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Anastasia (1997)
txbyish:
Ele tinha que tomar cuidado com o que dizia, claro. Mas parecia que os dois estavam pisando em ovos. Ele sentia muito mal com isso. Os olhos dele se desviaram dela por um minuto, varrendo a sala antes de responder. ❝Eu sei.❞ Murmurou, enquanto afirmava com a cabeça. Mesmo já sabendo, aquilo fez seu coração dar um pulo. ‘Mas achei que você gostasse de mim’ ele queria dizer. Ao invés disso, suavizou as palavras. ❝Mas achei que você iria para me ver.❞ A frase veio acompanhada de um sorriso sem muito humor. Ele era da equipe de natação, todos sabiam disso. Era o capitão, e ele esperava muito que ela aparecesse em ao menos uma de suas competições. ❝Quer dizer, tudo bem. Eu entendo, deve ser uma chatisse para quem não curte.❞
Carrie mordeu os lábios, incerta do que dizer. Não queria magoar Tobias, não propositalmente, mas também não podia dizer que eles eram melhores amigos e sair dançando em um arco-íris. Não eram assim que as coisas funcionavam, não em sua cabeça. “Você tem uma escola inteira indo te ver. Duvido que um par de olhos a mais faria tanta diferença.” E aquilo definitivamente não soara tão duro em sua cabeça, mas agora era tarde demais para pensar em outras palavras. Suspirando levemente, Carrie se levantou do piano, se aproximando um pouco do garoto. “...Mas você pode me contar como foi? Tenho certeza que você acabou com a outra escola, aquaman.”
jaxxdavis:
Chegava a ser irônico ela dizer algo que poderia se identificar já que metade dos seus genes, assim como os dela, eram propensos a fugir. Não sabia ao certo o que dizer sem se expor, preferindo manter-se em silêncio por um tempo, ouvindo a complementação, deixando um sorriso aparecer em seus lábios. “Majestade… Você é muito mais interessante do que eu achava.” Admitiu, dando uma breve olhada nela. “Talvez um dia você possa fugir mesmo que por pouco tempo dessa loucura… Dessa cidade. Dizem que faz bem mudar os ares, certo?” Dizia, querendo se incluir naquela fuga mas se contendo. Não poderia abandonar sua mãe ou seria tão canalha quanto o homem que detestava.
“There is always more than meets the eye in a queen.” Sorriu levemente com o comentário do outro, o observando com cautela. Algo na aura de mistério do garoto gerava imensa curiosidade em Carrie, mesmo que gostasse de alguém que não se importasse em ser seu ouvinte. “Esse é o sonho, não é? Ir para um lugar movimentado, cheio de pessoas, e ruas, e luzes... E onde você tem mais de uma sala de cinema.” Adicionou com uma pequena risada, imaginando a cidade que descrevera. Sim, ela conseguia se ver indo para lá, com nada além de sonhos e esperanças. Infelizmente, sonhos geralmente não viravam realidade. “Mas para onde você gostaria de ir?”
❝ @strangecarrie Liked for a starter with: Toby, the athletic ✧⋄。❞
Tobias andava pelos corredores da escola, e parou em uma sala que ele conhecia pouco, quase nunca entrara: a sala onde o Stereo Shout ensaiava. O garoto suspirou quando viu os cabelos castanhos que ele costumava ver com tanta frequência antigamente, mas que hoje em dia haviam virado raridade. Mesmo assim, ele prometera. Prometera que não seria como tantos outros que conhecia, e não deixaria os antigos amigos de lado. Toby entrou na sala e pigarreou, chamando atenção de Carrie. ❝Hey, Carrie. Eu não te vi na última competição de natação.❞ E com isso ele esperava ganhar um ‘É que eu não quis ir’, mas mesmo assim continuou. ❝ Senti sua falta por lá.❞
O lápis corria rapidamente na página, despejando todos os sentimentos de Carrie. Raiva, medo, e mais uma dose de raiva. (Aquela era uma banda de rock, afinal de contas.) A garota estava tão absorta na tarefa que mal notou alguém entrando na sala, muito menos que a pessoa era alguém conhecido. “Toby?” A morena inclinou a cabeça levemente, confusa com o porque do garoto estar lá. Eles eram amigos, claro, mas fazia muito tempo desde que não conversavam. Estar em cliques diferentes era praticamente estar em mundos diferentes em Riverside. “Eu não gosto de esportes.” Respondeu cautelosamente, dando de ombros. Ir assistir uma competição de natação estava fora das coisas que Carrie faria em sua vida.
