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E isso! Aliás... A classe média brasileira acovardada para fugir da realidade tem como álibi na ponta da língua a tal frase "teoria da conspiração".
No Brasil a ignorância intelectual e cultural da classe média foi completamente idiotizada. Exatamente Isso... Conseguiram idiotizar a ignorância. Porém, esses não estão só, eles são muitos.
Haja vista que, em pleno Século XXl, com a comunicação em tempo real na palma da mão com acesso a tudo de informação direto da fonte há imbecis que se informam através da TV. De cada dez brasileiros sete não lê qualquer texto recebido no celular com mais de dois parágrafos. Além de usar a vírgula para respirar...😂
Classe C é a maior consumidora de Beleza e Estilo de Vida no ambiente digital
Levantamento da Comscore sobre Beleza e Lifestyle revela que as categorias de fragrâncias/cosméticos e beleza/moda são mais consumidas por internautas das classes C e B. Outro insight importante é sobre os homens que buscam por conteúdo de beleza nas redes sociais: eles são responsáveis por 28% desse público no país, enquanto as mulheres representam 71% da audiência. Vale ressaltar que os adultos…
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#Repost @pedrojunior87 • • • • • • Via @ desargumentacao - Se comportar como rico não vai te tornar rico. E ninguém deveria se comportar assim. . #brasil #quarentena #classemedia #classes . #StopBolsonaroMundial #CassaçãoDaChapa #cadeiaparafakenews #ForaBolsonaro #MoroeBolsonarosãoumsó #forabolsonarogenocida #bolsonarochega #BolsonaroAcabou #bolsonaromiliciano #bolsonaromentiroso #bolsonarolixodaditadura #ovírusébolsonaro #sarahwinternacadeia #alandossantosnacadeia #famíliabolsonaronacadeia #cadeiaparafakenews https://www.instagram.com/p/CDJ2Mv6JFII/?igshid=1gr9o2s52z0wq
Perché i ricchi diventano sempre più ricchi? Forse una domanda più utile dovrebbe essere: perchè i poveri e la classe media continuano ad avere problemi di denaro? ... Tu sapresti rispondere? In questo video ti dirò le ragioni perché i poveri e la classe media continuano ad avere problemi di soldi. Buona visione 📺 Lasciami un commento ✍️ di cosa ne pensi. Voglio confrontarmi con te 😎 #mariadamico . . . . . . . . . . #ricchi #classemedia #postofisso #stipendio #ferie #cashflow #increscita #poveri #investimento #senzasoldi #crealatuavita #realizzaituoisogni #faststartnetworker #business #royalty #immobili #networkmarketing #networker (presso Salerno, Italy) https://www.instagram.com/p/B9b6HJpqtJA/?igshid=1amppogmwkpr7
Vivências e contradições de se morar em Santa Cecília
Há quase seis meses eu e duas amigas somos o novo e as novas moradoras do icônico bairro de Santa Cecília, na região central de São Paulo. Falo icônico, pois, mesmo antes da Vejinha ter estampado em sua última capa um perfil dos habitantes e do comércio hipster, o bairro já era muito bem conhecido por quem ali passava, morava ou trabalhava, como qualquer outro paulistano que tem sua vida ligada à cidade. E conhecido por ter um público bem diverso e ter um histórico de contradições que se estampam nas ruas e no comércio local.
A capa da revista dividiu opiniões: uns contra, outros a favor. No final, acho que tem mais contras do que prós. Se destaca o fato de que traçou um perfil geral de quem são os santa ceciliers, e achei isso interessante, de mapear esse público jovem, e que aqui se sente confortável para ser quem deseja, como as gays se vestirem com suas saias, rebolarem e expressarem-se como desejam; dos pouquíssimos pretos também se afirmarem por meio dos blacks, roupas e dos cumprimentos particulares entre si; e das mulheres que se afirmam pelo trabalho e pelas pautas feministas. Infelizmente (ou nem sei se o adjetivo é necessário, pois não espero muito da Veja), a reportagem foi em direção ao estereótipo, só que de uma forma divertida, cativante, com foco num determinado público leitor, dando ênfase ao estilo de vida de uma parcela populacional e ao comércio “descolado” do bairro, enfocando seus bares, floriculturas e até “casas de carne” (para não falar “açougue”), que atendem esse variado público, e que ajuda na manutenção da desigualdade local e da cidade.
