QUEM ESCOLHE QUEM NO MUNDO DOS REALITIES?
Não espere por um post cult, seja gentem como a gentem...
Henry Jenkins desenvolveu o conceito de convergência midiática, que retratarei nesse post com o capítulo "Entrando no jogo de American Idol".
Em primeiro lugar se percebeu a mudança dos telespectadores em relação à televisão, de modo que passaram a ter uma presença muito mais participativa que em algumas décadas atrás. O meio televisivo, então, teve que tomar suas providências para acompanhar essa mudança. Os programas de tv são estrategicamente montados hoje, pensando em cada bloco, ou melhor, em cada segundo que está no ar, as formas de prender a atenção de quem assiste, para impedir que este com um simples apertar de botão derrube sua audiência.
Colocando o American Idol no jogo, temos grandes características dos reality shows o envolvendo, como a forte presença da publicidade, episódios de tensão, disputas acirradas e todo o glamour que a televisão proporciona. Contudo, o programa tomou enorme dimensão fazendo com que as pessoas comentassem nas rodas de amigos, torcessem a ponto de criarem grupos, páginas e sites na internet e votassem assiduamente em seus favoritos, alcançando então, o tão sonhado objetivo dos programas de televisão: a interação com seu público.
O mais maluco de se pensar sobre programas assim é a quantidade de pessoas que eles conseguem atingir. Essas por sua vez, das suas mais diferentes maneiras de ser, compartilham entre si talvez o único gosto em comum que exista entra elas. No caso de programas de calouros como American Idol, essa interação faz com que o público se sinta de alguma forma, colaborador da carreira de quem está lá, e também uma enorme responsabilidade de promovê-los. O que geram os famosos fãs clubes, onde na internet se tornam muito maiores, e constantemente divulgam seu favoritismo. No Brasil, por exemplo, o programa chegou com o nome de ídolos, comprado pelo SBT e mais tarde o perdendo para Record, a Globo que já tinha uma experiência no passado com o FAMA, continuando na mesma linhagem de reality só que com uma outra proposta, comprou o The Voice, que foi uma explosão de audiência nas tardes de domingo, onde se comentava sobre o programa durante o resto da semana, apostava-se em possíveis ganhadores antes da hora, e levavam uma pessoa do anonimato ao estrelato da noite pro dia. E com o fim do programa muito candidatos tiveram suas carreiras fortalecidas, inícios de projetos e lançamentos de álbuns. Apesar de toda essa atraente e encantadora atmosfera, muitos saem da mira da mídia mais rápido ainda do que entraram, se não forem bem instruídos e comporem uma boa estrutura para a carreira até vencedores de reality desse tipo, não duram por muito tempo no mercado, e menos ainda nos cliques e nas telinhas.
Por outro lado, nem todas as pessoas veem esses programas com bons olhos, como o caso de Karla Peterson, que criticou o American Idol agressivamente, declarando que “o programa foi uma monstruosa trama multimídia. Um merchandising desonesto, uma nostalgia sem graça, uma incestuosa promoção corporativa.” E onde ela não deixa de ter suas razões, uma vez que o programa foi realmente pensado e montado a fim de promover marcas e a própria emissora de televisão.
Pois bem, pra dizer adeus e pra dizer jamais, concluímos aqui que entrar no jogo de American Idol, ou qualquer que seja o nome do reality, é se propor a uma grande exposição, seja você um candidato, num jogo de mate ou morra, onde nem sempre o vencedor é quem irá fazer sucesso (já diria Thiaguinho). Seja você um empenhado telespectador, com uma enxurrada de marcas entrando em sua casa, e possíveis futuros ídolos que você tem a chance de acompanhar desde o inicio. De qualquer maneira, todos convergimos para era da interação, e a internet nos proporcionou novos caminhos, mesmo ainda falando sobre os meios tradicionais.