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Eppur, che gioia è amare chi rifiuta l'amore?
Sofocle.
Sófocles
Édipo em Colono
406 a.C.
Capítulo I: O Bosque das Euménides
O sol de Ática, embora generoso, era uma carícia que Édipo já não podia ver; sentia-o apenas como um peso morno sobre as pálpebras cicatrizadas. Cada passo era uma vitória contra a gravidade e o tempo. O antigo rei de Tebas, aquele que outrora decifrara os enigmas da Esfinge, era agora um feixe de ossos e trapos, movido por uma teimosia que transcendia a biologia.
— Filha — a voz de Édipo saiu como um sussurro seco, arranhando a garganta castigada pela poeira das estradas. — Onde nos levaram os teus passos hoje? Que terra é esta que acolhe a minha miséria?
Antígona, cujo rosto precocemente envelhecido pela dor mantinha ainda a doçura da linhagem real, apertou a mão do pai. Ela era os olhos dele, o seu cajado vivo, a sua ligação a um mundo que o tinha cuspido.
— Estamos perto de Atenas, meu pai — respondeu ela, perscrutando o horizonte onde as oliveiras se curvavam sob a brisa. — Um caminhante disse-me que este lugar se chama Colono. À nossa frente, vejo um bosque... um lugar denso, onde o loureiro, a oliveira e a videira crescem com uma exuberância que não parece deste mundo. Ouço o canto de muitos rouxinóis. É um lugar de paz, pai.
Édipo parou. O seu instinto, apurado por anos de escuridão, sentiu uma vibração diferente no solo. Não era a terra batida e estéril das bermas das estradas. Era algo sagrado.
— Ajuda-me a sentar, filha. Um corpo velho precisa de pouco, mas precisa de repouso.
Com uma paciência infinita, Antígona conduziu-o até uma rocha de pedra bruta. No momento em que os seus pés tocaram o solo macio do interior do bosque, um silêncio súbito abateu-se sobre as aves. Édipo sentou-se, mas não relaxou. Havia uma solenidade no ar que o fazia estremecer.
— Este lugar... descreve-mo melhor, Antígona. Há alguém por perto?
Antes que ela pudesse responder, um vulto emergiu por entre as sombras das árvores. Era um habitante local, um homem de Colono, cujo rosto se transfigurou de curiosidade em horror ao ver onde os estrangeiros se tinham sentado.
— Estrangeiro! — gritou o homem, a voz trémula de temor reverencial. — Levanta-te daí imediatamente! Não sabes onde pisas? Estás em solo proibido aos mortais. Este é o domínio das Deusas Terríveis, as filhas da Terra e da Noite.
Édipo não se moveu. Pelo contrário, as suas mãos agarraram com mais força a rocha. Um calafrio, que não era de medo, mas de reconhecimento, percorreu a sua espinha.
— As Deusas Terríveis... — murmurou Édipo. — As Euménides? As que tudo veem, mas nada perdoam?
— Sim — respondeu o colonense, aproximando-se mas mantendo uma distância de segurança. — Nós chamamos-lhes as "Gentis", para lhes aplacar a fúria, mas ninguém ousa pisar este relvado sem sacrifício. Retira-te, antes que a sua cólera caia sobre ti e sobre esta rapariga.
Antígona olhou para o pai, esperando o sinal para fugir, como tinham feito tantas vezes em tantas cidades que os apedrejavam. Mas Édipo permaneceu imóvel, como se tivesse subitamente recuperado a majestade de um trono.
— Não me levantarei — declarou ele, e a sua voz, outrora fraca, ressoou com a autoridade de um oráculo. — Este é o sinal que eu esperava. Quando Apolo me profetizou o abismo de desgraças em que mergulhei — o leito materno, o sangue do pai, a cegueira — ele prometeu-me também um fim. Disse-me que, passados muitos anos, eu chegaria a uma terra onde as Deusas Veneráveis teriam o seu assento. Ali, eu encontraria a hospitalidade da morte e o repouso para os meus membros cansados.
O habitante de Colono recuou, impressionado pela gravidade daquelas palavras. A figura diante dele, apesar de suja e cega, emanava uma aura de destino inevitável.
— Quem és tu, velho, que falas com os deuses como se fosses seu igual? — perguntou o homem.
— Sou um homem que o destino moeu entre as suas mós — respondeu Édipo. — Mas não me temas. A minha presença aqui não trará a maldição, mas uma bênção que o vosso rei, Teseu, saberá apreciar. Vai, homem de Colono. Informa o teu senhor que Édipo, o amaldiçoado, chegou à sua porta para lhe entregar um presente que não se compra com ouro: a minha própria morte.
O homem partiu a correr, dividido entre o pavor religioso e a urgência de avisar a cidade. Antígona ajoelhou-se aos pés do pai.
— Pai, ouviste o que disseste? Revelaste o teu nome. Eles virão. Tebas virá atrás de ti.
Édipo acariciou os cabelos da filha. Pela primeira vez em décadas, não havia desespero nos seus dedos.
