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What happened at the New Orleans? || River Storm
come-seethe-trick:
Tudo parecia tão estranho e onírico, ao passo de que era tão real e natural. Há cerca de um ano River havia desaparecido e Elliot encontrara-se perdido, procurando pelo amigo e por respostas, depois sendo tomado por uma raiva muito grande devido ao sentimento de abandono. Kane sempre fora sozinho na vida, os pais e os irmãos nunca lhe fizeram grande diferença - estavam todos muito ocupados tentando salvar as próprias peles para cuidar de mais alguém, inclusive Elliot -, depois de sair de casa tornou-se ainda mais reservado e independente, porém River havia chegado e mudado sua perspectiva de “solitary man”. Ele não precisava estar sozinho, não precisava ser sozinho. Fora isso que mais o machucara quando não conseguiu justificar o desaparecimento do amigo e seu escudo fora culpá-lo por tudo. Porém, todo e qualquer sentimento negativo desapareceu naquele abraço. Não importava o que e o porquê havia acontecido, o que importava era que River estava ali. Na sua frente ao alcance de seu toque. - I hope you have a good story to tell. - eles sempre foram muito calorosos um com outro, o que era estranho para Elliot, mas natural quando se tratava de River. E ver os olhos do outro cheio de emoção o fez despertar o tom bom humorado na tentativa de afastar qualquer tristeza. Eles eram uma mistura de sentimos, mas quele certamente era um bom momento. Um maldito momento feliz.
Dessa vez fora River quem o puxou para seus braços e Elliot permitira-se derreter naquele toque, entregando-se mais rápido do que nunca. - Yes, pretty boy, I’m here. - usou o apelido que há muito não pronunciava, dando a confirmação que o amigo precisava - e ele também. A pergunta o trouxe para a realidade e o moreno tentou organizar as ideias - Você sabe que eu nunca me dei bem com a polícia de New Orleans e eles nunca foram com a nossa cara - começou sabendo que River compreenderia que o “nossa” da frase se referia a comunidade voodoo que residia à margem da cidade. - Enfim, em uma noite de confraternização houve uma confusão e eu usei meus poderes na tentativa de acalmar as coisas. Eu achei que ia acabar em uma daquelas celas enferrujadas, mas fui trazido para cá sem muitas explicações. - finalizou percebendo o quão perdido ainda estava naquela cidade. - E você esteve aqui esse tempo tempo? Nenhuma ligação, mensagem, sinal de fumaça que fosse. É sério, River, espero que você tenha uma boa explicação para ter desaparecido depois daquele strip tease. - finalizou com uma risada nasal, tentando afastar a amargura que tentou emergir em sua voz.
Família é quem escolhemos para nós, eram as palavras do pai que guardara ainda criança. River nunca conheceu os avós, tampouco desejava fazê-lo, mas desde pequeno o velho fazia questão de lembrá-lo de que a casa era sempre cheia e bagunçada, de que o caminho pelas estradas era mais fácil, apenas por conta dos amigos que formavam aquele círculo maravilhoso. Protegendo uns aos outros, crescendo juntos e livrando-se de enrascadas. Era uma vida torta, mas era uma boa vida e de maneira alguma se sentia frustrado ou errado naquilo que aprendeu. E, justamente por isso, Elliot era tão importante. Ele era um irmão sem ser de sangue, o ombro amigo que lhe alentava o choro e dissolvia suas preocupações, a pessoa com quem gostava de implicar e que, por certas vezes, sonhava beijar. Ele era parte dele.
E se Elliot era parte dele, River também era parte de Elliot, por isso mesmo compreendia com perfeição o amargor e a pergunta. Não havia nada pelo que se culpasse mais do que por ter sido incapaz de não deixar quem amava para trás.
Fora sútil o arrepio sentido com o apelido que ninguém nunca havia usado com ele por ali que o fez sorrir, algo tão deles, tão simples, mas que significava demais. “Hot chocolate.” Ele respondeu de volta, a brincadeira no apelido que nunca mais repetira, talvez por ser tão tolo e até constrangedor, fazendo-o rir baixinho por entre o abraço e de alívio pelo carinho que sentiu no tom de Elliot. E bem, honestamente, River não era de chorar, nunca fora, mas isso não impediu que mais algumas lágrimas teimosas escorressem a face, principalmente por ouví-lo.
Contorceram-se em dor as linhas principais de seu rosto, o receio pelo que ele tivera de passar, o medo de não saber para onde seguia, a frustração que a situação empregava. O bartender se lembrava bem de quando chegara ali, tão extremamente perdido, sem saber para onde ir ou andar. O fato de ser um camaleão ajudou, é claro, mas todas as suas inseguranças e medos, eles ainda estavam ali e criar laços sinceros era a mais complicada das tarefas. “I’m so sorry, Eli, I’m so sorry.” Repetiu, dessa vez por não ter podido estar lá, para ajudá-lo no momento do embate, por não poder ter impedido a maldita organização de fazer quem ele tanto amava sofrer. E foi no deslizar de seu polegar pelos antebraços que ainda segurava que River viu-se medianamente desesperado pelo pesar no tom alheio, pela amargura a si direcionara e pelas inseguranças que provavelmente despertara no outro. Tudo mais sentiu do que ouviu, lendo o rosto tão conhecido e tão bem quisto como um livro aberto e já decorado. “Não foi de propósito, eu juro, não tem como... Não tem como se comunicar com ninguém daqui.” Ele explicou, o sorriso se fazendo triste ao que a canhota foi ao rosto, passando-a por sobre o mesmo sem cuidado ao que o emocional parecia, finalmente, voltar para as rédeas de seu controle de aço. “Bradcliff é uma cidade em isolamento total e todos aqui... Todos são como nós, todos são mutantes. Eu fui trazido direto pra cá depois do seu aniversário. Lembra? Do bar? Da confusão? Viram eu me transformando e quando eu fui tentar escapar, well, they got me, babe. They got me bad.” E num sussurro engoliu o bolo em sua garganta.
O cenho franziu-se,nas íris azuladas via-se cada pingo de emoção, tudo aquilo que todos os dias enclausurava para não sucumbir à saudade, suas mãos achando lugar nos ombros do maior, deslizando com lentidão até o pescoço ao que o suspiro escapou pesado, ainda mal acreditando. “There wasn’t one day that I... That I didn’t think about you, or my old folks. And just... Just everyone. I miss everyone. I missed you.” E num riso em sopro, quase choroso, River coçou o nariz olhando para os próprios pés, incapaz de deixar de tocá-lo naquele instante. O ar parecia, por algum motivo, faltar nos pulmões.
