era derramado sobre suas costas. Um ralador de queijo descobrira uma nova função ao passar o metal afiado em pele claramente viva. Percy soltou algo parecido com um guincho, seguido ao lamurio de cortar o coração de Annabeth, ao ouvir o baque dos dois caindo dentro d’água.
Engraçado como o elemento que mais ajudava lhe causava ainda mais dor. Percy se contorceu e se esfregou como se a pele fosse consumida pelo fogo. Esfrega, esfrega, esfregando Annie, até que parou. Tão rápida como apareceu desapareceu, e a mesma surpresa era vista nos olhos acinzentados da namorada. Água ajudava, mas como eles ficariam embaixo por tanto tempo? Não podia prever quanto mais aquela névoa pairaria sobre a arena. A mochila flutuou entre eles momentaneamente brilhando em expectativa. O SACO DE DORMIR! Percy agarrou o objeto enquanto Annie abria o zíper e pegava o tecido disforme. Os pulmões só não entraram em colapso porque o casal conseguiu montar a tenda improvisada com rapidez.
“Eles nunca vão parar de tentar nos matar.” E não iam mesmo, completou o semideus em pensamento. Nem com a morte dupla do casal do outro distrito, nem os demais canhões soados naquele mesmo dia. Nada do que fizessem podia aplacar o apetite insaciável daqueles espectadores invisíveis. Nem se ele, Percy Jackson, se desfizesse de seus valores e matasse todos com a mesma facilidade que matava um cão infernal ou uma empousai. Fora idiota da parte dele achar que afastar aquele grupo de pessoas que gostava era uma boa ideia porque não importa onde fossem, os monstros os perseguiriam. Sejam aqueles sob o domínio da Capital, sejam aqueles postos entre eles.
Percy abraçou Annabeth, necessitado do contato, se perdendo naqueles pensamentos tóxicos e sufocantes. A morte, mais clara agora do que nunca, passava em sua cabeça como uma fita arranhada, repetindo e repetindo incansavelmente. Espada. Corte. Sangue. Ossos. Quebra. Em diferentes ordens, em diferentes níveis de percepção. A névoa veio e foi-se, o dia voltando à pacata normalidade das horas que antecediam uma tragédia. Um assassinato. Percy foi levado até a margem, o saco de dormir o envolvendo, e um beijo cálido depositado em seu rosto. “Deixei os suprimentos com a Ginny, vou caçar algo para nós.” Percy deveria ter protestado, a impedido, dito que estava tendo um daqueles presságios tão assustadores de semideus. Algo ia dar errado, mas o quê? Contudo, ela já tinha enfrentado essa floresta antes, sabia onde encontrar a caça depois do reconhecimento com a ruiva. E, diga-se de passagem, ele só a teria atrapalhado ainda mais.
Horas haviam se passado despercebidas. A única evidência do avanço era a cor do céu e o fria que instalara em seu corpo até os ossos. Muito tempo. O semideus se levantou e perscrutou a margem da floresta atrás de si, esperando que a loira voltasse com várias aves penduradas entre os dedos alvos. Nada. Esperou mais um pouco. Nada. “Annabeth!” Gritou para o vazio. Seus ouvidos estavam atentos ao menor ruído além da brisa nas folhas, nas ondulações do lago e no idioma cantado dos sereiano. Eles riam e provocavam o semideus enquanto o mesmo rumava para dentro da floresta, os pelos da nuca arrepiados como agulhas ao penetrar a penumbra, e a sensação de que nada daria certo alcançando uma força ainda mais preocupante.
Somehow, we keep marching on || Suzannah & Ginny & Percy
Eu sempre fui obrigada a conviver com meninas diferentes de mim. Não só pelos meus poderes, mas por elas serem tão… femininas. Elas falavam de amizade eterna e astros teens, mas principalmente de amor. Depois de passar por tudo que passei, eu cheguei a compreender suas poesias exageradamente melosas, ao ponto de não zoar de suas palavras pelas costas.
Pelo menos até agora.
Todas aquelas frases ridículas sobre término, e o clichê de que o coração partido é a maior da dores. Obviamente elas não foram alvo de uma espada bem afiada, que ainda estava no meu corpo, este corpo jogado em algum lugar na Terra.
Estava de volta ao limbo, mas agora ele não me assustava. Muito. Procurava por Jesse - ele tinha que estar ali agora -, mas eu não o via em lugar algum. O porteiro, que já estava ficando acostumado com minhas visitas, quase sorriu ao me ver, depois de tanto tempo. Mas nada de Jesse.
Cheguei perto de uma daquelas portas, e uma parte de mim estava aliviada de finalmente poder saciar a minha curiosidade sobre aquelas portas. Minha mão foi em direção a maçaneta de uma das portas em particular, mas ouvi passos atrás de mim.
Me virei e a palavra “Jesse” morreu na minha boca quando vi Paul. Ele estava estático, me encarando como se tivesse acabado de ver um fantasma - esperei a minha vida toda pra fazer essa piada, honestamente -, e se eu não o conhecesse tão bem, acharia que estava emocionado.
"Hey, Paul" falei, hesitante, antes de explicar a minha situação. O mais fácil que eu podia, e sem tentar sem muito dramática sobre isso, pois Paul já estava com uma cara de vômito. Quando terminei, finalmente o olhei nos olhos, e falei o que estava com medo de nunca poder dizer.
"Olha, eu morri. Eu não estou aqui como Mediadora, eu estou aqui como fantasma. Peça desculpas ao Padre Dominic por eu não ter conseguido. Desculpas para a minha mãe, por eu não voltar pra casa."
E eu estava chorando agora… bom.
E agora eu estava nos braços de Paul, soluçando em seu peito - eu não queria morrer, eu não queria morrer - enquanto ele me segurava forte e firme, mas sem reação aparente. Antes que eu pudesse lembrar que Paul era O mal, ele se afastou.
"Eles tiraram seus poderes de Mediadora, certo?"
"Sim," falei, sabendo que sua mente trabalhava como a de presidente Snow. Ou Hitler.
"Eles podem tirar de você algo que nunca aprendeu?"
"Paul, eu morri. Morri. De morte morrida. Estou morta. Meu corpo vai apodrecer e talvez - talvez - minha alma vá pro céu, mas se não for o caso, eu almejo pelo trono do inferno-"
"Esse é o meu lugar" ele me interrompeu, e eu quase podia ouvir sua mente trabalhando a todo vapor. “Lembra quando eu te falei que eu podia te ensinar a arrancar a alma do corpo de alguém? Se concentre na pessoa e visualize sua alma deixando o corpo. Visualize também se quer passar essa alma para outro corpo ou se a quer no limbo de uma vez.”
