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@stupodmore
Have we met before? || Sturgis and Alaric {Flashforward; October 79}
O coração de Sturgis martelava no peito, e ele quase podia saltitar de excitação com o que estava prestes a fazer, mesmo que não tivesse a mínima ideia de por onde começar. Tinha a plena certeza de que um dia pediria Willa em casamento desde que haviam começado a namorar, mas a decisão de fazê-lo consistia em muito mais planejamento do que ele esperava. Não que tivesse alguma dúvida, ou algo a considerar sobre seus sentimentos pela jovem. Ele tinha bastante certeza desses, mesmo que as pessoas dissessem que ele era jovem demais para afirmar o amor que sentia por ela. Ele jamais deixaria de acreditar nisso, e ali estava a prova desse fato. Pedi-la em casamento seria a coisa mais importante que faria em toda a sua vida, e queria fazer isso bem feito, por isso precisava do anel perfeito. Imaginara aquele momento várias vezes em sua cabeça, mas agora que estava ali, ele não sabia exatamente para onde ir.
Caminhou lentamente pela rua, analisando cada loja até se deparar com a joalheira que Echo o indicara. Se pegou encarando a fachada do estabelecimento durante longos segundos, ao imaginar o que aconteceria se Willa dissesse não. Nunca havia pensado nisso antes, mas naquele momento a possibilidade lhe pareceu bem real. Afinal, eles passaram por tanta coisa que tentou separá-los que por muito tempo pareceu que aquilo realmente não poderia dar certo nunca. E se ela não o amasse, afinal? Mas naquele momento ele apenas balançou a cabeça, recusando-se a pensar nisso. Ele nunca fora inseguro e não permitiria que essa característica se manifestasse bem naquele momento, por isso entrou corajosamente na loja. Porém perdeu a determinação assim que se viu cercado por todo aquele brilho. Não tinha ideia de por onde começar a procurar, ou se ao menos precisava procurar. Ele definitivamente deveria ter chamado Echo, Dominique ou Ella para ajudá-lo, mas essa possibilidade nem passara por sua cabeça, o que o fez se sentir estúpido. Olhou ao redor e enxergou um homem atrás do balcão, provavelmente o proprietário da loja. Andou firmemente até ele, mas ao se aproximar sentiu que suava frio. - E-eu… Preciso de um anel de noivado. - falou rápido demais, ainda sentindo um nó no estômago ao dizer a palavra “noivado”, e só depois permitiu-se prestar atenção que se dirigia a um rosto ligeiramente familiar. - Espere, nós já nos conhecemos?
A STILLA EDIT
When I look into your eyes It’s like watching the night sky Or a beautiful sunrise There’s so much they hold
Let the past behind || Stilla {SMALL-PARA}
Quando pequena, Willa quase veio a falecer. Seu coração parou por míseros dois segundos, e quando voltou a bater, seu pai a abraçou tão fortemente, que ficou com medo de um dia perdê-lo. Quando fechava os olhos ainda sentia a água entrar pela sua boca, os braços tão cansados de lutar contra as águas, que perdiam a força a cada braçada inútil que ela dava. E o esforço que fazia para tentar gritar o nome de seus pais, quando na verdade o único que saia de sua boca era Chad, e ele a olhava como se precisasse deixar ela ali, como se ela precisasse morrer, não chamando seus pais, ninguém. Talvez ela tivesse imaginado demais, estava totalmente cansada pelas águas perfurando seus pulmões, mas jurou ver um sorriso no rosto do irmão, e quando seus pais chegaram, a puxando para fora da piscina, apenas acordou minutos depois, com os braços grandes e quentes de George, seu pai a abraçando. Aquela foi a primeira e a segunda vez que seu coração parou, uma quando o órgão quase veio a parar, e outra, quando seu pai a abraçou.
