Hoje, corri pra pegar o ônibus. Desesperada, dei uma pancada com o ombro direito na cerca que separa as plataformas do terminal. O ônibus saiu 5 minutos após eu ter entrado nele. Corri sem precisar ter feito. Espero que não fique marcado ou dolorido. 10 minutos depois. Me senti enjoada, acho que por causa do sono, ou fome, ou ambos (deve ser ambos), não sei. Sei que não é por conta de ler durante a viagem, já estou me acostumando a ler em movimento. Aliás, voltei com a leitura em peso e o título de agora não importa. O livro até então está ótimo, me faz pensar no quão pesada e cansativa a vida é, e como seria melhor vê-la de outra forma, quem sabe, mais anestesiada, mas eu não sei direito, tenho que terminar. Lembro-me que já tinha lido a primeira parte do livro em algum momento da minha vida, mas só percebi quando já estava no final do capítulo. Não liguei muito, a leitura estava fluindo bem. De manhã, conversei brevemente com um professor do meu curso, me perguntou o porquê dessas faltas repentinas (foram só duas seguidas, nada preocupante). Eu fui sincera, disse o motivo: minha vontade (e decisão) de mudar de curso. Ele falou mais algumas coisas que eu não prestei muita atenção, só concordei. Não sei direito o porquê de começar a escrever este texto, só achei que registrar o choque no ombro fosse importante no momento. Por enquanto, assim como o livro, está sendo uma experiência ótima. Ao meio-dia, decidi voltar pra casa, estava cansada. Isso significou não almoçar, nem (ter uma chance de) ver algumas pessoas, fossem importantes ou não. Não me sinto à vontade em escrever nomes, por isso não escreverei. Falei pra minha própria consciência que tentaria estudar assim que chegasse em casa, mas eu tinha certeza que não daria certo. Não deu. Quando deitei no sofá, minha gata se aconchegou em mim, de forma que não costuma fazer. Foi estranho. Queria tomar um café, mas ela estava impedindo que minha vontade fosse sanada, eu não sabia o que fazer. Tomei café. Me sinto especialmente triste hoje, não sei bem o porquê. Na verdade são muitas coisas. Não sei. Acho que a conversa com o professor foi o começo disso, ou não, pode ser a junção das várias coisas. Percebi que não gosto da minha vida. Não da forma como vivo, ou de mim. Só não gosto dessa vida. Penso assim constantemente, pode ser um problema. Me sinto impotente. Me sinto mal. O resultado disso é que fico pensando demais e muito rápido. Isso me estressa. Eu fico mal. Posso fazer mil coisas, mas sinto que não fiz absolutamente nada. Ou ter outras mil coisas pra fazer e pensar em fazer e no final não fazer nada porque estou ocupada tentando colocar todos os pensamentos de volta ao seus lugares. Quando peguei o ônibus, peguei um diferente do qual estou acostumada, ele passa por diversos lugares (extremamente estranhos) que me deixam nervosa e ansiosa. Ficar nervosa e ansiosa acabou com a fluidez do livro. Minha mãe me beija e me aperta em forma de carinho, geralmente eu protesto, hoje também. Não gosto muito que me agradem com agrados pensados para agradar, é um pouco dificil de explicar. É um paradoxo, como eu disse, é dificil. Pensando melhor, faço exatamente a mesma coisa com a minha gata. Ela tambem não gosta. Não queria terminar de ler o livro, mas senti que não poderia deixar de ler todo o livro de uma vez, achei que ele merecia ser lido numa tacada só. Foi o que eu fiz. Terminei. Ele me deixou triste. Não um triste triste. É dificil de explicar. Ainda acho que seria melhor ver a vida de outra forma, quem sabe, mais anestesiada. Gabriele de Carvalho