Sai de perto dele e voltei para o lado de minha porta. "Por que você acha que eu vou voltar?"
"Eu tenho fé, Suze," ele sorriu, e depois de ver minha expressão de descrença, ele começou a gargalhar e tremeluzir, como se estivesse indo embora. “Algumas coisas mudaram por aqui enquanto esteve fora… e hey, use aquela porta” ele falou por último, apontando para outra porta, que parecia ainda menos atrativa que as outras. Abri essa porta, e uma luz iluminou meu rosto, algo que parecia mais branco do que o próprio limbo. O céu?
Abri os olhos para ver Ginny perto de mim, Annabeth e Percy um pouco atrás. Puta. Merda.
"Por que vocês nunca me deixam morrer?" perguntei, para ninguém em particular, e apesar da dor em meu peito, eu consegui sorrir.
Quando ouvi aquelas palavras, não consegui conter um sorriso. Na realidade, soltei uma risada; uma risada entre as lágrimas, uma risada ao mesmo tempo nervosa e aliviada, como se eu ainda não estivesse acreditando no que estava na minha frente. Estava óbvio que ela estava viva - e bem. Ainda havia o sangue que se espalhava pelo seu corpo, roupas e terra, mas notei que não havia mais algum ferimento. E embora ela parecesse extremamente fraca e pálida, a droga do elixir havia funcionado, afinal. Ou então ela havia feito alguma macumba com seus poderes de mediadora. Sinceramente, eu não importava com isso, e sim que ela estava viva. Mesmo que não devesse e blá blá blá. Eu me importava daquela minha maneira egoísta e não estava nem aí. — Porra, Suzannah. Nunca mais faça isso. — Murmurei, a voz ainda meio embriagada com um falso tom severo, ainda sorrindo. Quando a vi abrindo os olhos, foi como se um peso fosse jogado para fora dos meus ombros, e apenas agora, depois dos últimos acontecimentos, eu pude relaxar, fechando os olhos e respirando fundo. O fato que ela havia feito uma piada mesmo no seu leito de (pós?) morte me fazia ter certeza que, o que quer que tivesse acontecido, Suze ainda era Suze. E apenas naquele momento pude lembrar de uma outra coisa, enquanto me levantava e voltava meu olhar para os outros dois presentes. Lembrei de que havia alguém ali que não era ele mesmo, não era quem eu pensava que era. Talvez nunca tivesse sido.
Encarei Percy, sentindo aquela raiva acumulando-se no meu peito novamente. Na verdade, era mais que isso. Eu me sentia magoada e traída. Estava exausta, extremamente cansada. Sentia ainda o sangue de Clary em meu rosto de quando eu perfurara sua garganta, mas não tinha forças nem para limpá-lo. Não queria ver meu estado; a maneira como eu deveria estar parecendo maníaca. Mas ainda assim, aquela raiva me deu forças novamente, porque eu não podeira deixar aquilo passar. Apertei a varinha com força, sentindo os nós de minha mão ficarem brancos, esquecendo-me da espada que ainda estava na garganta da ruiva. Antes, eu havia ignorado o que Percy estava fazendo por estar preocupada com Suzannah. Mas agora, não poderia deixar aquilo assim. Lembrei-me da maneira como ele fora frio e completamente impiedoso na morte de Jace. Lembrei-me de como sorria e parecia estar totalmente calmo, como se estivesse pleno e realizado. Lembrei-me de como gargalhou quando deu o golpe final. Antes que eu percebesse, eu havia avançado para cima dele, segurando a varinha em direção do seu rosto.
— Que porra tem de errado com você? — Eu estava gritando. Devia parecer completamente descontrolada, mas não me importei. Alguma parte de mim tinha consciência de sua namorada ao seu lado, vindo em minha direção e tentando me impedir, provavelmente. Simplesmente girei minha varinha em sua direção, mandando-a para longe. Era meu último feitiço estuporante, mas não podia deixar que ela me interrompesse. E não a mataria ou machucaria, afinal de contas, apenas a atrasaria. Alcancei o garoto, ficando alguns centímetros de seu rosto. A varinha estava apontada para seu pescoço, e Percy não detinha mais a espada. Mas agora que estava ali, eu simplesmente não consegui fazer nada. A exaustão voltou com tudo. Sentia vontade socá-lo, de azará-lo, qualquer coisa para liberar aquele sentimento ruim de meu peito, mas simplesmente fiquei parada, encarando-o enquanto reprimia as lágrimas. Eu não iam permitir chorar na frente dele. — Como você pôde? — Encontrei minha voz, ainda alta e com um tom machucado. — Como você pôde sorrir e rir e gostar do que estava fazendo? Que tipo de pessoa nojenta você é? — Continuei. Como você pôde fingir ser outra pessoa e ainda me fazer gostar de tê-lo como amigo? Enjoada, lembrei-me da maneira como havia torcido a espada dentro do loiro, de como rira enquanto via seus últimos momentos. Exatamente como… — Exatamente como Drake. Você é igualzinho a ele, seu filho da puta idiota. E ainda na frente de Suzannah. Fez isso na frente dela, não bastando o que já passamos e o que aconteceu. — Eu simplesmente não conseguia tirar aquela imagem da cabeça. Jace ainda estava caído com o ferimento enorme em seu peito. Ainda havia seu sangue pelo corpo e rosto de Percy Jackson. E eu só conseguia ouvir aquela risada e a maneira como ele estivera calmo. De como ele simplesmente não parecia o garoto que eu conhecera. Meu estado deveria estar parecido - com o sangue de Clary e a fúria em meus olhos, mas diferente dele, eu não era assim. Não sabia se conseguiria matar alguém a sangue frio. E embora Percy Jackson realmente merecesse umas pancadas agora, eu simplesmente não tinha mais forças nem para encará-lo. Então abaixei a varinha, soltando o ar com força e me virando, começando a caminhar de volta a Suzannah. Não me importaria se ele e sua namorada nos deixassem. Eu só queria ficar sozinha.
