Consumo desenfreado e suas origens
O ano de 2018 foi muito importante para mim, sob muitos aspectos. O principal deles foi que depois de uma espera de quase dois anos (entre a prova e a chamada) finalmente consegui meu sonhado emprego no serviço público. A questão é que desde 2013 eu não tinha nenhuma fonte de renda fixa. Tinha saído de um emprego de 3 anos para conseguir terminar a faculdade e nesse meio tempo, engravidei. Escolhi, após ficar grávida, ficar com o meu filho em casa, tive esse privilégio (que foi também, por um lado, muito ruim, mas falemos disso em outro post) porque meu marido tinha uma renda que permitia isso.
Então depois de 5 anos sem trabalho fixo (fiz uns bicos de redatora para sites, mas quando tirava alguma coisa, era algo como 100 reais no mês, beeeem pouco), eu finalmente tinha um trabalho que pagava bem.
Mas não era só isso, pensem que nesse tempo meu corpo passou pela mudança da gravidez, engordei muito, emagreci muito (muito mesmo, mais de 20kg até o início de 2018 e mais de 40kg até hoje) e perdi praticamente tudo de legal que tinha no armário. Já não era muita coisa, já que sempre fui uma mulher gorda e pobre. Depois do casamento a situação financeira melhorou, mas eu nunca me senti confortável de gastar com coisas como roupas e sapatos e bolsas enquanto meu marido se esforçava pra pagar as contas para que nosso filho pudesse ter a mãe por perto. Então tudo que eu tinha e que cabia em mim estava velho, gasto, com cara de muito usado mesmo. E isso me deu a desculpa perfeita para consumir sem refletir.
Falei aqui dos últimos 5 anos, mas a coisa vai bem mais longe. Eu tive uma infância pobre. Pobre mesmo. Tinha semana que era ovo todo dia. Nunca passamos fome, mas a situação não era nada fácil. Roupa lá em casa era no aniversário e no natal. Um conjunto (short ou saia, uma blusa e um calçado) no aniversário e um conjunto mais uma blusa branca (pro ano novo) no natal. E só. Lembro de um natal que fui passar na casa do meu pai e já arrumada pra ceia, fui com uns amigos até uma praça perto. Na volta, quando descíamos a rua da praça, que era uma ladeira bem inclinada, tropecei e caí, rolei a ladeira toda e destruí a saia branca novinha e arrebentei o tamanco que tinha ganhado de natal. Acho que nunca chorei tanto. De vergonha da queda, de chateação porque sabia que roupa nova só em setembro e porque teria que ficar de roupa velha no natal e no ano novo. Lembro que minha mãe deixou de comprar outras coisas, mas acabou me dando outra sandália (pé de criança cresce rápido e as velhas já não cabiam mais). A saia teve que esperar o aniversário mesmo.
Digo tudo isso para demonstrar que sempre tive uma vida privada de coisas materiais e mesmo quando comecei a trabalhar (como vendedora e depois como atendente de telemarketing e em escritório) nunca tive bons salários. Então, quando comecei a ganhar meu próprio dinheiro, depois de tanto tempo, e já em uma fase em que não haviam privações sérias na minha vida, depois de emagrecer o suficiente para me encaixar na grade de tamanhos da maioria das lojas e depois de uma depressão séria, me descontrolei. Passei a comprar como se não houvesse amanhã, como se fosse tudo o que eu tinha. Roupas, sapatos, bijus, livros, objetos, produtos de beleza. Eu comprava de tudo, freneticamente, com a certeza de que precisava de tudo aquilo.
O consumo era tão desenfreado e impensado, que algumas das coisas que comprei nesses dez meses de frenesi, doei após poucos usos porque nada tinham a ver comigo. E rapidamente passei a ter uma dívida enorme no cartão de crédito, dívida essa que come boa parte desse bom salário que eu tenho.
Precisei repensar todo esse meu consumo excessivo e me propor a passar o ano de 2019 sem comprar alguns itens para entender como consumir mais conscientemente e como melhorar minha relação com o meu bolso.
No próximo post vou falar um pouco sobre a lista do que posso e do que não posso comprar em 2019.
Até lá!














