30 de Agosto, ANO 22 (Seokjin) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Direction Where The Sun Rises’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
Esta nota está presente no livro 花樣年華 THE NOTES 1, no capítulo The Direction Where the Sun Rises
Há duas notas do dia 30 de Agosto do ANO 22 do Seokjin neste livro. Esta é a segunda.
Seokjin
30 de Agosto, ANO 22
O caminhão de entregas parou subitamente depois de dar meia volta. Seus faróis piscavam. Eu fiquei ali impotente em meio a cena da batida, do ressalto e da queda. Eu não consegui ouvir ou sentir nada por um momento. Era verão, mas o vento estava frio. Então eu ouvi algo bater e rolar na estrada. A fragrância de flores atingiu meu nariz. Eu voltei à realidade. O buquê de flores Smeraldo caiu da minha mão. Ela estava deitada no meio da estrada. Sangue começou a fluir debaixo de seus cabelos bagunçados. Sangue vermelho escuro escorreu pela estrada.
Com um forte estouro, a primeira série de fogos de artifício explodiram no ar no céu noturno à distância. Em algum lugar, eu ouvi um espelho rachar.
15 de Agosto, ANO 22 (Seokjin) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Direction Where The Sun Rises’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
Esta nota está presente no livro 花樣年華 THE NOTES 1, no capítulo The Direction Where the Sun Rises
Seokjin
15 de Agosto, ANO 22
Eu a vi pela primeira vez na ferrovia. Foi cerca de um mês atrás em um dia que eu tinha muita coisa na cabeça. Eu fui ver o Jungkook no hospital mas fiquei lá por apenas 10 minutos. Eu raramente falava com o Jungkook quando estava lá. Por algum motivo, o Jungkook ficava tenso e mantinha sua guarda contra mim. Nenhuma mensagem foi postada na nossa conversa em grupo. A mensagem do Hoseok, a qual ele dizia que não iria mais manter contanto, foi a última. Eu senti que aquela mensagem foi direcionada ao Yoongi. Mas, sempre que eu a lia, parecia que ela foi direcionada a mim por alguma razão.
Eu sai do hospital e andei às cegas. Eu percebi depois de um tempo que eu estava na frente do cruzamento da ferrovia. A barra de cruzamento estava abaixada, e eu podia ver um trem se aproximando à distância. Me lembrou da vez em que eu entrei no avião sozinho na minha infância. Pode soar bobo, mas foi parecido. O que eu estava esperando? O que quer que fosse, eu não deveria esperar algo assim? Aquele sentimento de pertencimento foi nada mais do que uma ilusão? O que era esse vazio? Eu estava completamente sozinho afinal? O que eu fiz de errado? Essa linha de pensamento continuou com o vento forte agitado pelo trem que passava.
O trem desapareceu de vista tão rápido quanto se aproximou. A barra levantou e o cruzamento estava aberto novamente. Ela andou na minha direção, balançando contra o fluxo de ar trazido pelo trem. Ela derrubou o seu diário enquanto passava por mim. Em seu diário estava a sua lista de desejos: fazer aula de italiano, se juntar a um programa de estadia em um templo, se voluntariar em um abrigo de animais, fazer um curso de barista, e dividir seu fone de ouvido com seu namorado durante uma caminhada. Smeraldo era um deles.
Debaixo de um recorte de revista da Smeraldo estava o seguinte parágrafo:
O amor não é essencialmente um relacionamento com uma pessoa específica; é uma atitude, a qual determina a relação de uma pessoa com o mundo como um todo. Se eu verdadeiramente amo uma pessoa, eu amo todas as pessoas, eu amo o mundo, eu amo a vida. Se eu posso dizer para outrem, “Eu te amo”, eu devo ser capaz de dizer “Eu amo a todos em você, através de você eu amo o mundo, e também me amo em você.” – De A Arte de Amar por Erich Fromm
Eu fiz muitas coisas com ela por um mês. Caminhamos, dividimos o fone de ouvido e ouvimos música como ela queria e nos voluntariamos juntos em um abrigo de animais. Não pudemos ficar em um templo, mas pegamos um ônibus e viajamos até o último ponto e passamos tempo no nosso café favorito.
Smeraldo é uma flor dita crescer somente na parte norte da Itália. Eu fui até uma grande floricultura nas proximidades, mas ninguém nunca tinha ouvido falar da flor. Então encontrei esta pequena floricultura ainda em construção. Era na esquina do lado esquerdo depois do cruzamento da ponte até Munhyeon.
Eu não tinha altas expectativas quando o proprietário, que estava organizando alguns documentos em um canto, se aproximou de mim. Ao ouvir o nome da flor, o proprietário olhou para mim por um longo tempo e me disse que ele seria capaz de me entregar a flor, embora sua loja ainda não estivesse oficialmente aberta. “Por que precisa ser essa flor?”
Ela não sabia que eu estava com o diário dela. Ela nunca seria capaz de imaginar que eu segui a lista em seu diário para fazer todas as coisas que fizemos juntos no mês passado. Eu não devolvi o seu diário ou disse a ela que eu estava com ele. Eu sabia que isso era errado. Eu sabia que eu estava praticamente enganando ela. Eu tentei confessar tudo algumas vezes, mas eu estava com medo. Eu estava com medo que ela pudesse me deixar assim como meus amigos. Eu estava com medo de que seu coração se tornaria frio assim que ela tivesse um vislumbre dos meus erros, meus delitos, da minha insensatez, e dos meus medos.