Embora, seria muito fácil para ela dizer que aquela sensação tinha ido embora, mas em seu vigésimo quarto aniversário, quando viu os Aurores levarem seu pai e a impedirem de segui-los, dizendo que era da família, e sua mãe a abraçando tão forte, que quis cair ali mesmo, e desejou que seu coração realmente tivesse parado naquele momento. Tudo poderia soar dramático demais, ela sabia bem disso, mas era tão próxima daquele homem, que não acreditava em uma palavra dita no meio de tudo aquilo. E ficou tão obsecada com a história toda, que deixou de lado as coisas que mais a deixavam erguida, o trabalho começou a desmoronar, e o homem que um dia ela soube que amava, Willa o afastou. Ele não precisava de alguém louca ao seu lado, não precisava aguentar tudo aquilo quando nem ela mesmo aguentava. Foi por isso que terminou, queria dar uma chance de ele encontrar alguém melhor, que lhe fizesse feliz, e não alguém que poderia quebrar não só o próprio coração, mas o dele. E quando achou que finalmente estava se recuperando de tudo, ali estava ele a sua frente. Sturgis Podmore, estava mais do que reconhecível, fora que o tempo parecia realmente ter feito bem a ele. Porém, quando ele começou a falar, Willa sentiu como se um soco lhe acertasse, como ele sabia de tudo? Por Merlin, agora ele sabe a verdade, e a cabeça da ex-hufflepuff girava a cada palavra dita. — Sturgis, você não entende — cruzou os braços sobre o peito, mantendo uma postura como se fosse se proteger. — Não é só por ser taxada de louca. Tem muitas coisas nesse meio que eu não que você se envolva, não queria isso antes, e não quero isso agora. Por favor, entenda isso, você tem de entender — sussurrou a ultima parte mais para si, do que para ele, mas desejava mesmo que Sturgis compreendesse aquilo.
Se havia algo que Sturgis Podmore realmente detestava era se sentir impotente. Quando adolescente possuía a crença ferrenha de que ele era o único que podia ajudar as pessoas da forma correta e lutar a favor dos ideais que acreditava, e apesar de esta crença ter se diluído em algo menos radical e individualista quando atingiu certa maturidade, ainda era alguém disposto a ir ao céu e ao inferno para que a justiça fosse feita. Aquilo ia muito além da paixão pela justiça e do desprezo pela injustiça. Era algo maior que ele, muito mais forte e mais resistente que sua própria força de vontade, ele simplesmente não podia se impedir de lutar por coisas que talvez estivessem muito longe do seu alcance. Fazia parte do seu ser e sabia que nunca seria capaz de mandar para longe aquela característica tão especial sobre si, mesmo que tivesse amadurecido suas ideias e por mais forte que fosse sua determinação, ele simplesmente não conseguia tirar isso de si. Aquilo muitas vezes o fazia ter um orgulho imensurável de si mesmo, enquanto outras vezes apenas o fazia se sentir frustrado e decepcionado com o fato de não ser capaz de deixar algumas coisas de lado, por mais inútil que fosse continuar insistindo.