Ao que parecia esse mundo também tinha a capacidade única de trazer pessoas do mundo dos mortos com auxílio de algo mágico. Annabeth já havia passado por isso com o velocimo, outros tiveram o toque de Hades para retornar. Até ele já passara tantas vezes perto da morte que Hades deveria estar cansado de estender o braço para pegar a alma que nunca caía realmente do corpo do semideus. Mesmo tendo essas experiências, a vida voltando para o rosto pálido e perolado de Suzannah o deixara em choque. Como umas gotinhas podiam curar tamanho estrago? Néctar estava aí para isso, mas tão pequena dose não surtiria um efeito maior que uma garrafa de gatorade depois de uma corrida cansativa. Percy soltou a respiração que ele não tinha percebido que avia prendido, e sentiu os músculos tensos das costas desfazer alguns nós de tensão pela espera dos efeito. O que um susto não podia fazer no corpo de uma pessoa. O dolorido voltou assim que a adrenalina da expectativa fora queimada. E agora? Fora um momento de sorte que um dos itens coletados na Cornucópia servira para essa propósito, mas quem podia garantir que os efeitos eram duradouros? Quem podia dizer que essa não era mais umas das brincadeiras cruéis da Capital? Dar um paliativo capaz de levantar os mortos só para tirar-lhe a vida quando mais precisa, quando enfim aceitamos que aquela pessoa não ia morrer mais. Pela piada, pela palavras trocadas pelas meninas, Percy ficou feliz em ignorar aqueles pensamentos negros e aceitar de vez o milagre que havia sido dado.
Um piscar de olhos pareceu comprido demais depois do desenrolar dos eventos. Num momento, o alívio pela não morte de Suzannah conseguiu fazê-lo esquecer de tudo, no outro Annabeth voava para um lado e uma coisa pontuda estava quase entrando em seu rosto. Percy involuntariamente deu um passo para trás e fechou as mãos em punho, preparado para se defender de... de Ginny? O garotou soltou a respiração e sacudiu os braços eliminando os vestígios de ameaça que gritavam de seu corpo. Não queria trazer aquela imagem cravada em sua mente de Jace sob a espada que ele, Percy Jackson, empurrava para baixo, contra o chão. As palavras gritadas da ruiva não chegavam a ser compreendidas de fato. Os olhos claros do semideus mais preocupados em captar o menor movimento da namorada jogada no chão. Um levantar de peito indicando a respiração, um flexionar de dedos, até uma praga grega, qualquer sinal para garantir que não tinha sofrido mais do que Drake no início dos jogos. O tempo passava devagar para Percy, a deficit de atenção pior do que nunca, fracionando a visão e a atenção do semideus em dois, três, quatro pedaços. Cada um mostrando uma imagem borrada, mas fixada no rosto da pessoa principal. Annie mexeu o rosto, inconsciente, ao som do grito que enfim lhe trouxeram para o problema mais iminente.
Doeu, claro que doeu. Palavras realmente doem mais do que ferimentos de qualquer arma física. Ser comparado com o monstro do Drake foi a gota que faltava para o semideus sentir um pedaço de si se desprendendo e espatifando ao lado de seus pés. Um movimento, um levantar de mãos, seria suficiente para desarmá-la, até mesmo quebrar a varinha, mas para quê? Para confirmar essa ideia distorcida. O que tinha acontecido? A pergunta martelava em sua cabeça. O que significava aquelas imagens em sua cabeça. Não podia ser ele, não podia pertencer pelo garoto que daria a vida por aquelas que chamava de aliadas, se não amigas se o destino permitisse. A pessoa que tinha feita aquela carnificina não podia... Aquelas memórias foram implantadas pela capital. Essa droga desenvolvida para controlar seus poderes também devia servir para alterar o funcionamento de todo o resto. Contudo, quanto mais as possibilidades se expandiam, quanto mais faziam seu cérebro cansado trabalhar numa solução para aquele mistério, mas aceitava que tinha sido ele próprio. Vencido pelo cansaço. Percy deu um pequeno passo para frente, fazendo com que a ponta da varinha tocasse a parte vulnerável de seu pescoço e enfiou a mãos nos bolsos, tirando as facas que dividiram para se defender. Uma a uma caíram, tilintando ao tocar no chão. Percy sentiu raiva pela as acusações logo de cara, um sentimento estranho tomando-o antes de fugir. Depois, veio a vergonha. A culpa. A sensação de que não adianta o que disesse, não adianta o que fizesse, não poderia mudar o impossível.
Como podia se defender de algo que não sabia o que tinha feito?
Como mostrar para aquela garota de cabelos ruivos e risada contagiante que não era como Drake. Como convencer alguém que conhecera a dias algo que só perceberia no decorrer de meses? Certo que os amigos e conhecidos de Percy teriam dita que sacaram o semideus nos primeiros cinco minutos de conversa (mesmo não sendo preciso em alguns casos). Aquilo eram os jogos vorazes, aquilo era pela vida. Os tributos usaram de doçura e preocupação para disfarçar suas reais intenções. O que ele, de todos esses outros carreristas, podiam oferecer para reconciliar que já não tenha sido usado.
Percy estava completamente desarmado agora. Armas, barreiras, tudo. Como se tivesse sido jogado para fora do Acampamento meio-sangue, uma pária. "Eu não sei. Eu não sei." Saía como um mantra. E cedo demais ela se afastou, voltando atenção para Suzannah. Percy abriu e fechou a boca. Baixou os olhos. Segurou a camisa seca de sangue e a puxou para fora, o sangue puxando a pele e soltando-a depois de um esforço. "Eu não sou assim. Eu não gosto disso." Falou no presente. O passado seria mentira porque naquela hora, naquele golpe fatal no estômago, tinha sido tão bom. Trincou os dentes sonoramente, a expressão fechada enquanto mais e mais fragmentos se juntavam. "Eu não sou como o Drake! Eu não sou essa pessoa nojenta e asquerosa que você pensa. Eu não sei o que, em nome de Zeus, aconteceu comigo. Eu não sei. Eu não sei!" Poderia ficar mais desesperador do que isso? Passou a mão pelos cabelos com força arranhando o couro cabeludo enquanto o fazia. "Você já se sentiu tão confusa que não consegue lembrar o seu próprio nome? De estar presente e consciente quando, na verdade, só está assistindo? Nem isso. como se estivesse sufocado?" Percy apelava para a parte de si que ficara por trás, insensível pela morte. "Eu matei Jace Herondale. Eu não defendi Suzannah quando ela mais precisava. Eu fui um monstro pior do que os que estão presos conosco aqui. Mas, eu juro pelo Estige, que nada disso veio de mim." Confessar só o deixara pior, mais infeliz com o momento.