Fato é que o chamado público “santa cecilier” da revista existe, e a reportagem caiu como uma luva para alguns, sobretudo para aqueles que desejam ter sua identidade ligada à estética e domesticidade. Os moradores de apartamentos construídos após os anos 50 com seus tacos de madeira no piso e samambaias que os decoram, e que às vezes cuidam de gatos e cachorros, e amam pagar em um chopp 18 reais mais 15% de serviço, vai ao encontro daqueles que acham que ascenderam de vida (por considerarem que agora moram no centro ou possuem um estilo de vida “descolado”), além de partilharem a vida cultural da região, permite que se construa uma identidade própria e que supostamente não seria encontrada em nenhuma outra parte da cidade, que lhe é exclusiva e sem conexão com outros pontos de São Paulo.
Ora, quem efetivamente conhece a cidade - e aqui me refiro a conhecer seu(s) centro(s) e periferia(s) – sabe bem que a diversidade é um fator inerente à qualquer grande cidade contemporânea, sobretudo em São Paulo, onde você vê pessoas que querem se diferenciar umas das outras em suas modas, fazeres e atividades, e ao mesmo tempo procurar se integrar em grupos que também partilham dos seus gostos, e assim, não há uma particularidade da dita “exclusividade” em ser morador ou moradora de Santa Cecília. Não é de se orgulhar que um bairro tenha mais acessos, oportunidades ou mais opções de lazer que outros, pois isso a reportagem só reafirma a desigualdade existe em uma cidade como São Paulo. A imagem construída pela revista, além de estereotipar os moradores do bairro, reduziu todo seu potencial de ser um espaço da diversidade (de pensamentos, política, cultural) como um espaço do consumo feito pelo e para o público jovem que cada vez mais passa a residir ali.
Dizer que o modo de vida de uma área é próprio de um bairro, da forma como foi construído pela revista, serve apenas aos interesses do mercado imobiliário, sobretudo porque assim viabiliza novas vendas e atrai um público economicamente ativo, e que se sinta ao mesmo tempo exclusivo, com um modo de vida que não pode ser encontrado em outros bairros paulistanos. Comparo com a região que cresci e vivi por 25 anos: São Miguel Paulista, bairro do extremo leste da cidade, e com uma dinâmica histórica e cultural muito forte. Evidentemente que as opções de lazer e oportunidades não são as mesmas que as de Santa Cecília, o que não significa que o público não crie formas de atender questões do seu cotidiano, a exemplo de também ter a tradição de possuir uma imensidão de plantas espalhadas pelas casas, costume que remonta ao final do século XIX quando a cidade passa a ter cada vez menos vegetação, mas o apego à natureza e os costumes e tradições do modo de vida rural permanecem na contemporaneidade. Assim, ter plantas em casa é um fato que só a história explica, e deve ser entendida de maneira macro, não segmentada como algo próprio de um bairro. A decoração com plantas nos apartamentos de Santa Cecília faz parte de todo um processo de estar próximo da natureza, que a própria cidade desprezou em sua história recente, e hoje tenta retomar essa conexão mesmo que por meio de samambaias compradas a 50 reais o vaso (quando em São Miguel o mesmo sai por 15 – e claro que também há samambaias mais baratas no centro, a questão é que às vezes pagar mais caro faz parte da dita “identidade santa cecilier”).
