eu, que me limito á ausência de mim mesmo, eu, que não sonho dos outros senão um oásis, eu, que não sou mais que um fumo visivelmente efémero, para os outros, escrevo aqui neste quarto a frenética do mundo, aponto, sibilando, todo o desejo da minha alma, todo o amor insignificante e ridículo que em minha fornalha fervilha, incandescente é meu desejo e insuportável o meu peso, meu peito tem saudade do que nunca houve, vejo, na meia luz que ensombra o compartimento, vestígios ténues, embora claros, do nada que irradio, a minha fome é constante e insaciável e a ela estou ancorado, pois meus olhos sempre viram a fome dos outros ah! que hoje sinto a febre de sentir!
Pedro Banha, 12 de Maio de 2016 (via somniferous-eyes)
