Então, a solução veio. Calma e tranquila, melhor que os dois gritando um com o outro e chamando atenção de qualquer tributo que estivesse passando. "Separação." Era horrível e contra tudo o que pensava, mas, depois do que aconteceu, Percy não sabia se era mesmo o protetor que pregara quando estavam sãos e salvos no complexo de treinamento. Zeus, ele nem acreditava que conseguiria proteger Annabeth daqui pra frente. O garoto foi se afastando, caminhando para Annie de costas, o remorso o corroendo por dentro a cada passo. "Não sou... Eu e Annie vamos para o lago. Fique com as facas." Percy ajudou a namorada a se levantar, ainda atordoada pelo golpe mágico que recebera. Envolveu-a com o braço buscando no calor algum inspiração, alguma palavra que... Não havia palavra mágica para ganhar o perdão. "Se você tivesse me perguntado como conquistar uma garota naquela hora, eu não teria dito rede de pesca." A senha para garantir que o dom de Raven não os tivesse enganando parecia apropriado. Eram momentos que garantiam que eram eles mesmos, e não uma farsa.
Contra os protestos de Annabeth, Percy a carregou, ignorando a dor e o cansaço onipresentes. "É melhor assim, Percy. Elas precisam de um tempo para perceber que você pode ser bobo, mas não é cruel." E, por Poseidon, que elas acreditem mesmo. Percy deixou os olhos vagarem pelo cemitérios, paras as lápides em ruínas e solo remexido. A voz que saiu de sua garganta era um sussurro, quase uma prece silenciosa. "Uma vez Suzannah me falou que pode entender vocês. Espero que eu tenha um pouco disso por conta de toda a minha história. Vocês viram o que aconteceu, vocês presenciaram essa cena. Eu não peço que façam nada por mim, nem tento defender uma causa tão desvantajosa." Suspirou e passou pelo portão enferrujado, virando-se para as duas figuras mais para frente. "Por favor, façam isso pela Suzannah e pela Ginny. Avisem se alguém se aproximar. Deem uma chance delas fugirem e se protegerem." Falando sozinho, Percy Jackson, que momento mais são de sua parte. Entretanto, não se importava. Não importava com os desafios que o esperava até o lago, ele só queria a única coisa que parecia impossível. Voltar no tempo e impedir o que diabos tinha acabado de acontecer.
as pessoas julgam mas antes elas n oferecem nem um copo d'água ou pergunta se aconteceu algo, já reparou?
Elas já chegam apontando o dedo e falando sem nem antes terem me dado um oi. Me pergunto como sabem tanto sobre mim só por um olhar. Nem os deuses tem toda essa capacidade.
Drunk is the new Sane
bebado, fale o que pensa dos que estão online
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indiretas para o primeiro da dash
Já que eu não estou ai, estou contando com você pra proteger ela. Não deixe nada nem ninguém machuca-la. Isso incluí você mesmo. Dos ataques e das armas eu sei que ela consegue se proteger, agora dessas garotas que tem se aproximado… Melhor tomar cuidado com essas novas “amizades”.
Do mesmo jeito que você vem protegendo nesses últimos meses? Ok. Pode deixar.
pega o luke
Esse eu já dei uns pegas antes. Hm... não?
você só pode salvar uma: annabeth, ginny ou suze. quem é? (pergunta óbvia)
Se é tão óbvia, não sei porque eu preciso responder. Ou porque você perguntou.
qual o melhor garoto pra ginny?
Eu já ouvi ela falar de um tal de Harry Potter? Quem quer que seja, eu acho que o melhor garoto para Ginny não é desse mundo estranho que nós estamos.
Somehow, we keep marching on || Suzannah & Percy
Minha adversária estava ficando impaciente enquanto eu continuava a afasta-la. Não que eu esperasse que ela fosse meiga, pois se fosse assim não estaria aqui. Eu só não esperava que a menina fosse tão gélida. Pelo menos que tivesse sentimentos sobre o namorado sendo quase morto atrás de nós. Mas, ao contrário do que eu esperava, ela não encarou seu namorado nem uma vez. Ela só atacava e soltava gritos, e eu posso jurar que uma hora ela cuspiu na minha cara.
Baixo.
Eu ouvia rugidos e palavras vindas de Percy, e eu não reconhecia sua voz. Ou o seu tom. Suas palavras. Elas não podiam vir do mesmo garoto doce e preocupado que tinha aguentado meu chilique. Eu não podia olhar para a direção da luta paralela nem por um milésimo de segundo, e mesmo se pudesse, eu não sabia se realmente iria querer isso.
Depois do que parecia um dia todo de dança e defesa, que eu mal conseguia lembrar, simplesmente por ir tudo pelo piloto automático, eu estava começando a ficar exausta. Eu conseguia sentir o suor na minha testa e a respiração mais acelerada do que no começo, sem contar que meus braços estavam ficando cansados. Clary, no entanto, se estava cansada não mostrava. Ela ainda estava vindo com tudo, mesmo com os cabelos ruivos colando no pescoço e os olhos parecendo mais escuros. A única palavra que poderia descreve-la era inumana.
Mais inumada que o normal, pelo menos.
Eu esperei o mínimo possível até ver uma brecha em seu ataque frenético: ela parecia ter se acostumado com minha constante defesa, como se eu nunca fosse atacar. Ela preferiu deixar partes do corpo expostas, talvez pensando que eu não fosse perceber. Antes que eu pudesse me arrepender, joguei meu corpo para mais perto dela, a fazendo se desequilibrar um pouco, e baixei minhas duas adagas em seu braço esquerdo. O braço ficou pendendo de uma forma nojenta, quase caindo mas ainda lá, enquanto todo aquele sangue jorrava e ela gritava em dor e pavor, olhando não para o braço moribundo, mas para mim. Me afastei dois ou três passos, sabendo que ela ficaria ali por um tempo, e olhei para Percy, que parecia uma espécie de deus. Uma espécie de deus do mal, mas ainda…
Virei o rosto de volta para Clary quando percebi que tinha algo minimamente errado. Tipo uma espada atravessando o meu peito. A menina deu um sorriso doente, enquanto eu colocava as mão em torno da espada em meu peito, analisando se faria algum bem arranca-la, e depois vendo que eu realmente não poderia fazer nada. “Merda" falei, para ninguém em especial, vendo que Ginny e Annabeth tinham chegado. Enquanto caia no chão, sem ainda perder a consciência por completo, vi que Jesse estava lá também. Ele segurava a minha mão e falava alguma coisa freneticamente.