Era daquela forma que ele se sentia com aquela situação. Todas as células de seu corpo gritavam que aquilo era inútil, que Willa não o amava mais e que ele não podia fazer nada para mudar aquele fato ou a situação em que ela se encontrava. Ele sabia que a primeira era verdade, ele de fato não podia fazê-la amá-lo de novo, mas o segundo soava uma mentira em sua cabeça toda vez que repetia desde que descobrira a verdade por trás do distanciamento da ex-namorada na época em que os dois ainda estavam juntos. Naquele tempo, ele não fizera nada para ajudá-la, achando que tudo aquilo só estava acontecendo pelo simples fato de ela ter parado de amá-lo quando ele não parecia capaz de fazer o mesmo. Porém as coisas iam muito além do que isso. Ela realmente estava com problemas. Problemas de verdade, que se recusava a dizer para qualquer um ou deixar que tentassem ajudá-la. Sturgis não era estranho ao orgulho. Ele próprio era extremamente orgulhoso e raramente permitia-se ser ajudado com algo que estava plenamente convencido de que podia lidar sozinho. Porém não podia deixar que Willa ficasse sozinha em uma busca que ela nem sequer parecia saber por onde começar. Mas ele sabia. Ele tinha contatos e acesso a documentos que ela provavelmente nem sequer podia passar perto, seu cargo na Wizengamot podia não ser um dos melhores até então, mas era bom o suficiente para que conseguisse alcançar coisas que outras pessoas não podiam. Aquele era um privilégio para poucos, mas ele estava disposto a arriscá-lo para ajudar Willa. Se havia algo de injusto acontecendo na vida de alguém que o Podmore conhecia, ele sempre seria o primeiro a tentar ajudar, não importava como. – Não Willa, você é quem não entende. Não estou pedindo para ficarmos juntos de novo nem nada disso, depois que resolvermos esse assunto prometo te deixar em paz de novo. Mas eu quero ajudá-la a encontrar o que há de errado nessa história, e eu tenho meios de ajudá-la que você provavelmente sequer conhece. Apenas me deixe ajudá-la a se livrar desse peso, você não precisa carregá-lo sozinha.
There's a humming in the restless air and we're slipping off the course that we prepared || The Podmores {Plot Twist II}
Sturgis não tinha muita certeza do que fora fazer ali, para início de conversa. Apenas ouvira Willa conversando com uma amiga no Ministério que planejava ir ao Festival, e não pensara duas vezes antes de ir. Nem mesmo deveria ter ouvido aquela conversa, porém não tinha culpa que a ex-namorada falava um pouco alto demais para os padrões normais da sociedade. Ou também podia ser pelo fato de que ele prestava atenção nela mais do que deveria, acabando por captar informações como aquela. Aquele era Sturgis Podmore. Totalmente racional para algumas coisas, mas completamente estúpido para outras. Talvez se ele não fosse tão teimoso teria ouvido a voz de sua própria razão e ficado em casa, ou até mesmo tentado conseguir algumas horas extras no trabalho enquanto boa parte das pessoas pareciam estar curtindo o feriado, mas apesar de na família falarem muito de Dominique, ele sabia que não era muito diferente. Quando decidia que queria fazer algo, era necessário um motivo muito forte para fazê-lo desistir, e este motivo não o confrontara a tempo de impedi-lo de se encaminhar para o vilarejo de Hogsmead naquela tarde. Era apenas um Festival, afinal de contas. Algumas pessoas, comida, fogos de artifício, talvez até mesmo conseguisse falar com Willa, mas se não o fizesse, pelo menos aproveitara o feriado de uma forma que não fora em casa ou trabalhando e quem sabe até mesmo encontrasse com Dominique e Elladora por ali. O que haveria de dar errado?
Aquela era a pior pergunta que ele poderia se fazer.
Junto com os fogos de artifício, veio a grande surpresa: aquilo não era apenas um Festival, era uma emboscada. Uma enorme emboscada para todos os nascidos trouxas, e parecia quase tão orquestrado que Sturgis não sabia como não notara desde o início que alguma coisa viria a dar errado. Estava no ar de calmaria antes da tempestade, como um zumbido de algo pronto a explodir. E quando explodiu, Podmore não conseguiu pensar em outras coisas se não suas primas. Sabia que as possibilidades de Willa também estar ali eram grandes, mas ela era uma auror, não precisava dele. Porém, apesar de acreditar totalmente na força de Dom e Ella, ele tinha a plena crença de que elas eram sua responsabilidade e imediatamente começou a entrar em desespero, sem saber se elas estavam mesmo ali ou se tinham ido para casa passar o feriado. Droga, Sturgis, praguejou consigo mesmo, pois se não passasse tanto tempo no trabalho ele provavelmente saberia mais sobre a vida das primas. Mas não podia arriscar em sair dali como seria o mais inteligente, pois se elas estivessem, poderiam acabar se machucando e a culpa seria sua por não ter ficado para tentar encontrá-las. Por isso respirou fundo e adentrou a multidão em pânico, mesmo com todos os avisos de seu cérebro para dar o fora dali.
