silêncio
é curioso o jeito como palavras se montam, elas e seus sons, suas sílabas. se juntam e, de repente, elas emitem significados. é de certa forma bem curiosa a maneira como estes sons com significados entram em nossos ouvidos e nos transmitem ora paz, ora tristeza, ora raiva, ora qualquer sentimento.
sentimentos... o que fazem deles nós também?
ao contrário das palavras, eles não tem som. a menos que cheguem em um colapso de sinapses que nos fazem perder a noção da realidade. deste modo produzem som, a risada, o choro, o murmurar da angústia ou o gemer da dor na lombar que não nos abandona.
ultimamente uso a palavra "sentida". muitas coisas me deixam sentida e muitas coisas me deixam sem som algum. temos de concordar que o silêncio é a nossa maior resposta pra qualquer palavra que esteja tentando sair de nossa boca. às vezes, em um silêncio profundo, queremos apenas que os sons saiam em forma de abraço e circulem nossos ombros. ou também queremos que, de alguma forma, o silêncio tire de nós os sons que as palavras não nos permitem jogar para além da boca. assim, calamos um sentimento. um sentimento ou outro na verdade.
ah... o que seria de nós sem aquele silêncio? muitas das vezes ele nos diz mais que um texto inteiro com palavras que emanam significados que, depois de tanto tempo em uma onda solitária, tornam-se risíveis. imagino eu que as cartas que uma vez escrevi, teriam pairado por séculos dentro de uma pequena garrafa no oceano, sem uma praia para que se aconchegasse. afinal, o silêncio que me abraçava pelos ombros nunca me rodeou.
uma vez que o silêncio é o que mais tenho recebido nos últimos momentos, tenho criado com ele uma amizade. desde forma dele sou próxima e agora, para quem sempre odiou estar sozinha e em silêncio e realmente de uma forma muito incomum, é o que mais quero. o silêncio, quando existe, me diz tudo o que preciso saber. é, de toda forma possível, a mais significativa e pior das respostas.