— Que venham, Antígona. O nó da minha vida começou a desatar-se neste bosque. As Euménides, as que perseguem os culpados, pararam aqui. Se elas me deixam ficar, é porque a minha dívida de dor está paga.
O vento soprou através das oliveiras, trazendo o cheiro do sal do mar de Atenas. Édipo fechou os olhos vazios e, naquele bosque de sombras divinas, sentiu que a luz da sua alma, há tanto apagada, começava a brilhar com um fulgor negro e sagrado. O exílio terminava ali. A lenda, porém, estava apenas a começar.
Capítulo II: O Peso do Nome
O som de passos múltiplos e apressados sobre as folhas secas quebrou o silêncio místico do bosque. Não era o passo solitário do camponês, mas a marcha cadenciada e pesada dos anciãos de Colono. Eram o Coro da cidade: homens de barba branca, guardiões das tradições, cujos olhos, embora baços pela idade, brilhavam agora com a chama do zelo religioso.
— Onde está ele? — gritavam uns para os outros. — Onde se esconde o profano que ousou penetrar no recinto das Invencíveis?
Antígona recuou, protegendo o pai com o próprio corpo. Édipo, mantendo a dignidade recuperada no capítulo anterior, não se moveu da rocha. Os anciãos estacaram ao vê-los. A imagem era de um contraste brutal: a pureza virginal de Antígona e a decadência quase cadavérica de Édipo, sentados no epicentro do solo sagrado.
— Estrangeiro — começou o líder do Coro, a voz tremendo de indignação —, o teu atrevimento só é igualado pela tua ignorância. Sai desse lugar! O solo que pisas pertence àquelas cujo nome nem ousamos pronunciar. Afasta-te para onde a palavra é livre e o chão é comum, e então falaremos.
Com a ajuda de Antígona, Édipo levantou-se lentamente. Cada movimento era um sacrifício. Ele arrastou os pés até ao limite do bosque, cruzando a fronteira invisível entre o sagrado e o profano.
— Aqui estou — disse Édipo, a voz agora firme. — Sou um hóspede da vossa terra, um mendigo que nada pede senão o direito de existir.
Os anciãos aproximaram-se, estreitando o círculo. A curiosidade começava a vencer o medo.
— Quem és tu, velho? De que linhagem vens? Que destino te trouxe a Atenas com esse aspeto de quem foi mastigado pelos fados?
Édipo hesitou. Sabia que o seu nome era um veneno, uma maldição que viajava mais depressa que os seus passos. Olhou para Antígona, procurando uma força que já não possuía.
— Sou um exilado... — começou ele.
— Todos os que aqui chegam o são — atalhou o ancião. — Mas de onde vens? Quem foi o teu pai?
O silêncio que se seguiu pesou mais do que a própria rocha de Colono. Édipo sentia o cerco fechar-se. A verdade era uma ferida que ele não queria reabrir, mas os cidadãos de Atenas exigiam o preço da hospitalidade: a verdade.
— Já ouvistes falar... — Édipo fez uma pausa, a voz embargada — ...da estirpe de Labdaco?
Um murmúrio de horror percorreu o Coro. Os anciãos entreolharam-se, o pavor a estampar-se nos seus rostos sulcados.
— De Tebas? — perguntou um deles.
— Sim — respondeu Édipo, baixando a cabeça. — Eu sou... aquele que resolveu o enigma. Eu sou Édipo.
O efeito foi como se um raio tivesse caído no meio do grupo. Os anciãos recuaram em massa, cobrindo os rostos com os mantos, como se a simples visão do cego pudesse transmitir a miasma, a impureza moral que o perseguia.
— Fora! — rugiram em uníssono. — Sai da nossa terra! Não tragas a tua maldição para as nossas muralhas! A hospitalidade termina onde começa o sacrilégio!
— Escutai-me! — clamou Édipo, estendendo as mãos vazias. — Julgais-me pelo que fiz ou pelo que sofri? Se eu matei o meu pai, se eu desposei a minha mãe, fi-lo sem saber! Fui um instrumento cego nas mãos de deuses cruéis. Onde está a vossa famosa justiça ateniense? Se me expulsais agora, estais a quebrar a vossa promessa de asilo!
Antígona ajoelhou-se perante os homens de Colono, as lágrimas correndo-lhe pelo rosto.
— Senhores, tende piedade deste velho que já pagou o seu crime com os próprios olhos. Ele não é um monstro de maldade, mas um náufrago da fortuna. Se não o aceitais por ele, aceitai-o por mim, que nada fiz senão amá-lo.
O Coro vacilou. A defesa de Édipo tocava num ponto sensível da alma grega: a distinção entre o ato e a intenção. Édipo, sentindo a hesitação deles, prosseguiu com uma eloquência que lembrava os seus tempos de rei no Palácio de Cadmo.