jaxxdavis:
Conseguiu ouvir a resposta baixa dela, não tendo intenções de perguntar que coisas eram. Por mais que quisesse saber e talvez ajudar, não fazia bem seu estilo. Abriu um pequeno sorriso com a menção de uma coroa de papel, imaginando como ficaria vestindo uma, dando de ombros assim como ela. A reflexão seguinte pegou o rapaz de surpresa, mas como fazia em momentos como aquele, desviou o rosto para o lado oposto, parecendo distraído ou coisa parecida, somente depois dizendo algo. “Acho que todo mundo já pensou nisso… Mas nem todo mundo fez.” Uma certa amargura cresceu no rapaz ao lembrar do próprio pai que saiu sem mais nem menos, abandonando tudo. Sacudiu brevemente sua cabeça, afastando os pensamentos. “Você acha que conseguiria pegar um carro agora e abandonar tudo?”
Carrie observava a rua pela qual caminhavam, com as mesmas casas e mesmas árvores que já vira tantas vezes. Ele poderia descrever Riverside em detalhes, escrever páginas e mais páginas sobre o lugar em que estava presa desde a infância. Alguns diriam que aquilo era uma prova que ela amava o lugar, mas Carrie discordava. Era uma prova de que ela estava sendo sufocada. “Minha família parece propensa a fugir dos problemas. Talvez esteja nos genes.” Sua voz era uma estranha mistura de amargura e afeição. Odiava que o pai a tinha deixado naquela maldita cidade, mas não podia deixar de desejar que fosse tão corajoso quanto ele. “E além disso, eu tenho uma moto, não um carro.”
What are you doing? What is wrong with you?! You can’t just go around kissing people. Particularly not engaged people!
The Princess Diaries 2: Royal Engagement (2004)
@billiebrovvn
Lógico que eles vão pagar, seja lá quem eles forem, nem que seja por minhas mãos ou, melhor, podem pagar duplamente comigo e com as autoridades dessa escola. Aliás, deveríamos denunciar para a polícia, está comigo?
Wow, eu só disse que o que eles fizeram foi um dick move, loirinha. Se toda agressão que acontecesse nessa escola fosse levada para as autoridades, não haveriam mais alunos nos corredores.
jaxxdavis:
“O que tem de errado com você?” Rebateu, imaginando que tivesse algo no meio para estar com um desejo tão insano quanto aquele. Embora sua voz soasse tranquila como sempre, a curiosidade era intensa, sendo muito bem disfarçada de todas as maneiras possíveis. Tentava ao máximo controlar seu corpo para manter-se no de sempre. “A coroa está muito pesada?” Lançou a brincadeira, querendo amenizar o possível assunto.
“Um monte de coisas.” Murmurou, revirando os olhos levemente enquanto abaixava a cabeça. Ela imaginava que seu senior year seria incrivelmente chato, estudando durante finais de semana e se preparando para uma faculdade da ivy league. Como alguns meses poderiam mudar tantas coisas na vida de alguém? “Só se for da minha coroa de papel.” Riu levemente, dando de ombros. “Eu me pergunto se todo mundo se cansa dessa cidade, sabe? Se toda criança já levantou de madrugada pensando que aquela seria noite em que eles roubariam um carro e iriam para um lugar bem longe, com prédios e museus e um shopping de verdade.”