Eu queria fazê-la feliz. Eu queria fazê-la rir. Toda vez que eu fazia ela feliz, parecia que eu tinha me tornado uma pessoa melhor. Parecia que meus defeitos estavam sendo escondidos. Eu só tinha mais uma coisa para preparar. Era uma flor que significava “a verdade não contada” no idioma das flores.
O proprietário pareceu perplexo com o meu pedido para pegar a flor Smeraldo até dia 30 de Agosto e disse que seria difícil encontrar uma até lá. Mas tinha que ser esse dia. Uma exibição de fogos de artificio estava programada para acontecer no Rio Yangjicheon. Ela era apaixonada pelo céu noturno. Eu estava pensando em confessar o meu amor por ela quando os fogos de artificio explodirem no céu. Eu estava pensando em presentear ela com a sua flor favorita e confiar o meu coração a ela na sua hora favorita, em seu lugar favorito.
22 de Maio, ANO 22 (Jimin) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Most Beautiful Day Of Our Lives’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
Esta nota está presente no livro 花樣年華 THE NOTES 1, no capítulo The Most Beautiful Day Of Our Lives
Jimin
22 de Maio, ANO 22
“Nós deveríamos ir também.” Foi o que o Hoseok disse. Eu virei minha cabeça, olhando além da porta de nosso alojamento. A mesa, as cadeiras, as panelas, e os pratos estavam espalhados por todo o lugar. “Jimin, vamos.” Eu fechei a porta apressadamente. Eles estavam muito à minha frente. Yoongi e Hoseok tomaram a frente, com o Jungkook os seguindo de perto. Havia sete de nós quando chegamos, e agora somente quatro restaram.
Eu olhei para cima quando passamos pelo mirante. Não havia luz na praia depois do pôr do sol. O mirante e o mar se abstinham na escuridão, e nada era visível. Havia apenas o rugir das ondas batendo. Eu me dei conta de que aqui era o lugar. O lugar que visitamos quando viemos para o mar juntos pela primeira vez. A pedra, que diziam que fazia sonhos se tornarem realidade. Nós gritamos com todas as forças de nossos pulmões neste mesmo lugar onde a pedra tinha sido explodida em pedaços para dar espaço a um novo resort. “Jungkook, não foi em algum lugar por aqui?” Eu olhei para trás, mas o Jungkook já estava bem à frente dos outros. Hoseok chamou por ele, mas ele não pareceu ouvir. Me ocorreu então. O Jungkook também está seguindo em frente ao longo de seu próprio caminho. Ele sempre esteve atrás dos outros. Ele foi junto e parou quando os outros pararam. Eu era o mesmo. Eu olhei em todas as direções em um cruzamento. Eu tinha que virar para a esquerda para chegar à estação de trem ou a direita para pegar um ônibus para casa.
Eu tinha que voltar para casa um dia. Eu não podia evitá-la para sempre. Eu tinha que confessar minhas mentiras e dizer a verdade para os meus pais. Mesmo se eles não estivessem dispostos a ouvi-las. Eu tinha que começar a abotoar o primeiro botão em algum momento. Eu vi o Yoongi ir para a estrada da esquerda. “Jimin, se apresse.” Hoseok virou sua cabeça para mim. “Hoseok, eu estou indo para casa agora.” Com um olhar confuso, ele perguntou, “Casa?” Eu assentei. Em seguida, virei à direita.
22 de Maio, ANO 22 (Jungkook) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Most Beautiful Day Of Our Lives’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
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Jungkook
22 de Maio, ANO 22
Alguém chacoalhou o meu ombro para me acordar. Quando abri meu olhos, a janela do carro estava preenchida com a paisagem marítima. A brisa do mar estava fria, provavelmente porque eu estava meio acordado. Eu me envolvi com meus braços e sai do carro. Os outros, já na praia onde as ondas quebravam contra a costa, acenaram para mim. Além deles estava o mar, e acima do mar estava o sol. O cenário todo parecia um quadro
O vento se levantou e encheu esse quadro com areia impetuosa assim que eu levantei minha mão para acenar de volta. O pó arenoso subiu do chão e rodopiou. Os outros viraram todos de uma vez, cobrindo seus rostos para afastar o vento granulado. Eu fiz o mesmo, fechando meus olhos apertados, curvando minha cabeça, e cobrindo meu rosto com meu braço. Ficamos nessa posição em meio ao som de ondas batendo e vento assobiando por um longo tempo.
Tentei abrir meus olhos, mas eles picavam por causa da areia. “Não esfregue eles. Só vai piorar.” Ao ouvir o Hoseok, eu pisquei lentamente. O mar, o céu, e os outros ficavam aparecendo e desaparecendo através das lágrimas brotando nos meus olhos. Depois de piscar várias vezes, as lágrimas e a ardência diminuíram. As lágrimas devem ter enxaguado os grãos de areia. Eu ouvi os outros rindo. Eles estavam rindo de mim parado no meio da praia vazia derramando lágrimas.
