Sorrira de volta para mim Com os mesmo olhos notívagos que os meus E de canto de boca eu via alguma morbidez escorrida De temperamento inexpressivo e tom jovial O corpo, fora o mesmo que dancei ontem O mesmo que dediquei amores O mesmo que traçara-me pernas O mesmo corpo vivíssimo de ontem, hoje morto O carisma do fraseio dá lugar a lábios roxos Retumbantes e entalhadas de versos não ditos As pálpebras que se fecham Parecem que irão saltar a qualquer momento O humor que chafurda-se no corpo Grita acidentáveis façanhas E afazeres em trabalhos metade de Cronos Uma ótima troca pela metade do preço O balé entre sóis e vestidos alongados Saracoteará entre outra fuga de ambos O véu de noiva e a sorte de figurante O eterno tencionar entre autoral e confronto O drama e o número Que és par e solo de doze em doze Como eu sou par e solo nas mesmas condições O eu garrancho adora receber-lhe de boca aberta A valsa indiferente Carinhosamente apelidada de cotidiano Tira a todos para a dança E os embebeda em comparação aos antecessores E o corpo sorrindo me sorri outra vez E o corpo sorrindo reflete-me Sua palidez já compadece-se com a minha Sua originalidade se esvai como ontem...
Entre Cronômetros, Viajantes e Romantismo Melancólico - Pierrot Ruivo
















