Ana, abalada, chega em casa no final da manhã de segunda-feira, assim, percebe que esqueceu dos seus afazeres domésticos, como fazer o almoço para os seus filhos os quais tinham que ir ao colégio. Após seus filhos saírem de casa, Ana vai à casa da sua vizinha, tendo em vista que ela precisava desabafar e, também, descobrir onde haveria médico ginecologistas no munícipio, a qual responde que há médicos ginecologistas no hospital do munícipio, assim, Ana se despede de sua vizinha e vai ao hospital em busca de atendimento.
Nesse contexto, Ana chega ao hospital, dirige-se à recepção e pergunta onde ela poderia marcar o atendimento com o médico ginecologista disponível naquela unidade de atendimento, porém a recepcionista lhe fornece uma informação de maneira rude, a qual foi a seguinte – para marcar tal consulta, é necessário vir até 14h da tarde e, além disso, há uma fila gigantesca de dois meses de espera.
Nesse aspecto, Ana implora, suplica ajuda à mulher, alega que está com muita dor, era nítido que ela precisava de um atendimento, o qual tinha que ocorrer o mais rápido possível, além disso, Ana não consegue entender o porquê dos agendamentos serem em um horário tão pequeno e especifico. Entretanto, para a atendente, Ana era apenas mais uma que alegava urgência, a atendente não se sensibilizou pela situação de Ana e, para completar, de maneira irônica responde que se for urgente ela deve ir ao posto-socorro.
Nesse aspecto, é válido ressaltar que Ana havia acabado de ir ao pronto-socorro e, em suas mãos, estava o encaminhamento do médico que tinha lhe atendido, demonstrando assim, que o princípio do SUS de integralidade estava sendo violado no momento em que a recepcionista ignora tal fato.
Ademais, Ana indaga-se o porquê de existir uma fila de dois meses para ser atendido pelo ginecologista, perguntando assim – há muitas mulheres precisando de ginecologista ou há poucos médicos disponíveis para realizar tal atendimento no município? Tal pergunta não possui uma resposta definida, porém tal pergunta não deveria existir, tendo em vista que caso há muitas mulheres procurando ginecologista, o Estado deve intervir contratando mais profissionais capacitados e, caso exista poucos médicos disponíveis, tal atitude deveria ser a mesma.
Após isso, Ana volta a sua casa e decide ir à ESF no dia seguinte, chegando ao médico da Saúde da Família, Ana relata o ocorrido, assim, o médico fica preocupado com a situação de Ana, tendo em vista que o seu estado clínico demonstrava ter piorado de um dia para o outro e, por isso, toma uma atitude, além de prescrever medicações, o médico pede um exame de mamografia, o qual tem como restrição a solicitação por médico especialista, ou seja, um ginecologista, é válido dizer que tal exame não estava disponível no município, assim, é orientada a ir para outro município realizar tal exame.
Nesse contexto, Ana segue para o município vizinho e vai para a unidade de atendimento, ao tentar realizar o exame, Ana descobre que não pode, pois o seu pedido não era proveniente de um ginecologista, médico especialista. Assim, Ana volta para a sua casa devastada, tendo em vista que estava doente e não encontrava ajuda rápida proveniente do SUS, sentia-se desamparada.
Nesse aspecto, em uma atitude desesperada, Ana vai à capital do seu estado, a qual pensava que seria mais fácil obter um atendimento, pois era a capital, recebia mais recursos do governo federal, porém, ao chegar na capital, Ana percebe que na capital existe problemas tão complexos quanto no município, como aparelhos quebrados, falta de profissionais e filas gigantescas para a realização dos exames.
Além disso, seu pedido foi negado pelo mesmo motivo citado anteriormente. Após isso, Ana consegue ajuda de sua amiga, a qual consegue o agendamento do exame para dois meses na capital, assim, passado tal tempo, Ana realiza o exame e espera mais 15 dias para receber o laudo, ficando evidente que a demora para realizar as consultas e exames estavam sendo definidor no tratamento e nas consequências finais da doença que acometia a Ana, tendo em vista que ela estava com suspeita de câncer.
Assim, passado os 15 dias, Ana recebe o laudo e vai ao médico, o qual desconfia de neoplasia e, por isso, pede outro exame, uma biópsia, Ana fica receosa, pois ela já havia percebido a dificuldade que era para realizar exames pelo SUS. Nesse contexto, o médico pede o exame direto a Secretária Municipal de Saúde, a fim de que a resposta seja mais rápida, assim, o agendamento ocorreu, o exame foi marcado para dois meses, é válido dizer que tal agendamento foi o melhor que conseguiram fazer, pois as filas estavam lotadas. Assim, Ana recebe o resultado, o qual diz que Ana está com neoplasia maligna, Ana vai ao médico da Saúde da Família, o qual diz que Ana precisa ir ao especialista, pois tudo que estava ao seu alcance já tinha sido feito, ele ressalta a Ana que o tempo é determinador na cura da doença e, por isso, pede para que Ana vai à secretária que marcou o exame da biópsia, pois ela conseguiria o atendimento o mais rápido possível.
É válido dizer que haviam se passado 6 meses desde a primeira consulta, o qual deixa evidente a demora existe para que o tratamento seja iniciado.