Xapas calibrado com calor humano pelas pujantes performances de Coltaine e Cobrafuma | Reportagem Completa
Julia Frasch, a vocalista dos Coltaine | mais fotos clicar aqui
O Xapas Lounge, em Paredes de Coura, foi palco de uma noite eletrizante no dia 22 de março de 2025! Este bar, conhecido pelo seu ambiente underground e intimista, transformou-se num caldeirão de emoções, onde cada acorde fazia a multidão vibrar.
O concerto dos Cobrafuma, banda conhecida pela sua energia crua e riffs intensos, incendiou o palco com um espetáculo vibrante, cheio de distorções poderosas e uma presença de palco arrebatadora. Acompanhados pelos Coltaine, outra banda de peso, a noite foi um verdadeiro ritual para os amantes do som pesado.
Vamos por partes…
Primeiro atuaram os germânicos Coltaine. Eles são um quarteto liderado pela vocalista Julia Frasch. Na guitarra têm Moritz Berg, o baterista é Amin Bouzeghaia e por fim referir o nome do baixista: Benedikt Berg. Esta formação existe desde 2022.
Quarteto germânico Coltaine | mais fotos clicar aqui
A experiência de assistir a um concerto dos Coltaine não é apenas um espetáculo musical - é uma jornada sensorial, um mergulho profundo em paisagens sonoras que oscilam entre a melancolia etérea e a fúria visceral.
À medida que as luzes se apagam e os primeiros acordes ecoam pelo ambiente, uma atmosfera densa toma conta do espaço. Os instrumentos soam como ecos de uma terra antiga e esquecida, enquanto a voz da vocalista Julia Frasch ressoa como um chamado distante, carregado de emoção crua. A banda não apenas toca; eles evocam, invocam, transportam.
Julia Frasch, a vocalista dos Coltaine | mais fotos clicar aqui
Os momentos de delicadeza e melodia se estendem como névoa sobre um oceano escuro, apenas para serem despedaçados por explosões de intensidade, onde guitarras distorcidas e percussões tribais fazem o chão vibrar sob os pés dos espectadores. A plateia, imóvel por instantes, se entrega ao fluxo sonoro, oscilando entre o transe e o êxtase.
O tempo parece se dissolver. Não há passado, nem futuro - apenas aquele instante, onde cada nota arrasta a alma para um estado de arrebatamento. Quando a última faixa se despede, o silêncio que se segue é quase sagrado, como se todos precisassem de um momento para retornar do lugar para onde foram levados.
Sair de um concerto dos Coltaine não é apenas deixar uma sala de espetáculos. É despertar de um sonho profundo, carregando consigo um fragmento de uma dimensão onde a música é mais do que som - é um feitiço, uma revelação.
Quarteto germânico Coltaine | mais fotos clicar aqui
A noite prosseguiu com a formação lusitana…
Assistir a um concerto dos Cobrafuma é mergulhar num turbilhão de energia bruta e caos organizado. Desde os primeiros acordes distorcidos, sente-se a eletricidade no ar – a vibração das cordas, o rugido dos amplificadores e a pulsação da bateria entram diretamente na corrente sanguínea de quem está na plateia.
Os Cobrafuma são uma das muitas reencarnações do bem conhecido guitarrista minhoto José Roberto Gomes que faz parte também dos Solar Corona, dos Kilimanjaro ou dos The Black Wizards.
José Roberto Gomes dos Cobrafuma | mais fotos clicar aqui
Na bateria tivemos Luís Chaka Santos, na guitarra Miguel Azevedo e Rui Pedro Martelo no baixo. Estes três incríveis músicos são os restantes elementos desta incrível banda portuense, todos eles vindos de projetos também bastante relevantes como são os casos de Plus Ultra ou Greengo.
O moche é praticamente inevitável. A fusão de riffs sujos e ritmos acelerados cria aquele estado de urgência coletiva, onde os corpos se lançam uns contra os outros em perfeita sintonia com o som. Não é raro ver um mar de pessoas a abrir rodas frenéticas, libertando a energia acumulada ao som da distorção.
Cobrafuma a três vozes e muita animação na frontline | mais fotos clicar aqui
E claro, o crowdsurf acontece. Quando a intensidade atinge o auge, sempre há alguém que se deixa levar pelo momento e se atira para cima da multidão, sendo carregado como se fizesse parte da própria música. É a prova viva de que os Cobrafuma não tocam apenas para os fãs – eles arrastam-nos para dentro da tempestade sonora que criam.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Miguel Azevedo dos Cobrafuma | mais fotos clicar aqui
Fotografia: Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)
Texto: Ricardo Costa
[vc_row][vc_column][vc_column_text css=””]
No último dia, o headbanging dominou, houve tempo para a dança … mas foram os Slift que fizeram levitar o Sonic Blast!
