Ela disse que não. Ela queria ficar com ele e não com qualquer outro acéfalo da festa. Aquilo acalentou partes do seu peito que Toby nem sabia que estavam frias, e ele teve a certeza que havia corado. Agradeceu silenciosamente pelo fato da iluminação ser ligeiramente amarelada, e esse detalhe não parecer tão facilmente. Quando a próxima frase dela foi pronunciada, Tobias quase bufou. “Estela, eu...” Mas ela não demorou em dizer a verdade, e um sorriso grande apareceu em seus lábios, e desta vez ele nem se preocupou em esconder aquilo. “É muito, muito bom ouvir isso, Ella” Ele usou um apelido que a anos estava guardado em seu subconsciente. Um nome que a tempos ele nem se lembrava, mas que simplesmente veio em sua mente, agora. Tobias ia dizer mais alguma coisa, mas ele colocou o próprio dedo em seus lábios, pedindo para ela ficar em silêncio. Como ironia, uma música lenta podia ser ouvida, baixinho ali no closet. Alguém deve ter pedido uma música lenta.... Para eles? Não. Muita pretensão achar que aquilo fosse porque alguém lá de fora estivesse torcendo para os dois. Mas sinceramente? Toby gostava daquela música e aproveitaria o momento. A mão dele procurou a dela na semiescuridão que enchia a sala. Quando encontrou-a, puxou Estela para perto de si, e começou alguns movimentos calmos, no ritmo da música, que sem querer -ou não tanto assim- encaixava bem no momento. Ele começou a cantar baixinho a música que era uma de suas favoritas. “Baby... Can I hold you tonight?” Ele se aproximou dela, a diferença de altura fazendo ele olhar para baixo quando as duas testas se colaram, como se fosse a coisa certa a fazer. “Maybe... If I told you the right words” Ele sorriu enquanto mantinha os olhos castanhos colados nos dela enquanto cantava a próxima estrofe. “At the right time, you’d be mine” E ele finalmente se inclinou para que seus lábios se tocassem. Tobias começou um beijo doce e lento exatamente quando a música estava na estrofe “I love you”. Talvez aquilo quisesse dizer alguma coisa. Eles pararam de dançar, e enquanto uma das mãos dele ficavam na cintura dela, a outra subiu para a sua bochecha, acariciando ali mas ainda não aprofundando o beijo. Porque ele percebeu que era exatamente assim que, mesmo inconscientemente ele havia imaginado o primeiro beijo dos dois: lento, calmo, doce e ao som de uma das músicas mais românticas de sua época.