——— ❛ abstração há de tornar oblíquo aquilo que tem cerne linear, demuda peculiaridade em prol da sobrevivência. de certo, este é epitélio ao indivíduo. aquele cuja identidade não tem serventia, pois embora nome e sobrenome lhe seja familiar, o rosto sobre aquele papel lhe é irreconhecível. embora ostente de fisionomia similar, a essência que habita o sustentáculo d’alma era outra. o olhar já não é cálido, tampouco amistoso e apaziguador. aparentemente a historieta lavrada para si é destruída, fragmentada a mera abstração. desconhece do quão filosófico soaria, porém, não ter identidade é o que o assusta. amedronta-lhe o espírito ser reduzido a mera sobrevivência. sobre o único mérito da existência é ser mero refugiado. terroriza ser despojado de cerne e peculiaridade, pois anseia por reencontrar a si mesmo sobre o espectro da liberdade. porém, à priori, quando o indivíduo olha para trás, ele não vê bibliografia. por lástima da existência, não há mérito algum aquela altura da vida. à sua trajetória é circunscrita em máculas e cicatrizes. estas que são tão vívidas que lhe solvem a psiquê. em outrora, o rosto infante que lhe pertence era de âmago puro e artístico. o rejúbilo o seguia verossímil a sombra projetada; porém, agora tudo o que resta é a ficção. a ingenuidade de acreditar que poderia seguir em frente, despojado do traumatismo e da melancolia. porém, uma vez sobre a presença da inópia, esta há de germinar PROFUNDA raiz sobre o psicológico daquele. cuja raiz floresce sobre a árvore da amargura. aquele fruto costumava ser tão ardente em sua cerne que, por inúmeras vezes, o ômega havia procurado pela decadência. a morte era verossímil a redenção para o espírito soturno. pois cada célula de sua corpulência parecia CLAMAR por aquela, da qual ruína a era uma constância sobre à sua vida. portanto, ele desconhecia da razão de mantê-la. Não havia o porquê continuar sobrevivendo, pois enquanto respirasse, haveria terceiros a afligir a psiquê e a carne. tão logo, ele não merecia contemplar o conceito da inexistência para presenciar da tranquilidade? só a ortotanásia viria a ninar aura tão perturbada. porém, em meio a barbárie do cativeiro, ela havia aparecido. aquela cuja voz pacifica o lobo dentro de si, serena por intermédio de sua doçura o caos que há dentro da psiquê. portanto, sem dúvidas alguma, ela era a voz da esperança a ele.
❛ alforria-lhe do tão intrínseco abismo; destrói correnteza de lamúria que o embebeda em mar de desolação. porém, ela fora a soada de esperança em meio ao brado de pânico em sua cerne, pois se há salvação para aquele, esta deriva do laço para com Sunyoung. Ela é o sol a sucumbir à escuridão, o satélite a guiá-lo em meio ao nevoeiro de aflição sobre o cativeiro. ela era o solo fértil a destruir as raízes de melancolia sobre a mente. àquela tornou-se à sua irmã de alma, ela RESSUSCITA essência de felicidade em seu âmago. ainda que haja sequela a desolar o coração, ela viria a estender a mão e fornecer sustentáculo a ele. em meio ao babel, ela fora a única a salvá-lo. portanto, não há gratidão maior em toda à sua existência quanto ao vínculo entre eles. havia sobrevivido graças a ela, enfrentou a fúria da angústia ao utilizar de - embora tênue - esperança de que dias melhores hão de vir. e ela sempre esteve certa, pois um dia, ambos estariam libertos de toda aquela opressão. a paz um dia viria a envolvê-los em bálsamo, pois eles hão de contemplar a tão doce liberdade. porém, jamais imaginou que para alcançá-la, ambos viriam a se distanciar por casualidade do fadário. através da libertação da tirania cada qual fora salvo por uma alcateia. contudo, mesmo que fosse acolhido por uma alcateia, ele jamais deixou de pensar sobre como ela estaria. sentia-se demasiado culpado por não tê-la ao seu lado, a aflição retornava em uma constância, pois temia que AQUELE alfa voltasse para ir atrás daquela. e ele, por estar demasiado debilitado, tornou-se um empecilho, sequer conseguia ir atrás daquela que lhe trouxe salvação. por inúmeras vezes, haneul havia planejado fugir da alcateia para iniciar uma busca incessante pela outra. porém, bastava sentir o cheiro de qualquer alfa, para refugiar-se em meio ao pânico. a covardia o induzia a letargia; sentia-se CONTINUAMENTE um miserável.