Billie bufou de frustração por seu comportamento imbecil, e passou a limpar a mesa com mais agressividade. Ele, William Brown, herdeiro por direito do legado de sua família, rei de Riverside, estava ali de avental servindo mesas por nada menos que a atenção de uma garota que além de desprezá-lo, o deixava com o raciocínio confuso, sem saber o que dizer ou fazer, á exemplo do serviço que estava se submetendo naquele momento, apenas pela oportunidade de estar com ela. “Patético, William. Absolutamente patético.” pensou alto para si mesmo, já considerando tirar aquele uniforme e ir embora sem dar satifações. Que tipo de raciocínio tinha feito até chegar a conclusão de que trabalhar no estabelecimento do padrasto de @strangecarrie era uma boa ideia, ele não sabia dizer. A ideia realmente tinha parecido promissora antes, mas isso fora quando estivera em seu quarto, com tempo ocioso nas mãos o suficiente para gastá-lo em duas coisas, principalmente: tentar parar de pensar em Carrie e pensar nela desesperadamente. A parte racional de William queria se convencer de que toda a urgência que sentia em de estar com ela, de vê-la, de conversar com ela – ainda que para ouvir seus insultos – era apenas motivada por seu orgulho ferido, uma reação natural às repetidas rejeições da garota. Ela mesmo havia dito, era um desafio, um quebra-cabeças que ele só sossegaria depois de montar. Fazia todo sentido. William não era acostumado a ouvir nãos, de nenhum gênero. Só podia se tratar disso, era sua conclusão. Mas, ele se questionava, se era disso que se tratava verdadeiramente, por que não conseguia pensar friamente a respeito? Por que é que, ao invés de seguir seu modus operandi habitual, ele simplesmente ficava acordado a noite inteira relembrando o momento do beijo que a tinha dado de novo, de novo e de novo? Tornou a bufar. Aquilo era ridículo. Não ficaria ali se submetendo aquele trabalho braçal. She’s just another girl, don’t let her stick it to your heart so hard. It wasn’t meant to be, and it’s a great big world, she’s just another girl… Billie largou o pano sobre a mesa, e girou sobre os calcanhares pronto para sair dali, sem nem sequer dar qualquer tipo de satisfação. Entretanto, assim que se virou, deu de cara com Carrie. Ali, diante de sua face, tudo pareceu fazer todo o sentido do mundo de novo. Como se estivesse novamente em seu quarto tentando pensar em maneiras de tirá-la da cabeça, e falhando em todas as suas tentativas. Estava ali por ela, mas não se entregaria assim tão depressa. Vestiu seu disfarce de indiferença, e voltou a limpar a mesa de antes como se nada houvesse acontecido, muito embora seus batimentos cardíacos já estivesse totalmente acelarados. William agarrou o pano e a esperança que a curiosidade de Carrie, pelo menos, a levasse até ele.
Carrie estava sonhando. Essa era a única explicação para William Brown, que andava pelos corredores de Riverside High como se fosse o maldito dono da cidade, estar limpando mesas. Mas não, nem mesmo ela conseguiria ter sonhos tão deslocados da realidade. (E ela não sonharia com William. Nem mesmo com um avental que o fazia parecer incrivelmente inofensivo e fofo. Não, sem sonhos.) “Não me diga que o navio de seu pai afundou e agora você tem que viver como um simples aldeão?” Sua voz era zombeteira, como sempre, mas havia verdadeira curiosidade nas palavras. Sabia que deveria sair correndo do lugar, dar de costas e nunca mais ver o garoto em sua vida. Especialmente depois do acidente na pista de patinação, depois das incontáveis noites pensando nele. Pensamentos feitos de ódio, mas também de alguma coisa muito mais complexa, que a fazia querer cantar e dançar e agir como uma garotinha de 12 anos. Um sentimento muito complicado, que ela preferiria encobrir com a simples palavra ódio. Duas sílabas, e ela podia fugir de sua própria cabeça. “Ou melhor, você foi visitado pelos fantasmas do natal passado, fora de época, claro.” Ódio, ela repetia na cabeça. Era por isso que ela continuava falando com ele, continuava esperando uma resposta que fosse mudar a maneira que via o garoto.
every naley moment: 1x03 Are You True?