Ter Eli ali, era mais do que jamais esperara de sua vida.
humanofobico:
A areia do deserto, tão presente na infância de Keane, perdeu o lugar para a grama falsa que cobre o chão da parque, mas, como de costume, o garoto sempre se mantem descalço. Vagava pelo local sem um rumo certo, seus olhos azuis miravam todos os locais, mas nunca se contentavam no que de tato acontecia ao seu redor. Feliz aniversário… Repetia mentalmente, era seu primeiro aniversário desde que foi forçado a entrar e Bradcliff, e como, de se esperar, ninguém o parabenizou. Mas esse não era o fato que o entristecia, saudades da sua família era a questão. Pensava em todos os natais que desperdiçou trancando no quarto sem falar com os país, ou em coo tal atitude se repetia pelo resto do ano. “Não…” Respondeu. Sendo puxado para fora dos seus pensamentos por uma voz masculina Keane se deparou com um Papai Noel vitima do aquecimento global. “Posso comprar se você precisa tanto.”
Honestamente, River pouco sabia sobre Keane, mas a maneira com que ele não parecia se preocupar com o uso de sapatos ou com as demais convenções sociais sempre, sempre o divertia. Quando as irises azuladas desceram, portanto, do rosto bonito aos pés, o sorrisinho já se plantava lateralmente nos lados e permitiu-se um riso baixo. Riso que foi facilmente interrompido pela resposta que ocasionou um torcer de lábios, antes, é claro, do restante dela vir e fazê-lo sorrir novamente. O inferior foi mordido com suavidade, então, movendo-o de maneira suave em afirmação. “If you could be so kind, I wouldn’t complain, hot shot.” Ele disse, evidentemente cansado, mas satisfeito com a possibilidade. “Eu te pago depois, ou uma bebida por conta da casa na Posh mesmo, pode escolher.”
there’s no rest for the wicked; w. Elliot Kane
@come-seethe-trick
A primeira coisa que notou fora o barulho. O burburinho que se iniciou aos poucos até elevar-se tal qual orquestra do lado de fora das paredes do Clube do Livro fez seus olhos arregalarem, ainda descordante do pensamento de boa parte das pessoas ali. Nada, conquanto, River fez nesse quesito, o que não o impediu de direcionar-se com curiosidade típica para o lado de fora, sendo que já deveria ter ido embora há algum tempo, tendo ficado para estudar o resto do que era seu celular em paz. Uma paz que foi quebrada, porque o que viu assim que a porta abriu-se foi completamente atroz.
As pessoas se matavam sem pensar duas vezes, atacavam umas as outras e quem estivesse ao redor. Outras corriam, outras gritavam, algumas já agonizavam no chão. Antes mesmo que pudesse pensar, ele passou então a correr. Pelas vielas e pelas ruas ele corria e só conseguia pensar que deveria arrumar um jeito de avisar Elliot, de mantê-lo longe, de quebrar o próprio maldito celular; ainda que o pensamento de conseguir outro para tentar a sorte com outros métodos estivesse em sua mente. Vendo o sangue sujando as ruas, vendo os respingos de sangue nas vielas, River só conseguia pensar que precisava ter certeza de que ele estava a salvo.
Foi no meio da correria, com a aflição lhe comprimindo a garganta, que trombou com alguém. O rapaz e seus outros dois amigos não pareciam satisfeitos, mesmo com as desculpas de River e sua tentativa quase charmosa de sair dessa de forma mais tranquila. “Oh, come on boys, let’s not do that... What’dya think?” Questionou, dando de ombros e sorrindo seu sorriso mais torto. O próprio não durou na face muito mais, vez que acertaram-lhe o maxilar com facilidade enquanto sentia o ar mudar ao seu redor. “Ouch, bitch! That hurt!” Ele não deu tempo, no entanto, para se permitir descobrir qual era o poder de cada um. Num movimento ágil a rasteira dada fez o maior ir ao chão e na distração dos amigos de ajudá-lo, o bartender tratou de correr, torcendo os lábios e sabendo que estavam em seu encalço. Foi facilmente, então, de encontro ao chão quando o mesmo se mexeu sob seus pés e maldito fosse aquele que tinha tal habilidade. “Holy cow!” Exclamou, brevemente atordoado, a boca mordida sem querer no processo trazendo à língua o gosto de sangue, as mãos tendo se ralado um tanto contra o concreto.
Mas sendo pouco tolo e com a boca sangrando, não perdeu mais tempo. A entrada no beco mais próximo foi rápida, vasculhando nas memórias por um rosto mais jovem e diferente do seu, quase oposto, os fios aloirando-se enquanto as feições, agora, assemelhavam-se a de um adolescente de cabelos mais longos e olhos verdes. E mesmo com o trincar dos ossos, mesmo com a dor que o ato lhe causava, ele não gritou, já acostumado ao que a mudança pedia, os músculos parecendo formigar por sob a pele. A jaqueta de couro foi então deixada no chão e, de camiseta, ele continuou sua corrida, não mais se preocupando em ser reconhecido por outro maluco da dois; ninguém atacaria um adolescente por nada; a não ser que fosse da dois. A sorte, conquanto, pareceu abraçá-lo, vez que a morada de Elliot finalmente foi vista e, subindo os lances de escada do conjunto de apartamento no qual entrou como um furacão, esbaforido e já cansado, martelou na porta de números decorados, embora só tivessem lhe sido falados uma vez. “Abre isso, droga! Elliot!” E na voz, mais rouca e mais jovem do que lhe era habitual, ainda estava presente o medo comum.
O de que ele não estivesse mais ali.
O de que ele tivesse sumido e estivesse sozinho de novo.
What happened at the New Orleans? || River Storm
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A música que tocava fez Elliot sorrir de leve, ela lhe trazia a lembrança de um tempo em que a vida parecia mais leve, um tempo em que ele não se sentia sozinho. A nostalgia o distraiu enquanto aproximava-se do balcão, policiando-se para manter aquele sentimento soterrado dentre tantos outros que não eram nada positivos, mas que ainda assim lhe mantinham saudável, lhe mantinham seguindo. Porém, a barreira de culpas e desculpas desmoronou quando o rapaz a sua frente virou para encará-lo. Por alguns segundos que pareceram uma eternidade, eles trocaram olhares e Elliot buscou sinais de que a visão em sua frente era uma peça pregada pela sua mente devido falta que o amigo lhe fazia, mais uma brincadeira cruel de Papa Legba. Não era a primeira vez que Kane acreditava ter visto o rapaz há tanto perdido, algumas noites acordava de sonhos tão vividos que pareciam memórias recentes, já em outras era o álcool que o ludibriava e o fazia vê-lo em sombras e outras faces. O moreno nunca admitira - sequer para si mesmo - o quanto a perda do amigo havia lhe atingido, fora uma ferida profundo que Elliot tentava curar, mas sabia que a cicatriz deixada faria que não fosse o mesmo.