— A minha cidade, Tebas, expulsou-me quando eu mais precisei. Agora que as profecias dizem que o meu corpo trará sorte a quem o possuir, querem levar-me de volta como um escravo da terra. Mas eu escolhi Atenas. Escolhi-vos a vós porque ouvi dizer que este é o lugar onde a lei protege o fraco contra o forte. Não me julgueis pelo meu nome, que é uma cicatriz, mas pelos meus atos presentes. Eu venho como um homem piedoso, trazendo um benefício para este povo.
A discussão subiu de tom. Uns queriam a expulsão imediata, temendo a cólera divina; outros, movidos pela compaixão e pela curiosidade sobre o "benefício" prometido, pediam cautela. A atmosfera estava carregada de eletricidade dramática. A figura de Édipo, outrora um pária, transformava-se perante os seus olhos numa figura de poder místico, um "santo maldito".
— Que o rei decida! — proclamou finalmente o líder do Coro. — Teseu, filho de Egeu, está a caminho. Ele é o juiz supremo. Se ele te aceitar, Édipo, nós aceitaremos a tua sombra. Mas se ele te recusar, não haverá bosque nem prece que te salve da nossa rejeição.
Édipo assentiu. O seu destino dependia agora de um homem que ele nunca vira, mas de quem ouvira falar como o paradigma da nobreza. Enquanto esperavam, o Coro começou um cântico lúgubre, uma ode à brevidade da vida e ao peso da velhice, que servia de banda sonora à solidão de Édipo.
O capítulo encerra com a visão de uma nuvem de poeira na estrada de Atenas. Alguém se aproximava a galope. Mas não era Teseu. Era uma mulher, montada num cavalo da Etólia, o rosto protegido do sol.
— Pai! — gritou Antígona. — É a minha irmã! É a Ismene!
A chegada de Ismene prometia trazer não a paz, mas as tempestades políticas de Tebas que Édipo tanto tentava evitar. O peso do nome de Édipo estava prestes a atrair a cobiça dos reis.
Capítulo III: Mensageira de Tebas
O som dos cascos contra o solo pedregoso de Colono anunciava uma urgência que não pertencia ao ritmo lento dos anciãos. Ismene, a filha mais nova de Édipo, apeou-se do seu cavalo com a agilidade de quem cavalgara dias sem descanso. O seu rosto, embora marcado pela poeira da viagem, mantinha a altivez da casa real de Tebas, mas os seus olhos traziam o brilho húmido do pavor.
— Pai! Irmã! — gritou ela, lançando-se nos braços de Antígona.
Édipo, ao ouvir a voz da filha que costumava trazer-lhe notícias da cidade que o traíra, sentiu um aperto no peito. Ismene era o seu vínculo com o mundo que ele deixara para trás, a espia silenciosa que vigiava os oráculos enquanto ele mendigava pão.
— Vieste, minha filha? — perguntou Édipo, as mãos trémulas procurando o rosto de Ismene. — Que nova tempestade te traz de Tebas? Não bastou o sol queimar a minha pele e a fome roer as minhas entranhas? Que novos males engendram os teus irmãos?
Ismene ajudou o pai a sentar-se, enquanto o Coro de anciãos observava de longe, murmurando sobre a beleza trágica daquela linhagem maldita. Ela começou a falar, e as suas palavras eram como setas disparadas contra a frágil paz que Édipo encontrara no bosque.
— O caos instalou-se em Tebas, pai. O sangue do teu sangue está em pé de guerra. Etéocles e Polínices, que outrora concordaram em dividir o trono, agora disputam-no como lobos sobre uma carcaça. Etéocles, o mais novo, expulsou o irmão mais velho e governa sozinho. Mas Polínices não ficou inerte; fugiu para Argos, casou-se com a filha do rei Adrasto e reuniu um exército de sete chefes. Estão prontos para marchar contra as nossas sete portas.
Édipo soltou um riso amargo, um som seco que parecia vir das profundezas da terra.
— A ambição... sempre a ambição. Eles esqueceram-se do pai cego, mas não se esquecem da coroa que lhes pesa na cabeça. Mas por que vens contar-me isso? O que sou eu para eles agora, senão um espectro que incomoda a memória?
Ismene hesitou, apertando as mãos da irmã.
— Porque os oráculos voltaram a falar, pai. E desta vez, o nome de Édipo é a chave de tudo. Os emissários de Delfos trouxeram uma mensagem clara: o destino de Tebas depende de ti. Se fores enterrado em solo tebano, a cidade será invencível; se o teu túmulo estiver fora das nossas fronteiras, a ruína cairá sobre aqueles que te expulsaram.
A revelação caiu como uma sentença. Édipo compreendeu subitamente a mudança de maré. Ele, o pária, o homem cuja simples presença era considerada um sacrilégio, transformara-se no amuleto mais cobiçado da Grécia. Não o queriam de volta por amor, mas por estratégia. Queriam o seu corpo, não a sua alma.
— Então agora precisam de mim? — perguntou Édipo, com uma ironia cortante. — Agora que os deuses dizem que sou útil, o monstro torna-se um santo? E o que pretende Creonte?
