Bolo de aniversário
- Classificação: Livre.
- Palavras: 1.273. - Tamanho: One-shot. ☆Direitos autoriais: Os personagens desta estória pertencem a mim e Tsuki Akii. Todos os direitos reservados.
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00:00
Batidas bruscas e aceleradas que demostravam uma urgência incomum acordaram em um pulo assustado os dois rapazes no quarto.
A primeira coisa que fizeram quando se deram conta do que tinha acontecido foi soltar um suspiro pesado que misturava o cansaço ao incomodo. Em seguida, foi o loiro quem afastou as cobertas primeiro e se levantou fazendo sinal para que o outro continuasse deitado enquanto ele verificava do que aquele escândalo se tratava.
Com os passos firmes e esfregações no rosto para enxergar onde andava ele seguiu pela casa escura até encontrar a porta da entrada onde as batidas pareciam não cessar. Estava irritado por ter sido acordado no meio da noite, mas não podia evitar o sentimento incerto no fundo de sua mente dizendo que algo ruim poderia ter acontecido.
Sua mão rapidamente agarrou a maçaneta e com fúria nos olhos abriu a porta em um único puxão. Sua expectativa era ver Anthony pedindo ajuda ou algo pior, entretanto a realidade o atingiu com um ataque mal planejado com abraços de três rapazes enormes que sem muito esforço levaram o loiro ao chão.
— O que que é isso?! Sai de cima de mim!
Ainda no chão se recuperando da surpresa, ele tentou afastar aquele monte de músculo que o prendia com carinho aos berros. Entretanto suas demandas foram ignoradas pelos gritos contínuos que chamavam por seu nome entre sorrisos largos e apertos que quase impediam o loiro de respirar. A barulheira foi tanta que fez o outro rapaz se levantar e, ao chegar na entrada, ficar parado assistindo a cena sem dizer nada.
— Pehleq. – Ainda do lado de fora havia mais um jovem aguardando sua vez e ao chamar o nome fez os três se afastarem um pouco deixando o loiro levantar o rosto raivoso para olha-lo. Kazuaki estava ali com um sorriso gentil e um olhar cansado que deixava claro que também queria dormir. — Pehleq, feliz aniversário.
A frase fez o olhar enfurecido desaparecer enquanto o choque do que estava acontecendo eletrocutava seu corpo rígido. Ele não tinha se esquecido da data, mas de forma alguma não esperava que eles iriam fazer algo assim sem que ele dissesse qualquer coisa.
Pehleq não teve resposta, porém o olhar confuso que deu a Kazuaki só o deixou ainda mais contente por ter esperado até aquela hora para incomoda-lo. Os três notaram o silêncio e com sorrisos alegres como de crianças o abraçaram novamente enquanto o ouviam gritando para parar mais uma vez.
07:00
Entre sussurros e pedidos de silêncio a jovem de cabelo coral chamou as outras duas garotas na cozinha fazendo sinal para que seguissem o plano da noite anterior.
Com toda a cautela do mundo, caminharam até o quarto abrindo a porta delicadamente para não fazer barulho enquanto olhavam todos os lados para garantir que nada acordasse a mulher dormindo ali. Assim que chegaram perto o suficiente se entreolharam fazendo acenos assegurando que podiam continuar.
— Courtney...
Sua voz gentil chamou sem ter certeza que tinha sido alta o suficiente para acorda-la vendo algumas reações fracas no corpo. Chamou mais uma vez. Um pouco mais alto, um pouco mais animada.
Então viram os olhos verdes se abrirem uma, duas, três vezes antes de conseguir ver qualquer coisa. Depois, veio um esticar de corpo que fazia seus pés saírem para fora da cama e por fim um giro para a direita que a fez encontrar as três amigas paradas ao lado.
A loira teve que piscar algumas vezes para entender o sorriso gentil de Clannera, o olhar animado de Emery e o rosto sério, porém interessado de Flicka. E levou alguns outros minutos para encontrar o pequeno cupcake que a menor carregava nas mãos ouvindo o “feliz aniversário” dito em coral que fez seu coração pular e um sorriso honesto pintar seu rosto em brilho.