Headbanging
A bancada do merch dos High on Fire teve fila durante uma boa parte do dia, contribuindo para a ideia de que uma das referências principais do Stoner Metal terá sido o principal chamariz do último dia do festival. O trio de…
A dinamização esteve a cabo da Irreversível e contou novamente na produção e realização com o total apoio da gig.ROCKS!, editora e promotora bracarense.
Ao contrário daquela bela e seca noite de outubro em que realizou-se a primeira edição, desta vez segui até Braga sob uma noite bastante carregada. A chuva e o vento foram companheiros persistentes a partir do final da tarde e continuaram pela noite adentro. Tal não foi um empecilho gravoso capaz de travar a lotação totalmente esgotada que já era prevista, as últimas dezenas de bilhetes venderam-se mesmo à porta. Apesar do clima adverso, dentro do Café-Concerto RUM by Mavy vivia-se uma atmosfera contagiante por entre conversas animadas antes do início das “hostilidades”
Francisco Barros, o cicerone da noite e responsável da Irreversível, deu o mote para os concertos com o sorteio do primeiro bagaço, antes da segunda atuação da noite houve outro. Algo bastante incomum, teve até a sua piada. Efetivamente acabou por ser uma forma de dizer “acomodem-se que a viagem vai ser bastante agitada” sem recorrer ao uso de palavras. Todo o público saiu da estação por volta das 23:15h a um ritmo verdadeiramente alucinante. Perante um espaço lotado e um ambiente verdadeiramente fervilhante deu-se o início da atuação dos Hetta.
O rastilho definitivo (provavelmente nem era necessário) foi Alexandre Domingos fazer logo nos primeiros segundos um mergulho para o crowdsurf de forma tão afirmativa. Tal aconteceu de forma regular durante os cerca de 30 minutos em que os Hetta “agitaram as águas” leia-se: todo o líquido de cerveja e afins alcoólicos a voarem dos respetivos copos.
Alexandre Domingos, tem visualmente a pinta toda para um vocalista de uma banda punk rock. Alia a tal uma voz perfeitamente animalesca, isto, dito e escrito, no sentido positivo da expressão. O som de Hetta é uma amálgama de vários estilos no qual o punk é o ponto inicial: são rajadas explosivas traduzidas pela voz berrante de Alexandre, pelas batidas pujantes de "Porti", os riffs de calorosos produzidos por João na guitarra com o devido complemento do baixo de Simão. Não visualizo outro projeto semelhante no panorama alternativo nacional pelo que a sua existência é altamente positiva. Aliás o próprio Alexandre foi afirmando que é “preciso que a malta nova faça bandas". Seguramente os Hetta são um excelente porto de inspiração.
A meia hora de alta voltagem teve mosh agressivo, sempre com a devida segurança, acompanhado por um pronunciado headbanging foram sinais indiscutíveis da intensidade com que foi vivida a atuação sólida e agitada dos Hetta.
A realeza do rock minhoto marcou presença com elementos de bandas como El Señor e Travo (ambas tocaram na noite inaugural de “Uma Noite Irreversível”), dos Mayu, dos Doutor Assério e dos Capela Mortuária.
Corpos suados (em tronco nu também) com sorrisos no rosto, malha após malha, eram os sinais que a cobra fumou e provavelmente estava na plenitude de uma das suas mais generosas ganzas de sempre.
Às vezes até pode parecer que não, mas o Verão aproxima-se, os dias vão crescendo e com eles compõe-se também o cartaz da próxima edição do Sonic Blast, deixando-nos cada vez mais a salivar dos ouvidos
Às vezes até pode parecer que não, mas o Verão aproxima-se, os dias vão crescendo e com eles compõe-se também o cartaz da próxima edição do Sonic Blast, deixando-nos cada vez mais a salivar dos ouvidos.
Festivais de Verão há muitos, mas poucos se comparam à orgia sónica que caracteriza um dos melhores certames europeus dedicados às franjas mais alternativas do espectro musical.
Nos dias 8, 9 e 10…
Disco de estreia dos Cobrafuma já disponível online
Puro e duro, assim se quer o rock. Chocalho de bota dura em gravilha gasta, guitarras ao alto e fumo denso, jogos de snooker em que ninguém mete a preta e mais de 666 cervejas entornadas irmãmente entre o corpo, o chão, e o balcão, qual santíssima Trindade, três elementos da mesma substância, das mesmas substâncias, pois se o balcão aguenta o corpo, o corpo aguenta o chão, que remédio.
Surgido no…
Aço, single de estreia dos Cobrafuma já está disponível online
Diz o ditado popular que quando a cobra fuma algo difícil de concretizar está prestes a acontecer e que, daí, sérios problemas devemos esperar. Personificando esta expressão, os Cobrafuma presenteiam-nos hoje com o primeiro tomo daquela que será a sua primeira bisca homónima, a ser lançada nos próximos meses. Som rijo como aço e cheio de veneno, que rasteja entre géneros que não prestam contas a…