— Creonte vem a caminho, pai — respondeu Ismene, a voz trémula. — Ele virá para te levar, mas não para o interior de Tebas. Eles têm medo da maldição que carregas. Querem colocar-te na fronteira, num lugar onde possam vigiar-te e garantir que o teu túmulo lhes pertence, mas sem nunca te permitirem cruzar as muralhas da cidade que governaste. Querem usar o teu cadáver como um escudo, negando-te a dignidade de um cidadão.
A fúria de Édipo, contida durante anos de exílio, explodiu com uma força tectónica. Ele levantou-se, apoiado no seu cajado, parecendo crescer perante as filhas e os anciãos.
— Nunca! — rugiu ele. — Preferi a morte quando me expulsaram, e eles deram-me o exílio. Agora que prefiro o exílio, eles querem dar-me uma prisão disfarçada de honra. Nem Etéocles nem Polínices terão o meu apoio. Que se matem um ao outro nas portas de Tebas! O meu corpo ficará aqui, em Atenas, onde fui recebido com humanidade, e não em Tebas, onde fui tratado como uma fera.
O Coro, impressionado pela veemência do velho, aproximou-se. A questão já não era apenas religiosa; era uma crise diplomática. Atenas, representada por aqueles anciãos, percebia agora que proteger Édipo significava enfrentar a fúria de Creonte e a guerra civil de Tebas.
— Ouve, meu pai — implorou Ismene —, Creonte não virá sozinho. Ele trará força armada. Ele sabe que a tua vontade é de ferro, mas acredita que pode vergar-te através de nós. Ele sabe que és vulnerável através das tuas filhas.
— Teseu proteger-nos-á — afirmou Antígona, tentando manter a calma, embora o seu coração batesse descompassado.
Édipo passou de vítima passiva do destino a um agente ativo da sua própria vontade. Ele percebe que a sua morte tem um valor político imenso. A narrativa detalha o ambiente de conspiração — o medo de Ismene, a determinação de Antígona e a fúria sagrada de Édipo. A paisagem de Colono, antes um refúgio bucólico, torna-se agora o tabuleiro de um jogo de poder entre cidades-estado.
Édipo vira-se para os anciãos de Atenas, a sua voz assumindo um tom profético.
— Cidadãos de Colono, ouvi bem: se decidirdes manter-me aqui, protegendo este velho cego contra as garras de Creonte, estareis a garantir para Atenas um baluarte que nenhum exército poderá derrubar. O meu corpo será a vossa muralha. Mas se vacilardes, entregareis a vossa honra e a vossa segurança aos tiranos de Tebas.
O capítulo encerra com o som de uma trombeta ao longe. Não era a cavalaria de Tebas, mas a escolta real de Atenas. Teseu, o herói de Atenas, estava finalmente a chegar para ouvir o pedido do homem que trazia a sorte e a morte nas mãos.
Capítulo IV: A Promessa do Rei
A poeira levantada na estrada de Atenas assentou rapidamente, revelando não um exército invasor, mas uma pequena e distinta comitiva. À frente, montando um cavalo de porte impecável, vinha um homem cuja presença emanava uma autoridade natural, desprovida da arrogância dos tiranos. Era Teseu, o filho de Egeu, o rei que unificara a Ática e transformara Atenas num santuário de justiça.
Teseu desmontou com uma agilidade nobiliárquica e caminhou em direção ao grupo. Os anciãos do Coro curvaram-se profundamente. O rei, porém, tinha os olhos fixos na figura maltrapilha sentada à entrada do bosque sagrado. Ele não recuou, não cobriu o rosto, nem demonstrou o pavor supersticioso que os outros haviam exibido.
— Édipo, filho de Laio — disse Teseu, e a sua voz era como um bálsamo de dignidade num deserto de humilhações. — Já ouvi falar de ti há muito tempo, do cruel destino que te roubou a luz dos olhos. E agora, ao ver-te com essas vestes e esse rosto marcado, reconheço-te. Não preciso de provas para saber que estou perante um rei, ainda que a fortuna te tenha despido do trono.
Édipo, que se preparara para o combate verbal e para a rejeição, ficou em silêncio por um momento. A humanidade de Teseu desarmou-o mais do que qualquer ameaça.
— Filho de Egeu — respondeu Édipo, inclinando levemente a cabeça —, a tua nobreza precede-te. Poucos homens ousariam pronunciar o meu nome sem um tremor na voz. Vieste até aqui para me expulsar, como todos os outros, ou para ouvir o que um morto-vivo tem para dizer?
Teseu aproximou-se ainda mais, ficando à sombra das mesmas oliveiras que abrigavam o exilado.
— Não vim para julgar o que os deuses já decidiram, Édipo. Eu também fui um estrangeiro em terras alheias. Também conheci os perigos e a incerteza do caminho. Diz-me: o que procuras de Atenas? Que auxílio pedes para ti e para estas jovens que te acompanham? Por mais terrível que seja a tua história, nada me impedirá de te ajudar. Sou homem, e sei que o amanhã não me pertence mais do que a ti.
Édipo suspirou, um som que pareceu carregar décadas de exaustão.