❛ mas através da união das alcateias, o mesmo destino o levou para aquela. fê-lo encontrar o perfume da amiga entre tantos, desfrutar da presença alheia para lhe trazer certa calmaria. porém, mesmo na presença daquela, por várias vezes, ele ainda enfrenta do grande male da insônia. os pesadelos referentes ao cativeiro jamais o libertam, portanto, não fora de todo imprevisível encontrá-lo em meio à floresta. refugiando-se do maldito amedrontamento. embora na epiderme de um humano, o híbrido guiava-se de volta através de seus sentidos. o olfato tão apurado acabou por sentir a presença daquela a qual tanto pensava, distanciando-se da rota primária, o ômega há de aparecer em meio ao verde da vegetação. quando ele a vê, o coração acalma as batidas tão céleres para desfrutar do sossego. porém, frente a sentença alheia, ele acaba por prever que à sua aflição - embora houvesse tentasse tanto ocultá-la - não passou despercebida por aquela que o salvou. de imediato, ele não a responde. mas se aproxima, a cabeça reclina levemente para baixo, os lábios são comprimidos e o cansaço - por não ter dormido e pelos próprios pesadelos - parecem vir à tona. ❛ —— Eu posso abraçá-la? O seu abraço me conforta. ❜ Ele diz em sinceridade, pedindo por um contato que - com outras pessoas lhe trazia desconforto -, mas com a outra, o abraço lhe trazia segurança.
a vida nunca lhe resguardara em pala indulgente. em tempo algum teve os dígitos da mãe comum lhe afagando os fios –-- mas quem teve realmente? cada qual carregava a própria chaga, e, talvez, em sua instrospectividade, a exclamação peditória ressoasse deveras indolente, ainda que a incógnita de vida amena jamais lhe deixava a psiquê e a sustentava pela madrugada. o quão mais definharia a merce de anamneses, recontando seu valor? padecimento era animal de dentes afiados e coração mole, sunyoung obteria a autoridade de não gritar a primeira mordida, e moldar se firme (você pode não ser forte o tempo todo, mas você sempre pode ser corajosa) sobrepujando a dor de cabeça e passos no ouvido. no tempo em que não calhava, lisonjeava pacificidade, circunstância qual lhe fora resignada para acalentar monstros que habitavam seu âmago, mera dissimulação, a paz fugia os dedos sempre que mais fundo a si, lhe deixando a mercê de demônios pândegos. desejava achar o sentimento integralizado, mesmo que sem certeza de onde encontra-los. sentia seu coração preenchidos de conflagração, queimando e queimando, devorando tudo de aprazível, como lábios abertos, a ferida desatada tentando agarrar tudo de bom que assenhorasse. não reavia serenidade dentro de si, por conseguinte retomava aos vales, e as montanhas que lhe guiaram ao lugar, não eram acidentes, e aqueles momentos não eram em vão ---- não era a mesma, nunca seria, mas estava crescendo, estava respirando. ainda que não a impedisse de se submeter estupidamente a transparência do amago, ou da aspiração de EXTIPAR o pescoço cicatrizado, lhe fazia memorizar que essa dor um dia passa – que dos estoiros revoltos, fizeram a vida, e que tempos ruins não duram. sempre reafirmara a si e a haenul tal certeza, se não, vivacidade rara nunca mais lhe envolveria. retomar calamidade fisicamente apresentada no pescoço fazia os pés fraquejarem. desde ápice definitivo ao seu ser, parte da alma pertencia a vil persona, era DELE, suja e incompleta, aos dígitos sujos lhe tomando o braço enquanto seu próprio ser era tirado de si. traição tão nojenta de ente que uma vez confiou como figura paternal. reminiscência da madruga passada também a assolavam, corpo diminuto ao chão frio do banheiro e porta tranca, era resumo de seu ser ao pensar naquele. apenas a concepção de odor desconhecido iniciava pavor deslindado na fisionomia trêmula ao canto do banheiro. continuava a mercê daquele. mas ela não voltaria.
