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he wasn't even looking at me and he found me
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DEAR READER
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@soucatarse
me entenda. eu não sou como um mundo comum. eu tenho a minha loucura, eu vivo em outra dimensão e eu não tenho tempo para coisas que não têm alma.
Charles Bukowski.
desde que criamos a noção de tempo a espera nos mata.
eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles
eu ainda escrevo como um desesperado
porque estou aqui sentado quando deveria estar dormindo, já que logo mais vou à aula de teatro. estou aqui sentado pensando na conversa séria que tive, nos pensamentos que ando cultivando e atitudes que tenho que tomar. eu não posso mais me deixar para depois. momento bons que vivi não podem ocupar o lugar dos momentos que estou vivendo e ainda viverei. monteiro lobato era um racista? bukowski era um machista escroto? marx é um estúpido? a gente deve mesmo se planejar tanto e nos regrar tanto pra morrer amanhã atropelado por um ônibus que cruzou o sinal por falta de freio? a gente deve mesmo viver tão intensamente o hoje e o agora e morrer por imprudência de não ter tomado as devidas precauções? por que não consigo entender interpretar as questões de física? eu gostava muito de química, mas acabou comigo. por que é que as coisas que gostamos acabam com a gente, em muitos sentidos? eu tô cansado de deixar as coisas acabarem comigo e não fazer nada a respeito. lavar as cuecas no banho ou reservar um dia específico pra isso, deixar a cama arrumada, colocar a toalha no varal e não na porta do guarda-roupa, lavar as meias com frequência, usá-las em pares das mesmas meias, marcar as consultas médicas, limpar a biblioteca do spotify, comprar tênis, regular o sono, aquietar-me em casa, meditação, foder sem pressa, sem pensar demais, só fazer/deixar fluir, porque como já me disseram: sexo não se pensa, se faz. deixar o depois pra depois. quero paz, quero ação, quero a minha guerra com vitória. quero fuga, quero medo do medo e a partir disso produzir coragem, ousadia, fogo, queimar, explodir, ninguém me pega e nem segura. eu vou ser insuportável à inércia. foguetes terão inveja de mim. serei um cometa. quem segura um cometa? minha queda será um estrondo, mas um bom estrondo. vou parar nalgum lugar que não sei. e que não tentem mensurar também. mas, chega de lero-lero. como diz o ditado ou algo assim: cão que ladra, não morde. e eu mordo. tô com fome. muita fome. vou me alimentar do mundo e ele de mim. e isso começa agora.
Daniel Matos.
meus rumos eu não altero mais meus planos não reinvento mais meus olhos eu não redireciono mais
cansei de impulsionar e de repente ser deixado para trás.
daniel matos.
Estranho, hilário, irônico. Não sei. Não sei ao certo como descrever. Mas, estávamos lá: 23 de março de 2019, data em que faríamos 4 anos de namoro, porém, separados. Nós quisemos assim (quisemos?). A vida quis assim. Então, estávamos lá, fazendo o que sempre fazíamos quando ainda estávamos juntos: assistindo série, sorrindo, conversando, comendo. Porém, dessa vez, sem o afeto, sem o laço, sem o que comemorar. Nada foi notado ou mencionado enquanto o encontro acontecia. Não houve climão, não houve estranheza, apenas episódios colocados em dia, papos colocados em dia. Nenhum dia, em especial, a ser relembrado. Foi-se o tempo. Foi-se o nosso tempo e ainda que nossas lembranças nos permitam voltar atrás, o tempo não volta. O tempo não volta.
Daniel Matos.
Entre a raiz e a flor há o tempo.
Carlos Drummond de Andrade.
eu não faço poesia poesia já é feita e eu sou apenas o cara que liga a lâmpada do porão e o porão, às vezes costuma nos surpreender só isso
daniel matos
tarja preta pra loucura, sim minha tarja preta é mais loucura, sim psuquiatras, não vida, sim põe mais vida nessa vida que eu quero enlouquecer
vou quebrar os pratos vou subir nas paredes vou correr na contramão do trânsito vou pra brasília armado e atirar no congresso vou atravessar a nado a ilha
vou beber café frio comer um prato puro de pimenta vou beber água fervente e usar um samsung perto do botijão de gás e ir de cueca e meias à igreja
me falaram que loucura é relativa ou melhor, eu internalizei que loucura é relativa e metaforicamente ou não e literalmente ou não nos enlouquecem todos os dias pressão pressão pressão pressão cobrança cobrança cobrança cobrança faz faz faz faz faz FAZ! prova, seu idiota o tempo está acabando, idiota idiota, idiota, IDIOTA!
dá gosto pro mundo, desgosto não as pessoas te amam merecem gosto, riso bochechas cansadas de rir faz isso ou faz isso é e não é uma opção
eu quero enlouquecer euvouenlouquecer e será subvertendo, será gritando, será cutucando com vara curta, com agulha as onças dentro de peitos conformados e não inertes e não a revolução é a loucura a loucura é a revolução revoloucura, hahahahahaha
hahahahahaha hahahahahahaha hahahahahahahahhaahahahhahahaahahaahaa
enlouqueça ou morra. ou morra. ou enlouqueça. ou ou ou. hahahahahahaha
daniel matos
escrevo poemas uns atrás dos outros, compulsivamente, uns atrás dos outros. quero ser lido, um após o outro. sigo escrevendo, um por cima do outro. é que, pra quem cria, criar é mais do que apenas criar. criar é viver. e é assim que vivemos, criando. se deixamos de criar, a vida perde sentido. e, por mais que possamos escrever sobre morte em alguns momentos, queremos que nossas criações simplesmente vivam por aí. e, por isso, vivemos. ou, pelo menos até certo ponto. fiz da literatura minha casa e estou sempre de mudança. de poema em poema eu corro, se eu parar de escrever, a morte me alcança. nos alcança.
daniel matos
A gente amarra o ego num canto qualquer e espera que ele jamais saia de lá. Mas, a corda é fraca, o ego é forte e logo arrebenta a maldita corda. Logo mais ou logo menos o ego está aqui perto novamente, sondando, perturbando, querendo, forçando. Como crianças pequenas que não pensam e só querem o que querem porque querem e quando querem. E, na maioria das vezes, quando a criança está enchendo o saco a gente satisfaz a vontade dela pra poder conseguir algum sossego, não? Com o ego também é assim. A diferença é que com o ego é algo que acabamos por viciar. De crianças birrentas nós queremos distância.
Daniel Matos.