— Teseu, venho oferecer-te um presente. Aos teus olhos, parece um fardo: este meu corpo gasto, miserável e feio de se ver. Mas o benefício que ele traz não reside na sua aparência, mas naquilo que acontecerá quando ele baixar à terra.
— E que benefício é esse que um corpo pode dar? — perguntou o rei, intrigado.
— Tu saberás no devido tempo — continuou Édipo, com um tom profético que fez o Coro estremecer. — Tebas, a minha pátria, virá buscar-me. Não por amor, mas porque um oráculo lhes disse que a minha sepultura é a chave da vitória ou da derrota. Eles querem que eu morra no seu limiar, para que eu os proteja sem os contaminar. Mas eu recusei. Escolhi Atenas. Se me deres abrigo e, quando chegar a minha hora, me permitires repousar nesta terra, Atenas terá em mim um aliado eterno. O meu túmulo será uma muralha invisível contra os teus inimigos. Enquanto o segredo do meu repouso for mantido, nenhum exército de Tebas poderá vencer os filhos de Atenas.
Teseu ouviu com atenção absoluta. Ele compreendia a linguagem dos deuses e a política dos homens. Sabia que aceitar Édipo era declarar um conflito direto com Tebas e com Creonte. No entanto, a sua bússola moral era inabalável.
— Tu ofereces-me a tua proteção eterna em troca de uns anos de asilo e um punhado de terra? — perguntou Teseu. — O trato parece-me desigual em teu desfavor, Édipo. Mas diz-me, os teus filhos não quererão levar-te de volta por piedade?
— Os meus filhos... — a voz de Édipo endureceu como pedra. — Eles preferem o cetro ao pai. Eles escolheram o poder, e o poder será a sua ruína. Teseu, o tempo tudo consome. As cidades mudam, as alianças apodrecem, a terra cansa-se. O que hoje é amizade entre Atenas e Tebas, amanhã será ódio. Mas a minha palavra é imutável. Se me acolheres, o meu destino fundir-se-á com o desta terra.
O rei de Atenas olhou para as montanhas ao longe e depois para as mãos de Antígona, que seguravam as do pai com uma força desesperada. Ele tomou a sua decisão, não por cálculo político, mas por um sentido de justiça que definiria a democracia ateniense nos séculos seguintes.
— Então, Édipo, fica. Eu declaro-te cidadão desta terra. A partir deste momento, estás sob a proteção das leis de Atenas e do meu escudo. Se alguém tentar levar-te à força, terá de passar por mim. Não te entregarei a Tebas, nem por medo de oráculos, nem por ameaças de reis.
Édipo sentiu, pela primeira vez em anos, que o chão debaixo dos seus pés era sólido. A promessa de Teseu não era apenas um salvo-conduto; era a restauração da sua dignidade humana.
— Que os deuses te recompensem, Teseu — murmurou Antígona, chorando de alívio. — O mundo tem poucos homens como tu.
No entanto, Teseu, embora generoso, era um pragmático. Ele sabia que Creonte não tardaria.
— Fica aqui, no bosque — ordenou ele. — Vou deixar alguns dos meus homens para te vigiarem enquanto regresso à cidade para organizar a tua estadia. Mas fica alerta: a traição tem passos leves, e Creonte é um homem que não conhece o significado da palavra "não".
Teseu montou o seu cavalo e partiu, deixando para trás uma atmosfera de esperança temperada com uma tensão latente. O capítulo termina com o sol a começar a descer no horizonte, lançando longas sombras sobre o bosque das Euménides. Édipo estava agora seguro pela lei dos homens, mas as sombras que se aproximavam de Tebas traziam consigo a violência que nenhuma lei poderia deter. O confronto entre a civilidade de Atenas e a tirania de Tebas estava prestes a começar.
Capítulo V: A Sombra de Creonte
A serenidade que a promessa de Teseu trouxera a Édipo durou tanto quanto o brilho do orvalho nas folhas das oliveiras. O som que agora se aproximava não era o galope rítmico da cavalaria ateniense, mas o ruído metálico e pesado de uma escolta que não pedia licença. Creonte, o regente de Tebas, surgiu por entre as árvores como uma personificação da vontade inflexível do Estado.
Ele não vinha como o herói que resgata, mas como o cobrador que exige uma dívida. O seu rosto, sulcado por décadas de intrigas palacianas, exibia uma máscara de falsa compaixão que não enganava o instinto apurado de Édipo.
— Édipo, meu cunhado e meu sangue — começou Creonte, a voz projetada para alcançar os anciãos do Coro. — Não penses que venho com ódio. Toda a cidade de Tebas chora o teu fado. Olhai para este homem! — exclamou ele, apontando para o mendigo cego. — Um rei que agora erra pelas estradas, amparado por uma jovem que devia estar num palácio e não na miséria. Venho pedir-te que regresses. Volta para a casa dos teus pais. Deixa Atenas, que te é estranha, e regressa ao solo que te viu nascer.