E depois daquela eternidade em segundos, ele ouviu o apelido que nunca ouvira de outra boca, foi então que soube que era real. River estava ali. Seu melhor amigo que acreditava estar morte ou que tinha o abandonado estava ali, na sua frente, buscando as mesmas respostas para o que parecia uma ilusão. Sem que suas ideias pudessem se organizar, Elliot diminuiu por completo o espaço dentre eles e envolveu River em seus braços. Suas ações, sempre guiadas fortemente pela fé e racionalidade, deram as rédeas ao instinto, à emoção. O silencio pareceu durar mais do que devia, mas o que Elliot poderia dizer? Pedir uma explicação? Perguntar como havia parado ali? Questionar o motivo do sumiço há tanto tempo? Sim, aquelas eram respostas necessárias para Elliot, mas não parecia as certas para o momento. - I thought you were… gone. - deixou sua voz escapar enquanto diminuía seu aperto em torno de River. A sua última palavra saíra fraca e duvidosa, como se ele não soubesse ao certo qual significado dar a ela. Afastando-se, Elliot deixou suas mãos sobre os ombros do rapaz como se ele pudesse desaparecer novamente a qualquer momento.
Sonhos para ele eram exatamente isso, apenas sonhos. Não se realizavam tampouco vinha razão para cultivá-los. Ainda assim, por algum tempo ele imaginou como seria se o governo capturasse seus pais ou algum dos antigos amigos que não eram humanos comuns; imaginar Elliot, no entanto, isso ele não se permitia com frequência. Se não houvesse licor escorrendo quente pela garganta e lhe ludibriando a mente, a pele morena, as sardas e os olhos que assombravam sua mente ficavam trancados em uma caixa. Naquele momento, conquanto, a caixa não apenas estava aberta como seu conteúdo era real. Afinal, em instante o corpo sólido e quente, até mais quente do que se lembrava, havia atravessado a porta aberta que dava acesso ao balcão e o apertava num abraço inesperado.
Por alguns segundos, River não soube como reagir. Não soube como lidar com a aceleração em seu coração, tampouco o que fazer com suas mãos, mas a saudade que pareceu explodir de repente fez os olhos se fecharem e os dedos buscarem pelo tecido da camiseta alheia. Estes franziram-se de pronto pela força com que se apertavam, inspirando profundamente do perfume do qual tanto sentira falta, o cheiro de incenso misturando-se a algo mais amadeirado e dele. Ele mal podia acreditar, mal podia acreditar que Elliot estivesse mesmo ali. O rosto afastou-se do dele, então, assim que ouviu sua voz, as mãos segurando nos antebraços, temendo igualmente que a imagem do homem fosse se dissolver no ar. “I’m sorry, I’m so sorry. I can’t... I can’t even believe you are here, Eli.” Num instante, os olhos se marejaram e tudo aquilo que River escondia tão arduamente de olhos externos, toda aquela saudade e desespero por abandonar Bradcliff, vieram à tona. “You are here.” E na repetição as palavras se quebraram antes de duas lagrimas escorrerem e o bartender, num riso fraco, abraçá-lo novamente. “You are fucking here.” A tranquilidade que o fato lhe trazia, a clareza, tudo isso era tão grande e intenso que permitiu-se apenas submergir no contato caloroso mais uma vez. Foi quando acalmou-se, minutos depois então, que afastou-o à curta distância para poder olhar os pares claros. “Como...? Quer dizer, como você veio parar aqui?!”
What happened at the New Orleans? || River Storm
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Não estamos mais em Luisiana. Este foi o primeiro pensamento de Elliot quando desceu do carro preto e sentiu a brisa leve tocar seu rosto já tão acostumado a estar úmido pelo clima quente de New Orleans. A mudança de temperatura não pode ser percebida durante a viagem devido às janelas escuras e fechadas, mas horas se passaram e o rapaz sabia que estava muito longe de casa. Mais longe do que deveria. Quando se entregou em troca do fim da balburdia que se instalara no festejo de sua comunidade, Elliot acreditou que seria levado para alguma das celas enferrujadas e empoeiradas da pequena delegacia próxima dali. Não seria a primeira vez que acabava atrás das grades e provavelmente não seria a último. Porém não foi isso o que aconteceu e agora ele estava em uma cidade da qual não sabia nada além do nome: Bradcliff.
Sua chegada se deu no meio da noite, sem muita conversa entre aqueles que o “acompanhavam”, ainda que Kane tivesse tagarelado o caminho todo na esperança de alguma reação, mas nada aconteceu. Durante a triagem ficou quieto, observando os contornos do que parecia um lugar bastante limpo e homogêneo se comparado com aquele do qual Elliot viera. De qualquer forma, Kane não teve muito tempo e disposição para pensar no porquê de estar ali ou o que realmente era aquela cidade. Preferiu dormir e aproveitar uma cama limpa depois de tanto tempo, no dia seguinte saiu para ver onde se metera e para procurar um emprego. Algo lhe dizia que não sairia tão cedo de Bradcliff. Passou por algumas lojas, falou com algumas pessoas, todas pareciam estranhamente simpáticas e acostumadas com novos habitantes. Em uma de suas última tentativas do dia, Elliot entrou em no que parecia ser uma boate chamada POSH. - Yo, man! Você sabe me dizer se estão contratando? - perguntou sem dar muitas voltar ao rapaz que estava no bar, de costas para a porta em que Kane entrara, limpando alguns copos e um pouco escondido pela luz escura do pub. Aquela silhueta não lhe seria estranha caso Eliott ainda tivesse esperança de encontrar alguém que perdera há tempos.
Não era sempre, mas ele gostava de por a música pra tocar baixinha nas tardes mais tranquilas, antes do horário de pico começar e as coisas começarem a ficar extremamente agitadas por ali. A voz de Ray Charles soava baixinho dos auto-falantes; uma regalia que obteve com o tempo de seu chefe. Normalmente, eram blues de artista de suas cidades, mas em seus dias mais melancólicos havia algo no timbre do cantor e na forma como ele despia-se de seus sentimentos em Georgia on My Mind que o fazia sentir-se ainda mais perto de casa. Era agridoce, quase doloroso quando fechava os olhos e via rostos cujos traços apagavam-se pouco a pouco, até mesmo o de seus pais; sem fotos ou pertences de sua antiga vida, a memória era tudo que lhe restara.
