Saudade Não Tem Tradução
A palavra “saudade” só existe no dicionário brasileiro. Verdade? Não sei. Não faço a mínima ideia. Não sou desses que passa o dia inteiro no Google pesquisando sobre “curiosidades”…
Mas confesso que fiquei encucado. Resolvi aprender mais. Em inglês, a palavra “saudade”, é “trocada” pela frase “I miss you”. Que, traduzindo, significa “eu sinto falta de você”. Em espanhol, “Lo echo de menos”. Significa “eu sinto a sua falta”. Em francês, “tu me manques”. Mesma coisa. “Eu sinto falta de você”.
“Saudade", no geral, representa essa “falta” que as pessoas criam/sentem (e insistem em criar/sentir) uns pelos outros. Mas, para mim, “saudade” também representa a vontade de dar novamente aquele abraço, de repetir aquele beijo, de ouvir aquelas palavras…
“Saudade” é a forma mais prática de dizermos que ainda amamos alguém. Por mais que esse alguém nem esteja mais entre nós…
Sentir “saudade” é a constatação de que todo amor (quando verdadeiro) é imortal. Tanto é que carregamos esse sentimento mesmo quando a pessoa amada (por quem sentimos saudade) não está mais entre nós. Aí mesmo que sentimos mais saudade…
Essa nossa ignorância, velada por desculpinhas esfarrapadas, não nos deixa ver as verdadeiras prioridades que devemos (ou que pelo menos deveríamos) ter.
A gente acha que tá sem tempo pra nada e esquece de coisas básicas e importantes. Cuidar de si mesmo e de quem você ama é fundamental para uma vida. Para qualquer vida, tá? Mesmo que a gente tenha ideologias diferentes, essa é uma lei “universal”. Afinal, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Aliás, eu acho que a palavra “saudade” só existe no Brasil porque, só aqui, nós temos o costume de correr mais que o tempo. Assim, desse jeito, perdemos os amigos, as pessoas que nos amam e, é lógico, a própria vida. Diante disso tudo, é claro que em todos nós iria bater esse “sentimento” de ter de novo em mãos a oportunidade para abraçar, para beijar, para ouvir… Meio óbvio, né?
O ser humano é algo muito esquisito mesmo. A gente passa a vida inteira tentando sobreviver sem saber viver. A gente não vive. A gente sobrevive.
Viver é rir daquela piada interna com a sua melhor amiga, é ir ao bar apenas para conversar, é transar, é amar, é ser amado, é poder retribuir os ensinamentos que você aprendeu com a vida (e com as pessoas), é tomar um banho de chuva, é poder dar aquele beijo de língua inesperado, é poder se despedir dignamente de alguém e, é claro, viver é poder ser feliz sem precisar fazer mal a nada (e nem a ninguém). Viver é só isso? Mais. Muito mais. Viver é comer brigadeiro, é dançar até ser a última da balada, é rir de si mesma, é ser bonita do seu jeito, é ter sonhos e, principalmente, viver é acordar para realizar todos eles. Viver é ter medo, sim. Todo mundo tem medo. O medo nos faz humanos. Viver é ganhar no bingo. Viver é chorar. Por tudo e por todos. Por tudo que a gente passou e por todos os filmes com finais felizes. Viver é achar uma nota de dois reais no chão. Viver é viajar com os seus melhores amigos. Viver é encontrar Deus na sua religião (ou na janela da sua sala). Viver é não ter respostas para as perguntas que fazemos. Viver é passar a vida inteira querendo aprender a andar de skate e ter que se contentar com a bicicleta. Viver é aprender andar de skate!
Viver é sentir saudade. Muita, muita saudade. Pois só podemos andar (para frente) quando olhamos (para trás) e aceitamos o que aconteceu.
Para aqueles que foram embora por opção e para aqueles que nem puderem optar, existe a saudade para salvá-los. A saudade, brasileira, existe somente para nos lembrar dos bons momentos que tivemos. Saudade faz bem.
Viver não é só ganhar dinheiro e ter um lugar ao sol (com preferência na sombra). Viver é algo que a gente não imagina e nem sente. Até agora, eu acho…










