A musicalidade da vida animal pelos Black Bombaim & João Pais Filipe | Reportagem
‘Dragonflies with Birds and Snake’ é, antes de mais, o título de um filme realizado pelo alemão Wolfgang Lehmann. Estreado em 2011, o filme recorre a imagens de índole zoológica e educacional para criar uma aproximação sensorial e macrofotográfica ao mundo dos insectos.
O que tem a ver este registo videográfico com os Black Bombaim e João Pais Filipe? A resposta não é difícil porém carece-lhe uma contextualização…
A convite do Festival Curtas Vila do Conde o ‘power trio’ Black Bombaim com a colaboração de João Pais Filipe (baterista/percussionista) criaram uma banda sonora para o filme citado no inicio deste artigo. A estreia desse projeto ocorreu, como evidentemente, naquele festival vila-condense em 2018.
Recentemente e pela mão da editora barcelense Lovers & Lollypops esse projeto teve edição discográfica. No seguimento aconteceram 3 apresentações ao vivo: Guimarães, Lisboa e Porto. Citadas por ordem de acontecimento.
Presenciamos a performance de Guimarães, na passada noite de sexta-feira 22 de novembro, ocorrida no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor. Concerto este promovido ao abrigo do ciclo “Musicadoria” no qual entidades culturais daquela cidade minhota são convocadas a escolherem os artistas. Os Black Bombaim e João Pais Filipe foram convidados pelos Banhos Velhos (promotora cultural das Caldas das Taipas).
Apesar de ter vigorado um aviso amarelo, numa altura de dias e noites frias com muita chuva à mistura, o Café Concerto do CCVF registou uma sala com algum público. A sala estava agradável, até porventura um pouquinho demais, devido ao aquecimento.
Pouco depois das 23 horas os quatro músicos subiram ao palco para a apresentação deste seu sui generis trabalho. Aos Black Bombaim: Paulo Gonçalves (bateria), Ricardo Miranda (guitarra) e Tojo Rodrigues (baixo) juntou-se o portuense João Pais Filipe.
Logo na dianteira João Pais Filipe ficou à esquerda e Paulo Gonçalves à direita. À retaguarda e por vezes camuflados ficaram Ricardo Miranda e Tojo Rodrigues.
Os instrumentos de percussão ditaram o ritmo da atuação. Sempre desconcertantes e plenamente interventivos. O baixo ia dando um tom aqui e acolá mais expressivo. Já a guitarra com os seus riffs desconcertantes ajudava em pleno colaborando em boa medida para o tom psicadélico.
O som remete-nos, como seria expectável, para o mundo animal e para a azáfama sonora de uma floresta com a sua devida biodiversidade. Sons a lembrarem-nos de zumbidos de seres aéreos e outros a recordarem a imensidão de ruídos passíveis de serem escutar numa floresta.
Os gigantes pratos instalados atrás dos músicos fizeram lembrar gongos e filmes chineses de outras épocas antes de começar a “porrada”. Foram utilizados de forma meticulosa.
O que mais impressionou na performance foi a forma meticulosa da conjugação dos instrumentos e da precisão no ritmo em muitos dos momentos. Trata-se de um trabalho discográfico específico e entende-se bem tendo sido criado como uma banda sonora de um filme.
Ressalvas finais:
1) fiquei com a clara sensação de que poderia ter sido uma experiência bem mais imersiva se a performance fosse acompanhada do próprio filme para um género filme-concerto, ou em alternativa, de uma componente visual.
2) este Café Concerto é uma das localizações privilegiadas na Cidade-Berço para este tipo de eventos possuindo condições ideais pelo que registamos com algum desapontamento a inexistência de uma programação musical regular nos últimos anos. Algo que vemos acontecer em espaços similares de áreas limítrofes, como por exemplo, em concelhos pertencentes à rede Quadrilátero (composta pelos municípios de Barcelos, Braga, Guimarães e Famalicão). Será que este ciclo ‘Musicadoria’ realizado no decurso deste 2019 veio para ficar e trazer assim alguma agitação aquele espaço?
Texto: Edgar Silva Fotografia: Jorge Nicolau