Concomitantemente aos pensamentos, era quase metódica a maneira com que pegava cada copo e o secava com o pano de pratos que, naquela altura do campeonato, era fiel companheiro. River tinha até seus favoritos para tipos de copos específicos, mas isso apenas fazia parte de suas esquisitices e ele não as dividia. E foi pensando que, só talvez, devesse ver um médico de cabeça pra isso, que uma voz lhe preencheu os ouvidos.
O repuxar das sílabas tão similar ao seu, o tom ligeiramente rouco, não houve como suprimir os caminhos que a mente já fazia, deixando-se submergir por um micro-estante ao pensar que, provavelmente, as canções não estavam lhe fazendo bem, afinal. Estava finalmente ficando louco, pensou, mas ao virar-se River imediatamente notou que não.
Não era uma peça sendo pregada por seu cérebro saudoso de dias mais quentes, não era uma ilusão. Era Elliot, bem ali, seu sorriso torto, as sardas e os olhos que pareciam capazes de engolir o mundo e engoli-lo também; e Deus sabia que Storm se deixaria engolir facilmente. Foi lentamente, então, que seus olhos piscaram e, boquiaberto, custou-lhe muito para não derrubar o corpo no chão; deixou-os sobre o balcão e apoiou-se neles logo depois, pois não confiava muito nas pernas no momento. “Eli?” Testou, o apelido que há tanto não pronunciava pesando na língua em desenrolar suave, seu tom quase sussurro enquanto o coração martelava, tão alto que parecia bater em seus tímpanos.
Se aquilo fosse um sonho, era dos mais cruéis que a mente poderia ter criado.
Smile! You’re being watched. | &&. cdl.
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Quando o celular novo de Fox quebrou mais uma vez, ninguém se surpreendeu - o tempo de vida do aparelho, inclusive, foi maior do que muitos que vieram antes dele. O que realmente a deixou sem reação foi o pequeno dispositivo escondido entre as peças que antes compunham seu telefone. Depois de um tempo cogitando todas as possibilidades, a loira teve de aceitar: O governo, ou a entidade responsável pela distribuição dos aparelhos eletrônicos, estava observando a cidade.
Respirando fundo e observando rapidamente a sede do Clube do Livro, a garota começou a chamar atenção de todos os presentes. A cada segundo que se passava, a câmera escondida em seu bolso pesava cada vez mais e ela sabia que tinha começar logo a reunião. “Acho que já está todo mundo aqui, não?” Começou, nervosa. Apesar de ser a conselheira de Erik, ela tentava se falar diretamente com grupo o mínimo possível. “Tenho certeza que todos aqui me conhecem, mas ao lerdo que não sabe quem sou… Prazer, meu nome é Fox e eu sou a conselheira dos Lions.” Brincou, tentando diminuir a tensão que havia se instalado no cômodo.
“Ok, vou direto ao ponto. Quem me conhece sabe que celulares são objetos temporários em minhas mãos e, outro dia, o meu mais novo celular quebrou. Rest in peace, Gilson, you’ll forever be missed. Enfim, não foi por isso que eu pedi para o Erik convocar uma reunião. O real motivo é esse aqui.” Continuou, tirando a câmera de seu bolso. “Vocês devem estar pensando ‘Mas por que uma câmera seria motivo para uma reunião desse clube super exclusivo e ultrassecreto?’ e eu respondo: porque essa câmera estava instalada no meu celular e eu posso garantir a todos vocês que ela não deveria estar lá.” A cada palavra que saia de sua boca, Ivory ficava cada vez mais revoltada com a situação. O que aconteceu com a liberdade deles? “Resumindo, tem alguém nos observando.” Completou, antes de jogar a câmera no público.
Com o clube reunido ele sabia que seria mais fácil chegar em qualquer conclusão sobre aquilo. Ele não conseguia tirar a expressão de grave seriedade da sua face, afinal, aquela era sua expressão sempre que estava no meio de uma reunião, a notícia de Fox só piorava sua irritação. Ele já tivera seu tempo para pensar muito no assunto, então podia pelo menos manter uma postura de calma sendo que já havia deixado o momento de pura raiva para trás enquanto marcava aquela reunião. Havia escutado cada palavra da conselheira, mas a atenção estava completamente voltada nos membros das duas partições do clube, esperando uma reação exaltada de qualquer tipo.
— Se estão nos observando com câmeras pelos celulares ao invés de usar a de fábrica, já é motivo para sabermos que não estão nos grampeando, mas isso não é, em nenhum nível, um alívio, mas sim mais motivo para irmos mais a fundo disso.
É verdade, Laurel havia se esforçado mais do que nunca para ler os pensamentos de Fox e saber do que aquilo tudo se tratava, mas era difícil adivinhar o que a amiga estava pensando quando ela parecia focada em outros assuntos propositalmente. As duas saíram juntas do apartamento de Thrisha, indo até a Holly’s a pé. Laurel tinha pego o taco de baseball como Fox pedira - taco que, agora, encontrava-se encostado num canto do subsolo da cafeteria ao lado do machado de Erik.
Assim que Hayward começou a falar, a telepata suspirou, cruzando os braços para prestar atenção. Estava ansiosa desde o momento em que recebera as mensagens de texto e agora, podia sentir o próprio coração batendo mais forte, fazendo com que começasse a descascar seu esmalte em nervosismo. Já sabia de quase todas as informações presentes na introdução de Fox, mas a menção de uma câmera despertou seu interesse: Laurel se inclinou mais na direção da mesa, com os olhos semicerrados. A conclusão de Fox era, obviamente, racional, o que fez com que a telepata engolisse em seco e se enchesse de ódio. — You gotta be fucking kidding me… — sussurrou, esforçando-se para não perder a calma ali mesmo. Depois que Erik falou, assentiu de leve. — Sim, só significa que eles devem estar em algum lugar assistindo a gente com pipoca como num reality show. — Ela bufou. Aquilo era quase um pesadelo extremamente familiar para ela. Foco, Laurel, foco. — Alguém já viu algo parecido com essa… Coisa antes? Sabe, nos seus próprios celulares ou algo do tipo.