Sabe quando as pessoas dizem que você revive todos os momentos importantes da sua vida quando você morre? Aparentemente as pessoas que dizem isso nunca morreram. Pois eu só via sangue, sangue, sangue. E eu só pude ouvir o rugido de um canhão, ao longe, antes de ir para o limbo, dessa vez sem poder voltar.
Não demoramos muito no lago. Assim que o avistamos, Annabeth correu para encher a garrafa a única garrafa que detínhamos, depois que bebemos e saciamos nossa sede por horas. Aproveitou também para encher no que foi possível: o saco de biscoitos, depois de retirá-los e guardá-los na mochila, e a garrafa de iodo, que também purificou a água. Fiquei parada de vigia, a varinha na mão. Num lugar tão aberto assim, não confiava na espada. Mantive os olhos a espreita, a respiração controlada mesmo quando sentia como se milhares de olhos nos observassem. O que não era lá muito mentira. Logo depois, estávamos a caminho da Igreja. Iríamos parar para caçar algum animal, mas Annie insistiu que poderíamos caçar depois que nos reencontrássemos com os dois. Aliás, ainda tínhamos o macarrão instantâneo e o saco de biscoitos. Não discordei. Eu também estava com um pressentimento ruim, e queria encontrar os dois o mais rápido possível. Na realidade, ao fitar as águas do grande lago por um momento, jurava ter visto o movimento de algo muito familiar. Algo que eu só vira a última vez no meu terceiro ano, no torneio tribuxo. Sereianos. Então eu também não queria passar muito tempo por ali. Não gostava das histórias que ouvia sobre eles quando no meu mundo, imagine então agora que tomados como bestantes pela Capital. Se estavam ali, não era para enfeite.
Então estávamos caminhando a passos apressados pela floresta, voltando pelo caminho que tomamos. Às vezes, por dentre as folhagens, avistávamos a roda gigante ao longe, então a usávamos também como nossa guia. Por mais que quase não trocamos palavras, nós duas sentíamos a mesma aflição. Em um certo momento, quando estávamos a no máximo cinco minutos de distância, Annabeth pegou aquele boné que primeiramente eu achara inútil e colocou-o na cabeça. Olhei impressionada enquanto ela sumia de vista a minha frente, como se fosse uma espécie de Capa da Invisibilidade. Iria parar para perguntar o porquê quando ouvi: o barulho de espada contra espada, o gritos ecoando ao longe. Sons de uma batalha.
Não precisei de uma deixa, simplesmente corri. Ainda não ouvira nenhum tiro de canhão, o que significava que estavam bem, mas também seus adversários. E eu não podia deixar que… simplesmente não, não conseguia nem pensar. Sei que o certo era tomar o caminho contrário e se proteger. Aproveitar que a morte de um tributo seria mais uma chance de eu permanecer viva, ou que poderia significar que evitaríamos chegar a um impasse aonde um teria que matar o outro. Mas, quanto à esses dois, eu já não ligava a isso há muito tempo. Não sei nem porquê às vezes me enganava seguindo a lógica da arena. Eu nunca, nunca deixaria que morressem - não se houvesse algo que eu pudesse fazer. Na realidade, mesmo se não houvesse. Engraçado como algumas semanas provocam esse tipo de sentimento por uma pessoa.
E em menos de um minuto, alcancei a entrada do cemitério. Não sabia aonde Annabeth estava, mas eu esperava que com alguma estratégia. Ao entrar, vasculhando o local, a primeira que localizei foi Suzannah, lutando conta a garota ruiva. A garota com quem eu combinara, mesmo que sem alguma palavra, não matar a outra. Mas lá estava ela, e no fundo, a frente da Igreja, podia ver seu namorado; um embaralho de cabelos loiros lutando com os escuros de Percy. Mas a ruiva não era a garota que eu havia encontrado antes. Na verdade, não parecia nem humana. Seus olhos estavam negros, e ela lutava com uma ferocidade animalesca. Parecia fora de si, mesmo que com o braço direito pendendo de uma maneira horrível, o sangue jorrando incontrolavelmente. Mas lá estava ela como se nada importasse, como se tudo que tivesse na cabeça fosse matar Suzannah.
E toda essa percepção foi algo de dois ou três segundos. Não é como se fosse ficar parada enquanto observava as duas lutando. Mas por mais que estivesse a alguns metros, por mais que quisesse usar de algum feitiço, tinha medo de acertar Suzannah. As duas estavam tão coladas em uma luta de armas curtas que qualquer coisa poderia dar errado. Mas também por mais que fora fácil transpor a distância entre nós três, eu cheguei atrasada. Milésimos de segundo atrasada.
Acho que ouvi um grito, até que percebi que vinha de mim. A espada pendia do peito de Suzannah; o sangue cobria toda a sua camisa, tingindo sua pele pálida de vermelho, transformando o mundo em um grande pesadelo escarlate. Enquanto a observava cair, juro que fiquei cega, pois só conseguia enxergar o sangue, sangue e o fato que ela havia sido morta na minha frente. Não vi quando minha mão alcançou o cabo da espada, não vi quando a lâmina atravessou o pescoço da ruiva e nem quando o sangue explodiu em meu rosto. O som do canhão da morte de Suzannah era a única coisa que ouvia, a trilha sonora cruel do momento. Foi a mais pura raiva e ódio, o mais puro medo e dor por Suzannah que levaram a arma a transpassar a pele, a carne, tudo que mantinha a ruiva viva.
Observei enquanto ela caía no chão, com apenas alguns segundos de vida. Segundos que duraram minutos para mim. Me lembro de seu olhar fixar-se ao meu, seus olhos não mais pretos. Verdes. Verdes como eu a havia conhecido, e dotados do mais puro e verdadeiro medo. Ela me encarou como se simplesmente houvesse acabado de acordar de um longo pesadelo para um pior, como se não entendesse aonde estava e porque diabos não conseguia respirar. Observei enquanto tentava falar algo, mas sua boca se engasgava ao meio a sangue e a lâmina que a atravessava. Sua mão tateou o ar, tateou em busca de ar, seu corpo espalmava enquanto eu não conseguia sentir nada, incrivelmente nada a não ser um sentimento de vingança concluída por ela ter matado minha amiga. Nunca esqueci não só o medo e a dor de seus olhos, mas a maneira como ela tentou olhar para trás, para o namorado, e o fato que nunca conseguiu. A ruiva perdeu o controle de seus próprios olhos quando eles se fixaram ao longe; quando seu corpo parou de se mexer e o segundo tiro de canhão soou na arena.
