dcrkprincxss:
❝ ☾ ✩ Sentada próxima ao chafariz do pátio principal, Narcisa corria o local com suas orbes acastanhadas com um certo brilho em seu olhar. Por anos fantasiou como deveria ser estudar em Fimbulvetr, convivendo com feéricos de diferentes cortes e personalidades, sendo exposta a novos costumes e culturas, as paisagens que encontraria — em suma, a vida que poderia ter fora daquele palácio que sempre lhe pareceu mais uma masmorra. E ainda parecia bom demais para ser verdade. A falta de costume em estar cercada por aquela quantidade de auras jovens por tanto tempo ainda lhe exauria um pouco, mas chegava a ser uma visão bonita, tantas paletas de cores diferentes caminhando por ali. A mente divagava sobre que cores deveria usar para pintar aquele cenário quando presenciou uma cena um tanto inesperada: uma garota surgiu através de um portal criado dentro do próprio chafariz, de maneira um tanto atrapalhada, resultando em uma queda bem cômica, até. E, como a própria Cissa controlava portais, acabou por se aproximar. ❝ — Eu posso estar errada, mas irei me atrever a dizer que você não é muito boa nisso ❞, comentou com @sincallyx, ostentando um sorriso divertido no canto dos lábios. O tom era desprovido de crueldade, apenas humorado. Narcisa poderia até ter algumas leves falhas em seu caráter, todavia, jamais atacava uma fêmea de forma gratuita. ❝ — Eu daria um 3,5 pela aterrissagem ❞
Atrasada era uma palavra demasiadamente corriqueira no dia a dia da Ashfall. De fato, os deuses pareciam se divertir tanto com o constrangimento que a luminosa recebia a cada reprimenda recebida, que acabavam por colocar os mais variados empecilhos em seu caminho. Sinceramente, tudo conspirava contra sua pontualidade. Por exemplo, ao entrar no quarto ao fim da manhã, encontrou seu altar de oração e tudo em cima dele completamente encharcado. Em um dia ensolarado, de céu limpo! Como aquilo havia acontecido, pelo amor de Thor!? Para piorar toda a situação, faltavam apenas alguns minutos para o inicio da próxima aula, porém Callyx nunca fora capaz de ignorar qualquer tipo de bagunça. A aflição que sentia apenas ao imaginar algo desorganizado tirava seu foco de tudo, menos daquilo. Dessa forma, não havia muita escolha sobre como proceder naquele momento. Assim, resoluta, limpou rápida e metodicamente o ambiente, fechando a janela que deixara aberta anteriormente. Terminada a limpeza, viu-se irremediavelmente atrasada para a aula. “ —— Devo ter feito um tapete com a crina do cavalo de Freyr, é a única explicação para isso ” resmungava ao passo que enchia uma pequena tina d’água. Sabia que não era tão boa em criar portais (certo, não era boa, ponto), no entanto, conseguia ser ainda pior correndo, de modo que fez sua segunda escolha única nas últimas horas. Corria o risco de se molhar por completo, é claro, mas pelo menos não estaria com um vestido branco como na semana passada e ainda poderia assistir alguns minutos da aula.
Não obstante os contras, que eram muitos, lá estava ela: a água se agitando sob seus dedos, formando um redemoinho cada vez maior conforme visualizava com clareza seu destino. Era fácil, como dar um passo atrás do outro, dizia a si mesma, só tinha que se concentrar e o puxão familiar ao entrar no portal a levaria exatamente para onde queria — e se isso significava no chão da fonte do pátio principal, tudo ocorreu perfeitamente. Uma sacerdotisa xingando era algo interessante e raro de escutar, por sorte, Callyx era somente uma pretensa sacerdotisa. Em meio à tantos impropérios criativos sussurrados, uma voz feminina inequivocamente dirigiu a ela algumas palavras que, com certeza, preferia não serem tão exatas. Humilhada — como era de praxe nesse tipo de situação — tentou não demonstrar constrangimento ao enfocar o rosto delicado da outra elfa. “ —— 3,5 numa escala de 1 a 5, certo? ” retribuiu a brincadeira, ainda que ostentasse um sorriso amarelo enquanto se levantava. Nunca fora boa atriz.
“ —— Pelo menos a água está fresca. Recomendo, caso queira aplacar o calor que está fazendo ” continuou, incapaz de encontrar o olhar da luminosa a sua frente — ou de qualquer um ali por perto, a bem da verdade. Preferiu, então, ocupar-se com seu vestido, tentando descolá-lo do corpo da melhor maneira possível e ganhar algum tempo para que o rubor em suas bochechas sumisse. A peça que usava não era branca, graças a Thor, mas ainda grudava no corpo de forma escandalosa. “ —— Acho que todos viram minha trapalh- Ah, não. Não me diga que o primeiro horário de aula já terminou!? ” indagou exasperada, embora não esperasse receber uma resposta. Isso pois, ao finalmente levantar o rosto, viu seus colegas de classe deixarem a sala do outro lado do pátio. “ —— Ótimo. Passei por tudo isso pra nada! ” Não era de seu feitio reclamar, entretanto, sentia que estava batendo um recorde pessoal de desastres naquela semana. “ —— Uma provação passageira dos deuses, é isto que está acontecendo, tem que ser. ”