Marlie, sentada no canto da sala, observava todos enquanto eles se pronunciavam. Era notável, tanto por suas expressões quanto pela linguagem corporal, como a maioria dos mutantes, se não todos, estavam terrivelmente preocupados com a situação. E não era pra menos: quem ficaria contente ao saber que estava sendo espionado? O objetivo principal de Bradcliff não seria protegê-los do mundo exterior? Ao menos, era o que pregavam a cada um deles, desde seu primeiro dia na cidade.
Ela cruzou as pernas e passou o cabelo para trás das orelhas logo em seguida, inquieta, diferente de como normalmente se comportaria. Marlie poderia ser bem impassível, mas não naquele tipo de situação. “Acho que não, não vi. Não é como se eu ficasse muito ao lado do meu celular, ou posso ser só muito distraída…” ela pigarreou, cortando a falatória. Não deveria se permitir ser contagiada pelo nervosismo do grupo. “E não querendo ser paranoica, mas essa câmera não está funcionando agora mesmo, está? Ou a câmera de outro celular?” ela tateou seu bolso a procura do próprio aparelho, porém se lembrou de tê-lo deixado em cima da cama, na pressa de chegar ao Clube.
Um nó na garganta se forma toda vez que a resposta para a quanto está na cidade precisa ser dita, pois mais de um ano em Bradcliff não fez Keane se acostumar com o local, apenas lhe cultivou uma raiva por humanos. Tal raiva é o que lhe impulsionou a entrar no Clube do Livro que, mesmo não partilhando a maioria dos ideais dos outros membros, já estava em sua primeira reunião. Não conhecia muitos que estavam ali, mesmo que já pudesse ser considerado um morador participativo, e os que reconhecia só trocou algumas palavras.
“Merda!” Deixou escapar. Após Fox terminar toda sua explicação sobre como o governo esteva os vigiando Keane ficou visivelmente irritado, pois como um ex-famoso, já possuía experiência em ser gravado sem seu consentimento, mas nunca se sentiu confortável com isso, sentimento que só piorou desde que teve toda sua intimidade vazada e viu a vida que levava se esvaindo junto. “Vocês já possuem algum plano sobre o que fazer em respeito a isso?” Questionou. “Iremos incitar toda a cidade contra eles agora ou esperar uma hora mais oportuna para usar essa informação?” A necessidade de reagir começava a brotar dentro dele, trazendo o nervosismo junto que o forçava a bater a mexer a perna descontroladamente repetida vezes, após um suspiro longo, tentando se acalmar, Keane percorreu com seus olhos claros todos que estavam ali presentes. “Eles não são os únicos com habilidades para observar os outros.”
O comunicado inesperado de Erik havia alarmado a líder dos Hounds. Ao mesmo tempo que desejava saber do que se tratava e ficava enfurecida pelo mais novo ter se recusado a contá-la, entendia a importância do sigilo nos assuntos relacionados ao Clube do Livro, então simplesmente comunicou os outros Hounds e se contentou em esperar a hora certa. Era paciente, afinal, e se o motivo de tudo aquilo era tão importante, precisava lidar com calma.
Havia chegado séria como sempre, sentando-se na mesa na extremidade oposta a Erik e sua conselheira, com a mão apoiada na mesa segurando o queixo. Prestava atenção em cada palavra de Fox, mas exasperou-se como todos os outros ao terminar de ouvir a notícia, apenas em escala menor. Suas sobrancelhas marcadas se franziram e Reyna comprimiu os lábios. A escória humana certamente passara dos limites. — Não deve estar funcionando se está fora do aparelho. — Respondeu, sem prestar atenção em de quem todos aqueles questionamentos vinham. — Uma coisa é certa: o resto da cidade precisa saber disso o mais rápido possível, independente se estava só no celular de Fox ou dos outros também.
Yansan não conseguia acreditar que estava perdendo seu precioso tempo em mais uma das reuniões sem sentido organizada pelos Lions, não quando estava tão perto de descobrir o que havia acontecido com seu irmão.
Quando a loira finalmente parou de desperdiçar seu tempo, Yas, ao contrário de todos os outros presentes, não conseguiu conter sua animação. “Você realmente acha que observar esses humanos é a reação adequada? A gente já deixou eles se livrarem de muita coisa.” Yansan retrucou rapidamente, um plano já estava se formando em sua mente. “Nós temos que deixar claro que não somos animais em um zoológico para eles ficarem nos observando e dar carinho. Temos que deixar claro que não estamos contentes e eu já sei qual será o nosso primeiro passo… O pai da princesa ali tava colaborando com os humanos, não é? Ta na hora de jogar a merda neles.”
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erindavinci:
Seria uma mentira afirmar que Erin era mesquinha, por isso, mal se importou quando River pegou a garrafa - na verdade, sentia-se até confortável por ajudar alguém que fizera muito mais pelos moradores da cidade do que outros. Pegou o refrigerante de volta enquanto o encarava, franzindo o cenho em seguida. — Seu chefe está pagando, mas não é ele que está aqui, não? A atitude não deixa de ser fantástica — deu de ombros, com um pequeno sorriso amigável nos lábios. Gentileza era o seu maior forte e a emanava ao seu redor sem que nem percebesse. — Ah, nem me fale. Trabalho com crianças, se não as adorasse também, seria infeliz. — Comentou, soltando uma risada mais alta. Na verdade, provavelmente seria feliz em qualquer emprego que a colocassem, mas lidar com pequenos a deixava mais esperançosa e leve. Porém, a curiosidade ainda prevalecia conforme prestava atenção nas falas do outro e cada sílaba de sua pronúncia. — Tennessee. E você? — Erin acabou por fim revelando e perguntando - mesmo que na verdade não fosse de sua conta - repentinamente, indagando-o em relação a que estado ele viera e, por alguns segundos, se lembrando de uma casa que não ficava dentro daqueles muros.