Isso sem dizer da tradição de possuir animais em casa. Gatos e sobretudo cachorros estão na vida das pessoas desde a Pré-História, então aqueles que vem até eu dizer que isso é uma coisa própria de Santa Cecília é porque na real vive no mundo da lua, e não no bairro que homenageia a padroeira dos músicos. Engraçado, pois as contradições do bairro são evidentes nesse quesito, pois enquanto muitos pregam a adoção de animais, na outra ponta o que surgem de espaços com plaquinhas de vende-se tal raça aparece aos montões, e isso encontra ressonância nos milhares de whippets e pugs vestidos como gente e que estão nos supermercados, farmácias e bares da região com seus donos. Queria que o número de vira-latas caramelo fosse ao menos próximo!
Criou-se uma falsa identidade para um dos bairros mais incríveis da capital paulista, a partir de uma comunhão pré-fabricada que se costura a partir do consumo, e que bem poderia ser tida pelas relações que se dão nos botecos, ruas e nas feiras da região, que aliás, muitos romantizam a ponto de dizer que “não tem feira igual a de Santa Cecília”. Claro que não tem, os espaços são distintos, mas isso não constrói um diferencial para um espaço com barracas que vendem legumes e verduras e um pastel a 8 reais. Só porque você, hipster que acha que ir à feira é algo exótico, que estar junto de velinhas com seus carrinhos de ferro, ou segurando seus dogs para não fugirem entre as pernas de quem tá ali ouvindo os poucos gritos dos feirantes, não sabe 1% do que é uma feira de bairro, com aquela molecada indo e vindo entre você, uma gritaria sem tamanho para tentar vender o máximo possível, e aquele chorinho do caldo de cana que na verdade volta a encher seu copo mesmo que você não peça. Acho engraçado o fato de amigas e amigos que moram por aqui acharem a feira da Santa Cecília uma coisa sem igual, porque conhecem os apelidos dos vendedores e acham um charme comprar três pacotes de legumes por 10 reais, como se isso fosse o desconto do século. Mal sabem que nos domingos também há outra feira não tão distante, próxima da rua Santa Ifigênia, em que os preços são muito mais baratos e a gritaria se faz presente com muito chorinho nos copos de caldo de cana.
Morar em Santa Cecília é uma delícia, você está imerso em uma variedade de espaços culturais como museus, teatros, baladas e cinemas, muitos dos quais são grátis ou baratíssimos, além do vasto transporte público e da opção gastronômica de restaurantes, bares e cafés. A questão é: efetivamente o público morador do bairro conhece o bairro? Eu diria que não! Primeiro porque a própria noção de morar em Santa Cecília não se estende ao perímetro oficial do encravado da Vila Buarque, Higienópolis e República, mas se estende à toda uma área central paulistana que chega à Barra Funda, alcança a Consolação e Liberdade, e que agora também está no Bixiga (bairro que muitos preferem chamar de Bela Vista). Ou seja, os aspectos e modismos presentes na Santa Cecília não é de sua exclusividade, mas de um pessoal que deseja morar no centro e que dadas as questões do nosso tempo, possuem gostos, vontades e ideais próximos, presentes inclusive no público de mesma idade e que mora em outros bairros, sejam tão periféricos ou não. Isso reflete o não conhecimento do bairro, dos cafés escondidos, das lojinhas de R$1,99, dos restaurantes com PF gostosíssimos que não gourmetizam o arroz com feijão…
A matéria da Vejinha me faz refletir outro ponto, o quão apolítico é o público que mora na região de Santa Cecília. Sem ficar concentrado na dita política stricto sensu, (foi aqui que Jair Bolsonaro e João Dória tiveram uma das maiores proporções de voto da cidade), em geral se observa um público que gosta de pagar de descolado, ligado às pautas historicamente ligadas à esquerda, como os movimentos de raça e gênero, mas não necessariamente ligado às pautas trabalhistas (um mal que também pode ser dividido com outros bairros de São Paulo e cidades do mundo afora, dada as questões que vivemos na contemporaneidade de focar no que pode alcançado pelo consumo). Em geral, muitos dos que habitam o bairro amam a ideia de que a revolução será feita pela internet e acreditam que a mudança virá pela ação do indivíduo em suas redes sociais e pelas atividades “diferentes e inovadoras” em seus ambientes de trabalho. Teve um dia que ouvi de uma pessoa que atua na tv e mora pela Santa Cecília que ela “faz o que pode para alcançar todos os públicos, até os ricos para pensarem como podem não ser tão esnobes”. Deu vontade de falar “bicha, pare!”.