@strangecarrie
perfectlindsay:
“Você me ofende assim, Carrie. Pensava que nós fôssemos amigas.” A mão direita foi ao coração, enquanto a esquerda ia ao rosto, enxugando lágrimas imaginárias. Enquanto a presença de Emily era bem-vinda, Carrie era apenas uma mosca que ficava zunindo e incomodando. Aquela prepotência alheia que pensa ter algum valor, insistindo que é diferente. “Você não vai acreditar! O meu único interesse ultimamente está sendo despedaçar vidas de gente minimamente interessante, como você deve ter escutado. Bem que eu poderia tentar algo contra você, mas sabe…” Lindsay não era uma pessoa essencialmente malvada, mas quando a provocavam, ninguém era capaz de segurar as palavras que saíam dos seus lábios Tinha algumas contas para acertar com William, então tirar uma de suas conquistas parecia algo interessante a se fazer. Perguntava-se até que ponto haviam chegado, a outra não parecendo o tipo que cedia facilmente. Com certeza era bem mais prudente do que a Johnson. “Tenho mais o que fazer do que ficar despedaçando vida de cachorrinhos da realeza. Uma das minhas garotas disse que viu vocês dançando no baile. Deixe-me adivinhar, o grande Brown disse que gostava de você, fez você se sentir especial. Ah, tão típico dele que faz o coração de qualquer garota bater um pouco acelerado. O mais engraçado, na minha mais humilde opinião, é que provavelmente no outro dia, vai estar em cima de alguma das suas outras amiguinhas marginais. Quem você acha que vai ser? Jacqueline, Peach ou até mesmo as gêmeas; alguma coisa me diz que William adoraria um a três com pessoas aparentemente iguais.”
Eram amigas. Há muito tempo, quando não existiam cliques, competições ou popularidade, e sim as pessoas com que você brincava no parquinho e as que você via na sala. E para bem ou mal, as duas tinham mudado muito desde então. “Então vá procurar alguém minimamente interessante para incomodar. As suas cheers devem estar loucas para falar com a capitã.” A menção à William fez Carrie congelar por um milésimo de segundo, se obrigando a permanecer coma expressão indiferente. De uma maneira incrivelmente distorcida, ela e Lindsay estavam no mesmo barco: completamente enganadas por ele. O destino deveria estar morrendo de rir. “É um baile do colégio, Lindsay, as pessoas dançam. Acontece. E além do mais, eu não sou uma garotinha burra e desesperada por amor. Se apaixonar pela primeira pessoa que fala coisas bonitinhas não combina muito com a jaqueta militar e o QI grande.” Respondeu de maneira seca, lutando para manter o tom desinteressado. “Oh, eu espero que sejam as gêmeas! That would be hot.” Seu sorriso sarcástico era claro, rasgando o rosto como uma planta venenosa. Ela não ligava com quem William ficava ou não. Porque ligaria?
imjoshuasch:
“Carrie, eu sei que você sonhava em ser mascote, mas sabia que seria ofuscada por mim. Não precisa ficar triste, nunca foi minha intenção ser tão melhor assim que você… só aconteceu” abriu um sorriso para a meia irmã, o mais forçado que conseguiu “Sério?” reagiu um tanto surpreso, imaginou que não tivesse sido tão ruim assim na audição “Tá bem, vou me inscrever pra algum clube diferente então. Quem sabe eu vá pro de RPG”
“Oh claro. Você sempre esteve destinado a ser o melhor da família e roubar meu trono. O que será de mim?!” Dramatizou, dando uma pequena risada no final. Porém, ao ver que ele acreditara facilmente na brincadeira, não pode deixar de revirar os olhos. “Nah, você passou. Sério Joshua, é bom você não levar as pessoas tão à serio, ou vai ser engolido.” Estava prestes a ir para seu armário e terminar a interação diária com o meio irmão quando a menção ao clube de rpg lhe chamou a atenção. Não pode deixar de fazer uma brincadeira, embora não fosse de todo maldosa. “Algo me diz que você provavelmente ainda iria para o de RPG. Você tem cara de quem só faz paladinos com alinhamento true good. Sem ofensas.”
