Androgyny or gynandry: the gender quality of blending both masculine and feminine traits; gender ambiguity. Usually presentation or gender expression, but can also be an identity/a form of self-identification or self-determination.
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Grace Jones, “Um Show de Homem”: crônicas, new wave, androginia, dupla identidade de gênero e mais algumas coisas
Uma dose dupla, seguida de uma overdose (Liquid Sky, 1982), afinal qual é mesmo a reação ao se deparar com Jones fumando “uma” na capa de Nightclubbing? Durante esses últimos anos posso dizer que me interessei em pesquisar sobre o que foi o "A One Man Show" de maneira muito intensa. Não atoa. No início quando ainda estava me descobrindo como uma pessoa andrógina, há uns 5 ou 6 anos atrás, Grace Jones foi uma dessas figuras que mais me inspiraram à explorar meu lado artístico e minha identidade. E certamente ainda há algumas coisas sobre Grace Jones que me fascinam. Uma dessas coisas com certeza é o pioneiro "A One Man Show" (em tradução livre, “Um Show De Homem”).
Pelo o que entendemos e podemos concluir - porque é realmente trabalhoso classificar o projeto - "A One Man Show" foi um ambicioso compilado de performances realizadas por Grace Jones em 1981. As performances foram realizadas em dois teatros, um em Londres, outro em Nova York. As performances eram ao vivo, provavelmente com uma platéia de convidades, gravadas e cheias de coisas inusitadas. Assista à performance controversa e icônica:
Mas o ponto é como isso chegou ao público. Não foi transmitido ao vivo ou coisa do tipo. Talvez provavelmente também pelo fato de haver pouco recursos. Então Jones apenas gravou e transformou no "A One Man Show", lançado em fitas de VHS em 1982 (e indicado ao Grammy aliás). Isso hoje em dia poderíamos chamar como? Vídeo show? Show virtual? Além das performances ao vivo, haviam performances gravadas em estúdio sem falar dos efeitos especiais que só uma edição de vídeo poderia cobrir, como as recorrentes trocas de cenas, fotografias elencadas, imagens sobrepostas, trocas de ângulos, clonagem de Jones, como o batalhão de Jones com salto alto em "Pull Up to Them Bumper" - que eram inlcusive pessoas reais, de todos os sexos e gênero, montadas de Grace Jones. Inclusive foi daqui que saíram vídeoclipes como "jamaican guy", "walking in the rain", o próprio "pull up to the bumper" e "i've seen that face before" (no final do vídeo podemos avistar a torre do relógio iluminada em NY). O principal artista que deu vida à muitas dessas ideias, e com quem Grace também manteve um relacionamento, foi Jean Paul-Goude.
Parte das músicas que comporam as performances foram retiradas dos álbuns "Warm Leatherette" (1980), Nightclubbing" (1981) e "Living My Life" (1982). Foi nessa era, entre o lançamento dos 3 álbuns e "A one Man Show", que Grace Jones trouxe com tudo sua rebeldia e explorou mais as questões de gênero e raça em seus trabalhos. Na letra de "Walking In The Rain", podemos ouvir em certa parte:
_Felling like a woman / Looking like a man / __Sounding like a no no / Making when i can it it (_Me sentindo como uma mulher / Parecendo um homem Soando como um nada / Trasando (?) quando posso)
Isso nos faz pensar sobre o que Jones realmente estava querendo dizer, e como isso se encaixa atualmente nas discussões de gênero. Chame do quiser, dupla identidade, androginia ou ambiguidade. Jones sabia o que estava fazendo. E o gostoso disso tudo é justamente as possibilidades que tudo isso traz. Sem dúvidas, uma antiga reafirmanação de gênero. Sem falar que som maravilhoso, e aquele sintetizador simulando um sax... Algo as vezes meio jazz, meio extraterrestre.
A música Walking in the Rain foi um divisor de águas – Grace disse alto e claro sobre sua apresentação e foi animalesco, sexual e autoconsciente – Honey Dijon Why Grace Jones was the most pioneering queen of pop - BBC Culture
E não paramos aí. Naquela mesma época, em 1985, Jones deu em uma entrevista para o programa de TV Australiano, "Day by Day", e em um certo momento da entrevista perguntaram-lhe se Grace “curtia ser uma pessoa masculina" ao que respondeu "eu gosto de ser ambas coisas, na verdade. Não estou sendo uma pessoa muito 'masculina'. É apenas atitude. O que é ser realmente masculine? Sabe, quero dizer, você pode me descrever o que é ser uma pessoa masculina?". E Grace termina a entrevista repudiando quem categoriza emoções e sentimentos logo após o repórter ter lhe pergutado sobre sua orientação sexua, veja o momento:
Em Setembro desse ano, a revista Another em uma máteria sobre Grace Jones, comparou seu talento e personalidade ao de outra figura histórica não-binária: Claude Cahun, artista surrealista do início do século XX. Elevando o nome de Jones mais uma vez ao patamar de figura histórica dissidente de gênero.