Não sei quem começou a correr primeiro. Começou como uma brincadeira boba. Eu fingi perseguir os outros que estavam tirando sarro de mim. Hoseok disparou como se ele estivesse fugindo de mim. Então, o resto se juntou, correndo de um para o outro e rindo alegremente. Em algum ponto, todos estávamos correndo ao longo da estrada costeira. Eu corri atrás dos outros. Eu estava sem fôlego, suado, e tinha uma dor de cabeça intensa. Mas eu não parei porque eles continuaram.
Nós nos reencontramos de novo, tiramos o Jimin do hospital, e retornamos pra esta mesma praia. Não foi planejado. Tudo o que eu fiz foi me juntar, mas eu me sentia entusiasmado. Talvez correr por ai sem pensar em nada era o único modo de lidar com essa sensação terrivelmente emocionante. Eu fiz o mesmo quando nós matamos aula e viemos para esta praia pela primeira vez.
“É verdade. Nós éramos assim naquela época também.” Namjoon disse quando deitamos na praia para recuperar o fôlego. “Eu acho que estava tão quente quanto hoje. Quando foi?” Jimin disse. “Foi 12 de junho.” Minha boa memória pegou todo mundo de surpresa. Eu me lembro o dia exato porque a foto que tiramos naquele dia estava marcada com a data. As vezes eu a pegava e olhava para ela. Eu não disse para ninguém, mas naquele dia eu senti que eu finalmente tinha encontrado uma verdadeira família. Verdadeiros irmãos.
“Pessoal...” Eu comecei a expressar minha gratidão mas me encontrei sem palavras. “O que?” Os outros me apressaram um por um e então se arremessaram em mim. Rolamos pela praia enrolados, brincando feito crianças.
“Por que você está aqui sozinho?” Eu sentei ao lado do Taehyung que estava sentado em um canto da praia longe dos outros. Ele olhou para mim brevemente e me fez um pergunta em vez de responder. “Aquilo estava lá na primeira vez que viemos aqui?” Ele estava falando do mirante. “Se estivesse nós teríamos escalado ele. Mas eu não me lembro.” Ele acenou com a cabeça em concordância, e continuou olhando para o mirante.
“Vamos.” Alguém bateu no meu ombro. Era o Seokjin. Seu rosto estava irreconhecível já que ele estava contra a luz. Deve ser porque eu estava sentado enquanto o olhava, mas ele parecia muito alto. Eu me levantei, limpando a areia. Meus pés afundaram na areia quente. Eu me esgueirei na sombra do Seokjin e caminhei, chutando areia com a ponta do meu tênis. A areia que eu chutava espirrava nas calças do Seokjin, mas ele não olhou para trás.
16 de Maio, ANO 22 (Hoseok) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Topmost Floor In The City’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
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Hoseok
16 de Maio, ANO 22
Eu podia ser o meu eu mais honesto em casa. Às vezes eu gritava com todas as forças dos meus pulmões e cantava na janela. Às vezes eu tocava música e dançava como louco. E às vezes eu acordava chorando à noite. Quando acontecia, eu só ficava deitado lá parado, olhando para o teto. Mas eu nunca desmaiava de narcolepsia em casa.
Jimin não voltou para casa depois que ele saiu do hospital. Ele veio para minha casa e agora estava olhando para a cidade se inclinando no parapeito do terraço. Ele deve estar procurando pela nossa escola, pela lanchonete Two Star Burger, e pelas luzes ao longo da ferrovia como eu. Ele também deve estar procurando pela sua casa. Isso era algo em nossos instintos humanos. Todo mundo procura por sua casa quando escalam algo alto ou desdobram um grande mapa.
Eu pensei em perguntar a ele o porquê ele não foi para casa. Mas eu desisti. Sua cabeça deve estar uma bagunça, e eu não queria agravar. Além do mais, eu podia imaginar o porquê baseado em como a mãe do Jimin reagiu na sala de emergência aquele dia. De fato, eu raramente fazia perguntas aos meus amigos. Eu sentia que eu já sabia a resposta para a maioria delas. E eu não queria que eles se sentissem desconfortáveis. Ou eles poderiam achar minhas perguntas muito indiscretas ou irritantes.
Sendo sincero, eu sempre ficava curioso para onde os outros estavam se dirigindo quando passavam pela minha loja. Mas eu nunca corri para perguntar a eles. Para onde o Jungkook estava indo com suas feridas? A oficina do Yoongi era naquela direção? Por quê o Namjoon abandonou a escola? Onde o Taehyung aprendeu grafite? Pensando bem, eu não sabia muito sobre os outros.
“Você encontrou?” Eu me aproximei do Jimin e perguntei. “Encontrei o que?” Jimin soou confuso. “Sua casa.” Jimin assentiu. “Eu cresci naquele orfanato bem ali.” Eu apontei para um lugar além da ferrovia. “Vê aquele supermercado na direção do rio do posto de gasolina onde o Namjoon trabalha? Vê a placa de neon em formato de trevo atrás dele? O orfanato está a esquerda da placa de neon. Eu vivi lá por mais de dez anos.” O olhos do Jimin pareciam estar se perguntando o porquê eu estava dizendo tudo isso a ele. Meus amigos já sabiam que eu cresci em um orfanato. Eu o considerava minha casa. Eu não me forçava a pensar daquele jeito por paz interior. Eu realmente acreditava que ele era minha casa. Uma casa sem mãe.