Édipo não se moveu. O seu rosto cego estava voltado na direção da voz de Creonte, mas a sua alma estava a léguas de distância.
— Que língua de serpente tens tu, Creonte — retorquiu Édipo, as palavras saindo como chicotadas. — Quando eu implorei para ser expulso, para que a minha dor tivesse um fim no isolamento, tu negaste-me esse favor. Mantiveste-me em Tebas contra a minha vontade. Depois, quando a minha dor acalmou e o exílio se tornou um fardo insuportável, tu escorraçaste-me. Agora, porque os teus profetas dizem que o meu corpo é um escudo para os teus interesses, vens falar de amor e de pátria? Tu não queres o meu regresso; queres a minha posse. Queres o meu cadáver para que Tebas não sofra, enquanto eu continuaria a ser um pária fora das tuas muralhas.
Creonte percebeu que a diplomacia falhara. A sua expressão suavizada endureceu instantaneamente, revelando a sua tirania.
— Se não vens por vontade própria, velho teimoso, virás pelo peso da necessidade. Pensas que Atenas te protegerá de tudo? Já tomei as minhas precauções.
Num sinal rápido de Creonte, os seus guardas avançaram. Antes que alguém pudesse intervir, agarraram Ismene, que se encontrava mais afastada do pai. O grito da jovem ecoou pelo bosque, cortando o ar como uma lâmina.
— Pai! Ajuda-me! — gritou Ismene, enquanto era arrastada para os cavalos tebanos.
— Que fazes, infame? — rugiu Édipo, tentando levantar-se, as mãos tateando o vazio em busca da filha.
— Isto é apenas o começo — disse Creonte, com um sorriso gélido. — Agora, levarei a outra. Sem as tuas muletas vivas, veremos quanto tempo dura a tua resistência.
Os soldados lançaram-se sobre Antígona. Ela lutou, agarrando-se aos joelhos do pai, mas a força bruta dos homens de armas era esmagadora. O Coro de anciãos, embora horrorizado, estava paralisado pelo medo das espadas tebanas. Eles eram velhos, e a força de Creonte era a força de uma cidade em armas.
— Cidadãos de Colono! — clamou Antígona, enquanto era erguida do solo. — Vós que prometestes asilo, vedes como a lei de Atenas é espezinhada por este estrangeiro?
Édipo, num estado de fúria divina, lançou uma imprecação contra Creonte.
— Ó tu, o mais vil dos homens! Roubas a luz a quem já não tem olhos? Roubas as filhas a quem nada mais possui? Que o sol, que tudo vê, te negue a posteridade! Que a tua linhagem conheça a mesma solidão que me impões!
— Cala-te, cadáver! — gritou Creonte, aproximando-se de Édipo e agarrando-o pelo manto. — Vou levar-te agora, nem que tenha de te arrastar pelo chão de Ática.
Foi neste preciso momento que o som de cascos a galope retornou. Teseu, avisado pelos mensageiros da violação do solo sagrado, surgiu com a fúria de um deus vingador. Ele não estava sozinho; a guarda ateniense cercou rapidamente os tebanos.
— Detém-te, Creonte! — ordenou Teseu, a espada desembainhada, o olhar fixo no regente de Tebas. — Que pensas que fazes? Julgas que entraste numa cidade de escravos ou num deserto sem leis? Vieste para uma terra onde a justiça é soberana e tentas agir como se estivesses num campo de pilhagem? Devolve as jovens imediatamente!
Creonte, encurralado, tentou uma última cartada retórica.
— Rei de Atenas, eu não sabia que esta cidade protegia parricidas e homens manchados pelo incesto. Pensei que o Areópago prezasse a pureza. Trouxe este homem para que ele não contaminasse o teu solo.
— Não te compete a ti julgar a pureza de Atenas — respondeu Teseu, com uma calma gélida que era mais aterrorizadora que o seu grito. — Compete-te obedecer às leis da hospitalidade. Não saírás desta terra sem que as filhas de Édipo estejam seguras nos meus braços. E se insistires na violência, saberás que o bronze de Atenas corta tão profundamente quanto o de Tebas.
O confronto entre os dois líderes sintetiza o tema central da obra: a oposição entre a Arrogância (Hybris) de Creonte e a Piedade (Eusebeia) de Teseu. A cena termina com a capitulação momentânea de Creonte, que, vendo-se em desvantagem numérica, é forçado a conduzir Teseu até ao local onde Ismene fora escondida.
Édipo, deixado sozinho por breves instantes no bosque, sentia o coração bater com uma violência que o seu corpo velho já não devia suportar. O rapto das filhas fora o teste final da sua paciência. Agora, a sua ligação a Tebas estava definitivamente morta; o que restava era apenas a espera pela apoteose final.
Capítulo VI: O Lamento do Filho Pródigo
A poeira do conflito com Creonte ainda não tinha assentado totalmente quando uma nova sombra se projetou sobre o bosque de Colono. As filhas, resgatadas pela mão firme de Teseu, tinham regressado aos braços do pai, e por um breve instante, a paz parecia possível. Contudo, Teseu trouxe uma notícia que fez o sangue de Édipo gelar: um jovem suplicante, vindo de Argos, sentara-se no altar de Posídon, implorando uma audiência com o velho cego.
