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@sicut-lupus
as vezes eu penso que não sei mais fazer isso, que não sei mais dizer como me sinto.
Olá, como vão? Estou testando novas formas de escrever! E quero escrever sobre pessoas reais, histórias reais, que não sejam histórias da minha própria vida pois estou cansada delas. Então, por favor, se voce tiver uma história, conte-me! Me ajude a escrever poemas, poesias, prosas, crônicas sobre você. Quer fazer parte desse livro comigo? Me mande sua história no chat. Agradeço desde já!
Hello, how are you? I am testing new ways to write! And I want to write about real people, real stories, that are not stories of my own life because I am tired of them. So, please, if you have a story, tell me! Help me write poems, poetry, prose, chronicles about you. Do you want to be part of this book with me? Chat me your story. Thanks in advance!
Loving Vincent (2017) dir. Dorota Kobiela, Hugh Welchman
Ainda existe alguma palavra dua que lembra o som do bater de asas daquela ave que um dia vou ao lado do negro passaro de Edgar?
Que? Não entendi a pergunta
E se eu morresse essa noite?
Uma alta carga de ansiedade, sempre traz embutida essa pergunta, quase que com uma resposta pronta, como se estivesse na ponta da língua, se essa sensação fosse verbalizada.
“Eu não viveria por mim mesma.”
Soa quase que como patético, mesmo sabendo das importâncias desses desesperos, mesmo ciente desse sofrimento banalizado, partilhado por todos. não desejo que essa dúvida se perpetue, antes disso, não desejo que essas angústias que a vida cotidiana, a vida real de necessidade e injustiças que vivemos, sejam tão sentidas assim, como é sentida agora por mim. Não me sinto exclusiva, sinto apenas que há algo errado, e me culpo por ser uma questão muito presente em mim há mais do que posso imaginar, e não consigo calcular agora há quanto tempo está presente na vida humana. De certo nos sentimos assim pois algo está errado, e o pouco que se estuda daquilo que podemos ver e tocar, nos mostra o quão erradas as possibilidades que nos é dada estão, e o quão inútil nos tornamos perante a totalidade.
Mas voltando desses devaneios, e se desta vez essa tentativa de suicídio deixe de ser tentativa e, na manhã seguinte, lerem esses recados com horror e pavor, o que digo a eles nesta carta? Não há muitas verdades, nem mesmo mentiras pra contar, é isso, uma noite comum, minhas gatas se esperneiam pelos cantos, eu fiz quibe de abóbora pro jantar, e ainda pedi companhia para um velho companheiro que agora se sente desconfortável com minha presença. Nenhuma dessas coisas ajudaram hoje, nenhuma dessas coisas preencheram a pergunta, eu morreria simplesmente por morrer, por não conseguir cobrir todos os vazios de um domingo, que cá entre mim e mim, é realmente muito difícil preencher todos esses vazios, do qual parei de tentar preencher, para saber no que dava. E olha só, acaba em suicídio. Agora me pergunto, e se todos utilizarem deste mesmo método? Ou mudaríamos o mundo, ou morreríamos todos suicidas.
Adiely.
04:54;
Eterno cometa, efêmera existência
Que não se atinge, e não se toca
Tal sobre cuidados da ventura, lá
E cá
Dois fenômenos em um instante.
Deixa estar!
Que pra essa instância
É breve esse viver,
que finda
Mas não como o eterno.
- Adiely.
Gonzaguinha canta "É / O que é, o que é?". Programa Ensaio, Tv Cultura, 1990.
via weheartit
Crônicas, crônicas. Há tempos não escrevo crônicas da forma nua e crua, como meu coração escrevera poucos anos atrás. Não que envelhecera, minhas práticas tornaram-se outras. Me disseram que poetas são eternos, são constantes, por isso tenho medo. Medo de não escutar o que anda cantarolando a minha mente sobre minha índole. E se poetificasse tais murmúrios, temia o pior, temia não o ser e apenas ter fingido. Não ser poeta, digo. E ter poetificado apenas uma ilusão juvenil, que depois tornara-se simples e cruel com a realidade, e pior, com o tempo. Temo o ceticismo que as leituras me trouxeram. Esse ceticismo que não se relaciona com a subjetividade do meu ser, mas que coincidentemente, os dois fenômenos ocorreram simultaneamente. Pedir perdão que se tornara tão insignificante sobre meus atos, tanto que ponho a prova qualquer ser que digam que sou, ou que digo que sou. As dúvidas mais que perambularam sobre mim, me atazanaram até que a dor se fizesse presente e concreta. Adoeci, e depois de já ter adoecido, adoeci novamente, e não existe mais o renascer. Sou eu nesta pele antiga, por detrás das marcas de expressão e de cicatrizes. Sou eu por detrás dessas roupas, e por detrás desses pelos. Um eu que não me nego, e que não se nega, ao mesmo que não seja reconhecível. Por trás das mudanças, sou eu ou o finjo ser novamente. Espero em minha vida, me reconhecer novamente.
via weheartit