“Eu tenho algo para confessar.” Algo que eu estive mentindo. “Minha narcolepsia era uma farsa.” Devia ser por isso que eu não conseguia perguntar nada para ninguém. Não era porque eu tinha medo de machucá-los. Era porque eu menti, porque eu não tinha a coragem de ser honesto. Porque, assim que eu admitisse isso, eu também teria que admitir que eu não tinha ninguém para chamar de ‘mãe’, não apenas no orfanato, mas no mundo inteiro. Deve ter sido por isso que eu não perguntava para nenhum deles sobre seus problemas.
Jimin não era bom em esconder seus sentimentos. Seu olhar surpreso era autoexplicativo. Eu não sabia como me desculpar com ele. Jimin tinha agonizado por mim inúmeras vezes. Ele deve ter explodido em lágrimas quando presenciou isso pela primeira vez. “Eu não fazia isso de propósito. Eu só devo ter ignorado que havia uma maneira de eu ficar bem. Eu sei que isto não faz sentido. Eu não consigo descrever claramente.”
“Então, você está bem agora?” Jimin, que ficou ouvindo silenciosamente por um tempo, virou sua cabeça para mim e perguntou. Eu estou bem agora? Eu perguntei a mim mesmo. Jimin ainda estava olhando para mim. Eu olhei para a cidade bem iluminada abaixo. “Bom, eu não sei. Nós seremos capazes de descobrir conforme o tempo passar. Estou ansioso por isso. Você não está?” Jimin riu. Eu ri junto.
15 de Maio, ANO 22 (Jimin) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Topmost Floor In The City’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
Esta nota está presente no livro 花樣年華 THE NOTES 1, no capítulo The Topmost Floor In The City
Jimin
15 de Maio, ANO 22
Três dias se passaram desde que o Hoseok recebeu alta do hospital. Eu não queria dizer adeus, então eu o segui secretamente. Enquanto eu me mantinha escondido e seguindo atrás, Hoseok andava pelo longo corredor em direção a porta. Indiferentemente ele passou pela linha próxima a saída de emergência, onde eu sempre parava. Eu o observei por detrás . Sem perceber, eu parei bem ali. Eu conseguia dar pelo menos mais cinco passos largos, mas eu só fiquei parado lá.
Hoseok lentamente alcançou e abriu a porta gentilmente. A luz do sol ofuscante fluiu através da porta aberta juntamente com o ar exterior. Cheirava um pouco pungente, mas refrescante ao mesmo tempo. A paisagem do outro lado da porta tomou conta de mim. Quando o Hoseok pisou para fora, a porta começou a fechar. Eu poderia deslizar por ela se eu corresse agora. Eu olhei para o chão. A linha limite, que era visível para ninguém além de mim, ainda estava lá.
Eu me virei. Ou, eu estava prestes a me virar quando alguém passou, empurrando meu ombro fortemente. Eu cai diretamente no chão. Levantei minha cabeça, ainda deitado. Eu tinha ultrapassado a linha. O idiota estava passando por mim, se dirigindo a porta. Foi ele quem me empurrou. Ele continuou a atropelar os outros em seu caminho. Ele não prestou atenção neles. Quando ele empurrou a porta o mais forte que podia, a luz do sol fluiu novamente. Ele correu para fora. Um enfermeiro o perseguiu, mas ele era mais rápido. A porta começou a fechar novamente. Eu levantei em um salto. Um passo sobre minha linha. Eu dei mais um passo adiante. Faltavam apenas mais três passos largos para chegar a porta. Mas eu me virei de novo, bem ciente do meu limite.
Um estranho já ocupava a cama do Hoseok. Eu fechei meus olhos, mas não conseguia dormir. Eu não conseguia deixar de refletir no que ele disse antes de receber alta. “Jimin, vamos sair daqui.” Ele estava com uma expressão complicada que eu nunca tinha visto antes. Ele nunca pareceu ou soou daquele jeito. Eu só fiquei parado lá, parecendo hesitante, sem saber como responder. Havia mais uma razão pela qual eu não conseguia parar de pensar em suas palavras. Houve um incidente que aconteceu logo antes disso.
Eu estava esperando pelo elevador no segundo andar onde eu tinha fisioterapia. Eu tropecei quando briguei com o idiota, e meu pulso ficou machucado e não se curou bem. Eu estava ficando impaciente porque a alta do Hoseok estava próxima, mas o elevador estava preso no nono andar. Eu pensei ter ouvido alguém chamar meu nome logo que pensei em pegar as escadas. Aquele alguém estava parado em frente a saída de emergência no final do corredor. Eu não conseguia reconhecer quem era com a luz do sol vindo da janela. Quando dei um passo a frente, a pessoa subitamente correu para a saída de emergência. O perfil da pessoa surgiu à vista momentaneamente, mas eu ainda não consegui reconhecer quem era. Quem poderia ser? Eu andei em direção a escada de emergência, me sentindo estranho.