“British books, films: there aren’t enough of them, clearly.”
[Flashback] Don't wanna break your heart, wanna give your heart a break|| Stilla || June 76
Tantas coisas estavam desmoronando ao seu redor nos últimos dias, que Willa não conseguia mais definir o que queria e o que não queria em sua vida. Seu pai estava preso, talvez por um crime que nem mesmo cometera, e Chad, bem as autoridades afirmavam que estava morto, mas para a jovem, isso não tinha como ser verdade. Ela nunca fora muito próxima dele, até mesmo pelo fato dele parecer ficar melhor sozinho, do que quando ela se aproximava, fora que depois do incidente da piscina, quando ele quase a deixara para morrer, Willa nunca mais acreditou em nada que vinha dele, e essa morte, ainda culpando seu pai, era no mínimo suspeita. Por isso iria investigar, tinha que investigar, descobrir os detalhes, o motivo dele ter decidido fazer aquilo, e era claro, levaria tempo.
Não aguentava ficar um minuto em casa, afinal, todas as vezes que olhava para sua mãe, lembrava que seu pai já não estava mais entre elas, e assim, a ex-hufflepuff passou a ficar mais do que deveria no Quartel General, trabalhando e trabalhando, hora atrás do que seu chefe pedia, hora atrás de indícios que Chad mentira sobre tudo. E sempre ao final do dia sua mesa e sua mente se encontravam numa enorme bagunça, o que nem importava. Mas muitos reclamaram dela nos dias seguintes, dizendo que seus formulários não estavam sendo entregues corretamente, sendo que a menina jurava que todos estavam perfeitamente em ordem e corretos, como tinham lhe pedido.
Por essas e outras, decidiu dar um tempo daquilo tudo, e resolver uma outra coisa que tinha que resolver, que ajeitar. Ela não estava fazendo o certo agindo daquela maneira, por isso escreveu um pergaminho para ele, pedindo que a encontrasse no Três Vassouras, e logo que saiu do Ministério, tratou de seguir até um beco escuro, onde aparatou, e segundos depois já estava na pequena Vila de Hogsmeade. Caminhou então até o bar, e assim que entrou, procurou um lugar bem afastado de todos, e dispensou o garçom quando ele chegou para anotar seu pedido, dizendo que estava esperando alguém. E, quase meia hora depois, quando ouviu o barulho da porta se abrindo pela terceira vez, pode ver a figura alta e loira, tão conhecida pela Greengrass. Viu quando ele caminhava até sua mesa, e antes que ele dissesse qualquer coisa, agiu com naturalidade e levantou-se para plantar um beijo na boca do rapaz, como de costume, e quando se afastou, indicou para ele a cadeira a sua frente. — Precisamos conversar, Stu, e eu acredito que seja uma assunto delicado, então… — começou receosa, precisava criar coragem de dizer aquilo, mas seu estomago revirava, como se dissesse que ela se arrependeria do que pretendia fazer.
Faziam pouco quase dois anos que Sturgis terminara a escola, e ele não podia acreditar o quanto já alcançara naquele tempo. É claro, ainda não estava satisfeito em seu trabalho, já que o cargo que desejava dentro da Wizengamot era muito alto e requeria muitos e muitos anos de esforço e dedicação por parte do rapaz, nada que seus dezenove anos de idade e pouca experiência pudessem conquistar. Mas ele não podia dizer que não conquistara mais do que poderia esperar. E não apenas profissionalmente. Podia estar em um emprego melhor do que pensara e no caminho para o emprego dos seus sonhos, mas conquistara muitas coisas emocionalmente também. Dois anos atrás nunca se imaginaria namorando alguém. Não era possuidor da maturidade emocional que isso exigia, e saía com várias garotas sem nunca realmente se prender a alguma delas, pois sempre achara que não era capaz de realmente se apaixonar por alguém. Não é que não acreditasse em emoções desse tipo, não fazia seu tipo ser tão dramático ao ponto de fazer afirmações catastróficas como aquela, apenas acreditava que haviam pessoas que nasceram para relacionamentos e outras não, e ele fazia parte do segundo grupo. Mas ao terminar a escola e começar a frequentar o Ministério conhecera Willa Greengrass, e muitas coisas mudaram. Ele descobrira que era sim capaz de se apaixonar e fora exatamente isso que acontecera.