A tranquilidade pela morena transparecida em muito se compatibiliza com a do rapaz, cuja animação costumava vir em ondas, a última esvaindo-se com lentidão agora que tinha a chance de, finalmente, descansar. Havia verdade em suas palavras e por essa razão as sobrancelhas dele se elevaram antes que anuísse, o riso suave deixando a boca. “Yeah, I guess so. Vou chutar que ele não tava muito propenso a encarar a roupa e o calor ao mesmo tempo, não foi muito fácil.” E como para comprovar o que dizia, a mão novamente foi à testa, limpando-a das minúsculas gotículas de suor que escorria, as mão sendo limpas logo após na calça avermelhada, cujos joelhos agora abraçava de forma displicente, abertos.”... Well, yeah, in your case it would be shitty. Você ia acabar matando todas.” E como ela, a pronúncia de Erin não falhou em lhe chamar atenção, conquanto, tinha a intenção de indagá-la apenas mais tarde, surpreendendo-se, portanto, quando ela tomou as rédeas. O sorriso fez-se mais largo, os dentes brancos se exibindo enquanto o peito se apertava um pouco, porque caramba, que saudade de casa. “New Orleans... Ainda vou voltar.” Acrescentou, a voz que raramente ganhava ares sonhadores se mostrando exatamente assim no momento, o que era quase um deslize porque, afinal, ele não tinha qualquer costume em abrir-se, mas ter uma americana, uma compatriota ali, isso com certeza o deixava feliz demais para ocultar a verdade.
logankel:
Então você quer fazer esse plano pra se exercitar, é isso? Olha, eu não queria falar nada, mas com a forma que você tá, o máximo que você vai conseguir é dar uma corridinha e tal, não malhar.
Então ao invés de pegar esse aqui que eu chamo carinhosamente de “plano cavala”, você devia investir em algo mais tipo pônei. Just saying.
Embora se ocupasse com a própria corrida na esteira, os dizeres de Logan não passaram despercebidos aos ouvidos do bartender, que viu-se buscando disfarçar o riso em instantes enquanto assistia a pessoa que levava o “conselho” tão amoroso se recolher. O ritmo de seu aparelho foi diminuído devagar, então, apenas para que pudesse descer e, suado mesmo como estava, passar o braço ao redor do pescoço do menor. “You are such a little punk, vai tirar a vontade de viver do cara antes mesmo dele começar.” Bronqueou.
ventilating; w. katya
rasputinha:
Não conseguiu conter uma risada soprada com a resposta de River. — Se eu quiser? Não esperava que dançaria pra alguém hoje e é difícil me fazer mudar de ideia… — Seus lábios se torceram numa expressão pensativa. — …Mas se você me convencer do contrário, posso pensar no seu caso, lyubov’. — E lá estava a frase fortemente sugestiva, juntamente de outro sorriso de canto e o apelido que costumava usar para seus clientes - Storm não era uma exceção para aquilo e russo realmente parecia cativar seus alvos. Deixou que a figura do homem fosse adiante para que pudesse seguí-lo, chegando num cômodo diferente de sua casa e mantendo-se de pé à frente dele, que já se esparramava no sofá.
Katya sabia que tudo aquilo era parte do cenário, da aura magnética que tinha que criar para que pudesse atrair River da forma que fizera no Lovelace. Uma parte daquilo a divertia, mas outra a deixava impaciente. Nunca fora alguém que gostava de fazer rodeios, sempre indo diretamente até seus objetivos sem pensar, e podia dizer com certeza que Storm era um objetivo agora. Sexo era, desde o final de sua adolescência, uma de suas válvulas de escape favoritas e no momento, tudo o que precisava era de uma distração. A sensação da pele quente contra a sua, as células do corpo despertando calorosamente por erupções de prazer, a mera promessa de dar e receber em medidas iguais… Só o pensamento já era suficiente para que quisesse desistir e se juntar ao bartender naquele sofá, contudo, respirou fundo e continuou tentando construir o ambiente que ele desejava, seja lá qual fosse.
Seu cenho franziu no exato momento em que ele voltou a falar. — Um presente? Pra mim? — Praticamente exclamou. Ele não tinha motivos para uma cortesia como aquela. — Are you out of your mind? — Não havia ironia, tampouco ofensa, na pergunta: era curiosidade o que movia a Rasputin no momento. Katya estava tão acostumada a fazer sacrifícios sem ser recompensada que a simples ideia de que seria presenteada sem, aparentemente, razão nenhuma já a sobressaltava. O complemento, no entanto, fez com que os traços surpresos se suavizassem. Foi o suficiente para que entendesse o que ele queria dizer. Em passos lentos, seu quadril se mexendo levemente, ela se aproximou de River, com um dos braços segurando no encosto do sofá. — Seria realmente horrível te deixar assim, não? — Murmurou, com a cabeça inclinada para o lado e os olhos semicerrados, o dedo indicador da mão livre perigosamente encostando no joelho de River e subindo pela coxa até que finalmente o recolheu. — Me mostre o presente, lyubov’. Let’s not wait any longer.
A reciproca feminina lhe foi surpreendente e positiva, afinal, apenas significava que os dois encontravam-se na mesma página e não havia nada mais que pudesse pedir, deixando-se prontamente envolver pela aura da mulher e por seus olhos castanhos. De seu lugar no móvel de segunda mão (ou até mesmo terceira), o americano não tardou a ofertar sorriso enviesado que logo ganhou ares de diversão vez que a palma direita achou lugar sobre o peito, bem sobre o músculo cardíaco, ato claramente feito para dramatizar. “Não brinca assim com meu coração, babe, ele é fraco.” Honestamente? Não era nada, ou pelo menos ele fingia que não a maior parte do tempo, buscando sempre não se deixar abalar.
Foi devagar que seus olhos, momentaneamente fechados em pró de maior teatralidade, abriram-se para encarar a mulher. O rosto pendeu para o lado, suas íris azuladas deslizando sobre cada traço, cada curva do corpo já tão bem conhecido, sua mente divagando por vieses cada vez mais libidinosos por conta não apenas da postura da russa, mas por ser simplesmente ela. Pensamentos que foram, conquanto, postos de lado momentaneamente diante da surpresa alheia, que tão logo causou o riso rouco do bartender. A língua percorreu os láios, então, não lentamente, mas apenas para umedecê-los ao a cabeça se movia em negativa. “I’m not, doll. Y’know, it’s fucking Christmas... Or was. The point is, everyone deserves a gift.” E no elevar de sua sobrancelha seu sorriso se fez mais doce, generoso realmente como de fato era, em seu cerne; ao menos quando tinha os meios para tal.
