Da cultura das Mídias à Cibercultura
Faaalaaaa Bonitxs!!! Tudo certinho com vocês??
Nosso papo de hoje é sobre cibercultura. Você já ouviu falar nesse termo??
Antes de tudo vamos esclarecer que a pronúncia é toda em português, entendeu? Então falamos do jeitinho que escrevemos c.i.b.e.r.c.u.l.t.u.r.a. Exatamente desse jeito que você falou!
Para entendermos melhor a danada da cibercultura é importante falarmos um pouquinho do conceito de cultura, para isso vamos utilizar as ideias de uma professora e pesquisadora chamada Lúcia Santaella que escreve bastante sobre essa temática. De acordo com a autora, cultura é tudo que vivenciamos, é a forma como nos relacionamos, são as trocas que fazemos e tudo que nos configura como seres sociais . E aí pensou o que é cultura na sua vida? Quando você pensa em tudo que vivencia e como se relaciona socialmente, garanto que nessa vibe surgem as tecnologias em muitas das suas ações. Então vamos seguir pra gente entender como chegamos a cibercultura e Santaella nos ajuda dividindo as culturas em seis eras. Vamos conhecer cada uma?
A primeira era foi a cultura oral, aqui o conhecimento era transmitido oralmente de uma geração para outra. Já sei vocês lembraram dos índios que tem uma forte tradição na oralidade. Seguindo para a segunda era, chegamos a escrita, aqui temos o valor simbólico da escrita e as produções que se deram a partir das relações entre os seres humanos e a natureza. Lembram dos escribas e do papiro ?? Exatamente, Bonitxs!!! Então podemos seguir para a terceira era, a cultura impressa, eita chegou a industrialização e agora o conhecimento começa a ser interpretado de diferentes formas. Pois é , quem leu diz como entendeu! Aqui ocorreu um pulo rápido para a cultura de massa, a quarta era, com o marco do jornal, da fotografia e da televisão! Vamos lembrar que aqui a televisão é cultura de massa, mas é apenas uma transmissora de conteúdos, sem a interação dos telespectadores. Com a evolução tecnológica vamos para a quinta era, a cultura de mídias, aqui de acordo com Santaella ocorre a inserção dos computadores, a cultura da velocidade e das redes, promovendo interatividade e liberdade de escolha. Enfim chegamos à sexta era, denominada cultura digital, a cibercultura, aqui é possível produzir, criar, compor, montar, propagar e divulgar suas produções! Ops, cibercultura é sua era, não é? Agora para além dos computadores temos os smartphones e toda amplitude da cibercultura que acontece no ciberespaço. Quando falamos de ciberespaço, estamos ultrapassando os limites geográficos e adentramos na internet, nas inúmeras comunidades virtuais e nos mais diversos lugares do mundo, é está em todos os lugares e ao mesmo tempo ocupar e não ocupar lugar algum.
Santaella reforça que a cibercultura mudou nossas relações e interações sociais. Pense aí em tudo o que você faz com seu celular… Em quais redes sociais você está presente? Como você interage? O que você produz e dissemina? Há limites entre público e privado em suas redes?
Você já sabe que a cibercultura acontece no ciberespaço. Agora você já percebeu que no ciberespaço você é um algoritmo e sendo algoritmo todos os seus movimentos geram dados! A temática chegou a ser trabalhada na redação do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM 2018 “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Quer mais um dado sobre ser um algoritmo? Você pesquisou o preço daquele tênis que está planejando comprar. A partir desse momento você abre seu e-mail e aparecem propaganda do tênis, no facebook também aparece o bendito tênis, no site daquela pesquisa lá no final eis os abençoados tênis! É isso Bonitxs, todas as nossas pesquisas geram algoritmos a favor das empresas que passam a nos perseguir com o que queremos consumir, ver e ouvir.
Para nos ajudar a concluir sobre cibercultura vamos trazer o filósofo francês Pierre Lévy que afirma que a cibercultura se sustenta em três princípios: liberação, conexão e reconfiguração. Vamos conversar um pouquinho sobre cada um deles. A liberação faz referência a quantidade de vozes e de discursos presentes na cibercultura; lembrem que agora todxs podem produzir e disseminar. O princípio da conexão é isso mesmo que você está pensando, é a rede mundial de computadores, a conectividade generalizada, a internet. Quanto ao princípio da reconfiguração refere-se às novas práticas em um formato remixado, exatamente como acontece com as músicas, na cibercultura surgem novos ritmos, novas instrumentos, novos espaços, novos conhecimentos, novos poderes!
No ciberespaço a cibercultura nos expande, torna nossa memória, presença e conhecimentos ilimitados. Porém, para além da linha tênue entre o público e o privado a dinamicidade e as facetas do ciberespaço exigem de cada um de nós sólidos conceitos éticos e de respeito para com todxs!
Cientes do poder da cibercultura cuidemos do que produzimos e sobretudo do que compartilhamos! Numa velocidade imensurável observamos a disseminação de discursos de ódios, de violências, cyberbullying, de extremos preconceitos! Lembremos sempre que o que acontece no ciberespaço não fica restrito nele, chega ao espaço físico, chega ao humano! Numa velocidade incrível vivenciamos no último pleito eleitoral uma campanha vitoriosa que ocorreu no ciberespaço! Eis o ciberpoder!
Então Bonitxs, quem são vocês no ciberespaço? Qual a sua postura na cibercultura? Quais redes sociais vocês utilizam? A era digital está presente na escola ou universidade?
Semana que vem tem mais!!!
Referências Bibliográficas
SANTAELLA, Lucia. Cultura e Artes do Pós-Humano: da Cultura das Mídias à Cibercultura - Col. Comunicação. São Paulo: Paulus, 2003.
SANTOS, Isabella Silva dos; ALVES, André Luiz; OLIVEIRA, Kaio Eduardo de Jesus. Cibercultura: que cultura é esta? In. PORTO, Cristiane; ALVES, André; MOTA, Marlon Fontes. (Org.) EDUCIBER: Diálogos ubíquos para além da tela e da rede. Aracaju: Edunit, 2018.