Enquanto se encaminhava para Hogsmead, não podia conter sua animação por ver a namorada. Sabia que passava um pouco do horário combinado, mas tinha uma boa explicação para aquilo. Antes de sair do trabalho fora chamado por seu supervisor em sua sala, e parte de sua ansiedade se devia ao fato de estar ansioso para contar aquilo ara Willa. Ela sempre era a primeira pessoa a saber de suas novidades, fossem elas boas ou ruins (sendo Dominique a segunda, mas essa tinha a desvantagem de estar na escola e ter de depender do tempo que uma coruja levava da casa dos Podmore até Hogwarts), e toda vez que algo acontecia em seu dia-a-dia era para ela que ele corria contar. Por isso mal podia se aguentar no caminho para contá-la o que ouvira naquela tarde. Abriu a porta do conhecido pub e logo se encaminhou em sua direção, beijando-a de volta como forma de cumprimento, antes de se sentar na cadeira que ela indicava, gesto que achou ligeiramente estranho, mas ignorou. - Tudo bem, mas primeiro... Preciso te contar porque estou atrasado. Me desculpe por isso, aliás. - disse, animadamente. - Quando eu estava saindo meu supervisor me chamou para uma conversa super importante em seu escritório, e ele disse que está me considerando para um possível cargo mais importante na ASW, isso não é maravilhoso? Eu posso ser promovido a qualquer momento no próximo ano! - ele mal podia contar sua animação, mas ao olhar para a loira percebeu que algo não estava exatamente como deveria estar, por isso tratou de se acalmar e disse, em uma voz mais contida: - Tudo bem, o que você tem a dizer me parece mais importante. Aconteceu alguma coisa? - perguntou, subitamente preocupado.
Bradley James according to tumblr
(requested by anonymous)
Let the past behind || Stilla {SMALL-PARA}
Sturgis sempre fora um cara teimoso. Desde bem pequeno sua teimosia característica arrancava ambos risadas e gritos de raiva por parte dos mais velhos, pois se o menino decidia alguma coisa, não havia nada no mundo que o fizesse desistir disso. Quando tinha nove anos descobrira que uma árvore em um parque perto de sua casa seria cortada para a construção de um playground e fora capaz de ficar sentado em um dos galhos durante um dia e uma noite inteiros com seus pais embaixo implorando para que ele parasse com aquilo, até que acabou por se assustar com uma aranha, caiu e quebrou o braço, tendo de ir para o hospital e descobrindo que já não havia mais nada que pudesse fazer para salvar a pobre árvore quando voltara. Aquilo fora chamado pela maioria das pessoas como uma grande estupidez, mas em sua cabeça ele era um grande herói e exibia sua tipoia como se fosse um ferimento de guerra. Não conseguira salvar a árvore, mas ao menos fizera alguma coisa ao invés de cruzar os braços.