Quando abri a porta da saída de emergência e coloquei minha cabeça por ela, alguém passou rapidamente. Instintivamente eu tirei minha cabeça da porta. Nós quase trombamos. “Mãe!” Ao ouvir o grito desesperado, eu enfiei minha cabeça de volta. Era o Hoseok, descendo as escadas desenfreadamente. E havia uma mulher parada no final da escada. O que é tudo isso? Eu pisei no patamar. Hoseok pisou em falso na mesma hora. Eu me arremessei para frente e estiquei minhas mãos sem pensar e o peguei. Hoseok vacilou quando eu o desacelerei abruptamente, e eu mal consegui manter meu equilíbrio.
Ele não disse nada até que nós subimos a escada de volta e pisamos no corredor do quinto andar. Ele permaneceu em silencio enquanto andávamos para o quarto. Então, ele parou de repente e olhou para mim. “Jimin, vamos sair daqui.” Eu não consegui responder. Ele me disse com firmeza, “Eu vou voltar por você.” Eu respondi, “Eu vou voltar para a ala psiquiátrica em alguns dias.”
Três dias se passaram. Eu voltaria para a ala psiquiátrica no dia seguinte. Eu arrumei meus pertences e deitei. Eu me revirei na cama por um tempo mas logo cochilei.
Eu acordei com uma sensação de algo caindo. O hospital era um lugar estranho, e era difícil dormir profundamente. Eu conseguia sentir tudo ao meu redor com meus olhos fechados, e mesmo os menores sons me mantinham desperto. O quarto estava escuro como breu. Uma brisa soprou através da janela aberta. As cortinas se agitaram em meio ao fluxo do ar abafado. O teto, o chão, escuridão e silencio. Eram todos familiar.
Eu estava prestes a ligar o abajur quando a mão de alguém me segurou. Era o Hoseok. Eu sentei em surpresa, e ele colocou seu dedo em seus lábios. “Nós viemos todos juntos.” Ele disse que estavam me esperando lá fora. Ele estendeu sua mão.
Eu ainda estava enterrado em tantos medos. Eu era invisível para os meus pais. Eu seria tomado como nada mais do que um fugitivo de uma ala psiquiátrica no mundo exterior. Era mais seguro ficar no hospital e ser um paciente obediente. Eu não tinha certeza se eu ia me ajustar bem lá fora. Eu podia pensar em um milhão de razões para não ir embora.
Hoseok não hesitou. Ele agarrou minha mão, me colocou de pé, e me deu uma camiseta. Eu estava fora da cama antes que eu percebesse. O corredor estava parado e quieto. Algumas enfermeiras estavam na mesa. Estavam todas ocupadas com seu próprio trabalho e nem olharam em nossa direção, mas o Hoseok e eu andamos o mais silenciosamente possível, tensos. O elevador estava esperando no quinto andar. Quando a porta se abriu, Namjoon e Seokjin estavam dentro.
Saímos no primeiro andar e pisamos no corredor quando Hoseok me empurrou para uma porta a esquerda abruptamente. Era um saguão. Geralmente era lotado com pacientes e cuidadores de dia, mas de noite era quieto e escuro, só com as luzes nebulosas dos postes de luz entrando. Uma vela estava acesa e Jungkook e Taehyung surgiram da escuridão. O rosto do Yoongi também estava visível atrás deles. Na mesa havia salgadinhos e latas de refrigerante.
Uma enfermeira veio pela porta de trás logo que eu bebi um gole de refrigerante. Antes de eu terminar de dizer olá para eles, a enfermeira perguntou o que estávamos fazendo aqui, e Yoongi disse que era uma festa de aniversário. Ela entrou no saguão. “Todos vocês são nossos pacientes? Eu acho que não.” Eu era o único usando uma bata de paciente. Sem perceber, eu apertei minha mão ao redor da lata de refrigerante. A lata de alumínio amassou com um som estranho. Hoseok agarrou o meu ombro. “Tá tudo bem.” Foi o Namjoon. “Quando eu der o sinal, comecem a correr.” Deve ter sido o Jungkook.
Seokjin, que já estava na porta da frente, nos deu um olhar e foi para fora. Hoseok olhou em nossa volta e gritou, “Corra, Jimin.” Todos nós saímos correndo. Eu fui pego na emoção e corri com eles. Taehyung pisou em falso e quase caiu, e os salgadinhos e garrafas de refrigerante voaram no ar. Nós disparamos agilmente através das mesas e saímos no corredor do primeiro andar. As vozes altas e os passos das enfermeiras continuaram a nos perseguir. O corredor se esticava diante de nós assim como ontem.
Meu coração palpitava enquanto eu passava pela kit net e ia para as escadas de emergência. Sem perceber, meu passo desacelerou. Minha cabeça estava bombardeada com perguntas. Estaria tudo bem mesmo? Estou certo? Pode ser até mais difícil lá fora. Eu posso não ter ninguém do meu lado. Seria mais seguro e confortável aqui. Não é tarde demais. Seria melhor eu parar aqui. Seria melhor eu admitir meus limites. Seria melhor ser um bom garoto.
Minha linha estava a apenas alguns passo de distancia. Eu olhei para trás. Agora os zeladores tinham se juntado e estavam perseguindo os outros. Minha mão segurando a camiseta tremia violentamente. Pareciam que estavam no meu alcance. Talvez eu não tinha escolha. “Está tudo bem, Park Jimin, corra!” Aquela voz me forçou adiante. Eu dei mais um passo.