15:45
— Eu ainda não acredito nisso. – Ao lado da fogueira girando um enorme pedaço de carne, Pehleq comentou vendo a mulher lhe oferecer uma garrafa de cerveja. — Tantos dias pra nascer e você caiu no meu dia!
— Seu dia?! O intruso aqui é você, eu nasci primeiro. – Rindo, comentou ouvindo os resmungos que ele sempre usava quando não sabia o que responder.
— Oh, os dois aí! – No meio da conversa alta uma voz preguiçosa os chamou fazendo ambos se virarem para ver Sis coçando as orelhas impaciente. — Vem cá que o Anthony tá chamando.
— Quê que ele quer agora?!
— Vem logo!
Sem opção e cheios de curiosidade eles abandonaram a tarefa seguindo o caminho que a feiticeira traçava em suas frentes. Não demorou quase nada para chegaram ao centro da vila e encontrar os amigos —e até os indesejados— ali ao redor de Anthony e Clannera.
Courtney já sabia do que se tratava e por isso se apressou para chegar perto ao vê-los de costas. Pehleq, por outro lado, apenas caminhou ainda confuso com a situação.
Quando se aproximaram o suficiente viram algumas criaturas avisando os dois que logo se viraram revelando os bolos coloridos que carregavam.
— Feliz aniversário!
A saudação veio seguida de gritos e sorrisos que fizeram Courtney rir convencida enquanto se exibia para todos como se fosse uma estrela desejada da festa. Pehleq entretanto não teve a mesma reação.
Ao ver o bolo seu olhar incomodado se foi deixando uma expressão tão assustada que fazia seus lábios entreabertos tremerem e seus punhos se cerrarem com força. Soul notou a mudança brusca de imediato, mas não soube o motivo. Os outros só foram perceber quando pararam de elogiar a loira e se viraram para ele calado ali.
— Pehleq? – Anthony chamou com uma voz preocupado o fazendo desviar o olhar do bolo e ver o rosto do amigo. — O que foi?
Seu olhos tremeram mais uma vez, sua garganta seca teve dificuldades em engolir a saliva e seu coração ainda estava enfraquecido quando suspirou. Sua cabeça balançou negativamente como se dissesse que não era nada e por fim falou:
— Brigado...
Sua voz soou tão gentil como nunca tinham ouvido fazendo alguns olhares se arregalarem com a atitude e Courtney rir.
— Ele nem fez aniversário direito e já está amadurecendo. – Tobias comentou risonho no fundo.
— Cala essa boca!
— A gente vai poder tratar ele como adulto agora.
— Será que eu vou precisar ir aí te fazer ficar quieto?!
22:00
Soul e Pehleq já tinham se arrumado para dormir e agora, deitados na cama, aproveitavam a paz da casa em abraços.
— Foi a primeira vez que isso aconteceu. – Enquanto acariciava o braço do menor, Pehleq comentou olhando para a coberta sobre eles. — Meu primeiro bolo de aniversário.
A confissão trouxe a lembrança da cena na festa ao ruivo e novamente ele não soube o que deveria perguntar. Preferiu então aguardar alguns instantes para saber se tinha mais o que dizer, porém com o silêncio se prolongando resolveu falar.
— Ficou feliz?
— Naquela hora eu senti medo e... Fiquei triste... Eu tava com dor. – Seus olhos ainda fitavam o nada quando respondeu, mas não pareciam carregar sentimentos negativos, apenas a verdade. Assim que terminou de refletir se virou para ele vendo o olhar azul sério o encarando e soltou um sorriso. — Mas agora tô feliz.
— É isso o que importa. Agora.
— É... – Se ajeitando melhor, respondeu enquanto o abraçava juntando seus corpos um pouco mais. — Eu te amo. – Falou dando um beijo gentil em seus lábios delicados antes de juntar suas testas olhando em seus olhos. — Meu maior presente.
Soul estava com as bochechas rosadas apesar do olhar não mostrar abalo e mesmo sentindo seu coração disparar junto ao do marido ele não conseguia falar tão bem quanto ele sobre essas coisas e apenas sorriu assentindo antes de beija-lo carinhosamente.








