Eu não nasci insegura e paranóica desse jeito. Você não me conheceu assim. Não sou mais a mesma e a culpa é sua. Eu mudei o meu cabelo porque você dizia que ele me tornava inferior ao tipo de mulher que te atraía. Troquei de roupa inúmeras vezes por você julgar cada uma das minhas escolhas e me associar à nomes pejorativos super desnecessários. Abaixei a cabeça durante as brigas por acreditar que, de alguma forma, eu estava exagerando demais por querer que você me tratasse bem. Eu me afastei de pessoas que você dizia que me faziam mal, quando na verdade todo o mal girava em torno da sua presença na minha vida. Mudei meu vocabulário por você achar que havia palavrão demais e que isso não combina com o meu gênero. Já pedi desculpas várias vezes por não ter te entendido da melhor forma. Já te desculpei e acreditei nas suas promessas de mudança. Não podia nem tocar no seu telefone pois aquilo era invasão de privacidade, mas você tinha todas as minhas senhas porque eu não merecia a sua confiança. Já acreditei que você estava fazendo um enorme favor, estando comigo. Sempre acreditei que você seria o único capaz de me amar e de aceitar os meus defeitos. As minhas amigas me questionavam o porquê de eu estar tão infeliz em um relacionamento que aparentava ser perfeito, só que ninguém sabe o que acontece depois que a porta se fecha. Você nunca me bateu, mas me fez crer que eu sou o pior tipo de pessoa que existe e que nem eu mesma sou capaz de me amar. Eu perdi muito tempo justificando minhas ações com o amor, mas depois de horas trancada chorando no chão do banheiro, eu decidi. Aquilo não era amor. Na verdade, da minha parte sempre foi, mas não pude mais permitir que somente o meu amor sustentasse nós dois. Não foi fácil me impor e te mandar sair da minha vida, precisei de muitas horas de ensaios no espelho do banheiro, mas eu consegui. Me libertei de você.