Eu ultrapassei a linha. Eu tinha dado apenas mais um passo até a porta, mas uma mudança dramática aconteceu. Algo dento de mim se enrolou e arfou como se eu tivesse acabado de saltar de um penhasco íngreme para outro. Enquanto eu jogava a minha bata de paciente e colocava a camiseta, eu dei outro passo em direção a porta. O passo seguinte foi mais rápido, e o próximo ainda mais rápido. As paredes em ambos os lados brilhavam ligeiramente, e a porta se aproximou em grandes passos. Só cinco passos restavam para chegar da linha a porta. Para qualquer um, era apenas um curta distancia de cinco passos. Mas eu não tinha ousado vir tão longe. Esta era a primeira vez que eu tinha passado a linha sozinho. A porta estava ao meu alcance.
Assim que passar pela porta, o ambiente vai ser completamente diferente do que me rodeou. Eu me recuso a pensar no que vai acontecer em seguida. Eu vou focar em dar um passo de cada vez. Eu empurrei a porta com toda a minha força. Cada célula do meu corpo colidiu com o ar exterior. Não havia luz do sol sufocante ou vento forte como eu sempre imaginei. Eu senti como se eu fosse chorar. O som do meu coração ecoava em todas as direções.
11 de Maio, ANO 22 (Jimin) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Topmost Floor In The City’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
Esta nota está presente no livro 花樣年華 THE NOTES 1, no capítulo The Topmost Floor In The City.
Jimin
11 de Maio, ANO 22
Eu fui transferido para a ala cirúrgica cerca de duas semanas atrás. De inicio, me pareceu estranho ver pessoas indo e vindo tão livremente. Logo, eu percebi que era só mais outra parte do hospital. Havia pacientes, enfermeiros e médicos. Foi me dado remédios e injeções. Em suma, era o mesmo que a ala psiquiátrica. A única diferença era que a ala cirúrgica tinha um corredor mais longo com um saguão no meio do caminho. Claro, havia uma diferença mais importante. Me era permitido perambular livremente pela ala. De noite, eu saia furtivamente do meu quarto e perambulava por aí. Eu pulava e dançava no saguão, e corria pelo corredor do primeiro andar em máxima velocidade. Esses eram simples prazeres que não eram permitidos na ala psiquiátrica.
Um dia, eu descobri algo estranho sobre mim enquanto eu corria pelo corredor. Em algum ponto depois da kit net e escada de emergência, meu corpo chegou em um impasse sem motivo. Ainda tinha cinco passos para chegar no final, mas eu parei e era incapaz de dar outro passo. No final do corredor tinha uma porta. A porta abria para o mundo exterior. Fora do hospital. A porta não tinha uma placa de “Zona Proibida”, e ninguém veio correndo me parar. Mas eu não consegui ir mais longe. Logo eu descobri o porquê. Aquele era o trecho do corredor igual o da ala psiquiátrica. Como se uma linha estivesse desenhada no chão, eu parei no ponto exato, onde o corredor da ala psiquiátrica terminava.
Eles me chamavam de bom garoto na ala psiquiátrica. Às vezes eu tinha convulsões, mas geralmente eu era obediente. Eu sorria e continuava a mentir sem ninguém saber de nada. E eu sabia meu limite. O corredor da ala psiquiátrica podia ser coberto em 24 passos largos. Quando eu fui hospitalizado pela primeira vez, eu tinha 8. Eu chorei e exigi ir para casa com a minha mãe, segurando na porta de ferro no final daquele corredor. Desesperadamente eu tentei abrir a porta até que os enfermeiros vieram correndo e me deram uma injeção. Por um tempo, os enfermeiros ficavam tensos sempre que eu pisava no corredor. Agora, ninguém prestava atenção em mim mesmo se eu corresse pelo corredor e alcançasse a porta. Eu já sabia que a porta estava trancada de qualquer forma. Eu só ficava correndo até a porta e voltando. Eu não implorava ou chorava mais para eles abrirem a porta.
Mas o mundo é cheio de pessoas mais idiotas do que eu. Eles seguravam e balançavam a porta sem parar. Eles eram impedidos pelos funcionários, recebiam injeções, e eram amarrados em suas camas. Se eles se comportassem só um pouco mais adequadamente, suas vidas poderiam se tornar muito mais confortáveis. Aqueles idiotas não sabiam de nada.
Eu não era assim no começo. Eu também era deixado desmaiado pelos sedativos forçadamente injetados pelos enfermeiros e fui pego tentando fugir do hospital nos primeiros dias. Eu chamava a minha mãe, chorando violentamente, o suficiente para ficar rouco várias vezes. “Eu não estou doente. Eu estou bem agora. Por favor, venha e me leva para casa”. Eu fiquei acordado a noite toda por vários dias, mas minha mãe não veio.
Quando eu fui levado ao hospital depois deles me encontrarem inconsciente no Arboreto, meus pais não fizeram nenhuma pergunta. Eles ignoraram o fato de eu ter apagado lá. Foi o mesmo quando eu comecei a ter convulsões. Eles me hospitalizaram, deram alta depois de um tempo, e me transferiram para outra escola. A reputação a família era importante para eles. Um filho com uma doença mental era inaceitável.
Eu não me tornei um bom garoto da noite para o dia. Não houve um evento dramático ou um incidente memorável. Eu só continuei a desistir de mim pouco a pouco, assim com uma unha cresce. Eu parei de chorar e de ansiar ir para fora em algum momento. Eu parei de correr em direção à porta do corredor.