Ele sempre fora extremamente teimoso, porém se viu completamente impotente uma vez na sua vida, que foi quando presenciou Willa mudar seu comportamento repentinamente. Ele sempre achara que a conhecia, pois desde que entrara no Ministério ela fora uma das poucas pessoas com quem tivera contato de verdade além de Echo e Hal. Porém de uma hora para outra ela mudou, e quando começou a se afastar ele apenas deixou, pela primeira vez na sua vida não teimou, não insistiu, não bateu o pé e não fez mil protestos contra o término eminente. Apenas aceitou que talvez daquela forma fosse melhor, que talvez os dois estivessem melhores daquela forma. E então, quando descobrira o que realmente estava acontecendo com ela, se sentiu a pior pessoa do mundo. Ele deveria ter insistido, o que dera na sua cabeça para não insistir? Ele precisava mudar aquilo, por isso a procurara. – Não, você não está entendendo. Você não precisa ser taxada de louca, eu jamais pensaria isso de você, sabe disso. E eu tenho meios, tenho contatos, tenho formas de te ajudar a descobrir o que aconteceu de verdade. Se me deixar te ajudar, eu posso fazer isso por você. Não estou pedindo para voltar comigo nem nada disso, só quero que me deixe te ajudar com isso.
Willa... Willa, por favor, espere. Não me ignore, eu te imploro. Olha, eu lamento sobre o que aconteceu com seu pai, seu irmão... Isso é tudo horrível, então me desculpe por não entender, antes, mas agora eu entendo. Por favor, me deixe te ajudar com isso, não faça tudo sozinha, eu posso ajudar.
I miss the old times || Letter to Dominique {FLASHFORWARD}
Dear Dominique
Sei que não mando notícias a mais tempo do que deveria, e peço profundas desculpas por isso. A vida não tem seguido da forma como esperei e sonhei, as coisas tomaram um rumo mais complicado do que qualquer um de nós jamais sequer cogitou imaginar. Quem poderia adivinhar, não é? Quem poderia sequer sonhar que, depois de dezesseis anos de paz e ao menos um pouco de tranquilidade, as coisas fossem ficar escuras novamente? Eu não, e aposto que a maioria das pessoas também não. Para a maioria de nós ele havia caído e jamais voltaria para mexer com nossas vidas novamente, afirmamos isso com tanta certeza que nos esquecemos do fato de que não existe certeza em nosso mundo. Tantas pessoas mortas em vão. Assassinadas por culpa de um ideal ultrapassado e irracional como este, apenas por não se encaixarem nesse modelo de sociedade que as pessoas sonham. Ou até mesmo aqueles que lutaram contra essa injustiça que ameaça dominar nosso mundo e mergulhá-lo em escuridão de forma definitiva. Me parece tão injusto que elas tenham lutado tanto para, no final, de nada valer seus esforços. Eu perdi amigos, amigos realmente próximos da primeira vez, amigos que, assim como eu, lutaram contra isso lado a lado. Mas de nada adiantou.Ele voltou, Domi. E apenas esse fato me faz questionar a justiça, se ela sequer existe nesta realidade. Talvez nunca tenha existido. Talvez este conceito é que seja ultrapassado e a justiça apenas exista na imaginação das pessoas. Mas eu não acredito nisso. Não seria neto do meu avô se acreditasse. É por isso que acredito em outra coisa. Talvez a justiça esteja dentro de cada um de nós. Cada pessoa que passa, já passou ou virá a passar neste mundo carrega sua própria dose de justiça para ser contemplada nos momentos de necessidade, mas suas almas foram tão corrompidas pelos males desse mundo que elas na maioria das vezes esquecem-se disso. Lembra-se da história sobre a Caixa de Pandora que uma vez lhe contei e você me olhou como se eu fosse a criatura mais esquisita em que ja pôs os olhos? Bem, eu acredito que cada um de nós seja uma Caixa por si só, e a justiça seja essa esperança que permanece dentro de nós, mesmo quando insistimos em libertar todas as coisas ruins que vivem em nossas almas. Sei o que provavelmente vai dizer, que eu estou divagando feito um louco novamente, mas achei importante lembrar-lhe que eu ainda sou o Sturgis de antes, mesmo que as atuais circunstancias insistam em tentar negar isso.