“Eu realmente acho que seria.” Katya não era a única que seria presenteada ali, de qualquer forma. O que pareceu ainda mais real vez que a aproximação feminina se fez incisiva em seu espaço pessoal, o toque singelo em seu joelho suficiente para despertar calor em seu baixo ventre e arrepios de sutileza inigualável pelo corpo. “As you wish, doll.” E num inspirar mais lento, o Storm fez simplesmente curvar o corpo lateralmente, não tendo dificuldades em alcançar com a canhota a garrafa que se localizava na lateral do sofá, um laço vermelho ao redor do gargalo da Stolichnaya que prontamente lhe estendeu ao se endireitar, o inferior sendo mordido ao que aguardava com paciência a reação da morena. No fundo, Katya também era sua cliente, e ele também sabia do que ela gostava. “Shaw we drink?”
ventilating; w. katya
rasputinha:
O parque fora uma boa distração por um dia, mas Katya achava melhor passar seus dias de folga no Fight Club ou simplesmente descansando em casa, aproveitando a possibilidade de respirar um ar que não cheirasse a bebida ou ouvir uma voz que não viesse da boca de algum velho nojento. Morar com um irmão poderia parecer um fracasso para outros, mas não para a Rasputin: não quando tinha a oportunidade de ver Vlad sorrir, e certamente não quando quando podia abraçá-lo e saber que ele era real. Era exatamente por aquele motivo que precisava de uma distração, e a oportunidade perfeita aparecera quando a tela de seu celular se acendeu com a mensagem de um número desconhecido - desconhecido que, na verdade, ela sabia muito bem quem era.
No Lovelace, a regulação era rígida de certa forma: Katya não podia tocar em ninguém a não ser, é claro, que pagassem por uma lap dance e como a mulher particularmente não aceitava fazer qualquer coisa além disso, a grande maioria de seus clientes saíam insatisfeitos. Dessa vez, porém, a frustração atingira os dois lados: conhecia River pelo seu trabalho na Posh, mas ele realmente capturara sua atenção depois de visitá-la no clube. Storm mostrara-se diferente da maioria: estava ali por um pouco de diversão como todos os outros, mas havia algo no homem que despertara na russa a vontade de quebrar qualquer regra imposta e render-se logo a ele: o tom de voz atraente, os olhos azulados que a analisaram com desejo de cima a baixo e, acima de tudo, o respeito em não contrariar seus limites da forma que quase todos faziam.
Chegou a ponderar depois que a mensagem chegou, mas sua impulsividade fez com que se levantasse do sofá minutos antes do combinado com River e tomasse uma ducha, vestindo-se com certa simplicidade e pressa: o verão neozelandês a obrigara a abandonar sua jaqueta de couro, então só trajava uma regata preta e jeans. Saiu de casa em passos velozes: preocuparia-se em dar satisfações para Vlad depois. River não demorou para atender e com a visão do homem na porta, Katya deu um sorriso de canto, ficando à vontade para entrar assim que ele lhe dera permissão. — Se estiver esperando por uma dança particular, hoje é meu dia de folga, Storm. — Brincou, cruzando os braços, curiosa para ver o que ele planejava.
Bem lhe passou pela cabeça a possibilidade de uma negativa, conquanto, River não se faria particularmente surpreso tampouco magoado caso isso ocorresse. Era um affair em seu máximo e, seguindo a linha de trabalho de Katya, não era lá muito difícil imaginar que ela se sentisse no mínimo pouco inclinada a atender gente que a via dançar do lado de fora; toneladas de convites com segundas intenções. Honestamente, as suas não eram das mais pueris, mas a companhia da mulher era boa e ele apenas pensou why the hell not?, afinal. Conter impulsos era, talvez, uma de suas especialidades, mas quando se tratava de pessoas que lhe chamavam a atenção naquele quesito, River poderia ser um pouco mais teimoso.
Naquele ponto, imaginava, lembrava mais a própria mãe do que o pai. As memórias deles no Natal, porém, não eram das mais bem vindas e ele não tinha qualquer intenção de passar os próximos dias enfiado no sofá com uma carranca no lugar da cara por culpa da saudade. O melhor amigo, por sinal, também fazia falta e lhe permeava os pensamentos com constância, mas a impossibilidade de um reencontro com todos os que lhe eram queridos era tão grande que, sem um plano concreto de evadir da cidade, River preferia não manter suas esperanças muito altas; o que não queria dizer que o sonho ficara para trás, ao contrário, só significava que teria que trabalhar mais duro.
Aquelas resoluções, no entanto, deixaram a mente no instante em que Katya sorriu para ele e adentrou, os dizeres da mulher trazendo riso suave aos lábios do mais novo, que moveu a cabeça em anuência. “Claro que não, não precisa dançar, a não ser que você queira.” Ele disse e, fechando a porta, tratou de guiá-la à pequena sala onde logo se largou sobre o sofá. “Eu não vou mentir, eu tenho um presente pra você, na verdade. Mas como eu também quero experimentar, eu tinha que te chamar pra cá pra te dar ele, de outro jeito ia ficar passando vontade e eu realmente detesto passar vontade... De qualquer coisa.” E no elevar das sobrancelhas e sorriso lateral ficou implícito o desejo sentido por, talvez, dar prosseguimento do ponto em que haviam parado na casa de striptease, mas River se contentaria também apenas com boa conversa - sabia mesmo respeitar os limites das outras pessoas e quebrá-los, quando o fazia, era tarefa realizada com extremo cuidado e lentidão.
erindavinci:
Já acompanhava o homem vestido de Papai Noel desde que o vira no parque, ela mesma sentindo-se feliz por presenciar o sorriso largo de tantas crianças. A profissão de Erin consistia em simplesmente animá-las, afinal, mas era bom ver alguém que se importava sem precisar ser pago para isso. Estava próxima quando o moço retirou sua barba e o sotaque sulista exagerado preencheu seus ouvidos: havia crescido ouvindo frases como aquela, então não demorou em sorrir. — Não, mas tenho Coca-Cola. Serve? — Gallagher perguntou, chacoalhando levemente de um lado para o outro a garrafa em sua mão. Segundos depois, já havia se sentado ao lado dele, pouco se importando se estava no chão. — By the way, é muito legal o que você está fazendo pelas crianças. É tão bom vê-las saltitando por aí!
