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@sussurrodanoite
A vida não ficou perfeita. Mas ficou mais minha. E isso, por enquanto, é suficiente.
Escriturias
não vou negar: eu penso em você às vezes. não é sempre, não é o tempo todo… mas é o bastante pra eu perceber. é nos intervalos do dia, nos silêncios que surgem sem avisar ou quando alguma lembrança resolve aparecer do nada. e tem um detalhe que sempre me entrega, quando toca “Essa Eu Fiz Pro Nosso Amor”, do Jão. a música começa e, antes mesmo da letra fazer sentido é você que aparece primeiro. a voz dele vira trilha sonora de coisas que eu não disse, de sentimentos que eu finjo controlar melhor do que realmente controlo. eu posso até seguir em frente, rir, conversar, viver, mas existem momentos que são só meus e neles, você mora. Não como uma dor, nem como um arrependimento, mas como algo que marcou fundo demais pra simplesmente desaparecer. talvez pensar em você seja isso... não querer voltar, não querer insistir, mas também não negar que foi real, porque foi... e quando a música toca eu deixo tocar, deixo sentir e deixo você existir em mim por mais alguns minutos, antes do mundo pedir que eu siga de novo...
Jamais esquecerei o nosso amor..
te vi chegando sorrindo em minha direção
parece miragem, não acreditei, e não queria acreditar
você mudou, e eu também, os ares são outros, a terra girou
mudaram as estações, talvez umas três vezes desde nosso último sorriso sincero e feliz
mas mesmo com os anos, parece que sempre esteve aqui
e volta, só pra provar que existe saudade dentro de mim
e de repente pareço alegre de novo, e esperançosa, e o dia brilha
você chega acompanhada de barulho e de festa, de carnaval
só pra fazer minha arritmia ter mais sentido
e na distração da vida, eu te (re)conheço sem perceber
você veio aqui só pra me ver, e sabemos que o passado foi dolorido e calejado
mas não, eu não me arrependi de nada, e ouso dizer que faria tudo igual
só pra te ver chegando sorrindo em minha direção novamente, fazendo festa no meu coração de carnaval descompensado
eu queria voltar no tempo e te dizer que não podia te amar porque eu sabia que se te amasse eu nunca mais iria conseguir não te amar
Eu não escrevo para te trazer de volta.
Nem para te perturbar.
Escrevo porque a memória que você deixou é funda demais, e eu precisava colocar em algum lugar essa parte de mim que ainda te reconhece.
Não é apego.
Não é esperança.
É lembrança — daquelas que se instalam no corpo e transformam até o tom da respiração.
SH
@rodrigo_lopes_escritor
@rodrigo_lopes_escritor
não é vontade de deixar de existir.
é algo mais silencioso, mais fundo, mais antigo.
é aquela sensação de que o mundo teria seguido igual
ou talvez até mais leve
se eu nunca tivesse estado aqui.
não é sobre dor momentânea,
é sobre cansaço existencial,
sobre o peso de ser alguém que sente demais,
que pensa demais,
que carrega nas costas um tanto de vazio.
não é querer desaparecer,
é só desejar nunca ter precisado aprender a ser.
nunca ter precisado lidar com o que sou,
com o que falhei em ser,
com o que esperaram que eu fosse.
é o tipo de pensamento que vem manso,
sem drama, sem grito
apenas um “e se eu nunca tivesse vindo?”
como quem observa o mar e pensa
que talvez seria mais fácil
voltar a ser parte dele.
m
Qualquer uma não serve. Qualquer uma não é ela. Qualquer uma não me deixa tão desarmado, tão inteiro e frágil. Qualquer uma não me deixa tão em chamas, tão fora de mim, tão vivo no silêncio do que não sei explicar.
Daniel Soares
@rodrigo_lopes_escritor