Eu frequentava a escola entre as estadias no hospital, mas eu sabia que eu seria mandado de volta em algum momento. Era revigorante olhar para o céu e desfrutar a fragrância de cada estação. Mas eu tentei não guardá-las em minha memória. Logo elas seriam mantidos longe de mim. Amigos também. Um histórico de doença mental não era útil para fazer amigos.
Não havia exceções. Eu conheci um grupo que pareciam como amigos de verdade. Foi há quase dois anos atrás. Eu tentava não me lembrar deles, mas eu não conseguia não relembrar daqueles dias. Eu tive que me separar deles depois que eu tive uma convulsão no ponto de ônibus depois da escola. A última coisa que eu lembrava era a janela do ônibus circular do Arboreto se abrindo. Foi ai que eu apaguei.
Quando abri meus olhos, eu estava no hospital. Minha mãe estava no canto falando em seu celular. Minha mente rodopiou por um tempo. Eu não sabia aonde eu estava ou como eu cheguei lá. Eu olhei em volta e encontrei janelas com barras de metal. Então, tudo veio à tona. O céu azul que vi no caminho de volta para casa, os jogos bobos que jogamos no ponto de ônibus, o ônibus circular do Arboreto se aproximando, e os clarões nas janelas do ônibus.
Eu fechei meus olhos. Mas era tarde demais. O portão da frente do Arboreto apareceu diante dos meus olhos. Era dia de piquenique no primeiro ano da escola. Eu estava correndo pela chuva forte com minha mochila sobre minha cabeça. Um armazém surgiu à vista. A porta tinha sido deixada aberta. Eu entrei. O cheiro viscoso e bafiento, o som da minha respiração pesada, e o som metálico estridente.
Eu sentei na minha cama e gritei. “Não! Eu não me lembro! Eu esqueci!” Minha mãe veio correndo, chamando por alguém. Eu sacudia minha cabeça violentamente. Balancei meus braços em todas as direções para me livrar daquele cheiro, toque, som e visão. Mas as memórias vinham com tudo. A barreira que as seguraram por dez anos desmoronaram e cada detalhe daquele dia surgiram em minha mente, olhos, células e unhas como se estivesse acontecendo novamente. Eu tive uma convulsão e foi me dado uma injeção. A droga fluiu pelas minhas veias, e eu adormeci rapidamente. Eu fechei meus olhos e desejei que isto fosse tudo um sonho e que, quando eu acordasse de novo, eu não seria capaz de me lembrar de nada.
Aquele desejo foi só um desejo. Em vez disso, um ciclo de convulsões, injeções, e sono induzidos por injeções que pareciam como quedas de um penhasco continuaram. Depois de acordar daquele sono, parecia como se meu corpo todo estivesse coberto por lama. Lama que parecia sangue. Não importava o quanto eu tentasse lavá-lo, o cheiro daquele armazém permanecia. Eu me esfregava até sangrar, mas ainda me sentia sujo.
Quando o médico me perguntou sobre isso em um tom preocupado, eu tremi e me desculpei primeiro. Eu disse repetidamente que eu sentia muito. Era tudo minha culpa. Por favor, me deixe esquecer sobre tudo isso. Então, eu tentei fingir que nada aconteceu. Eu não sabia do que ele estava falando. Eu não me lembrava de nada. Eu olhei para o médico e sorri “Eu não me lembro de nada.” O médico realmente acreditou em mim? Eu não tinha certeza. Mas o importante era que eu me tornei um bom garoto. Minha vida no hospital era pacífica. Era um lugar ideal para jogar meu tempo fora. Eu não ansiava por nada e não me sentia limitado, com medo, ou sozinho. Isso foi até noite passada. Antes de eu encontrar o Hoseok de novo.
Eu fui transferido para a ala cirúrgica porque eu briguei com o idiota que ficava tentando chegar até a porta no fim do corredor apesar da restrição dos enfermeiros. Nós dois ficamos machucados e fomos colocados em quartos diferentes no quinto andar da ala cirúrgica. Eu fui colocado em um quarto para seis pessoas. Minha cama ficava no meio, e os pacientes em ambos os lados mudavam frequentemente.
Eu acordei no meio da noite. O paciente ao meu lado parecia estar tendo um pesadelo e ficava gemendo. O som de gemido vinha da cama do meu lado esquerdo. Eu puxei o lençol sobre minha cabeça. Eu estava cansado de pesadelos. Eu não precisava ouvir isto. Eu tentei aturar por um tempo, mas seu pesadelo continuou. Por fim, eu levantei e fui para sua cama. Eu bati de leve em seu ombro e tentei ajudar. “Está tudo bem. É só um sonho.”
Eu descobri esta manhã que o paciente era o Hoseok. Eu arrastei as cortinas para meu café da manhã, e o Hoseok estava sentado na cama ao lado da minha. Ele parecia feliz por me ver de novo. Eu também estava feliz? Provavelmente, em algum canto da minha mente. Ele conviveu comigo e cuidou de mim, um transferido que era um completo estranho na escola. Ele também pegava o caminho longo comigo depois das aulas. Eu ainda me lembro dos dias em que costumávamos caminhar para casa com picolés em nossas mãos. Mas ele também foi quem viu minha convulsão no ponto de ônibus antes de eu chegar aqui. Foi ele quem me trouxe para este hospital. Ele deve ter topado com a minha mãe. Eu não queria explicar minha situação para ele.
