(Um passado jamais esquecido) - Em algum lugar da galáxia, em alguma época. (porque sou misterioso u.u)
Quando estava indo à escola, cinco dias depois, Caezar se segurou ao passar pela rua de Samantha. Não que achasse que ela o estaria esperando nem nada, mas ver a Orchard Street o fazia lembrar que ele e Sam ainda não tinham se falado, e ele sabia que, quanto mais tempo passasse, mais difícil seria. Caezar achava que podia tê-la procurado, como foi ela quem o expulsou da casa dela não mataria dar o primeiro passo.
Chegando perto da estação de trem decidiu correr o risco de um atraso de alguns minutinhos da aula de equipamentos bélicos para poder observar o trem das 8h15 a caminho da cidade. Ele correu pela escada até a plataforma.
- Olha só, Caezinho! - Ele ouviu uma voz familiar gritar do outro lado.
Etiel! Ele estava no lado oposto da estação, com as mãos no corrimão e a mochila jogada casualmente nos ombros.
- Oi Etiel! - respondeu Caezar. Vê-lo fez Caezar sorrir.
Etiel olhou ao redor de forma conspiratória e fez sinal para Caezar se aproximar. Caezar correu pela passarela e viu Etiel examinando um mapa do metrô de Nova York.
- Divirta-se na aula de álgebra aeronáutica hoje. E não diga que me viu, ok?
- Oxi… Descubra sozinho Caezinho. Estou em uma estação de trem. Quando a aula começar, daqui a 15 minutos, você vai estar sentado em uma sala de aula chata cheia de luzes de led com hologramas planetários e eu vou estar a caminho da Big Apple.
- Você vai matar aula? - perguntou Caezar, incrédulo.
- E por que vai para a cidade? - indagou, tentando soar indiferença.
Ele não podia ir sozinho, mas sabia que não era descolado se referir à cidade como “Nova York”. Todo mundo dizia “a cidade”, como que dando a entender que as outras cidades, como Chicago, Los Angeles e Boston, que também tinham campus da High School Forks Kamikaze, não contavam.
- Tem uma série de Shows no parque. Rufus Wainwright ia tocar segunda passada, mas ficou doente e precisou cancelar. Mas ficou tão chateado por causa dos fãs como eu que decidiu fazer um show improvisado hoje.
Caezar não quis admitir que não sabia quem era Rufus Wainwright, então só disse “Legal”. Fez uma busca rápida nas lembranças e falou a primeira coisa sobre Nova York que surgiu em sua mente.
- Sabe, ouvi falar que tem um exposição de Gildarts e Bihald no Metropolitan Museum.
Etiel pareceu impressionado.
Encorajado, Caezar prosseguiu perigosamente.
- É. Estou doido para ver.
Um brilho malicioso surgiu nos olhos de Etiel.
- Por que você não vem comigo?
- Venha comigo. o Met fica perto do Central Park. Podemos ir ao show, ver a exposição e voltar antes de o sinal tocar.
Caezar nem precisava pensar no assunto. Por mais atraente que fosse a ideia de passar aquela terça com Etiel em Nova York, ele jamais mataria aula.
- Primeiro, porque não tenho dinheiro.
- Besteira. Você não tem dez pratas?
- Você não vai precisar mais do que isso.
- Mas e o ingresso do show, a passagem de trem, o…
- Relaxa. Eu falei que dava para fazer tudo com dez pratas, então dá para fazer com dez pratas. Você não acredita em mim?
- Acredito. - a palavra saiu quase como um gemido.
A mente de Caezar disparou, mas o som do trem se aproximando ao longe estava tornando tudo muito mais difícil de pensar.
- Caezinho, não seja covarde. - Etiel ergueu a voz por causa do som do trem se aproximando. - Divirta-se um pouco.
Por um segundo, Caezar se viu pensando em como seria esquecer a escola, os professores, e os pais, mesmo que só por um dia, e embarcar nessa aventura. Mas ele não era esse tipo de cara.
O trem parou na estação. Apitou e as pessoas começaram a descer. O som do sino ecoou. Etiel esperou que todo mundo entrasse e entrou em seguida.
- Alguma chance de eu convencer você? - perguntou Etiel, de dentro do trem.
Caezar pensou no futuro. Em Coruscant. Em seu sonho de mudança. Estudar, ser perfeito. Não errar nunca e resistir as tentações. Sentiu raiva de Etiel por ele estar atrapalhando tudo aquilo.
- Desculpe, não vou. - Disse ele com firmeza.
- Não faz mal, cara. Quem sabe da próxima.
Etiel esticou a mão para bater nos dedos de Caezar e se despedir. Mas, quando suas mãos se tocaram, Etiel prendeu os dedos no pulso de Caezar e puxou com toda sua força. Caezar foi parar dentro do trem. Perplexo, ele nem tentou se soltar da mão de Etiel quando ouviu o apito avisando que as portas fechariam. Virou-se e viu South Windsor se afastar enquanto o trem disparava para Nova York.