Eu sou feia. Feia mesmo. Não precisa mentir, você não me acha bonita. Parem de mentir. Eu sou repugnante.
Poderia passar horas listando meus defeitos e como — mesmo que nascesse de novo — nunca serei bela. Nem em um milhão de anos.
Não existe isso de “beleza não importa”, ninguém se apaixona por jeito ou quer uma amiga feia por bons motivos. Para feias, só a objetificação ou solidão.
Nunca me achei atraente, nem mesmo quando criança. Sempre quis ter nascido com qualquer outro rosto, qualquer outra aparência.
A maior parte do tempo, isso não me afeta. Ok. Sou feia. Acontece. Mas, outras vezes, não consigo nem me olhar no espelho. Sou imunda.
Rosto, boca, cabelo, corpo, voz. Tudo nojento, ridículo. Toda a combinação é podre. Patética.
E, mesmo que emagreça, use maquiagem ou faça caras e bocas para foto, continuo estupidamente horrenda. Por fora e por dentro, sou feia.