Quando finalmente pus as mãos na obra mais recente do Bravo, publicada pela Darkside Books no final do ano passado, eu engoli o livro. Quase pude ouvir os gritos indignados vindos da minha (gigantesca) fila de leitura me culpando por mais uma semana de pó acumulado na estante, mas vamos nos entendendo por aqui.
VHS – Verdadeiras Histórias de Sangue - traz 18 contos ambientados no município paulistano de Três Rios e arredores, e é essa coincidência geográfica que conecta cada um do capítulos aos demais. Já nas primeiras páginas, o leitor é introduzido à cidade a partir de recortes jornalísticos da época, onde são denunciados escândalos envolvendo nomes importantes às principais atividades econômicas locais: produção de pesticidas e abate de animais. Falando em época, a trama ocorre em algum período entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, o que sugere o trocadilho com as letras VHS no título do livro.
Cada capítulo é iniciado com o trecho de uma música (existe uma playlist disponível no Spotify com todas as músicas citadas) que pode remeter ao tema da subtrama. A partir daí passamos a acompanhar os moradores de Três Rios em aterradoras situações que invariavelmente terminam em sangue derramado, horror e mistérios locais sendo desvendados. Não necessariamente nessa ordem. Seria aquela terra amaldiçoada ou estão todos apenas colhendo daquilo que plantaram?
Fãs de horror em geral certamente vão curtir VHS, mas se você já viveu a experiência real de devolver uma fita de vídeo na locadora do seu bairro, além disso também vai conseguir resgatar algumas antigas lendas urbanas que estão adormecidas desde a aposentadoria do nosso velho amigo Video Home System pelo DVD.
Do brutal ao sobrenatural. O sangue é a matéria prima de VHS. Uma leitura que consegue ser visceral e nostálgica. Agonizante e atmosférica. Sem dúvida César Bravo é um dos grandes nomes do horror nacional.
Leia VHS.. e não esqueça de rebobinar.