Eu sai do quarto sem tocar na minha comida. Hoseok parecia me seguir, mas eu conheci cada canto deste hospital. Ele não conseguia me alcançar. Eu perambulei pelo hospital o dia todo. Das escadas, eu vi os outros, até o Jungkook, quando eles vieram visitar o Hoseok. Eles não mudaram muito.
A tarde inteira, eu subi e desci as escadas e andei por ai nos outros andares. Me apoiei na janela no final do corredor e contei os carros passando. Eu fiquei chateado. Eu pulei todas as minhas refeições, e não havia lugar para sentar e relaxar confortavelmente. Era irritante ouvir as gargalhadas vindo do meu quarto. Eu fiquei com mais raiva porque eu não conseguia entender o porquê eu estava com tanta raiva. Eu voltei para minha cama tarde da noite. “Onde você esteve?”, ele perguntou para mim casualmente. Então, me deu um pedaço de pão.
Deve ser porque eu estava faminto. O pão estava quente e delicioso. Eu não consegui deixar de confessar para ele. Que eu fui confinado na ala psiquiátrica há um longo tempo. Que eu fui enviado brevemente para a ala cirúrgica mas seria mandado de volta logo. Que eu não teria alta em um futuro próximo. Que, como ele testemunhou, eu era uma pessoa que tinha convulsões nas ruas. Que eu era um paciente que poderia ser perigoso. Eu não queria adicionar a última parte. Mas eu pensei que isso impediria ele de me criticar.
Ele pausou por um minuto. Então, tomou meu pão. “Jimin, não exagere. Você não sabe que eu tenho narcolepsia? Eu posso apagar em qualquer hora ou qualquer lugar. Eu sou perigoso também?” Ele deu uma mordida no meu pão. Eu congelei sem saber o que dizer. Então, ele disse “O que? Você quer isto de volta?” Ele mordeu o pão de novo e o devolveu para mim. Eu o peguei de volta imediatamente. Ele me perguntou de novo “Convulsões são contagiosas? Narcolepsia não é. Não se preocupe.” Ele não mudou nem um pouco.
10 de Maio, ANO 22 (Hoseok) – [花樣年華 THE NOTES 1; Capítulo ‘The Topmost Floor In The City’]
HYYH The Notes (화양연화 The Notes) são notas, como um diário, de cada membro, narrando eventos do Universo Alternativo do Bangtan. Elas foram lançadas pela primeira vez contidas nos álbuns da série Love Yourself, e em março de 2019 o livro 花樣年華 THE NOTES 1 foi lançado; mais notas são encontradas nos álbuns da série Map Of The Soul. Elas narram e conectam alguns eventos que vimos anteriormente nos MV’s, nos short films de WINGS, no Highlight Reels de Love Yourself, e nos VCR’s das turnês. Veja aqui mais informações e todas as notas listadas cronologicamente.
Esta nota está presente no livro 花樣年華 THE NOTES 1, no capítulo The Topmost Floor In The City
Hoseok
10 de Maio, ANO 22
Minha narcolepsia acontecia em qualquer hora, qualquer lugar. Eu desmaiava sem aviso enquanto trabalhava, e apagava subitamente na rua. Eu fingia que eu não estava tão preocupado com isso na frente daqueles que se preocupavam comigo. Eu jamais contei a ninguém que eu não aguentava contar até dez.
Eu sempre acabava tendo sonhos com a mamãe quando eu apagava. Os sonhos eram todos parecidos. Eu estava me dirigindo para algum lugar com a minha mãe em um ônibus. Eu estava animado e alegre. Eu lia as placas que passavam, observava seu perfil, e ficava inquieto. Eu tinha por volta de 7 nos meus sonhos.
Então, de repente passava pela minha cabeça. A minha mãe me abandonou. Eu tinha 20 quando percebia isso. A minha mãe ainda estava sentada no assento na minha frente no ônibus. Ela parecia do mesmo jeito de costas. Quando eu sussurrava “Mãe”, ela virara sua cabeça como se me ouvisse. Sua silhueta brilhava contra a luz brilhante do sol e seu cabelo esvoaçava no vento assim como no parque de diversões aquele dia. A parte mais triste era que eu sabia. Eu sabia que eu acordaria deste sonho se ela virasse mais sua cabeça e olhasse para mim.
Eu tentava dizer a ela para não se virar, mas minha voz falhava. Eu ficava tentando gritar. “Mãe, não se vire. Não se vire.” Mas ela sempre se virava e me olhava. Assim que nossos olhos estavam prestes a se encontrar, tudo ficava branco, e a pálida luz florescente do teto do quarto de hospital aparecia.
Foi o mesmo hoje. Quando abri meus olhos, a primeira coisa que surgiu à vista foi a luz florescente no teto. Eu fui trocado para uma bata hospitalar. O médico disse que parecia que eu tive uma concussão e precisava de uma checagem mais cuidadosa. Fui movido para um quarto de seis pessoas. Eu me sentia exausto. Eu sempre me sentia exausto quando eu recuperava a consciência.