Aquilo me tirou do transe e tudo que senti por um momento foi choque. Choque pela maneira como eu não havia hesitado nem um momento, choque por observar o corpo de Suzannah manchado de vermelho ao meu chão, choque ao passar a mão pelo meu rosto e sentir algo pegajoso voltar aos meus dedos. Sangue, sangue da garota que havia acabado de matar. Eu devia estar coberta dele.
Então lembrei-me de Percy, lembrei-me de que eu não podia também deixar que morresse. Sim, eu estava dopada de sentimentos, minha mente ainda não havia raciocinado tudo o que havia acontecido, mas foi a única coisa que pensei. Peguei minha varinha, esquecendo-me da espada por um momento, mas Percy não precisava de ajuda. O loiro provavelmente havia se distraído com a morte da namorada, ou qualquer outra coisa, mas agora levava o golpe mortal que acertava seu peito. Observei ainda em choque - para não dizer horrorizada - enquanto Percy torcia a espada no corpo do garoto com um sorriso no rosto. Da mesma maneira doentia que Drake matara Jesse. Exatamente do mesmo jeito, a expressão, o golpe. Mas não fora só isso. Ele estava calmo, como se sentisse pleno. Realizado. Calmo enquanto pegava novamente a espada e reclamava algo para o loiro. Vi quando ele cravou a espada novamente, dessa vez em seu coração, e depois quando riu, como se sentisse o mais puro prazer em fazer aquilo. Uma risada maníaca, algo que me arrepiou inteira, uma risada que não pertencia ao Percy Jackson que eu conhecia. Era a mesma aparência, o mesmo corpo, a mesma voz, os mesmos movimentos, mas simplesmente não era ele. Ou então eu fora muito bem enganada.
Não tive tempo para processar isso, eu teria que lidar com isso depois, porque ao mesmo tempo que ouvia a voz de Annabeth ao longe, eu me lembrava de algo. Algo no meu bolso, uma pequena hipótese, mas a única esperança que eu tinha. Usa a porra do elixir, eu ouvia de Annabeth ao mesmo tempo que eu o arrancava do meu bolso enquanto caia em direção a Suzannah. Todo o tempo pareceu voltar em um só segundo. Antes, parecia que eu estivera em um transe: a morte de Suze, a morte da ruiva, Percy matando o loiro e se transformando em um monstro na minha frente. Pareceu uma eternidade, mas acho que foram apenas alguns segundos. No máximo um minuto. E agora, o tempo fazia sentido, o ar fazia sentido, o cheiro de metal do sangue, o líquido quente escorrendo do meu rosto, o chão duro aos meus pés enquanto eu alcançava Suzannah. Lembrei-me de respirar, lembrei-me de alcançar o oxigênio, mas era difícil, quase como se eu fosse uma criança tentando andar de bicicleta, difícil porque eu sentia lágrimas presas em minha garganta, descendo pelo meu rosto e borrando minha visão.
— Não, não, não, merda, Suzannah, merda, merda! — Eu soltava sem perceber, enquanto trazia seu corpo para perto e notava seus olhos opacos, sua mão aberta como se tivesse sido segurada por alguém; notava o sangue que agora infiltrava também o solo, manchando a terra do cemitério com o rubro vermelho. Retirei a espada de seu corpo apressadamente, jogando-a para longe enquanto abria o elixir. — Você não pode morrer, não pode, ouviu, sua idiota? — Eu gritava, não sei para quem, porque eu não processava, não conseguia, não entendia que ela já se fora. Já havia morrido. Sua boca ainda estava entreaberta, então pinguei metade do conteúdo. Segundo o papel da mochila, o conteúdo era para duas doses. Então devia ser o suficiente. — Disseram que isso cura ferimentos dos vivos, mas você é a droga de uma mediadora, e você já esteve no que quer que venha depois, e eu sei, sei que pode voltar, sei que vai dar certo. Tem que dar certo. — Murmurei, então segurei seu rosto com as duas mãos esperando alguma reação. Se aquilo salvara já alguém de um ferimento tão perto da morte, tinha que ser diferente em alguém como ela. Ela era diferente. Era alguém que convivia com a morte o tempo inteiro, alguém que tinha um pé no além e um no plano real. Droga, ela já me contara que parara seu coração certa vez para ir atrás de Jesse. E voltara a vida. Ela faria aquilo de novo.
A risada se perdeu num topor. O algodão de seus ouvidos pareceu expandir e envolver o corpo inteiro. Grosso, sufocante, desorientador. Percy travou naquela posição, a mão apertando a guia da espada com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos como papel. Como cera. Como o rosto de Jace de olhos abertos e vagos olhando em direção contrária à Igreja. Para onde ele estava olhando? Um tremor percorreu sua espinha, de cima abaixo, de tal maneira que suas vértebras pareciam revoltadas por estarem tão alinhadas. A força deixou os músculos, a respiração entrecortada fazia fumaça no ar. Estaria assim tão frio ou o calor de seu corpo enfim de esvaia na forma de pequena baforadas de vapor d'água. O semideus voltou a olhar a cena incapaz de se colocar no tempo e espaço nos último, minutos? Pedaços de memória dançavam em sua mente, mas o mais marcante era o de acordar e seguir Suzannah rumo à Igreja. Lembrava do cansaço, lembrava da sensação de estar mais se arrastando do que colocando um pé na frente do outro. Lembrava... o quê mais?
Não acreditava no que via. Não acreditava que o sangue que o ensopava vinha do loiro que jurara não matar a ele nem a Annabeth. Se bem que, acreditava lá no fundo, só não conseguia conectar o fato lógico com outro mais lógico ainda. Quem o matara? Tentara ele defendê-lo ou... Percy sacudiu a cabeça e se pôs em pé sobre os joelhos trêmulos e o equilíbrio debilitado. Quando ia virar e encarar o destino daquele olhar que não via mais nada mãos invisíveis seguraram seu rosto. "Annabeth?" A voz do garoto não passou de um sussurro enquanto, lentamente, a garota se desfazia do boné e materializava-se a frente. Ele quase esqueceu do desespero que se encontrava e percebeu um peso sendo retirado dos seus ombros ao vê-la. Podia não ter percebido antes, mas a apreensão por ter deixado-a sozinha, longe de seus olhos, roubava uma parte considerável da sempre preocupação que o rondava.