— É o teu filho, pai — sussurrou Antígona, com a voz embargada pela antecipação do desastre. — É Polínices.
Édipo desviou o rosto, como se o simples som do nome fosse uma agressão física.
— Não me fales dele. Não quero ouvir a voz daquele que me expulsou da minha própria casa, daquele que preferiu o trono à honra de cuidar de um pai cego. Que ele volte para o seu exército e para a sua guerra.
Mas Antígona, movida por uma compaixão que seria a sua própria ruína no futuro, insistiu.
— Ouve-o, pai. Um suplicante não pode ser ignorado, especialmente quando é do teu sangue. Ouve as suas palavras, ainda que o teu coração seja de pedra.
Polínices entrou no recinto sagrado com o aspeto de um guerreiro que já conhece o sabor da derrota antes mesmo da batalha. O seu rosto, outrora orgulhoso, estava desfeito em lágrimas ao ver a condição deplorável do pai. Ele caiu de joelhos diante de Édipo, tentando tocar-lhe os pés.
— Pai... — começou Polínices, com a voz quebrada. — Vejo agora o crime que cometi. Vejo-te coberto de trapos, com esses olhos vazios que são o testemunho da minha negligência. Sou o mais vil dos homens por te ter abandonado. Mas o destino castigou-me: o meu irmão mais novo, Etéocles, roubou-me o trono e o direito de primogenitura. Agora, venho com sete exércitos de Argos para retomar o que é meu.
Édipo permanecia imóvel, uma estátua de silêncio e rancor. Polínices continuou, desesperado por uma bênção que os oráculos diziam ser necessária para a sua vitória.
— Os profetas dizem que o lado que tu apoiares, pai, será o vencedor. Por isso, imploro-te: esquece as ofensas passadas. Ajuda-me a derrubar o tirano que nos exilou a ambos. Se eu vencer, levar-te-ei de volta a Tebas com todas as honras de um rei.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Até os rouxinóis de Colono pareciam ter parado de cantar. Lentamente, Édipo levantou-se. A sua figura parecia ganhar uma estatura sobre-humana, infundida pela fúria das Euménides que habitavam aquele bosque.
— Tu... — a voz de Édipo saiu como um trovão subterrâneo. — Tu vens aqui chorar lágrimas de crocodilo agora que precisas do meu braço? Onde estavas quando eu era arrastado para fora das muralhas de Tebas? Onde estavam as tuas lágrimas quando me deixaste mendigar o pão que hoje como por caridade das tuas irmãs? Elas são homens, Polínices! Elas suportaram o fardo que tu e o teu irmão desprezastes.
Édipo estendeu a mão na direção de Tebas, como se pudesse ver as sete portas da cidade.
— Não terás a minha bênção. Terás a minha maldição! Não derrubarás Tebas. Em vez disso, cairás banhado no sangue do teu irmão, e ele no teu. Eu amaldiçoo o vosso berço e o vosso trono. Que as Erínias vos persigam até ao abismo! Ide, malditos, e sabei que Édipo, o pai que traístes, vos envia para a morte!
Polínices recuou, pálido, sentindo o peso das palavras do pai como se fossem correntes de ferro. Ele sabia que a profecia de um pai amaldiçoado era uma sentença de morte irrevogável. Antígona tentou detê-lo, implorando que ele desistisse da guerra, mas o orgulho e o fado já tinham traçado o caminho.
— Então, que assim seja — disse Polínices, levantando-se. — Vou para o meu destino. Não contem isto aos meus aliados; que eles marchem para a morte comigo. E tu, Antígona, se o meu pai tiver razão, peço-te apenas uma coisa: dá-me um enterro digno. Não deixes o meu corpo aos cães.
É notório o contraste entre a fragilidade física de Édipo e o poder quase divino da sua palavra. Ele já não é um homem que sofre; é o próprio destino em forma de voz.
Polínices partiu sob o peso daquela condenação. O capítulo termina com o céu de Colono a escurecer subitamente. Nuvens carregadas de eletricidade começam a formar-se sobre o bosque sagrado. O ar torna-se pesado e estático. Édipo, sentindo a vibração do ar, sabe que o tempo das palavras terminou.
— O sinal chegou — murmurou Édipo para as filhas. — Zeus chama-me. O trovão é o convite para o meu repouso.
O Coro de anciãos, aterrorizado pelos relâmpagos que começam a fustigar as colinas próximas, recita versos sobre a impermanência do homem e a justiça tardia, mas implacável, dos deuses. A tragédia pessoal de um pai e de um filho estava prestes a ser engolida pela apoteose de um herói.