txkecxntrxl:
⧼ ✢ ❛ O olhar que lançou ao lanche assim que o mesmo se encontrou em suas mãos poderia ser confundido com nojo, mas a garota fora rápida em forçar um sorriso, levando-o aos lábios. A explosão açucarada em seu paladar, fazendo seu estômago reagir imediatamente, embrulhando-se. Há tempos não se permitia comer aquele tipo de coisas, porém, não era má educada o bastante para cuspir, ademais, o sabor era… bom. — Meu ponto fraco são os cafés, mas os sem frescura. E sem açúcar também, de preferência… — Brincou, dando outra pequena mordida no sanduíche. — Sua mãe tem uma mão boa…
Se Carrie se orgulhasse de alguma coisa, definitivamente seria seu raciocínio rápido, e por isso não conseguiu deixar a expressão de quase nojo da loira. Ela queria desesperadamente fazer algo que pudesse ajudar Darcy, mas pessoas nunca foram sua especialidade. Matemática era muito mais fácil. “Eu gosto de cappuccino. Bem, eu gosto de chantilly, mas não é educado pedir um pote só de creme.” Sorriu, observando a loira atentamente, embora de maneira que parecesse despreocupada. “Ah, ela tenta. Muitos livros de receitas lidos...”
denverluke:
As respostas ácidas de Carrie era justamente o que Luke buscava com cada provocação, uma garantia de que a atitude comum aos marginais não seria trocada pela passividade da maioria dos cérebros. Sendo assim, ficou satisfeito, porém não o suficiente para fechar a boca. “Esse é seu fetiche? Agressão com gibis? É bem diferente, mas quem sou eu para recusar uma proposta dessas?” O tom de Luke era calmo, quase sério, contudo, o deboche estava explícito em seu olhar.
Um sorriso cínico cruzou o rosto de Carrie enquanto essa colocava a cabeça na mão, virando o corpo completamente para o marginal. “Oh, Luke, você não aguentaria meus fetiches.” Disse docemente, dando uma piscadela inocente.
jaxxdavis:
Estreitou os olhos com a dedução dela sobre seu julgamento diante de problemas, mas preferiu não contra argumentar, somente dando de ombros junto. “Nunca se sabe.” Disse por fim, deixando que o assunto morresse por ali. Suas mãos escorregaram para o bolso da jaqueta que vestia, deixando que um sorriso lateral aparecesse com a afirmação dela, sacudindo de leve com a cabeça. “E posso saber porquê alguém iria querer parecer mais comigo?”
Deu de ombros levemente, sem certeza de como responder a pergunta. Carrie não costumava tentar se colocar no lugar de outras pessoas, muito menos se parecer com elas. Ela nunca pensara nisso como um defeito, mas sim uma técnica de preservação muito útil. Mas algumas pessoas eram interessantes demais para manter a regra. “Porque não? Talvez eu esteja cansada de me parecer comigo.”