Eu cometi um erro, Dominique. Um erro terrível que pode vir a me custar muito mais do que apenas minha liberdade. Confiança é uma coisa difícil, seja confiando na pessoa certa pra confiar ou confiando na pessoa certa pra fazer a coisa errada. Mas confiar no seu coração é o mais arriscado. No final, a única pessoa que podemos confiar é em nós mesmos. Eu confiei na pessoa errada, e agora vou pagar meu preço. A qualquer momento serei encontrado e obrigado a prestar contas por isso, e o mundo me verá com outros olhos. Temo que essa nova visão acabe distanciando-se em excesso de quem eu realmente sou, mas infelizmente não posso fazer nada para mudar isso. A única solução é esperar que, mesmo quando o mundo me veja de forma diferente, as pessoas que eu amo vejam meu verdadeiro eu, aquele que venho sendo durante toda a minha vida. Sei o que as pessoas vão dizer caso saibam que lhe escrevi, que todo culpado tenta afirmar-se como inocente, mas não é o que estou tentando fazer, de forma alguma. Não nego minha plena culpa no que aconteceu, pois estaria sendo um tolo se o fizesse. Pior, estaria sendo um mentiroso, algo que, sempre jurei, jamais me tornaria. Então eu sou culpado, sim, mas não pelo crime que me condenam. Este eu cometi, não nego, mas não sem antes ser completamente privado do meu livre arbítrio. Talvez não acreditem nessa afirmação quando eu a proferir, mas eu sei a verdade, e agora você também. Não me culpo pelo que me obrigaram a fazer, mas sim por ter confiado na pessoa que me colocou este feitiço. Fui tolo e excessivamente inocente, e agora me detesto por isso. Peço desculpas pela carta vaga e lotada de divagações sem sentido, talvez você esteja certa quando diz que a velhice está me deixando contemplativo demais. Na verdade minha unica intenção com essas palavras era dizer-lhe que eu não deixei que a guerra me mudasse, exatamente como lhe prometi dezesseis anos atrás, lembra-se? Posso ter cometido um erro, mas ainda sou o mesmo Sturgis, neto do nosso avô e que te ama demais, minha estimada prima. Por favor, jamais esqueça-se disso, mesmo quando todos estiverem tentando fazê-la se esquecer.
Você sempre foi e jamais deixará de ser a minha prima favorita.
Sturgis
IUSTITIA OMNIBUS | a sturgis podmore fanmix [♪]
1. warriors - imagine dragons 2. someone new - hozier 3. shattered - trading yesterday 4. imagine - john lennon 5. peace love and understanding - a perfect circle 6. a call to arms - 30stm 7. disparate youth - santigold 8. four five seconds - rihanna, kanye west and paul mccartney 9. good times gonna come - aqualung 10. mr. blue sky - electric light orchestra
moodboard: sturgis podmore
are you sturgis af? (insp.)
Desculpe se passei a impressão de que você tem alguma posse sobre eles, eu tava é querendo dizer que eles tem posse sobre você. Não é amargo? Por favor, conta outra. Toda vez que me vê na frente já fica todo na defensiva, vindo pra cima de mim com quatro pedras na mão. Ou o problema é realmente só comigo?
Isso, assim está... Espere, eles não têm posse sobre mim! Por que está insinuando uma coisa dessas? Isso é porque eu não te conheço, e você ser amiga daquele idiota não ajuda muito a formar uma imagem sobre a sua pessoa. Mas geralmente não sou amargo.
Geez, o que foi? Levou bronca dos seus velhinhos hoje e por isso está mais amargo que o habitual? Eu nem tinha te visto aqui, e não é como se eu me importasse com a sua agradabilíssima companhia. Então tanto faz pra mim.
Por que todo mundo tem que falar dos “meus velhinhos” como se eu tivesse alguma posse sobre eles? Não, não levei nenhuma bronca. Mais amargo que o habitual? Eu não sou amargo, c’mon.