Capítulo VII: A Apoteose no Solo Sagrado
O céu sobre Colono não se limitou a escurecer; ele fracturou-se. O primeiro estrondo de Zeus não foi um trovão comum, mas um rugido profundo que parecia emergir das entranhas da própria terra. Os anciãos do Coro caíram de joelhos, cobrindo as cabeças com os mantos, temendo que o fim dos tempos tivesse chegado. Mas Édipo, o cego que passara a vida nas trevas, ergueu o rosto para o céu com uma serenidade que beirava a alegria.
— Filhas, o meu fim chegou — disse ele, e a sua voz era agora o único som firme num mundo em convulsão. — Não há mais tempo para adiamentos. O sinal de Deus é claro. Chamai Teseu. Só ele pode testemunhar o que está prestes a acontecer.
Teseu apareceu rapidamente, o rosto iluminado pelos relâmpagos constantes. Ele viu o que ninguém esperava: Édipo, que durante anos dependera do braço de Antígona para cada passo, levantou-se sozinho. Sem cajado, sem guia, com os olhos vazios fixos num ponto invisível, ele começou a caminhar em direção ao coração do bosque sagrado.
— Segui-me — ordenou Édipo. — Mas não me toqueis. Deixai que eu encontre por mim próprio o túmulo sagrado onde este corpo deve repousar.
O grupo seguiu-o num silêncio reverencial. Édipo conduziu-os até à Bacia de Bronze, o local onde as estradas se cruzam e onde a tradição dizia situar-se o limiar do Inferno. Ali, ele sentou-se. Pediu às filhas que trouxessem água de uma fonte próxima para as suas últimas abluções. Antígona e Ismene, soluçando, lavaram o corpo do pai e vestiram-no com roupas limpas, brancas como a espuma do mar, preparando-o não para o exílio, mas para o altar.
Quando terminou, um novo trovão, mais baixo e contínuo, fez vibrar o solo. Édipo chamou as filhas e abraçou-as uma última vez.
— Minhas filhas, hoje deixais de ter pai. Tudo o que era meu termina agora. Sei que o fardo de me cuidarem foi pesado, mas o amor que vos dei... esse amor compensou tudo. Agora, deveis partir. Ninguém, exceto Teseu, pode ver o que se vai passar ou saber onde o meu corpo será escondido.
Teseu aproximou-se. Édipo tomou a mão do rei e colocou-a sobre as mãos das filhas, selando um pacto eterno.
— Promete, Teseu, pela tua honra e pela glória de Atenas, que nunca as abandonarás e que guardarás o segredo da minha morte. Enquanto o local da minha sepultura for ignorado por todos, exceto pelos reis de Atenas, esta terra será invencível.
Teseu jurou solenemente. As filhas, guiadas pelos guardas, afastaram-se sem olhar para trás, cumprindo a ordem sagrada. Ficaram apenas o Rei e o Santo.
O que aconteceu a seguir é relatado pelo Mensageiro que, à distância, observava a cena. O ar subitamente tornou-se denso e luminoso. Não houve gritos, não houve sangue, não houve a agonia comum dos mortais. Houve apenas um silêncio absoluto que engoliu o som do trovão. Quando a luz se dissipou e a vista de Teseu recuperou a clareza, ele estava sozinho.
Édipo desaparecera. Não fora levado por um relâmpago, nem engolido por um abismo violento. Foi como se a própria terra, com um amor maternal, se tivesse aberto para receber o seu filho mais sofrido. Teseu estava de pé, com a mão sobre os olhos, como se tivesse visto uma visão que nenhum mortal deveria suportar. Ele ajoelhou-se e beijou o solo, orando simultaneamente ao Olimpo e às divindades do mundo inferior.
Antígona e Ismene regressaram, encontrando o rei em prece.
— Onde está ele? — perguntou Antígona, embora já soubesse a resposta no vazio do seu peito.
— Ele foi-se — respondeu Teseu, levantando-se. — Partiu sem dor, como um amigo que regressa a casa. A sua morte foi um milagre, não uma tragédia.
A narrativa encerra com o regresso do grupo a Atenas. O Coro canta a última ode, lembrando que nenhum homem deve ser chamado feliz antes de cruzar o limiar da morte, mas que Édipo, no final, encontrara a paz que a vida lhe negara. Antígona, embora devastada, olha para o horizonte na direção de Tebas. Ela sabe que a sua jornada de sacrifício ainda não terminou — o corpo de Polínices espera por ela, e com ele, o seu próprio destino final.
Mas em Colono, o bosque permanece silencioso. O espírito de Édipo agora guarda os caminhos, uma sentinela invisível que transforma a dor antiga na proteção de uma nova pátria. A maldição de Laio fora finalmente quebrada pelo perdão da terra.
Espiga de Milho - Intérprete Carlos Neher - Música de Bruno Neher do CD "No Rastro de Meu Pai"
Parabéns à todos que produzem e transportam alimentos nesta terra. 🚜🚛 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀#agricultura #produzindo #terra #motorista #colono #frutos #excelencia #trator #caminhao #empreendedor #sucesso #natureza https://www.instagram.com/p/B0WjE9wg75U/?igshid=e4md6iyxkip0
Casa del Colono
Casa del Colono by Tanty