Só pra gente ter uma ideia (e é uma coisa bem generalista, de observação, porque não conheço dados que me embasem), a galera adora debater questões sociais, sabe de cor os mandamentos de gênero, sexo e orientação sexual, e percebem o quão racista é a sociedade brasileira, mas não percebe o quão privilegiada é! Essa (e outros descolados) amam colar nos eventos da Ocupação 9 de Julho, e isso é maravilhoso sobretudo para dar visibilidade a um dos movimentos mais engajados do Brasil e do mundo, porém, quando em conversas se trata de temas como direito à cidade, IPTU progressivo e moradores em situação de rua, a luta é algo que tem que ser feita pelo outro, pelos movimentos, sem a sua devida participação.
Aliás, tratar de um assunto tão delicado como a moradia nessa área da cidade e apenas citar a Ocupação 9 de Julho, é invisibilizar outras ocupações que aqui também existem e que muitos fazem questão de fingir que não as conhecem sobre a Avenida São João, na Duque de Caxias, na Ipiranga ou ruas limítrofes. Por vezes já ouvi frases como “falta uma organizaçãozinha, né?”, “pena que é feio por fora”, “mas querem morar no centro também”, e outras mais frequentes, e isso da boca daqueles que moram do Copan ao Racy (o Copanzinho), dos pós-graduandos aos que trabalham como professores, enfermeiros ou em espaços de coworking.
Aproveitando o gancho da palavra, acho bizarro o fato de a galera considerar “cool” falar várias coisas em inglês e isso não ser problematizado. Além de cafona é pedante, todos quererem gastar seu inglês ao máximo, e isso inclusive parece que coaduna com aqueles bares cheios de decoração “inspirados em NYC e London” porque amamos um viralatismo. Aí nesse ponto eu penso: tem coisas que não são próprias de um bairro, mas de uma classe, a classe média, que faz questão de se mostrar, de se auto-afirmar pelo consumo e pelo modo de vida, tentando se distanciar ao máximo do pobre. Mas daquele pobre que mora na periferia do extremo da cidade, numa casinha de três cômodos – maior que muita kitnet – com aquele cachorro amarelo, e que depende da linha 3 vermelha. Nossa, só de pensar que a linha vermelha também passa pela Santa Cecília, mas da estação República rumo à Itaquera é outro mundo, lhe dá até calafrio. Uii…
Com certeza Santa Cecília é um dos bairros mais gostosos de se morar em São Paulo, disso não tenho dúvidas. Mas se suas moradoras e moradores querem ter alguma primazia nessa história, que não seja se gabando por ter uma vida diferentona de outros bairros paulistanos. Espero muito que a galera continue morando nos apartamentos chão de taco e as samambaias transformem suas salas em pequenas florestas (como a minha que tem até uma laranjeira), mas que também reconheçam que contribuem com a especulação imobiliária do bairro e é necessário fazer algo; que conheçam os cafés e botecos que não estão na rota metrô-casa; que entendam que a desigualdade está tão próxima como imaginam estar distante; e que ter uma identidade construída nos valores da distinção do mercado apenas reforça argumentos e pensamentos apolíticos e acríticos. As moradoras e moradores de Santa Cecília vão além do que a Vejinha descreveu! Acho que já deu pra perceber que apesar de ter um público que pensa que entende das demandas sociais, e tem uma parcela de jovens gays e mulheres independentes, se trata de um bairro branco, onde os poucos negros ainda são seguidos pelos seguranças nos mercados ou são estigmatizados ao entrarem em lojas ou bancos; que é formado por uma classe média que em geral se aproxima muito de outras classes médias paulistanas, pois é individualista e não se considera como classe trabalhadora; e acaba por ser bem ignorante, pois ao falar “bom dia” pro porteiro acha que está fazendo uma revolução, ainda que não precise fazer o mesmo com outros moradores do condomínio ou ter a riqueza de perceber que ela é um ser humano. Ser humano igual ao da Penha, do Jabaquara, do Imirim, de São Miguel… até da Mooca. Mas pra falar da Mooca é um papo que vai render outra história.