É brutalmente surreal, mas classicamente renderizado. É futurista e assustador, sedutor e alienígena. "Sob esta máscara, outra máscara. Nunca terminarei de remover todos esses rostos", escreveu e artista francês Claude Cahun em 1930 refletindo sobre sua própria prática artística de auto-reinvenção – o mesmo pode ser dito sobre Grace Jones. | Inside the UK’s Brilliant New Grace Jones Exhibition | AnOther (anothermag.com)
Ao Mail Online em 2008, Jones descreve seu estilo sempre em constante mudança, mas sempre consistente: "Eu mudo de papéis na vida, eu vivo assim. [...] Eu sou os dois, na verdade. Eu acho que o lado masculino é um pouco mais forte em mim e eu tenho que abrandá-lo às vezes. Eu não sou como uma mulher normal, isso é certo".Em seu mais recente livro "I'll Never Write My Memoirs", Grace se debruça em refletir mais profundamente sobre as questões que cercam sua identidade e como isso relaciona como o passado, para além dos estereótipos pios de gênero estético-midíaticos - que não são apenas binário, trazendo à tona com mais enfâse como a construção de sua identidade como um processo de longa-performance e mútliplas vivências.
Em seu livro de memórias Jones reflete cedo e frequentemente sobre sua identidade de gênero não convencional, descrevendo-se como possuindo dois eus completamente distintos [...] A habilidade de Jones de habitar ambos os gênero feminino e mascluino a torna autossuficiente. "Eu nunca peço nada em um relacionamento", ela proclama, "porque eu tenho esse sugar daddy que eu criei para mim mesmo: eu. Eu sou meu próprio pai zinho. Eu tenho um lado masculino muito forte, que eu desenvolvi para proteger o meu lado feminino. Se eu quiser um colar de diamantes eu posso ir e comprar-me um colar de diamantes. Mais tarde, ela explica que ela alimenta sua psique através de uma espécie de autoterapia possibilitado por sua capacidade de dividir sua personalidade. "Sempre fui minha própria psicoterapeuta desde muito jovem", escreve. "Eu ficava do lado de fora e falava comigo mesmo, falava sobre o que estava me incomodando. Há um elemento esquizofrênico nisso, mas eu aceito essa parte de mim desde cedo. Ela conecta explicitamente essa dupla personalidade ao desafio de crescer em um ambiente religioso repressivo na Jamaica. Depois que seus pais se mudaram para Syracuse, Nova York, onde mais tarde ela se juntaria a eles no ensino médio, Jones e seus irmãos foram criados por sua avó e padrasto, um bispo pentecostal que eles chamavam de Mas P. As regras da igreja eram draconianas, e Mas P as impôs com entusiasmo demoníaco. Qualquer infração justificava uma surra. [...] Curiosamente, embora a noção de gênero de Jones como mutável, seja radical mesmo para os dias atuais, e certamente foi prospectiva no início de sua carreira, sua compreensão do gênero em si é bastante convencional. Metade do tempo ela se representa como fora das categorias disponíveis: "Eu estava fora da raça e gênero", diz ela. Eu me considerava uma forma de energia que ainda não tinha sido classificada. Mas metade do tempo ela se reduz a clichês. [...] E seu desafio às normas de gênero não costuma subir ao nível de uma agenda política. Jones não joga muito a palavra feminismo. - Grace Jones Explores Androgyny in I’ll Never Write My Memoirs | Vogue
Como dito anteriormente, Grace Jones trabalhou frequentemente com as questões de raça e a negritude em suas obras. E talvez algo que muitas pessoas não saiba é que à Grace Jones é creditado a popularização do estilo de corte conhecido como High-Top Fade ou Flat-Top (cabelo de topo alto, cortado dos lados e assimétrico, como mostrado nas imagens). Suas formas geométricas, assimétricas, desde Warm L. à Nightclunning, uma identidade visual constrúída ao longo de 3 anos, lhe garantiram uma marca registrada sem igual. E isso é histórico. Com certeza muites devem pensar que esse legado pertence à um homem cis hetero qualquer por aí rsrs. Mas leve engano. Odeio algumas coisas sobre Grace. Sua arrogância, sua soberba, suas críticas desnecessárias que ela vem sustentando nos últimos anos. Que são coisas que definem quem Jones é, e quem sempre foi e será. E é isso que no fim a torna uma pessoa tão única, icônica e incrível.
Assista à performance em “A One Man Show” (Um Show De Homem) de sua faixa “Private Life”, onde Jones desabafa sobre um conturbado relacionamento
Estudo sugere que quebrar normas de gênero pode melhorar sua saúde mental
Estudo sugere que quebrar normas de gênero pode melhorar sua saúde mental
Um novo estudo publicado pela revista Cerebral Cortex (via BBC), mesmo que não conclusivo, sugere que os cérebros andróginos, ou seja, que têm uma mistura de traços do estereótipo masculino e feminino, possuem menos problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, e também está relacionada ao aumento da criatividade.
Psicologicamente, a maioria das pessoas está em algum lugar no espectro…
Androgynous: "Identity under the Non-binary umbrella. They are simultaneously feminine and masculine, although not necessarily in equals amounts. Andro means Masculinity and Gyne means Femenine. They may experience or not Gender Dysphoria"
A Whip Scorpion (#Amblypygi) to represent this one. I love arachnids in general 💕
Any famous Androgynous celeb that you like? Kristen Stewart is one, Samira Wiley is another.