em adição a luminosidade se convertia física ao encontro do ômega perto. anos atras constatou mansidão corpórea em meio a obscuridade, a acordara de sonolenta passividade e restituía sua verídica pujança em tempos atuais. kim haneul a acudiu em sentido circular da palavras, fora curador da aflição que tomara seu ser a tempos. único audaz que detinha, capturado, em suas mãos sigilos para bonança de mar tempestuoso. superficial assiduidade daquele lhe constituía a recobrar equilíbrio tão requerido, mais que montanhas, mais que ditados e que luz do astro rei. por não vir de predisposição nenhuma, vitalidade de ambos poderiam nunca fundirem-se, passar em oblívio um ao outro, mas incitado por amago dos dois (ou pelo porvir sábio que constataria alma mutilada a cada qual sem a presença da vivacidade de outro em sua vida), atinaram a salvação, pelo impeto de suas vontades, UNIDOS. foram moldados pela mãos rudes da agonia que toleravam juntos, e encarnaram, pela segunda vez em terra, de ventre caótico juntos. sunyoung confiava que você tinha de padecer algumas vezes para ter o poder de realmente viver. irmãos nascendo do babel, e separados pelo próprio. “va! eu te encontro depois” ultima promessa deferida de seus lábios antes de outros anos aflição. mas não encontrara a parte de si restante, e vagara como fantasma plangente pela floresta. ainda mais inacabada, sua mente era apta para oscilações a flamejante ideia de ele não estar bem. ainda em dias ruins, onde todas as suas figuras que eram libertas de seu coração para folgazar demandavam sua cota de carne, sunyoung gostaria de ter algo pra si, e mente se mantinha sã com a ideia daquele estar vivo, e bem. o reencontro trouxe leveza ao coração, ainda que banhada por vergonha da cicatriz e de se apresentar criatura presa ao mal, depois de anos, nunca estivera tão feliz.
ao observar a cabeça baixa daquele, sua mão ousou tocar sua face, em promessa de apoio, procurando olhos brilhantes do mais velho, que a guiara inúmeras vezes em meio a noite do espírito. a angustiava de lhe ter em mãos tão machucado, tornava inevitável a reflexão do repensar de sua utilidade para com aquele. mas dominava o conhecimento que haneul há de um dia ser mais brilhante que o sol em felicidade. ele estava passado pela tempestade antes da calmaria. e tal certeza lhe aquecia a alma. o toque, aquele tão cuidadoso, era essencial para si. entendia o receio ao ato que o assolava. era assim também. mas haenul lhe afetava ao interior tão forte que mero contato entre tez se fazia sóbrio, ao mesmo que fundamental. não demorou a agir depois do pedido do rapaz, entrelaçando as mãos ao torso daquele e encostando cabeça em seu peito. suspiro seguia ao ouvir batimentos do íntimo
ainda que tal coração fosse lar para certa dores, como o seu próprio, o amava quando rompido, e quando recomposto. conservava-se naquele estante por tempo indefinido, sem indicações de quebra do ato. ❛—— esta tudo bem —— sussurrou, não tendo certeza a qual dos dois remetia as palavras. —— nós vamos ficar bem, eu te prometo —— sempre reiterava certeza, porque acreditava e lhe dava o vislumbre de luminescência na escuridão. anos depois e ainda doía como recente. —— por favor, eu quero que tenha ciência que nunca vamos regredir, tudo bem? —— talvez pelo pavor da noite passada, mas a sombra daqueles ainda os assolavam. como ideias que habitam cada canto, podiam permanecer a cada sombra, achar-se em qualquer ambiência, helmintes prontos para lhe induzirem em novo desespero. enquanto se concentrava nos movimentos cardíacos do mais velho, cismava no amplexo —— quer ir pra casa? —— ❜ perguntou a ele se referindo a sua residencia. mesmo morando sozinha, aquela casa também era de haenul, deixando a luz acesa e a porta aberta para quando o outro quisesse entrar.