"Percy, está tudo bem." Estranhou o uso do nome, esperava um cabeça de alga bem colocado numa frase cheia de sarcasmo. Até esperava algo inteligente e sábio que nunca o semideus conseguia compreender o real sentido. Só foi um tudo bem. E nesse simplicidade e tranquilidade Percy foi compreendendo o horror da situação. Quanto pior era o problema menos a loira puxava para o lado naturalmente sarcástico dela. Devia ter feito algo terrível, inominável, para merecer esse tom. "Ei, ei, pare, olhe pra mim." Não percebeu que seus olhos voltaram a descer, mirando o chão recentemente úmido e as crostas de sangue que se formavam em seus braços. A culpa ainda tinha vindo, nem nada parecido. Era somente aquela sensação de vazio depois que você completa um objetivo. Depois de ter passado por céu, terra e dado uma volta pelo inferno, seu corpo meio que esquece de como funcionar corretamente. Percy se sentia, acima de tudo, usado. As lembranças vinham devagar, quebradas demais para começar a formar o quebra-cabeça, mas o que via não melhorava em nada.
"Eu- eu." Seus olhos voejaram paro o corpo estendido e novamente Annabeth o puxou de volta para seus olhos cinzentos e magnéticos. "Eu fiz isso?" Parecia que ela entendia aquilo mais do que ele (não que fosse uma novidade muito grande). O moreno foi o envolvido da história, foi ele que estava ali do começo ao fim e por que Annie tinha aquele ar de que tinha entendido tudo e mais um pouco. Ela o abraçou forte, comprimindo as costelas de uma maneira que o fez arfar de dor. Ao que parecia, além dessa momento apagão completo do cérebro ele se enfiara numa briga entre dois lutadores de sumô jumbo. Percy retribuiu o abraço sem jeito lutando contra algo que fazia arder certas parte de seu rosto e aquecer suas bochechas. Era como atravessar um pântano lamacento, cada passo resumido à uma batalha contra centímetros de lodo e lama que ameaçavam engolfá-lo.
Egoísmo da parte dele focar toda a atenção em Annabeth. Pior, era estúpido também. Perder aquele precioso tempo totalmente vulnerável ao ambiente. Quem garantia que estavam livres? Quem garantiria que a pessoa estranha que fizera aquilo tudo ainda estava à espreita, esperando o momento certo para destruir de vez aquelas garotas que ele passara a proteger e adorar? Percy se adiantou para a espada, estendendo a mão só para ser barrado por Annabeth. "Você não vai precisar disso, cabeça de alga. Eu fico com a arma de seu pai um por enquanto" Agora o tom estava errada. E pior ficava quando ela era aquela que removia a arma do peito e guardava a caneta no bolso de sua vestimenta. Franziu o cenho. Não tinha dúvida no seu semblante, mas uma ruga se formava e aumentava conforme lançava olhares para um ponto atrás de Percy. Inconscientemente seu corpo seguia o comando da namorada, de não virar e ver por si mesmo, mas ao mesmo tempo ele se sentia no dever de fazê-lo. Afinal, tudo aquilo era culpa dele. Indireta ou diretamente.
Sinceramente, quem inventou os jogos tinha um senso de humor muito, mas muito negro, e um toque de sadismo que superava o estado psicótico de Jackson sobre o efeito do vírus. Percy correu até o corpo da menina no chão tendo Annabeth em seu encalço falando o que quer que seja. Grego, inglês, latim, o que fosse. "Suzannah." Chamou num tom estrangulado descendo para os joelhos e socando o chão com uma fúria diferente, mais focada para a força invisível que comandava aquele lugar. Mais perguntas borbulhavam, mas as respostas dessas eram bem mais fáceis que o enigma de Jace. Clary, espada, Ginny. A companheira de distrito tinha atacado sua aliada, e ela parecia tão civilizada no centro de treinamento. Todos pareciam civilizados quando a vida não estava em jogo. Annabeth tomou o espaço ao lado do namorado tomando uma das mãos da menina entre as dela e baixando a cabeça numa espécie de prece. Aquilo não podia estar acontecendo, não podia.Eles não lutaram tanto para chegar aqui e morrer. Droga, ninguém deveria morrer quando fora sequestrado de sua terra. Percy nem sabia o que falar. Não conhecia a garota a ponto de ter algo espirituoso e cheio de significado, nem sabia dizer qual era sua cor favorita. Verdade era que ele não a conhecia, não do jeito que queria. "Por favor, não..." As palavras se perderam, dissipadas no ar como o tiro de canhão que ecoava nos ouvidos.
Happy Birthday, Percy!
Somehow, we keep marching on || Suzannah & Percy
Como eu esperava, tudo estava prestes a ficar uma merda.
Vi dois vultos lutando onde Percy estava antes, e realmente um deles era o meu aliado, mas ele parecia diferente. Mais… selvagem? O outro era loiro, e eu o reconheci como Jace. Cheguei mais perto, as duas adagas na mão prontas para serem usadas e tentei não ser notada. Enquanto tentava analisar, nos poucos segundos que tinha, onde eu daria mais vantagem para Percy, um outro vulto apareceu, este sendo vermelho e parecendo ter sede de sangue. A aliada de Jace, Clary.
No momento que vi sua intenção - esfaquear as costas de Percy, que estavam estranhamente vulneráveis -, corri, me lembrando de que precisava defende-lo, mesmo que talvez ele pudesse lidar com os dois. Clary estava com a espada na mão, pronta para atacar, e eu milagrosamente consegui defender o ataque com uma das minhas adagas.
A menina me deu um olhar que eu só poderia descrever como demoníaco, e um arrepio desceu pela minha espinha, mas eu ainda conseguia defender seus ataques. “Não bom o bastante" sussurrei para mim mesma, e comecei a ver defeitos em seus movimentos. Ela era boa, mas não tinha treinamento como seu aliado. Mesmo que ela parecesse animalesca ali, naquele momento, este poderia ser um defeito. E eu com certeza usaria-o ao meu favor.
Quando consegui chegar perto o bastante para arranhar sua bochecha com minha adaga, ela rugiu. Foi a única palavra pra definir o som que saiu da sua boca enquanto uma pequena linha de sangue escorria até o pescoço. Ela tentava me atingir enquanto eu agora me defendia, chegando mai perto de Percy, e vendo que a luta ainda estava empatada.
Seria uma boa se Ginny e Annabeth chegassem agora, pensei enquanto continuava me defendendo e fazendo poucos ataques na direção da minha adversária. Mas sabia que não seria assim tão fácil.