O mau cheiro que o perfume francês disfarça
DEIXE OS SLIDES ABAIXO CORREREM AUTOMATICAMENTE Burguesia – Que classe! Fedorenta, mas perfumada por Mouzar Benedito Vejam uns conceitos referentes a uma só palavra, que retirei de um dicionário e pensem em quem se identifica com eles: 1. “Que ou aquele que não tem grandeza nem abertura de espírito por excessivo por segurança, êxito material, bem-estar etc.”. 2. “Que ou o que demonstra contar com horizontes estreitos: ser antiprogressista, preconceituoso, reacionário, ou nada entender de coisas do bom gosto e da arte, ou ter inquinações e sentimentos pouco elevados (todos considerados como características dos burgueses)”. Sim, referem-se à palavra burguês. Claro que há outros significados, como o original dos tempos da Idade Média: natural ou habitante livre de um burgo, que gozava de relativos privilégios. Está no dicionário Houaiss. Burguês no conceito popular, hoje, é o sujeito rico, de preferência muito rico. Mas a classe média não pode ser chamada de burguesia? A filósofa Marilena Chaui provocou furor na mídia ao falar da classe média, que tem a ver com esses conceitos de burguesia. Ela disse: “A classe média é uma abominação política, porque é fascista; é uma abominação ética, porque é violenta; e é uma abominação cognitiva, porque é ignorante. Fim.”. E concluiu: “Eu odeio a classe média”. E olha que ela falou isso num tempo que parecia bem menos ruim do que o atual. Bom… A classe média não é homogênea, para começar tem média-alta, média-média e média-baixa. Em sociologia, a classe média engloba os que exercem profissões liberais, os pequenos industriais e comerciantes, além dos quadros médios da função pública ou do comércio e da indústria. Enfim, dá para incluir na classe média até os intelectuais, que dependem de um emprego para viver, embora com certas “qualidades”. Aliás, Ralph Emerson, filósofo estadunidense disse: “Todos os grandes homens saíram da classe média”. Dentro da classe média há gente que foge do padrão: o intelectual “tem gosto e interesse pronunciados por coisas da cultura, da literatura, das artes etc.”, é uma pessoa com uma certa cultura geral, tida como pensador, sábio… O burguês citado é bronco e gosta de ser bronco. Tem dinheiro e condições para mudar sua condição mas não muda, ao contrário, tem preconceito contra os que não são como ele. No conjunto, a classe média se identifica com a alta, tem os ideais da classe alta mesmo sendo explorada por ela. Mas, relembro as minorias dentro dela. Jornalista e outros profissionais podem se sentir com vernizes intelectuais, mas são ou não são classe média? Nós jornalistas podemos nos situar entre estes que, em termos econômicos e condições de vida são sem dúvida da classe média, portanto burgueses (pequenos ou médios), embora muitos de nós discordantes do padrão que ela representa em termos políticos e culturais. Profissionais liberais como médicos, advogados, dentistas, engenheiros e outros com formação universitária, não só podem ser identificados como burgueses como, acho, compartilham (em sua maioria) os ideais burgueses. Claro, tem médicos que fogem disso (vide os que optam por saúde pública, por exemplo), assim como advogados, dentistas, engenheiros etc. Conheço vários que não se assemelham nem um pouquinho com os burgueses que cito.Leia também: Adeus ao fim do mundo!, por Marcos Silva O que reparo nos tempos atuais é que as pessoas que se encaixam perfeitamente no figurino que citei no início deste texto estão em todas as partes. São mais comuns do que moeda de um