Companhia era uma coisa que River Storm nunca negava e não sendo Erin uma figura estranha aos olhos, embora nunca tivessem se falado muito, não estranhou nada quando ela manteve-se por perto e atrás de si. Com seu sorriso mais largo e pares azulados ele olhou do rosto agradável para a garrafinha, a mão esticando-se de imediato em clara aceitação. “Oh, tha’ll do just fine, doll.” E enquanto já tomava, tendo o cuidado de não encostar a boca no gargalo, já foi um pouquinho para o lado, abrindo espaço à morena. Embora fosse mais reservado do que deixava-se transparecer pela aura sempre relaxada e comportamento aparentemente extrovertido, River realmente gostava de fazer novas amizades. Nunca se sabia o que elas sabiam e tudo era sempre possibilidade e aprendizado para ele. De qualquer forma, não pode evitar os ombros de se encolherem antes de coçar a nuca em gesto quase tímido, devolvendo-lhe a garrafa com a outra mão. “Ah, que nada. Meu chefe tá pagando todos os presentes, pra ser honesto, mas foi com certeza divertido, eu adoro criança.”
feyrelamorte:
“Me desculpe, mas infelizmente isso não é água.” Respondeu, balançando o cantil que tinha em mãos. “Quer dizer, infelizmente para você, mas felizmente para mim.” Esticou o braço para o homem vestido de papai noel, oferecendo a garrafa. “É vinho. Me obrigaram a dar uma disfarçada para as crianças não verem a professora de pintura delas enchendo a cara as três da tarde.” Feyre explicou, dando de ombros com o que dizia. Ela não se importava se as crianças a vissem bêbadas, mas as famílias sim e eram as mesmas famílias que pagavam as contas, então não custava nada fazer um pequeno esforço. “É de boa qualidade, eu te juro.”
As sobrancelhas elevaram-se em surpresa pouco disfarçada, como comumente acontecia com River quando encontrava-se especialmente relaxado; embora naquele dia, fosse mais uma questão de exaustão. O riso que lhe deixou os lábios também foi baixo, soprado por entre seus lábios entreabertos enquanto prontamente aceitava o cantil a si ofertado. “Well, Well, o duro é que pra matar a sede com vinho eu ia ter que dar umas boooas goladas.” Era uma brincadeira, é claro, ele só precisava molhar um pouco a boca e por isso deu dois goles curtos antes de oferecer o recipiente de volta a mulher; e ela não havia mentido, afinal, com seu paladar apurado para bebidas por conta da profissão, sentia no gosto o preço do que havia tomado. “Dá pra notar pelo sabor, mas eu vou ser honesto, aqueles bem porcarias me deixam feliz também e ao meu bolso.”
drunk kisses and booty calls; w. Alec
@kleptobytch
O Natal era, de longe, uma de suas épocas favoritas. Trazia-lhe lembranças agridoces, desde a época em que era pequeno, de noites passadas sob a imensidão do céu estrelado num deserto com os pais, até as saídas com os amigos que há tanto não via, quem de tanto sentia falta. Se fechasse os olhos, ainda podia imaginar as constelações com perfeição, se fechasse os olhos ainda podia imaginar cada traço de cada rosto que lhe assolava os sonhos. Havia um aperto do qual não podia livrar-se, mas havia algo de bom em poder ter dividido seu vasto bom humor, por culpa do feriado, com meninos e meninas a cada presente entregue em nome do dono da Posh, seu chefe.
Como prêmio, ele havia ganhado dias de folga, que pretendia de usar de imediato, especialmente porque não tardou muito até que todos os colegas de trabalho resolvessem sair para beber. À priori, a ideia pareceu-lhe perfeita. Conquanto, não demorou muito para que o álcool subisse e River começasse a fazer coisas mais duvidosas, abraçar mais, querer mais das companhias. Desejava presença, contato, calor humano. E quem melhor pra se falar do que a pessoa que era várias em uma só? Apenas o pensamento trouxe riso fácil aos lábios do Storm, que pescou no bolso o celular e não tardou a ligar para Alec que, felizmente, atendeu-o. Foi uma ligação curta, resumida em “Posh, não lembro o caminho de casa, e vem me buscar”, mas foi eficaz, vez que nem tanto tempo depois assim, avistou logo o rapaz, seu sorriso torto sendo exibido ao que os olhos faziam-se pequenos e a mão se estendeu, claramente esperando que ele lhe desse a sua. “Hey, cowboy, come help Santa’ere.” E se o sotaque sulista e americano já não era evidente antes, quando bêbado parecia pior e era, no mínimo, hilário, uma vez que River ainda estava vestido com as calças de papai noel e trazia na cabeça o gorrinho, a camiseta branca lhe cobrindo o torso.
ventilating; w. katya
@rasputinha
No esbanjar de toda sua preguiça, com o feriado ao seu fim e tendo feito tantas entregas de presentes quando se era possível, seria mínimo presumir que River aproveitaria os próximos dois dias de folga para dormir. Assunção correta, vez que realmente o fez no primeiro após uma bebedeira imensa na noite predecessora, tendo acordado de ressaca e conciliando a reposição de sono com leitura de livros velhos e que mantinha bem escondidos, além de, é claro, brincar com sua gata e alimentar-se quando seu estômago reclamava demais. O segundo, conquanto, vinha com ideias um pouco melhores e mais prazerosas.
Verdade seja dita, não lhe faltavam exatamente opções caso desejasse companhia, mas a de Katya era uma de suas favoritas. Não era comum para ele ver-se deliberadamente atraído por uma mulher, mas as curvas perfeitas do corpo esguio, as pernas longas e a voz rouca não falharam nem um pouco em causar impressão forte no americano, que havia voltado para casa naquele dia plenamente insatisfeito por não poder tocá-la; mas nem de longe mau humorado. Na verdade, ele bem sorria, especialmente porque fora presenteado com seu número e não tardou a mandar uma mensagem passadas as três da tarde, convidando-a a visitá-lo naquela noite; tinha um presente para a mulher, afinal.
Quando a campainha tocou, portanto, já sabia que seria ela, e trajando apenas uma camiseta branca mais comum e uma calça moletom, foi abrir-lhe a porta, dando-lhe passagem de pronto ao apoiar a mão contra um dos batente. “Pode entrar.”
“Why the hell did I thought that was a good idea?!” E a reclamação, carregada em seu sotaque sulista, veio acompanhada do retirar da barba branca falsa, que ele desceu par ao pescoço ao que se recostava na parte de trás de uma das barraquinhas para reclamar um pouco. Fazia tempo mesmo que ele não sentia calor assim, mas a roupa de papai noel era por uma boa causa, se fosse pra levar em conta o sorrisinho no rosto das várias crianças das mais diversas facções para as quais ele entregara brinquedo. Fechando os olhos por um instante, permitiu-se sentar-se ao chão, livrando-se da parte de cima da roupa e do chapéu, ficando só com a regata preta, calça vermelha quente demais e as botas. Quando olhou para cima, afastando os fios úmidos de sua testa, ele sorriu lateralmente. “Você não teria água aí, teria?”
imsebastianstan: Hello. Merry Christmas and Happy Hanukkah!! Hope everyone is doing a little #homemovie inventory today. 🎄😜 Here’s my 1988 audition for CHICAGO.