billiebrovvn:
Bastou Carrie abrir a boca para a sensação de remorso com a que William não estava nem mesmo um pouco acostumado ressusgir. Aquela mesma pressão na garganta que ele tinha sentido no baile, um sentimento que ele desconhecia e que não gostaria de ter que lidar. Sim, Carrie era um desafio. Não havia nada de simples sobre ela, nem como ela se comportava. Billie não a conseguia decifrar muito mais do que a si mesmo, e todos os impulsos que ela despertava. Era tudo tão confuso, embora seu desejo parecesse tão simples. William não queria se desculpar, nem admitir que estava errado, nem fazer juras de amor eterno, prometendo se tornar uma pessoa melhor para merecê-la. Ele só queria estar com ela, só isso. Nem que por alguns segundos somente, sem ter que pensar em hierarquia social, pranks, ou consequências de seus atos. Então foi isso que fez. Um último passo e a distância entre os dois estava resumida a sua mão que agora puxava Carrie pela cintura. Embora houvesse urgência nas suas ações, o beijo que se atreveu a dar nela foi cálido, gentil. Um mover de lábios compassado como quem ele precisasse que fosse lento, que durasse o máximo possível naquele breve momento. Quando se deu conta do que tinha feito, no entanto, William se afastou. Novamente, ele não disse nada. Apenas permaneceu frente áquela menina, esperando por sua reação. Reação inclusive, que ele já previa que não seria das mais positivas.
Não houve tempo para processar o que estava acontecendo. Uma hora ela esperava uma resposta de William, e na outra os lábios do garoto estavam nos seus, muito mais doces do que ela poderia esperar. O momento a fazia lembrar dos filmes de princesa que via quando criança, completamente deslocado da realidade, como se os dois estivessem sozinhos em uma nuvem. E Deus, como ela queria aquilo. Nenhuma preocupação, ou raiva, ou dor. Apenas os dois. Mas aquela não era a realidade, e assim que seus lábios se afastaram, uma onda de vergonha tomou conta de Carrie. Ela prometera à si mesma que nunca se apaixonaria por alguém como William, e não seria tola o suficiente para achar que ele poderia mudar. “Você...” Começou, a voz tão fraca como um suspiro. Respirando fundo, ela disse novamente, dessa vez com uma voz que parecia apenas levemente despedaçada. “Você tem que ir embora.” Antes que ela fizesse algo estúpido.
billiebrovvn:
Ele sabia exatamente ao que Carrie se referia, havia entendido desde o princípio. Mas optou por silenciar diante da explicação apressada da garota, assentindo com um meneio de cabeça simplesmente. O sorriso de satisfação ao notar que ela continuava se aproximando conforme ele pedia, se transformou numa leve risada quando ela ameaçou mordê-lo. “Não seria de todo ruim.” ele disse num lapso de diversão, chamuscado pela aflição de ver que apesar de perto, ela ainda tinha o cuidado de permanecer numa distância segura, mas qualquer resquício de compostura e receio que existiam em seu corpo se desfizeram por completo ao ouvir sua voz emitir essa pergunta. William invadiu o ringue de patinação com exaspero, fazendo o possível para não se desequilibrar no processo. Com dificuldades para se manter de pé sobre a superfície escorregadia, foi até ela. Gostaria de alcançá-la e tocá-la, mas sua coragem não chegaria a esse nível. Apenas parou diante da menina, completamente desarmado, incrivelmente perto, mas menos do que gostaria, e disse: “Você ainda não entendeu que o que eu quero é você? Eu quero você, Carrieta Griffin. It’s that simple.”
Ao ver que o garoto entrava na pista sem cerimônias, Carrie arregalou os olhos e patinou para trás, pronta para gritar algo sobre como aquilo era proibido. Mas nenhum som saia de sua garganta, e quanto mais William se aproximava, mais confusa Carrie ficava. O que diabos ele pretendia fazer com aquele showzinho? “William.” Ela alertou com uma voz baixa, mas todas as palavras morreram ao vê-lo chegando tão perto e dizendo aquelas palavras. “O que você quer é toda maldita garota de Riverside.” Retrucou, a voz pouco mais que um sussurro. Ela sentia seus olhos se enchendo de lágrimas, mas se recusava a chorar na frente de William. “Você só me vê como um desafio, William. Um quebra cabeças bonito para completar e destruir completamente depois.” Quebrou o olhar, tentando encarar qualquer coisa que não fossem aqueles olhos, tão incrivelmente azuis. “E mesmo que na ínfima chance que você realmente goste de mim... Como eu posso acreditar nisso quando você parece tão disposto a humilhar qualquer um que não está no seu nível?”