real. Encontra-se por onde a gente vá. Até em faculdades. O ódio à cultura, ao pensamento libertário, ao progresso humano, ao bom gosto, é uma característica dominante numa vasta quantidade de brasileiros (não só). Tem deles em todas as camadas da classe média, nas ditas “elites” e até na classe trabalhadora. Então, aí vão umas frases coletadas por aí que falam de um tipo de gente da “classe média”, da burguesia, e também de uma elite escrota que pensa e age igualzinho a essa burguesia. Na verdade, são frases sobre “classe”, seja qual for ela. Mas com preferência por essa burguesia ideológica típica, que sempre existiu mas agora é mais exibida, inclusive no Brasil. Cazuza: “A burguesia fede. / A burguesia quer ficar rica. / Enquanto houver burguesia / Não vai ter poesia”. Falcão (o músico): “Eu sei que a burguesia fede, mas tem dinheiro pra comprar perfume”. Milton Santos: “A classe média não quer direitos, quer privilégios, custe os direitos de quem custar”. Milton Santos, de novo: “Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem.”. Mary McCarthy: “Só os idiotas da classe média acreditam que ficar em dia com a última novidade em literatura melhora o seu status no mundo”. Oscar Wilde: “Só há uma classe de pessoas que pensa mais em dinheiro do que os ricos. São os pobres.” Oscar Wilde, de novo: “Uma grande paixão é privilégio de quem não tem nada que fazer. É a única ocupação das classes ociosas de um país”. Marx e Engels, na Ideologia alemã: “As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante”. Marx e Engels, no Manifesto comunista: “A burguesia rasgou o véu da emoção e de sentimentalidade das relações familiares e a reduziu a uma relação monetária”. Alain Touraine: “Substitua ‘burguesia” por ‘globalização’ e eis o mundo atual descrito por Marx”. Marx e Engels, no Manifesto Comunista: “Os que no regime burguês trabalham não lucram e os que lucram não trabalham”. Francis Bacon: “Há pouca amizade no mundo, sobretudo entre pessoas da mesma classe”. Benjamin Constant: “O direito à insurreição não pertence a ninguém . Nenhuma classe pode fazer da insurreição um monopólio”. Marquês de Maricá: “Mudai um homem de classe, condição e circunstâncias, vós o verás mudar imediatamente de opiniões e de costumes”. Paulo Francis: “Ser da classe média é achar Godard o máximo”. Domitila Chungara: “A burguesia sempre foi brutal, mentirosa e ladra”. Emiliano Zapata: “O burguês, não contente em possuir grandes tesouros dos quais ninguém participa, rouba o produto do trabalho do operário e do peão”.Leia também: Cheiro de mudança no ar, por Paulo Kliass Carlos Drummond de Andrade: “Preso à minha classe e algumas roupas, vou de branco pelas ruas cinzentas”. Victor Hugo: “A miséria das classes baixas é sempre maior que o espírito de fraternidade das classes altas”. Eu: “Nem só da classe média vive a imbecilidade”. Eu, de novo: “Classe média de todo o mundo, uni-vos. Assim a gente compra uma televisão só”. Aldous Huxley: “O burguês é um perfeito animal humano domesticado”. Frida Kahlo: “Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade”. Antônio Lobo Antunes: “Quem lê é a classe média”. Noam Chomsky: “O problema da classe média é que ela não está nem aí para os privilégios dos ricos, mas sim para a possibilidade dos pobres terem algum”. Aécio Neves (em 2013): “A presença maciça da classe média no movimento de protesto coloca em xeque, com ênfase, as contradições do PT”. João Pedro Stédile: “O papel do movimento não é agradar a classe média, que sempre foi oportunista. Não vim aqui para