A luta era de espadas e lâminas, força bruta e localizada. Uma dança onde o um erro era tão fatal quando perder um membro ou algo menos importante, como a cabeça. Percy não tive a oportunidade de lutar contra muito semideuses na vida, não quando tinha tal preço em jogo. Os treinamentos, por mais duros que sejam, não chegavam aos pés da adrenalina que queimava seus vasos, que fazia as veias saltarem de seu pescoço. Droga, era melhor do que qualquer coisa que já tivera vivido, experimentado e adorado. Havia uma certa liberdade proibida em seus golpes. Uma miscelânea de todos os tipos de combate que aprendera no centro de treinamento. As espadas continuavam se beijando, soltando faíscas sob a sombra da Igreja, fazendo piscar as orbes assassinas do semideus que tinha um objetivo em mente. Matar. Ás vezes, quando chegava perto demais e os membros se embaralhavam, Percy dava os golpes aprendidos. Joelho, cotovelo, punhos, encontrando as partes desprotegidas do caçador de sombras? Onde está sua estela agora, oxigenado. Onde está seu portal de fuga? Um chute mais forte derrubou o loiro no chão. "Levante-se." Rosnou, rondando o corpo caído e deixando uns momentos para ele respirar. Não esperou muito antes de descer a espada em sua direção.
Tum. Tum. Tum. O som voltou e dominou todos os outros sentidos. O coração de Percy batia em ritmo frenético imitando sua respiração superficial e incitando aquela parte reservada às batalhas. Seus olhos não paravam em um só canto e a atenção estilhaçada pelo deficit inerentes dos semideuses o ajudou a processar os detalhes de uma vez só. Contudo, mesma a sensação de que aquela batalha estava ganha, sua mente recusava a se manter constante o tempo inteiro.
Negro.
Percy tinha a espada quase pressionada contra o peito. A parte larga virada para frente enquanto a de Jace roçava a parte de cima de seu ombro. Perto demais de sua jugular pulsante. Sabia que um pequeno corte era capaz de fazê-lo sangrar que nem um porco, mas não podia se dar ao luxo de ceder. Não agora quando tudo estava tão perto. Reverteu o golpe torcendo seu corpo para um lado e deixando o adversário cair para o outro pela força de seu próprio golpe. Percy girou sobre os calcanhares e desceu o punha da espada atrás da cabeça do loiro. Um lamentar baixo escapou do garoto.
Negro.
Estava no meio de uma sequência de golpes, uma atrás do outro, mal dando espaço para respirar. A lâmina faiscava, rugia e gritava a cada encontro com a do outro. Jace dava passos para trás tentando em vão retardar o inevitável. Sim, inevitável. O semideus se perguntava por que demorava tanto para o loiro enfim morrer, mas o jogo estava agradável demais para ser interrompido. Percy entendeu o amor de tais momentos que Ares detinha. Era simplesmente fascinante ver um lutador tão experientes perceber que ia encontrar seu destino final no mesmo estilo que construíra sua vida.
Negro.
Percy piscou e flexionou os dedos doloridos de tanto apertar a espada. Anaklusmo repousava pacificamente a metros de distância, sua forma reduzindo a familiar caneta dourada. Nem precisava passar a mão nos bolsos, a tal caneta continuaria ali. Longe de alcance. É sua última chance, Perseu Jackson. As palavras frias sussurraram em sua nuca como se dedos roçassem a pele arrepiada. Eu não preciso de mais, uma chance é suficiente.
O tempo pareceu desacelerar. Jace tinha a espada em punho e vinha em sua direção a passos largos, sua boca contraída numa fúria controlada. Os batimentos cardíacos pontuavam a passagem de tempo, lentos e calmos. Percy dobrou os joelhos e pôs as mãos abertas para frente, pronto para deixar seus últimos resquícios de raiva extravasarem. Os pulmões encheram e esvaziaram lentamente, o movimento fazendo suas costas relaxarem. Jace entrou no espaço de Percy errando por milímetros o peito do garoto enquanto o mesmo desviava para a esquerda. Ainda bem que ele tinha cabelos grandes. Percy o segurou pelos cabelos e puxou a cabeça dele para trás enquanto arrancava a espada de suas mãos. Fácil demais. O joelho do semideus encontrou a barriga do loiro e afundou até sentir que não dava mais para ir em frente. Aquilo tinha sido uma costela quebrando? O corpo do adversário dobrou-se para frente buscando ar em vão uma vez que seu diafragma estava completamente inutilizado. "Adeus, Jace." A espada parecia ter vida própria em sua mão. A ponta entrou bem abaixo do esterno sem resistência alguma e subiu, e subiu. Algo duro interrompeu o momento, mas uma aplicação de mais força fez a lâmina continuar sua trajetória (além de mais um barulho de ossos quebrando). Quente e pegajoso. Brilhante como um rubi, a ponta da espada semitransparente brotou das costas de Jace, quase saindo pelo pescoço.
Percy torceu a espada, sentido horário e anti-horário. Cravou-a até que sua mão encostasse no tecido pegajoso do loiro e da pele quente lesionada. Sentiu dedos apertarem seu ombro com força, um corpo apoiando-se contra o seu e uma cabeça caindo em seu ombro. O líquido quente pingava no chão e escorria pelo braço, quente, grosso. O semideus sorriu satisfeito, respirando aliviado pela primeira vez desde que saiu nessa expedição ridícula com Suzannah. Tosse. Percy fez uma careta quando sentiu mais daquele sangue empapar sua camisa. Não pelo sangue em si, mas pela origem dele. Da boca. Os dedos perderam a força, as pernas que o sustentavam viraram gelatina e os espasmos faziam o semideus ter que se virar para manter o equilíbrio. Cedo o corpo escorregou ao solo, ainda agonizando pelo golpe mortal. Teria acertado algum vaso importante? Teria acertado o coração? Percy não queria ter dúvidas. Andou até a caneta calmamente, apanhou-a do chão e apertou o topo. Sua expressão tranquila nada tinha a ver com a habitual. Essa máscara era mais assustadora e distorcida. Voltou devagar ao tributo caído se divertindo com as expressões que passavam em seu rosto. Jace tentava dizer alguma coisa, mas o sangue que saía de sua boca o impediam de ser entendido. "Por que você não morre logo?" Perguntou fascinado pôr a mão no peito de Jace e cravar a espada bem em seu coração.
"Se não…" O tiro do canhão o interrompeu e um riso maniaco escapou de seus lábios.