Que seja breve, pois já não aguento mais conviver com este sentimento que me corta, me recorta, me salga e me queima a cada segundo de minha existência.
Eu grito no meu silêncio e ninguém consegue ouvir, presa em meu próprio eu, em meu próprio ser. Sou só caos e destruição, mas por fora ninguém vê, ninguém nota.
Meu sentimento é do mais completo abandono dos outros e de mim mesma. Sem vontade de ser, de estar, de querer, quando a realidade sofrida do fim da minha própria vida parece mais convidativa do que continuar essa existência indefinida e extremamente infeliz, deixar a água da chuva seguir seu curso até finalmente secar no chão de areia.
A dor é sem fim. E não é uma dor física para a qual há analgésicos capazes de sanar. É dor emocional, que nem todo antidepressivo do mundo conseguiria curar. É a dor de ver alguém que amo sofrendo e me fazendo sofrer por conta de uma decisão complexa que não é tomada; é a dor de perder um amor em vida por erros que não podem ser reparados.