puxar o saco de vocês”. Silvio Santos: “A melhor maneira de viver é como um cidadão de classe média. Tudo o que passa disso, na minha opinião, é troféu. O dinheiro para mim representa apenas troféus de sucesso, troféus de vitória”. Marco Maia: “A elite brasileira não gosta de ciência e tecnologia, pois eles não permitem que o Brasil seja desenvolvido e emancipe seu povo, gostam de ser colônia dos países desenvolvidos” Jessé de Souza: “A elite não odeia os pobres, ela tem uma indiferença blasé, quer o dinheiro dela e pronto. Mas uma parte da classe média tem sim uma relação de ódio com o pobre”. Lula: “A classe média deveria entender que, ao receber algum recurso, o pobre gasta”. Joseph Goebbels: “A classe média não é anticomunista porque acredita na ameaça do comunismo para a nação e as tradições nacionais, mas porque tem medo que os comunistas vão roubar sua fortuna, tranquilidade e segurança”. Joan Bardeletti: “Parti do pressuposto que uma classe média crescente significaria um avanço democrático. Mas quando falei com as pessoas percebi que estavam envolvidas em política apenas quando lhes era conveniente”. Ferdinand Lassalle: “Se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence”. Fernando Meirelles: “Os cineastas brasileiros são parecidos: pertencem à classe média, leem os mesmos livros, veem os mesmos filmes”. Victor Hugo: “Quiseram, erradamente, fazer da burguesia uma classe. A burguesia é apenas a parte satisfeita do povo. O burguês é o homem que hoje dispõe de tempo para ficar montado. Uma cadeira não constitui uma classe”. Warren Buffet: “Enquanto os pobres e a classe média combatem por nós no Afeganistão, e enquanto muitos americanos lutam para chegar ao fim do mês, nós, os mega-ricos, continuamos nos beneficiando de isenções fiscais extraordinárias”. Émile Henry: “Não existe burguesia inocente”.Leia também: Livros que não esqueço (IV), por Izaías Almada Herman Hesse: “A burguesia prefere a comodidade ao prazer, a conveniência da liberdade e uma temperatura agradável para o mortal fogo consumidor interno”. Darcy Ribeiro: “Não há lugar melhor para fazer um país do que este, mas o Brasil tem uma classe dominante ranzinza, azeda, medíocre, que não deixa o país ir pra frente”. Darcy Ribeiro, de novo: “Nós temos uma das elites mais opulentas, antissociais e conservadoras do mundo”. Mario Benedetti: “A verdadeira divisão de classe sociais deveria ser feita levando-se em conta a hora em que cada um sai da cama”. Julio Cortazar: “Sou um burguesinho cego a tudo o que se passa além da esfera da estética”. Gabriela Mercury: “O tambor vem vestido de chita rasgando seda para a burguesia”. Santiago Dantas: “A Índia é um país com uma elite maravilhosa e um povo de merda. O Brasil é um país com um povo maravilhoso e uma elite de merda”. Guilherme Boulos: “A burguesia brasileira pede um Estado mínimo e enxuto para o povo, mas desde sempre teve para si um Estado máximo. Privatizar os lucros e socializar o prejuízo, esta é sua diretriz.” Luís Fernando Veríssimo: “Sou pelo fim do seu extermínio e pela demarcação das suas terras. No caso de não ser possível estabelecer-se um santuário, poderia se pensar em cotas anuais de abate”. Eu: “Executivo insensível também pode ter nó na garganta: o da gravata”. Flaubert: “Chamo de burguês toda pessoa de pensamento vulgar”. Luís Antônio Medeiros: “No Brasil, quem tem uns dentes na boca já é elite”. Anônimo: “A melhor coisa que a burguesia faz é filha”. Valéry Larbaud: “O dever, eis o nome que a burguesia tinha dado à sua covardia moral”. Eu: “Privilégio de ‘gente fina’: o que a elite cultural e política faz ideológica e intelectualmente não se chama prostituição, mas pragmatismo”. Eduardo Galeano: “O que são pessoas de carne e osso? Para os mais notórios economistas, números. Para os mais poderosos banqueiros, devedores. Para os mais influentes tecnocratas, incômodos. Para os mais exitosos políticos, votos”. John Lennon: “Se tomássemos o poder na Inglaterra, teríamos a tarefa de limpá-la da burguesia e manter as pessoas em um estado mental revolucionário”. Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2017, e-book). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. Read the full article
UM BORRACHEIRO CAPITALISTA, NO TATUAPÉ
Pneu furou. Resolvo entrar na primeira borracharia que encontro no Tatuapé- bairro de Sampa (antigo bairro de operários e pequenos comerciantes e, atualmente, um tanto metido a besta). Mais precisamente na Rua Vilela, bem proximo à Radial Leste. Na porta um sujeito com traços bem marcantes que lembram a miscigenação que ocorreu neste País, especialmente no Nordeste. É algo que me agrada e do qual espero receber a mesma simpatia calorosa com que trato nossos irmãos nordestinos. O sujeito à porta, não vem me atender, mas manda que um rapaz venha lá de dentro para verificar o que houve como pneu do meu carro. Observei que, dentro da loja, havia dois outros rapazes, trabalhando em consertos de outros pneus. Portanto, o homem da porta deveria ser o Proprietário Capitalista, daquela borracharia, tão sujinha quanto toda e qualquer borracharia costuma ser (ou deve ser - sei lá) * O garoto retira o pneu e o coloca naquelas tradicionais banheiras com água e acaba descobrindo um prego.....e logo mais um outro furo: - Vai consertar ? - Quanto custa ? pergunto, eu - R$60,00 Orra meu, tá caro, ainda outro dia (uns 3 meses atrás) eu tinha pago R$ 10,00 por um furo consertado com aqueles "macarrõezinhos" ...Hoje quase já não se conserta com aqueles tampões de borracha O garoto chamou então o homem, dizendo que eu achara muito caro.. O homem da porta resolveu fazer por R$ 50,00.... Meu senhor, digo eu , o senhor está no Tatuapé, mas olha meu carro: trata-se de um carrinho popular, já um tanto usado...... Não cobre de mim o que o senhor costuma cobrar das madames que andam de SUV pelo bairro ! - R$ 50,00.... insiste o homem. * Puxa, foi só esse Temer assumir para as coisas dispararem de preço né ?!.... indaguei eu, insolentemente. Ao que o homem retruca: com a Dilma estaria muito pior..... A Dilma e o Lula ó - e fez aquele sinal com a mão movimentando dedo por dedo (usado popularmente pra se dizer que alguém rouba).,... Ao mesmo tempo dava um breve assobio..... -Meu senhor, agora eu quero que o senhor me explique essa coisa direito: O que a Lula e a Dilma roubam ? E ele..........repete o sinal com os dedos, completando com o assobio..... - Não entendi.... me explica ! Quando ele vai assobiar e repetir o mesmo gesto eu o interrompo e digo a ele: - O senhor precisa deixar de ver a Rede Globo.... vá assistir um pouco a TVT , por exemplo... * Com ares de sabido ele, então me garante: - Eu não vejo a rede Globo.... eu vejo a TV Cultura ! * Pensei comigo; - Putz... é quase a mesma coisa. A TV Cultura, pertence ao governo do PSDB há mais de 20 anos... e completando meu livre pensar com meus botões: - Pobre metido à besta é foda....consegue sub-empregar 3 caboclinhos..... fica arrotando de empresário e ainda inflaciona o conserto de um furinho de pneu... Aldo Della Monica
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